Cientistas alemães concebem dispositivo para controlar aeronaves por pensamento (vídeo)

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A revista científica Nature publicou um estudo sensacional sobre a groselha do mar (Pleurobrachia bachei), uma espécie pertencente ao grande grupo de ctenóforos (Ctenophora).

Ao terem analisado o genoma do ctenóforo, os especialistas concluíram que este tinha evoluído ao contrário da teoria de Darwin. Muito provavelmente, o sistema nervoso surgiu no processo de evolução em duas ocasiões independentes uma da outra, acreditam os biólogos.

Para confirmar esta hipótese, é indispensável uma investigação mais aprofundada. No caso de ser confirmada, a ciência biológica terá que rever radicalmente os seus princípios fundamentais, alterando de forma substancial o sistema de classificação de espécies.

É de assinalar que presentemente os cientistas acreditam que “o grupo de ctenóforos se separou do resto dos animais multicelulares nos primeiros estágios de evolução há uns 600 milhões de anos”, e é justamente por essa razão que a sua estrutura é fundamentalmente diferente da dos representantes do resto do mundo animal.

O texto integral do artigo está disponível no site da revista.

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Internet na Lua é cinco vezes mais rápida que a média global

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A nova tecnologia de comunicações baseada em laser, que foi testada no ano passado e vai ser apresentada numa conferência em junho, faz com que o sinal de Internet na Lua seja mais potente do que na maior parte do nosso planeta.

Durante a conferência Conference on Lasers and Electro-Optics, a decorrer em San Jose, na Califórnia, a equipa do Massachusetts Institute of Technology (MIT) que colaborou com a NASA para demonstrar um sistema de distribuição para a lua de sinal de banda larga vai revelar novos detalhes.

A equipa deverá explicar como conseguiu transmitir informação da Terra para a Lua a velocidades de 19,44 Mbps – mais de cinco vezes a velocidade média global de 3,8 Mbps (segundo o relatório Akamai de 2013 “State of the Internet”).

As comunicações entre a Terra e a Lua são dificultadas pela distância de 400.000 km que as separa, sublinhou Mark Stevens, do Lincoln Laboratory do MIT.

Por outro lado, também a turbulência na atmosfera terrestre é um problema, já que pode “dobrar” a luz e provocar interrupções na chegada do sinal.

A equipa conseguiu contornar estes obstáculos através da emissão de um sinal a partir de um terminal em White Sands, Novo México, usando quatro telescópios separados, refere o Cnet.com.

Formigas ultrapassam Google no processamento de dados

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As últimas pesquisas demonstram que as colônias de formigas são mais eficientes no processamento de informações do que o sistema de busca Google, afirma o The Independent.

Um método de modelagem computacional revelou que as formigas costumam estabelecer a ordem por via de redes complicadas, usadas para coordenar suas ações. Os insetos são capazes de empregar estratégias de navegação realmente geniais para se dividir em “buscadores” e “captadores” no processo de procura de alimentos.

À primeira vista, os movimentos de “buscadores” parecem caóticos, se bem que eles deixem marcas de feromônios para os “captadores” poderem corrigir a sua caminhada até às fontes de alimentação nas proximidades de suas colônias.

Uma vez que este percurso é normalmente repetido por formigas “operárias”, trazendo cargas, se cria maior eficiência, levando à escolha de vias cada vez mais curtas.

“A transição do caos para a ordem é um mecanismo importante, tanto mais que a estratégia de ensino nesse caso é mais complicada e exata”, disse o coautor da pesquisa, Jurgen Kurths.

Segundo a fonte de informação, tais pesquisas de larga escala podem ser utilizadas para compreender melhor o comportamento humano na Internet.

Desconfiança torna pessoas mais propensas a desenvolver demência, diz estudo

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A crença de que as outras pessoas agem somente por interesses egoístas faz com que os que vivem com essa desconfiança cínica sejam mais propensos a desenvolver demência, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira na revista “Neurology”.

A revista da Academia Americana de Neurologia apontou que outros estudos já vincularam essa desconfiança com outros problemas de saúde, tais como os males cardíacos, mas esta é a primeira pesquisa que analisou a relação entre o cinismo e a demência.

