Cinto de segurança inflável torna os carros mais seguros

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A montadora americana Ford anunciou que permitirá que suas concorrentes licenciem o uso de seu cinto de segurança inflável. Ele é ativado em momentos de colisão, se expandindo graças à entrada de ar comprimido no equipamento (veja, ao lado, uma imagem do cinto expandido). A parte que se expande fica no tronco e nos ombros dos passageiros. A tecnologia já é vendida junto com alguns carros da marca, como o Ford Explorer e o Fusion.

De acordo com a Ford, isso faz com que a área de impacto aumente em até cinco vezes. Com isso, a força de impacto é diluída em uma região maior. A Ford destaca a importância do cinto principalmente para crianças e idosos. “O compromisso duradouro da Ford com a democratização da tecnologia vai além dos nossos clientes”, afirma Bill Coughlin, presidente da Ford Global Technologies, em um comunicado oficial.

Células-tronco e estímulo elétrico recuperam movimento de paraplégicos

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Técnicas atuam diretamente na lesão que causou a paralisia, para reestabelecer a comunicação natural entre os membros e o cérebro

Vestindo um equipamento robótico, que envolverá suas pernas e tronco, um adolescente paraplégico dará o chute inicial na cerimônia de abertura da Copa do Mundo, em 12 de junho. Mas, para voltar a andar, quem perdeu o movimento das pernas talvez não precise se parecer com um ciborgue. Enquanto as vestes robóticas, ou exoesqueletos, auxiliam a locomoção do paciente, outras abordagens tentam resolver o problema de dentro para fora, ao reestabelecer a comunicação natural entre os membros e o cérebro. Técnicas como células-tronco e estímulos elétricos atuam diretamente na lesão que causou a paralisia.

No Brasil, um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) tem usado estímulos elétricos para devolver a diversos pacientes a capacidade de se locomover sozinhos, ainda que com ajuda de muletas ou andadores. Pacientes com lesão na medula recebem estímulos por meio de eletrodos fixados superficialmente nas pernas. As correntes elétricas atingem as raízes lombo-sacrais do paciente, neurônios que atuam na ativação dos músculos de membros inferiores, fazendo com que eles comecem a andar de forma automática. Dessa forma, a medula aprende o movimento de caminhar por repetição, sem a participação do cérebro, em um primeiro momento. “Trata-se de um mecanismo semelhante àquele em que a gente retira rapidamente a mão de uma superfície muito quente, por reflexo. A reação é tão rápida que não dá tempo da informação chegar ao cérebro”, explica Alberto Cliquet Júnior, professor titular do departamento de Ortopedia e Traumatologia da Unicamp e de Engenharia Elétrica na Universidade de São Paulo.

Com o tempo, o treino repetitivo da caminhada refaz a ligação entre o cérebro e o músculo, permitindo que o controle do movimento seja voluntário. Esse tratamento é aplicado tanto em pacientes paraplégicos quanto tetraplégicos, mas a movimentação dos membros inferiores só pode ser recuperada em lesões que se localizam da região do umbigo para cima (até a vértebra T-12). Mais abaixo disso, as raízes motoras são comprometidas, e a estimulação elétrica não consegue atuar.

Movimentos recuperados — Cliquet conta que um dos primeiros pacientes que voltou a andar estava paralisado há cinco anos, em razão de um tumor na medula. Ele recuperou a capacidade de flexionar o pé, e, a partir daí, ganhou movimentos até caminhar com ajuda de muletas. Outro paciente, paraplégico por cinco anos devido a uma infecção do sistema nervoso, afirmava sentir a perna esquerda quando a direita era cutucada, e vice-e-versa, após dois anos de tratamento. Três anos mais tarde, deu os primeiros passos voluntários. “É algo que acontece de um dia para o outro, com algum tempo de tratamento. Quando a conexão é refeita, os movimentos começam a voltar”, explica o pesquisador.

Para ele, esses casos de sucesso devem ser considerados “quase ficção”, porque não há garantias de que todos os pacientes terão o mesmo êxito. “Alguns conseguem caminhar com apoio de muletas ou andadores, enquanto outros apenas recuperam alguns movimentos e uma parcela sequer reage ao tratamento”, diz Cliquet. Não está claro porque a resposta aos estímulos varia, nem quais pacientes são mais propensos a obter benefícios.

