Ônibus escolar turbinado chega a 587km/h

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Uma equipe famosa na quebra de recordes ligados a velocidade conseguiu fazer com que um ônibus escolar chegasse a incríveis 587km/h! É recorde mundial.

O veículo turbinado pela Indy Boys alcançou a marca durante exibição festival aéreo de Waterloo (Canadá). O “School Time”, como foi apelidada a máquina, completou a façanha equipado com uma turbina de avião caça. O ônibus criou uma labareda de cerca de cerca de 24 metros e consumiu 567 litros de combustível para chegar à incrível velocidade.

Em 2011, a Indy Boys pôs uma espécie de míssil no teto de um Chevrolet Impala 1967 para chegar à velocidade de 400km/h.

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Empresa coreana promete acabar com estresse de desentupir privadas

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Existem inúmeras maneiras de desentupir um vaso sanitário, mas seja com gambiarras, produtos químicos ou até mesmo com o bom e velho desentupidor, o estresse é o mesmo e às vezes exige grande esforço físico.

Talvez agora tudo seja resolvido, pois a empresa sul-coreana Pongtu, especializada em desentupimentos de privada, conseguiu desenvolver um produto descartável (chamado 뻥투) que usa a pressão do ar para resolver o problema de uma forma prática e higiênica.

A pergunta que fica: Será que as grandes empresas vão se inspirar e fazer disso uma real inovação ou isso não passa de mais uma engenhoca dos nossos amigos asiáticos?

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Um breve histórico dos cientistas que tentaram caçar viajantes do tempo

Viajar no tempo é possível; é o que dizem vários físicos bastante sérios. Provavelmente não é possível fazer isso em um Delorean, mas há diversas teorias inspiradas por Einstein – como buracos de minhoca e cilindros de Tipler – de como isso poderia funcionar. O que levanta a questão: onde estão os visitantes de outras épocas?

Parece uma pergunta boba, mas é algo que muitos cientistas realmente levam a sério. Encontrar alguém do futuro serviria, claro, como prova definitiva de que podemos realmente viajar através do tempo, e seria uma forma bastante simples de resolver um grande enigma científico. Então não é nenhuma surpresa que alguns entusiastas e especialistas criaram experimentos a fim de atrair viajantes do tempo que poderiam estar se escondendo entre nós.

Um deles é Stephen Hawking. O renomado físico acredita mesmo que a viagem no tempo é uma possibilidade científica, e ainda diz que sabe como construir uma máquina do tempo. Ele também jogou a questão: “se é possível viajar no tempo, onde estão os turistas do futuro?” É uma boa pergunta, e é assim que estamos tentamos respondê-la.

Por que achamos que é possível viajar no tempo

Viajar no tempo é um sonho que vem durando ao longo dos séculos. Mas, no século passado, cientistas criaram uma teoria sugerindo que era de fato plausível dar um salto para o futuro. Voltar no tempo, infelizmente, é muito mais complicado.

Buracos de minhoca são uma ponte através do espaço-tempo, um atalho que liga dois pontos em lugares e momentos diferentes. Eles são previstos pela teoria da relatividade geral de Einstein. Teoriza-se que certos buracos de minhoca poderiam permitir a viagem no tempo em qualquer direção, mas há diversas ressalvas quanto a voltar no tempo. A principal é esta: nós precisamos de um método para criar buracos de minhoca, e quando ele for criado, ele só nos permitirá viajar de volta até o momento em que ele foi criado.

Outra opção para viajar no tempo envolve um fenômeno chamado dilatação do tempo, também com base nas teorias da relatividade de Einstein. Isso remete à ideia de que o tempo passa mais lentamente para um relógio em movimento do que para um relógio parado. A força da gravidade também afeta a passagem do tempo. Naves espaciais lidam com esse efeito há muitos anos: é por isso que os relógios da Estação Espacial Internacional se movem um pouco mais lentamente do que os relógios na Terra.

Se você levar isso ao extremo, voando em uma nave espacial super-rápida, o tempo passaria mais rapidamente para as pessoas na Terra. Você poderia fazer uma volta ao redor da galáxia e, ao voltar, você estaria no futuro. A questão é: até onde podemos ir? E assim também é possível voltar no tempo?