“Estes resultados se somam aos testes que demonstram que a visão que se tem sobre a vida e a personalidade pode ter um impacto sobre a saúde da pessoa”, declarou a autora principal do estudo, Anna Maija Tolppanen, da Universidade do Leste da Finlândia, em Kuopio.

“Entender como um traço de personalidade tal como o cinismo afeta o risco de demência poderia nos dar um conhecimento importante para reduzir esses riscos”, acrescentou.

Nesta pesquisa, os cientistas submeteram 1.449 pessoas, com uma idade média de 71 anos, a testes para o diagnóstico de demência e a um questionário que media o nível de cinismo.

Por exemplo, foi perguntado aos participantes se eles estavam de acordo com declarações tais como “acho que a maioria das pessoas mente para tirar vantagens”, ou “o mais seguro é não confiar em ninguém”.

Sobre a base de suas pontuações nestas provas e no questionário, os participantes foram classificados em três grupos com nível baixo, moderado e alto de desconfiança cínica.

No total 622 pessoas completaram as duas provas de demência, a última administrada na média oito anos depois que começou o estudo. Nesse período, 46 pessoas foram diagnosticadas com demência.

Uma vez que os pesquisadores fizeram os ajustes estatísticos por outros fatores que podem afetar o risco de demência, tais como a alta pressão sanguínea, colesterol alto e tabagismo, as pessoas com os níveis mais altos de desconfiança eram três vezes mais propensas a desenvolver demência do que as pessoas com nível baixo de cinismo.

Do total de 164 pessoas que tinham marcado uma pontuação alta de desconfiança, 14 desenvolveram demência, comparado com nove entre as 212 pessoas que tiveram baixos níveis de cinismo.

O estudo também observou que as pessoas com elevado nível de desconfiança eram mais propensas a morrer mais cedo do que as apontadas com baixo nível de cinismo.

Nessa parte da análise, foram incluídas 1.146 pessoas e delas 361 morreram durante um acompanhamento médio de dez anos, assinalou o artigo.

A princípio pareceu haver um vínculo entre a desconfiança cínica e a morte mais cedo, mas depois que foram feitos os ajustes por fatores tais como o status socioeconômico, o tabagismo e outros aspectos da saúde, não foi encontrado vínculo entre o cinismo e a morte prematura. EFE

Companhia de turismo espacial Virgin prepara primeiros voos privados

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A companhia de turismo espacial Virgin Galactic, fundada por Richard Branson, anunciou nesta quinta-feira a assinatura de um acordo com as autoridades americanas que permitirá levar turistas ao espaço.

O acordo com a Agência Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês) estabelece como serão coordenados os futuros voos comerciais ao espaço com o tráfego aéreo habitual.

Os primeiros voos – que sairão da base americana da Virgin Galactic no Novo México (sudoeste) – estão previstos antes do fim do ano.

“Nossa equipe está trabalhando duro para iniciar viagens especiais de rotina e econômicas do Spaceport America e este acordo é outro passo na direção deste objetivo”, disse o diretor executivo da Virgin Galactic, George Whitesides.

“Estou agradecido com a FAA e o Novo México por sua colaboração para alcançar este marco”, acrescentou.

A Virgin Galactic só fez testes até o momento, mas já vende a reserva de bilhetes para voos suborbitais comerciais com alguns minutos de duração, apesar de ainda não haver uma data para o início de suas operações.

Em seu site, a companhia propõe um preço de 250.000 dólares para que um interessado passe a fazer parte de “uma comunidade de mais de 600 futuros astronautas”. Além de Branson, celebridades, como o astro de Hollywood Leonardo DiCaprio, já reservaram um bilhete.

O acordo foi anunciado horas depois de a principal concorrente da Virgin em voos espaciais, a SpaceX, fundada pelo bilionário americano Elon Musk, apresentar sua nova aeronave, batizada de Dragon V2.

EUA testarão microchips no cérebro para tratar depressão

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Pesquisadores poderão ter um olhar mais detalhado sobre o que pode estar funcionando de forma errada no cérebro humano e desenvolver tecnologia para corrigir possíveis desvios

Uma agência americana anunciou que doenças mentais poderão ser curadas com a implantação de microchips no crânio, de acordo com o Daily Mail.