Um dos obstáculos enfrentados pelos cientistas é que nem sempre os pacientes recuperam totalmente a sensibilidade nas pernas, o que prejudica seu equilíbrio e exige instrumentos de apoio. Ainda assim, o fato de voltar a caminhar, ainda que com os estímulos elétricos, já traz benefícios cardiovasculares e de ganho de massa óssea para os pacientes. O Ambulatório de Reabilitação Raquimedular do Hospital de Clinicas da Unicamp, que promove esse tratamento há mais de dez anos, está no limite de sua capacidade, realizando por volta de 100 atendimentos por semana.

Células-tronco — Em 2011, um grupo brasileiro ficou conhecido por um caso de sucesso no tratamento de lesão medular, com uso de células-tronco: o ex-policial baiano Maurício Ribeiro, de 47 anos, recuperou parte dos movimentos das pernas e voltou a caminhar com a ajuda de um andador, depois de nove anos paraplégico. Maurício participou da primeira etapa do projeto liderado por Ricardo Ribeiro, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz e coordenador do Centro de Terapia Celular do Hospital São Rafael, em Salvador. Nessa fase da pesquisa, catorze pacientes tiveram células-tronco inseridas no local da lesão por meio de uma cirurgia. Atualmente os cientistas estão se preparando para iniciar a segunda fase, com 60 pacientes. Nessa etapa, as células serão injetadas na lesão com uma agulha. “O novo método é menos invasivo, e vai poder ser repetido mais de uma vez no mesmo paciente, enquanto com a outra técnica fizemos a inserção das células-tronco apenas uma vez”, explica Ribeiro.

O tratamento retira células-tronco adultas da medula óssea do próprio paciente. Essas células, chamadas mesenquimais, são cultivadas em laboratório por cerca de 30 dias, quando aumentam em quantidade, para depois serem injetadas. O objetivo principal dessas células não é reconstituir neurônios, mas liberar substâncias que estimulam o crescimento das ligações nervosas na área lesionada. “Na região da medula onde há lesão existem poucos neurônios. O maior problema é a junção nervosa, o ‘fio’ que foi quebrado e precisa ser restaurado. A célula mesenquimal secreta substâncias que diminuem a inflamação e estimulam a religação do nervo”, diz Ribeiro.

Até agora, os implantes foram realizados apenas em pacientes paraplégicos, com lesões na região lombar. A nova etapa vai incluir tetraplégicos também. As lesões tratadas são provocadas por traumas, como acidentes de automóvel ou quedas — ferimentos provocados por tiros, onde há o rompimento completo da medula, não participam das pesquisas até o momento.

O maior desafio na recuperação desses pacientes é a atrofia muscular após anos de paralisia — o que torna a fisioterapia essencial para o sucesso dessa técnica. Dentre os catorze pacientes que participaram do início da pesquisa, quatro conseguiram voltar a se locomover com ajuda de um andador. Trata-se de um resultado promissor, considerando-se que o principal objetivo do estudo era mostrar que o uso de células-tronco não acarretaria efeitos colaterais. “A expectativa é que com várias aplicações a gente possa obter resultados melhores, mas ainda é um caminho muito longo e difícil. Acredito que dentro de dez a quinze anos será possível alcançar resultados fantásticos com essa técnica”, afirma Ribeiro.

Cientistas criam mapa das proteínas do corpo humano

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Feito foi divulgado no mesmo dia por duas equipes diferentes

Duas equipes de pesquisadores publicaram nesta quarta-feira os primeiros “rascunhos” do proteoma humano, um “mapa” das proteínas presentes no organismo, semelhante ao que o genoma representou para o DNA. Os dois artigos saíram na revista Nature.

Um mapeamento de proteínas era um passo esperado da ciência após a decodificação do genoma humano. Isso porque as proteínas são os primeiros produtos do DNA. Grande parte das doenças genéticas, por exemplo, estão relacionadas a problemas nas proteínas produzidas pelo organismo.

Uma das equipes, que contou com a participação de 72 cientistas dos Estados Unidos, Índia, Canadá, Chile, Reino Unido e Hong Kong, identificou proteínas fabricadas por 17 294 genes, sendo que mais de 2 000 deles produzem proteínas nunca antes descritas pela ciência, e 193 não eram considerados genes produtores de proteínas. Mais de 30 000 proteínas foram catalogadas. Já a outra equipe, formada por 22 pesquisadores de instituições alemãs, encontrou mais de 18 000 proteínas.