Mais uma vez, nós realmente não sabemos. E só vamos saber como isso funciona até testarmos; mas, no momento, não temos os meios para fazer isso. Uma maneira fácil de descobrir é simplesmente procurar por viajantes do tempo entre nós. Nem precisa de laboratório! E isso é exatamente o que vários cientistas malucos fizeram.

Fazendo uma festa

Uma das primeiras tentativas bem divulgadas em encontrar viajantes do tempo não era científica. (Em breve voltaremos aos métodos científicos reais.) Foi o que aconteceu no início dos anos 80, quando computadores e eletrônicos de consumo começaram a fundir ciência e ficção científica de maneiras fascinantes. Foi também quando decolou o Columbia, primeiro ônibus espacial. Tudo isso deixou as pessoas curiosas.

Em 1982, um grupo de artistas em Baltimore (EUA) resolveu fazer um evento que o New York Times descreveu como “uma epidemia de loucura temporária”. Em março daquele ano, todos os nove planetas estavam muito próximos – mais que nos 200 anos anteriores – e o grupo Krononauts se reuniu para acolher “os visitantes do futuro”. Do NYT: “os Krononauts beberam, dançaram e, depois da meia noite, alguns deles tiraram a roupa”. Nenhum viajante do tempo apareceu, mas parece que todo mundo se divertiu.

Trinta anos depois, aconteceu um evento levemente similar em Cambridge, Inglaterra. Desta vez, o líder não era um jovem de vinte e poucos anos – era o próprio Stephen Hawking.

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Tem memória ruim? Então coma chocolate, sugere estudo

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Pesquisa descobriu que pessoas que consomem mais flavonoides, compostos presentes no cacau, apresentam melhora na memória visual

Um novo estudo americano atestou mais um benefício do chocolate para a saúde: após aplicar testes cognitivos e analisar a função cerebral de dezenas de voluntários, cientistas concluíram que o consumo de cacau está ligado à melhora da memória.

De acordo com o estudo, feito na Universidade Columbia, Estados Unidos, os flavonoides, compostos presentes no cacau, que é o principal componente do chocolate, podem reverter danos à memória visual que ocorrem naturalmente com o envelhecimento. Essa função está ligada à capacidade de formar novas memórias, que é frequentemente prejudicada em idosos.

A nova pesquisa incluiu um número pequeno de participantes — ao todo, foram 37 adultos saudáveis —, mas chamou a atenção por ter feito análises mais aprofundadas do que pesquisas anteriores sobre o assunto. Os resultados foram publicados na conceituada revista científica Nature Neuroscience.

Análise — Os participantes do estudo tinham entre 50 e 69 anos. Parte deles passou a consumir uma bebida que continha 900 miligramas de flavonoides derivados do cacau todos os dias por três meses. O restante ingeriu apenas 10 miligramas diárias do composto – para efeito de comparação, uma barra de chocolate pequena contém cerca de 40 miligramas da substância.

Todos os voluntários foram submetidos a testes de memória e a um exame de ressonância magnética no cérebro no início do estudo e ao final dos três meses. Os pesquisadores observaram que os participantes que consumiram a maior quantidade de flavonoides tiveram uma significativa melhora na memória visual nesse período. Segundo o estudo, aqueles que tinham 60 anos tiveram resultados semelhantes aos de uma pessoa de 30 anos, por exemplo.

Além disso, os exames de ressonância magnética revelaram que as pessoas que consumiram mais flavonoides apresentaram uma maior atividade em uma estrutura específica do cérebro associada à memória. Estudos anteriores já haviam relacionado o declínio na atividade dessa região a problemas cognitivos típicos do envelhecimento.

“Acredito que o nosso estudo fornece provas de que a alimentação é potencialmente capaz de reverter o processo de envelhecimento”, diz o coordenador da pesquisa, Scott Small, professor de neurologia do Instituto para Pesquisa sobre Doença de Alzheimer e Envelhecimento Cerebral de Columbia.