A pesquisa de 26 milhões de dólares (mais de R$ 58 milhões) elaborada pela Agência de Defesa de Projetos de Pesquisa Avançada (The Defense Advanced Research Projects Agency), quer encontrar tratamentos mais eficientes parar ajudar militares que sofrem de distúrbios mentais, como estresse pós-traumático.

O projeto, que será realizado pela Universidade da Califórnia, é o primeiro lançado com o suporte da Obamas’s Brain Initiative, uma iniciativa de pesquisa colaborativa anunciada pelo presidente americano em 2013, cujo objetivo é mapear a atividade do cérebro humano e será chamada de “Systems-Based Neurotechnology for Emerging Therapies” (Subnets).

Espera-se que a pesquisa encontre padrões de sinalização prejudiciais, que são evidentes em depressões, transtornos de ansiedade e dependência. Os pesquisadores esperam desenvolver equipamentos para estimular o cérebro e fortalecer circuitos alterrnativos, limitando os sintomas de tais doenças.

Edward F. Chang, chefe do projeto, explicou que “a gravação do cérebro humano pode revelar aspectos de doenças mentais até então inacessíveis aos cientistas e médicos”.

“Ao analisar padrões de interação entre as regiões do cérebro envolvidas em doenças mentais, nós podemos ter um olhar mais detalhado sobre o que pode estar funcionando de forma errada, e desenvover tecnologia para corrigir isso”, disse.

Um time do Hospital Geral de Massachusetts também trabalhará com o Draper Laboratories para desenvolver microchips que poderão ser implantados em cérebros humanos. Dessa forma, eletrodos poderiam ajudar a identificar a terapia sob medida para o paciente e gravar informações neurológicas.

De acordo com os médicos, os tratamentos existentes para doenças como ansiedade e estresse pós-traumático – como terapias e medicamentos – podem ajudar a os pacientes, mas levam muito tempo para fazerem efeito.

“Este projeto oferece esperança para milhares de pessoas que não recebem tratamento ou que lutam constantemente com os sintomas de suas doenças porque este é um modo totalmente novo de ver como as partes do cérebro interagem com as doenças mentais”, disse o professor assistente de psquiatria da Universidade da Califórnia Vikaas Soha.

No mês passado, a Agência de Defesa de Projetos de Pesquisa Avançada anunciou que está trabalhando em um projeto para ajudar soldados feridos em guerra a restaurar a memória, por meio de impantes cerebrais, além de beneficiar pacientes com Alzheimer ou demência.

Criar abelhas em áreas urbanas está em alta na Alemanha

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Preocupação com o sumiço desses insetos no campo despertou interesse da população das cidades. Cerca de 80% das plantas na Alemanha dependem da polinização das abelhas, afirmam pesquisadores.

A criação de abelhas está na moda. Nos quintais e varandas de grandes cidades, há cada vez mais pequenos apiários. Para pesquisadores, a atividade combina com o aumento da consciência ecológica no mundo.

Como polinizadores, esses insetos também dependem das plantas e usam o pólen e o néctar das flores como fonte de alimento. Mas essa vegetação está em falta: em zonas rurais, as abelhas convivem com áreas de plantio sem flores ou campos sem vegetação. Com a queda da população desses insetos registrada em estudos científicos, a criação urbana ganhou apelo. É por isso que as abelhas agora circulam cada vez mais pelas cidades.

O engenheiro aposentado e apicultor amador Jürgen Hiller cria há quase quatro anos duas colmeias no seu jardim. “Eu tive a sorte de ser orientado por um apicultor amador com muita experiência que, em casos de emergências, vem até aqui”. Hiller afirma ter lido muito sobre o assunto e conquistou, dessa maneira, o conhecimento necessário para essa prática.

Hiller não fez nenhum curso oferecido por associações de apicultores ou recomendado por especialistas. “Contudo, isso teria sido, com certeza, útil”, admite. No ano passado, uma de suas colmeias morreu. “Provavelmente de varroa”, acredita o apicultor amador. Varroa é um tipo de ácaro que ataca e dizima colônias de abelhas. Pesquisadores e apicultores profissionais estudam o problema – a luta contra esse parasita requer conhecimento técnico.