Os dois times utilizaram amostras de tecidos humanos na pesquisa. Para identificar as proteínas, aplicaram uma técnica denominada espectrometria de massa, capaz de identificar os átomos que compõe uma substância e assim separar as proteínas do resto dos tecidos.

Coincidência — Os dois principais autores das pesquisas disseram à rede britânica BCC que não faziam ideia da publicação simultânea. “Na minha opinião, quando é o momento certo para uma coisa, alguém vai fazê-la. E talvez dois grupos façam (simultaneamente)”, afirmou Bernhard Kuster, professor da Universidade da Tecnologia, em Munique, que liderou a pesquisa alemã. O chefe da outra equipe, professor Akhilesh Pandey, da Universidade Johns Hopkins, comparou o ocorrido com a publicação dos primeiros rascunhos do genoma humano, também anunciada por dois grupos distintos em fevereiro de 2001.

Já pensou em um prato que dá para comer depois de usar?

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Nada mais de louça acumulada: o “Bake.A.Dish” é um projeto que assa pratos feitos de massa de pão ou de biscoito, criado por um estudante de design industrial

O trabalho de lavar a louça pode estar prestes a acabar. Em troca, pães e biscoitos feitos na hora.

Isso porque o estudante de design industrial Saeed Rahiminejad criou o “Bake.A.Dish”, um forno que assa pratos feitos com massa de pão ou de biscoito, dispensando o uso dos pratos comuns.

Eles podem ser customizados tanto no tamanho quanto na quantidade de carboidratos e de fibras, inclusive usando um aplicativo de celular.

Assim, além de um prato comestível, também dá para ter produtos de padaria feitos em casa e sempre frescos.

O projeto também é sustentável: de acordo com o estudante de Teerã, toda a energia gasta para assar os pães vem de painéis solares e a quantidade de água usada é menor do que uma lavadora comum. Além disso, acaba de vez com os pratos descartáveis.

O projeto do iraniano está inscrito no prêmio de design da Electrolux de 2014 e foi selecionado na primeira fase, dos 100 melhores projetos. Ele não está, porém, na segunda fase de seleção, com 70 ideias. O tema dessa edição é “Creating Healthy Homes” (“Criando lares saudáveis”).

Após 70 anos casados, homem e mulher morrem com 15 horas de diferença

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Helen e Kenneth Kedundee, que foram casados por 70 anos

 

Partiu junto um casal que, segundo conhecidos, tomava café da manhã de mãos dadas pelos 70 anos que durou seu casamento.

Helen Kedundee tinha 92 anos quando partiu, na noite desta sexta (23). Seu marido, Kenneth Kedundee, deu o último suspiro na manhã de sábado (24).

Os oitos filhos do casal disseram à imprensa americana que seus pais eram inseparáveis.

“Não se desgrudaram desde que se conheceram, ainda adolescentes. Eles até preferiram dividir a parte de baixo de um beliche, uma vez que foram viajar e os colocaram em cabines separadas do navio”, conta a filha Susan Kedundee.

“Nós sabíamos que, quando um fosse, o outro iria junto”, disse outra filha, Linda. Ela conta que, assim que os médicos contaram que Helen havia morrido, Kenneth falou para os filhos: “A mamãe morreu.” Ele se prostrou na cama e, dizem os filhos, começou a ir embora aos poucos.

“Ele estava pronto”, diz um deles, Cody. “Ele só não queria deixá-la aqui sozinha.”

“Éramos 24 das pessoas que mais o amavam ao redor do seu leito, lendo suas escrituras prediletas e cantando hinos religiosos”, diz Susan.

O casal se conheceu na cidade americana de Newport, em 1944. Kenneth, que estava a quatro dias de completar 21 anos, ainda não podia se casar pelas leis de então do Estado. “Mas ele não podia esperar”, conta o filho Jim. Então os dois pegaram um trem e foram para um Estado vizinho, onde a idade legal era de 19 anos e puderam dizer sim.