Impacto — Ainda não está claro, porém, de que forma os flavonoides agem no organismo. Estudos anteriores já associaram o composto a benefícios à saúde cardiovascular, pois ele tem efeitos anti-inflamatórios e parece prevenir o endurecimento dos vasos sanguíneos.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Enhancing dentate gyrus function with dietary flavanols improves cognition in older adults​

Maconha não diminui notas nem QI de jovens, diz estudo

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Uso de maconha de forma moderada não afeta o desempenho intelectual ou educacional de adolescentes

Uma nova pesquisa garante que – ao contrário do que já foi dito em pesquisas anteriores – o uso de maconha de forma moderada não afeta o desempenho intelectual ou educacional de adolescentes. As informações são do The Independent.

Segundo a publicação, o estudo foi feito pelo Instituto Avon de Estudos Longitudinais entre Pais e Filhos e apresentado no congresso anual do Colégio Europeu de Neuropsicofarmacologia (ECNP), em Berlim, no início desta semana. A conclusão da pesquisa é de que o uso da droga não causa piores resultados em exames acadêmicos e nem mesmo diminui o QI dos usuários.

A pesquisa foi feita com 2.612 crianças, que foram submetidas a testes de QI com oito anos de idade e, novamente, quando tinham 15 anos. Em ambas as idades, eles responderam também a uma pesquisa sobre o uso de maconha.

Para especialistas, atendimento a doença falciforme esbarra em racismo

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Com alta incidência no país, a doença falciforme deixou de ser tratada como uma enfermidade rara, nos últimos dez anos. Exames para identificá-la foram incluídos no teste do pezinho e o tratamento passou a contar com remédios gratuitos. Porém, às vésperas do Dia de Mobilização Nacional Pró-Saúde da População Negra, comemorado em 27 de outubro, especialistas avaliam que a prestação de um bom atendimento a pacientes em crise, nos serviços de emergência, ainda é um desafio. Durante as crises, pessoas com a doença falciforme sentem fortes dores pelo corpo – um dos principais sintomas da enfermidade que atinge, principalmente, pessoas negras.

Originária da África, a doença falciforme é uma mutação genética, que espalhou-se pelo mundo com o deslocamento forçado da população negra escravizada. É caracterizada por alterações no formato da hemoglobina, que dificulta o fluxo de oxigênio no corpo e pode levar à morte. Com alta prevalência entre os negros*, que são 52% da população no Brasil, os estados da Bahia e do Rio de Janeiro lideram o ranking de casos, com 1 paciente para cada 650 pessoas e 1 para cada 1,3 mil, respectivamente, segundo o Ministério da Saúde. O país tem cerca de 40 mil casos da doença cadastrados.

De acordo com a coordenadora-geral da Federação Nacional das Associações de Pessoas com Doença Falciforme (Fenafal), Maria Zenó Soares da Silva, a inclusão do exame para detecção da doença no teste do pezinho, feito em recém-nascidos, foi um marco no enfrentamento da enfermidade. Hoje, pacientes são acompanhados por hemocentros e recebem medicamentos. O problema, avalia ela, é o atendimento durante as crises de dor, por hospitais comuns da rede de saúde.

“A crise de dor é o maior sofrimento para as pessoas com a doença falciforme. [As dores] Vêm de um hora para outra, mas o atendimento nos serviços de urgência e emergência é demorado, é lento. Esse é o maior problema para o paciente com a falciforme”, avaliou. Segundo a coordenadora, mais de 90% dos pacientes com a doença que procuram o hospital estão em crise. Os demais vão para se tratar de infecções, que é maior causa de morte dos doentes.

O racismo nas instituições de saúde, que se traduz em consultas de baixa qualidade e mais tempo de espera, por exemplo, se soma a dificuldades no atendimento de pacientes em crise, avalia a conselheira do Conselho Nacional de Saúde Simone Cruz, que representa a organização Articulação de Mulheres Negras Brasileira (AMNB). “A pessoa chega [na unidade] dizendo que tem a doença falciforme e não é tratada como um caso de extremo sofrimento”, disse. Para ela, esse é um aspecto do racismo no sistema, que discrimina pessoas negras.

Outro problema, segundo Simone, é o próprio diagnóstico que, em alguns casos, pode ser tardio e prejudica, prioritariamente, pessoas com poucos recursos.  “A pessoa chega no hospital e diz que está com dor, só que dor não tem aparelho para medir, então, essa intensidade não é considerada. Quando a pessoa não sabe que está com a doença, é pior ainda”, avaliou. De acordo com Simone, a doença falciforme será tema de discussão da reunião do conselho de saúde em novembro, mês em que se comemora o Dia da Consciência Negra (20).