“O apicultor tem a função de proteger e cuidar da colmeia. Tudo precisa ser feito com base em um determinado plano e no tempo exato”, reforça Andreé Hamm, pesquisador sobre abelhas da Universidade de Bonn, na Alemanha.

Abelhas em alta

Para o diretor do Instituto de Apicultura da Universidade de Hohenheim, Peter Rosenkranz, a forte divulgação na mídia sobre a morte desses insetos os tornou populares. A razão para essa morte em massa tem uma natureza complexa. A agricultura intensiva e a urbanização fizeram com que as áreas com flores desaparecessem. Além disso, o aumento do uso de pesticidas nas lavouras também leva à morte desses insetos.

O projeto Fit Bee, coordenado pela equipe de Rosenkranz, procura conciliar a agricultura com a sobrevivência das abelhas. Devido à atual condição dos insetos, o especialista não se surpreende com o fato de muitas pessoas optarem pela criação de abelhas.

Mas o apicultor profissional Klaus Maresch é mais crítico. “Muitas colmeias morrem devido à falta de conhecimentos do apicultor. Eu não faço nada de bom para as abelhas só as criando”, afirma o especialista. Para ele, um apicultor precisa ser também uma espécie de veterinário e para isso é necessário um conhecimento que muitos amadores não possuem.

Maresch cita como exemplo a varroa. Segundo ele, nenhuma colmeia necessariamente morre ao ser atacada por esse parasita. O criador precisa aplicar o tratamento profilático correto. Maresch possui 180 colmeias, divididas em 12 locais em Bonn e região. Neste ano, ele quer chegar a 300.

Seu apiário está localizando em um terreno de sete hectares, em um antigo campo de tiro do exército alemão. O mel produzido é orgânico e ele também vende cera para velas, balas de mel e hidromel. A instalação do espaço onde o mel é trabalhado custou a Maresch cerca de 30 mil euros e segue os padrões para a produção de alimentos.

Proteção à natureza

Apesar do ceticismo do apicultor, para pesquisadores o interesse popular por abelhas é importante. Por um lado, esses insetos são indicadores ecológicos, ou seja, quando o meio ambiente adoece, especialmente se diminui a diversidade de plantas, as abelhas ajudam a indicar a apontar para o problema.

Por outro lado, sua importância econômica não deve ser subestimada. “Cerca de 80% das plantas na Alemanha dependem da polinização das abelhas. Até os animais que comemos são alimentados com essas plantas. Por isso, as abelhas têm um papel fundamental na nossa alimentação”, afirma Hamm.

Além das abelhas criadas, existem na Alemanha cerca de 600 espécies selvagens. Nesse caso, a situação é um pouco pior do que a das domesticadas. “Abelhas selvagens têm uma desvantagem dupla. Elas dependem no seu ambiente não somente de recursos de plantas como pólen e néctar, mas também de locais para fazer suas colmeias”, diz Hamm.

Cinto de segurança inflável torna os carros mais seguros

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A montadora americana Ford anunciou que permitirá que suas concorrentes licenciem o uso de seu cinto de segurança inflável. Ele é ativado em momentos de colisão, se expandindo graças à entrada de ar comprimido no equipamento (veja, ao lado, uma imagem do cinto expandido). A parte que se expande fica no tronco e nos ombros dos passageiros. A tecnologia já é vendida junto com alguns carros da marca, como o Ford Explorer e o Fusion.

De acordo com a Ford, isso faz com que a área de impacto aumente em até cinco vezes. Com isso, a força de impacto é diluída em uma região maior. A Ford destaca a importância do cinto principalmente para crianças e idosos. “O compromisso duradouro da Ford com a democratização da tecnologia vai além dos nossos clientes”, afirma Bill Coughlin, presidente da Ford Global Technologies, em um comunicado oficial.