O hábito de viajar nunca desacelerou: depois que todos os filhos estavam criados, o casal Kedundee conheceu todos os 51 Estados americanos de ônibus (menos o Alasca e o Havaí, para os quais tiveram de tomar um avião).

“Ele não gostava de voar porque dizia que do avião você não vê a terra passando, então não tinha a sensação de jornada”, explica o filho Jim.

E o filho termina: “Foi por isso que ele esperou minha mãe ir, porque queria ver a jornada antes de ir ao encontro dela”.

 

Silvertape

Silvertape

Ela aguenta 1 tonelada de peso, deu um passeio por Marte e promete eliminar verrugas. Conheça a silvertape, a queridinha da Nasa, da aviação e de todos que precisam dar um jeitinho

1. Entrando pelo cano                                                         

Criada nos EUA nos anos 40, ela surgiu com o nome de “duct tape”, ou “fita para remendar canos”. Isso porque ela é forte e impermeável: a camada externa é de polistileno, um plástico maleável, e a interna é uma malha de algodão com cola. (Agora a pegadinha: a Universidade Berkeley provou que quase tudo serve para selar canos – menos a fita. É que a cola derrete se for exposta ao calor.)

2. Voando alto

Imagine olhar pela janela do avião e ver que a asa está remendada com silvertape. Pois esse é um procedimento permitido. Trata-se, na verdade, da Speed Tape, uma variação que não se decompõe com os raios UV. Desde o fim de 1960, os fabricantes de avião incluem instruções no manual que autorizam os mecânicos a fazer pequenos reparos com a fita, como corrigir danos no revestimento da aeronave, por exemplo.

3. Houston, help

Foi a silvertape que salvou os astronautas da Apollo 13 em 1970. Depois de problemas elétricos os obrigarem a se alojar no módulo lunar, eles corriam risco de se intoxicar de CO2: o filtro da cabine principal era redondo, e o encaixe no módulo lunar quadrado. Como resolver? Usando os materiais disponíveis: papelão, sacos e… silvertape! Com ela, construíram um adaptador improvisado e o ar foi filtrado.

4. A vida em marte

Uma equivalente da silvertape foi usada para segurar fios na sonda da Nasa que investiga vida em Marte. Enquanto passeava por lá, a fita começou a liberar metano, em um processo causado pelos raios UV. Como na Terra a maior parte do metano produzido vem de seres vivos, os cientistas ficaram empolgados, achando que poderia haver sinais de vida em Marte. Mas nada disso, era apenas a fita…

5. Sem verrugas

Um estudo de 2002 do Hospital Infantil de Cincinnati mostrou que silvertape trata verrugas. Bastaria cobri-las por 6 dias, deixar a pele em água morna e repetir o processo por 2 meses até a verruga cair. O estudo foi desmentido depois: o segredo não era a fita. Às vezes as verrugas somem sozinhas, às vezes o que funciona é o tratamento por oclusão – deixar a verruga sem respirar. Na dúvida, não faça em casa.

Fontes Celso Sodré, professor de dermatologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro; Andrew Schuerger, Space Life Sciences Lab, Universidade da Flórida; “Duct Tape and Sealant Performance”, Laboratório Nacional de Berkeley; Jim Berg e Tim Nyberg, os duct tape guys; Anac; Nasa.

Por que os gatos enterram suas fezes?

gatos

A ciência ainda não possui uma resposta definitiva, mas os estudiosos do comportamento animal têm pelo menos uma teoria. “Supomos que eles façam isso para apagar as pistas de sua presença, para se defender de predadores. Mas também acontece de eles deixarem as fezes expostas – nesse caso, a intenção seria inversa: demarcar seu território”, diz o veterinário Gélson Genaro, da USP, especialista em gatos. Mesmo que os bichanos domésticos não tenham mais predadores hoje em dia, o comportamento é explicado pela sua herança genética.

O ato de enterrar as fezes tende a ocorrer em áreas mais próximas dos locais de descanso e de alimentação, onde normalmente também fica aquela caixinha de areia destinada às suas necessidades. Já a exposição das fezes costuma ocorrer nas fronteiras de seu território, como um jardim ou quintal. A explicação dos especialistas derruba um velho mito sobre o assunto: “É equivocado pensar que os gatos fazem isso porque têm um comportamento higiênico. Isso seria um ponto de vista humano da situação”, afirma Gélson.