O Ministério da Saúde tem capacitado profissionais da rede pública para acabar com práticas racistas nas instituições de saúde e tratar a doença. Com a ausência de hematologistas em todas as cidade, a estratégia foi capacitar equipes do país inteiro, explicou a coordenadora do Programa Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme, Joice Aragão. “São médicos clínicos e pediatras que fazem o acompanhamento, vinculados ou não a hemocentros”, frisou.

A estratégia brasileira, reconhecida internacionalmente, tem ampliado a cobertura e a qualidade de vida dos pacientes. Para compartilhar essa experiência, o país sedia, entre 11 e 14 de novembro, no Rio de Janeiro, a 2ª Conferência da Rede Global sobre Doença Falciforme (GSCDN, na sigla em inglês). O evento é referência e vai reunir pesquisadores, profissionais da área e a sociedade civil.

A loucura animal

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Nos últimos sete anos, a bióloga americana Laurel Braitman pesquisou a demência de cães, gatos, elefantes ou golfinhos. Nesta entrevista ao site de VEJA, ela conta sua jornada pela história da insanidade animal e explica de que forma os bichos nos ajudaram, também, a compreender a mente e emoções humanas

os 6 anos, Oliver, um grande cão bernese que adorava brincar de esconde-esconde, atirou-se do quarto andar do prédio onde vivia. Ansioso por estar sozinho no apartamento, ele arrancou o aparelho de ar-condicionado da parede, comeu a fiação, jogou-se pelo buraco e, milagrosamente, sobreviveu. No hospital, olhando os ferimentos de seu cão, a bióloga Laurel Braitman resolveu entender o que se passava pela cabeça de Oliver para chegar a essa atitude extrema.

Procurou veterinários, psiquiatras, psicólogos e neurologistas e passou os últimos sete anos pesquisando animais que, como o seu bernese, apresentavam transtornos mentais. Encontrou elefantes com ataques de ansiedade, ursos depressivos, gorilas com transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), ratos e papagaios com tricotilomania (o impulso de arrancar os próprios cabelos) e golfinhos suicidas. “Identificar e entender a insanidade animal e ajudá-los a se recuperar diz muito sobre nossa humanidade. Quando estamos ansiosos, raivosos, assustados ou compulsivos mostramos o quanto somos surpreendentemente iguais às outras criaturas com quem dividimos o planeta”, diz Laurel.

No livro Animal Madness (Loucura Animal, sem edição em português), recém-lançado nos Estados Unidos, a bióloga, que também é especialista em história da ciência pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), reconstrói a história da demência animal e conta como transtornos mentais de macacos, ratos, cachorros ou gatos impulsionaram a compreensão da mente humana. Foram eles as cobaias para testar os primeiros antidepressivos ou ansiolíticos inventados. E, da mesma maneira que nossa compreensão a respeito de distúrbios mentais evoluiu ao longo dos anos, o entendimento do cérebro e comportamento animais vem passando por uma revolução. De acordo com Laurel, a ciência não questiona mais se os animais têm emoções, mas se interroga, atualmente, que tipo de emoções são essas e de onde vêm.

Nesta entrevista ao site de VEJA, a autora, que esteve no Brasil em outubro para acompanhar a conferência TED Global, no Rio de Janeiro, conta como foi sua jornada para desvendar a história da demência animal. E explica de que forma essa compreensão mudou também sua visão a respeito dos seres humanos.

Seu cão foi a porta de entrada que a fez descobrir a loucura dos animais. Quando percebeu que ele poderia ter algum distúrbio? Adotei o Oliver em 2002 e ele era uma criatura feliz e adorável. Mas, com seis meses de convivência, percebi alguns problemas. Ele não conseguia ficar sozinho e comia qualquer coisa que não fosse comida. Basicamente, ele ficava calmo apenas perto de mim e entrava em pânico isolado ou na presença de qualquer outro ser. Seu comportamento era muito distinto de todos os animais que conhecia.