Células-tronco e estímulo elétrico recuperam movimento de paraplégicos

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Técnicas atuam diretamente na lesão que causou a paralisia, para reestabelecer a comunicação natural entre os membros e o cérebro

Vestindo um equipamento robótico, que envolverá suas pernas e tronco, um adolescente paraplégico dará o chute inicial na cerimônia de abertura da Copa do Mundo, em 12 de junho. Mas, para voltar a andar, quem perdeu o movimento das pernas talvez não precise se parecer com um ciborgue. Enquanto as vestes robóticas, ou exoesqueletos, auxiliam a locomoção do paciente, outras abordagens tentam resolver o problema de dentro para fora, ao reestabelecer a comunicação natural entre os membros e o cérebro. Técnicas como células-tronco e estímulos elétricos atuam diretamente na lesão que causou a paralisia.

No Brasil, um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) tem usado estímulos elétricos para devolver a diversos pacientes a capacidade de se locomover sozinhos, ainda que com ajuda de muletas ou andadores. Pacientes com lesão na medula recebem estímulos por meio de eletrodos fixados superficialmente nas pernas. As correntes elétricas atingem as raízes lombo-sacrais do paciente, neurônios que atuam na ativação dos músculos de membros inferiores, fazendo com que eles comecem a andar de forma automática. Dessa forma, a medula aprende o movimento de caminhar por repetição, sem a participação do cérebro, em um primeiro momento. “Trata-se de um mecanismo semelhante àquele em que a gente retira rapidamente a mão de uma superfície muito quente, por reflexo. A reação é tão rápida que não dá tempo da informação chegar ao cérebro”, explica Alberto Cliquet Júnior, professor titular do departamento de Ortopedia e Traumatologia da Unicamp e de Engenharia Elétrica na Universidade de São Paulo.

Com o tempo, o treino repetitivo da caminhada refaz a ligação entre o cérebro e o músculo, permitindo que o controle do movimento seja voluntário. Esse tratamento é aplicado tanto em pacientes paraplégicos quanto tetraplégicos, mas a movimentação dos membros inferiores só pode ser recuperada em lesões que se localizam da região do umbigo para cima (até a vértebra T-12). Mais abaixo disso, as raízes motoras são comprometidas, e a estimulação elétrica não consegue atuar.

Movimentos recuperados — Cliquet conta que um dos primeiros pacientes que voltou a andar estava paralisado há cinco anos, em razão de um tumor na medula. Ele recuperou a capacidade de flexionar o pé, e, a partir daí, ganhou movimentos até caminhar com ajuda de muletas. Outro paciente, paraplégico por cinco anos devido a uma infecção do sistema nervoso, afirmava sentir a perna esquerda quando a direita era cutucada, e vice-e-versa, após dois anos de tratamento. Três anos mais tarde, deu os primeiros passos voluntários. “É algo que acontece de um dia para o outro, com algum tempo de tratamento. Quando a conexão é refeita, os movimentos começam a voltar”, explica o pesquisador.

Para ele, esses casos de sucesso devem ser considerados “quase ficção”, porque não há garantias de que todos os pacientes terão o mesmo êxito. “Alguns conseguem caminhar com apoio de muletas ou andadores, enquanto outros apenas recuperam alguns movimentos e uma parcela sequer reage ao tratamento”, diz Cliquet. Não está claro porque a resposta aos estímulos varia, nem quais pacientes são mais propensos a obter benefícios.

Um dos obstáculos enfrentados pelos cientistas é que nem sempre os pacientes recuperam totalmente a sensibilidade nas pernas, o que prejudica seu equilíbrio e exige instrumentos de apoio. Ainda assim, o fato de voltar a caminhar, ainda que com os estímulos elétricos, já traz benefícios cardiovasculares e de ganho de massa óssea para os pacientes. O Ambulatório de Reabilitação Raquimedular do Hospital de Clinicas da Unicamp, que promove esse tratamento há mais de dez anos, está no limite de sua capacidade, realizando por volta de 100 atendimentos por semana.

Células-tronco — Em 2011, um grupo brasileiro ficou conhecido por um caso de sucesso no tratamento de lesão medular, com uso de células-tronco: o ex-policial baiano Maurício Ribeiro, de 47 anos, recuperou parte dos movimentos das pernas e voltou a caminhar com a ajuda de um andador, depois de nove anos paraplégico. Maurício participou da primeira etapa do projeto liderado por Ricardo Ribeiro, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz e coordenador do Centro de Terapia Celular do Hospital São Rafael, em Salvador. Nessa fase da pesquisa, catorze pacientes tiveram células-tronco inseridas no local da lesão por meio de uma cirurgia. Atualmente os cientistas estão se preparando para iniciar a segunda fase, com 60 pacientes. Nessa etapa, as células serão injetadas na lesão com uma agulha. “O novo método é menos invasivo, e vai poder ser repetido mais de uma vez no mesmo paciente, enquanto com a outra técnica fizemos a inserção das células-tronco apenas uma vez”, explica Ribeiro.

O tratamento retira células-tronco adultas da medula óssea do próprio paciente. Essas células, chamadas mesenquimais, são cultivadas em laboratório por cerca de 30 dias, quando aumentam em quantidade, para depois serem injetadas. O objetivo principal dessas células não é reconstituir neurônios, mas liberar substâncias que estimulam o crescimento das ligações nervosas na área lesionada. “Na região da medula onde há lesão existem poucos neurônios. O maior problema é a junção nervosa, o ‘fio’ que foi quebrado e precisa ser restaurado. A célula mesenquimal secreta substâncias que diminuem a inflamação e estimulam a religação do nervo”, diz Ribeiro.

Até agora, os implantes foram realizados apenas em pacientes paraplégicos, com lesões na região lombar. A nova etapa vai incluir tetraplégicos também. As lesões tratadas são provocadas por traumas, como acidentes de automóvel ou quedas — ferimentos provocados por tiros, onde há o rompimento completo da medula, não participam das pesquisas até o momento.

O maior desafio na recuperação desses pacientes é a atrofia muscular após anos de paralisia — o que torna a fisioterapia essencial para o sucesso dessa técnica. Dentre os catorze pacientes que participaram do início da pesquisa, quatro conseguiram voltar a se locomover com ajuda de um andador. Trata-se de um resultado promissor, considerando-se que o principal objetivo do estudo era mostrar que o uso de células-tronco não acarretaria efeitos colaterais. “A expectativa é que com várias aplicações a gente possa obter resultados melhores, mas ainda é um caminho muito longo e difícil. Acredito que dentro de dez a quinze anos será possível alcançar resultados fantásticos com essa técnica”, afirma Ribeiro.

Cientistas criam mapa das proteínas do corpo humano

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Feito foi divulgado no mesmo dia por duas equipes diferentes

Duas equipes de pesquisadores publicaram nesta quarta-feira os primeiros “rascunhos” do proteoma humano, um “mapa” das proteínas presentes no organismo, semelhante ao que o genoma representou para o DNA. Os dois artigos saíram na revista Nature.

Um mapeamento de proteínas era um passo esperado da ciência após a decodificação do genoma humano. Isso porque as proteínas são os primeiros produtos do DNA. Grande parte das doenças genéticas, por exemplo, estão relacionadas a problemas nas proteínas produzidas pelo organismo.

Uma das equipes, que contou com a participação de 72 cientistas dos Estados Unidos, Índia, Canadá, Chile, Reino Unido e Hong Kong, identificou proteínas fabricadas por 17 294 genes, sendo que mais de 2 000 deles produzem proteínas nunca antes descritas pela ciência, e 193 não eram considerados genes produtores de proteínas. Mais de 30 000 proteínas foram catalogadas. Já a outra equipe, formada por 22 pesquisadores de instituições alemãs, encontrou mais de 18 000 proteínas.

Os dois times utilizaram amostras de tecidos humanos na pesquisa. Para identificar as proteínas, aplicaram uma técnica denominada espectrometria de massa, capaz de identificar os átomos que compõe uma substância e assim separar as proteínas do resto dos tecidos.

Coincidência — Os dois principais autores das pesquisas disseram à rede britânica BCC que não faziam ideia da publicação simultânea. “Na minha opinião, quando é o momento certo para uma coisa, alguém vai fazê-la. E talvez dois grupos façam (simultaneamente)”, afirmou Bernhard Kuster, professor da Universidade da Tecnologia, em Munique, que liderou a pesquisa alemã. O chefe da outra equipe, professor Akhilesh Pandey, da Universidade Johns Hopkins, comparou o ocorrido com a publicação dos primeiros rascunhos do genoma humano, também anunciada por dois grupos distintos em fevereiro de 2001.