Foi nesse momento que ele recebeu o diagnóstico de ansiedade? Achava apenas que ele era diferente — jamais pensei que animais pudessem ter transtornos mentais. Cresci em uma fazenda repleta de bichos e nunca havia visto algum com esse tipo de problema. Para mim, dizer que um animal tinha esses distúrbios era projetar sentimentos e emoções humanas neles. Mas percebi que meu cão era esquisito e, pouco tempo depois, ele se jogou da janela do quarto andar. Assim que se curou dos ferimentos causados pela queda, levei Oliver a um veterinário que receitou para ele Prozac e Valium.

Esses medicamentos são normalmente dados a cães? Nunca havia visto isso. Achei muito estranho e fui pesquisar como eles funcionavam nos cachorros. Mas não encontrei muita coisa sobre seu efeito em bichos e nem sobre como eles são usados em clínicas veterinárias. Como não havia livros, comecei a conversar com treinadores, cientistas e especialistas em comportamento animal para saber se esses medicamentos tinham em cães a mesma função que em nós e também para entender o que estava acontecendo com o Oliver. Aos poucos, fui descobrindo que os animais, como nós, também têm transtornos mentais e, sim, tomam os mesmos remédios que nós para tratá-los. Foi aí que pensei em escrever um livro que pudesse ajudar outras pessoas que passam pelas mesmas dificuldades que vivi.

E que tipo de distúrbios os animais podem ter? Assim como em humanos, muitas das doenças mentais dos animais têm a ver com reações inapropriadas ao medo e à ansiedade. Isso acontece porque essas respostas são coordenadas pelas regiões mais primitivas do cérebro, compartilhadas pela maior parte dos vertebrados. Assim como nós, os animais sentem medo ou ansiedade em ocasiões desnecessárias e desenvolvem compulsões como Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) e várias outras formas de distúrbios mentais como ataques de ansiedade ou depressão.

Ou seja, se a base para o medo é a mesma, provavelmente elas também podem funcionar de maneira inadequada em animais, assim como acontece conosco. Exatamente. Por isso, os primeiros tratamentos e medicamentos para doenças mentais foram estudadas em animais. Há mais de um século, o médico russo Ivan Pavlov [1849-1936] estimulava conflitos psicológicos em cães e gatos para entender seu mecanismo. Durante a II Guerra Mundial, muitos médicos perceberam os mesmos sintomas daqueles animais nos soldados, no que viria a ser o stress pós-traumático. Nos anos 1930, as primeiras lobotomias foram feitas em dois chimpanzés agressivos e ansiosos e, na mesma época, outras criaturas foram cobaias para o desenvolvimento dos eletrochoques para tratar convulsões da esquizofrenia. Até hoje, novos medicamentos para doenças mentais são testados inicialmente em animais: ratos, porcos e gorilas ajudaram a entender os distúrbios humanos e, agora, nós estamos usando nossos remédios neles.

No entanto, os homens são capazes de responder emocionalmente ao medo. Os animais também? Tive uma conversa muito interessante com a cientista Lori Marino, que trabalha na Universidade Emory, nos Estados Unidos, e durante anos pesquisou a cognição em golfinhos. Ela me explicou que as emoções são uma das partes mais antigas da psicolgia, presente nos primeiros animais. Sem elas, um indivíduo não consegue agir ou ter decisões que são chave para a sobrevivência. Elas são selecionadas, algumas são mais simples, outras mais complexas, mas todos os animais têm emoções. Homens, grandes macacos, golfinhos e elefantes, que possuem um cérebro mais desenvolvido, podem elaborar estratégias para lidar com o medo ou a ansiedade. Mas, como a estrutura para as emoções é semelhante, a experiência emocional pode ser similar em todas as espécies, apesar da inteligência.

Vários estudos recentes têm sido publicados sobre o que seriam as emoções animais. Há pesquisas sobre suas dores emocionais ou mentais? Nos últimos anos, diversas pesquisas têm mostrado que os animais sofrem traumas emocionais. A discussão científica está mudando e deixou de ser ‘será que os animais têm emoções’, para ‘quais são elas e de onde vêm?’. Achamos que é uma novidade colocar cães em aparelhos de ressonância magnética funcional (fMRI) e pesquisar a neurociência das emoções animais — mas a inovação são as técnicas, que conseguem medi-las com bastante precisão. Mas quem trabalha com os bichos está acostumado com isso e não acha surpreendente que os animais tenham uma vida emocional rica e complicada.