Cientistas criam formas primitivas de óvulo e esperma artificial

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Ainda em estágio inicial, técnica pode ajudar a solucionar problemas de inferfertilidade

Pesquisadores conseguiram criar, pela primeira vez, formas primitivas de óvulos e espermas humanos em laboratório. A descoberta pode ajudar a solucionar problemas de infertilidade, compreender melhor os primeiros estágios do desenvolvimento embrionário e, potencialmente, permitir o desenvolvimento de novos tipos de tecnologia reprodutiva.

As chamadas células germinativas primordiais (PGC, na sigla em inglês), das quais derivam os óvulos e espermatozoides, já haviam sido desenvolvidas em testes de laboratório com roedores, mas nunca com humanos. A descoberta, descrita por cientistas da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e do Instituto Weizmann de Ciências, em Israel, foi publicada no periódico Cell, na quarta-feira.

Células germinativas primordiais têm potencial para serem transformadas em espermatozoides e óvulos humanos. O próximo passo da pesquisa é injetar as células em ovários de roedoras para testar se elas se desenvolvem em animais.

As PGCs aparecem durante as primeiras semanas do crescimento embrionário, quando as células-tronco do óvulo fertilizado começam a diferenciar-se em vários tipos de células básicas. Em um estágio seguinte, as PGCs se transformam em precursoras de espermatozoides ou de óvulos ‘de uma maneira bastante automática’, segundo o coautor da pesquisa, Jacob Hanna, do Instituto Weizmann.

Pele — O estudo demonstrou que as PGCs também podem ser criadas a partir de células adultas reprogramadas, como as da pele. Essa técnica ajudará cientistas a comparar como as células sexuais se desenvolvem em pessoas férteis e inférteis. “Essa é a base para o nosso futuro trabalho”, afirmou ao jornal britânico The Guardian Azim Surani, coautor da pesquisa, da Universidade de Cambridge.

Em outra frente, o trabalho pode esclarecer dúvidas sobre doenças associadas ao envelhecimento. Com o passar dos anos, hábitos como tabagismo, alimentação e exposição a compostos químicos causam mutações genéticas. As células que formam o esperma e os óvulos, no entanto, são livres dessas alterações. “Isso pode nos ensinar como eliminar as mutações, que, em moléstias ligadas ao envelhecimento, podem ser exageradas e desregular os genes”, disse Surani ao jornal.

Os pesquisadores descobriram que um gene conhecido como SOX17 é fundamental para fazer com que as células-tronco humanas se transformem em PGCs. A descoberta foi surpreendente, pois, no caso dos ratos, o equivalente desse gene não intervém no processo. “Não estou dizendo que os estudos em ratos não se aplicam em humanos, mas há diferenças fundamentais com as quais precisamos ter cuidado”, afirmou Surani.

(Com EFE)

Drones alçam voo civil e se instalam na paisagem mundial

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Os drones civis foram descobertos pelo grande público em 2014 e, depois do barulho causado na mídia por este setor em desenvolvimento, cada vez mais se torna presente no cotidiano de pessoas comuns.

“O setor dos drones deve explodir mundialmente, de maneira simultânea, com a abertura das regulamentações”, estima Emmanuel de Maistre, fundador da Redbird, uma start-up francesa que trabalha com drones com fins industriais.

Até o momento relegados ao uso militar, os drones chegaram ao mundo civil com diversos usos – abrindo novas perspectivas, que vão além da simples captura de imagens.

Eles foram a sensação como presente de Natal este ano.

Leves, macios e fáceis de utilizar, os drones oferecem desempenhos frequentemente melhores do que os obtidos com meios tradicionais (helicópteros, aviões leves, satélites) e “podem ajudar a produzir mais e melhor e, em certos casos, mais barato”, avalia a Academia do Ar e do Espaço (AAE).

Na interseção de caminhos entre a aeronáutica civil e a tecnologia de ponta, o uso dos drones é regulamentado pelas autoridades de segurança aérea, embora ofereçam mais novidades tecnológicas do que aeronáuticas.

“Você encontra em um drone tudo o que tem no seu smartphone”, explica Emmanuel de Maistre.

O público geral descobriu o uso dos drones durante a cobertura de eventos da atualidade, esportivos e culturais, vistos por novos ângulos graças às imagens aéreas inéditas que eles oferecem.

É especialmente graças a estes “pássaros-robôs” que os meios de comunicação internacionais cobriram acontecimentos como a praça Maidan, em Kiev, ou o Tour de France. No Canadá, faculdades de jornalismo agora dão aulas de reportagens filmadas com a ajuda de drones.

Empresas como a Parrot chegaram ao mercado com drones-câmeras voadores pilotados com a ajuda de um smartphone, segmento que interessa a fabricante de câmeras esportivas norte-americana GoPro.

No momento, o mercado continua engatinhando – cerca de 500 milhões de euros na Europa – longe dos números estimados pela Associação Americana de Fabricantes de Drones (AUVSI). A associação avalia um potencial de criação de 100.000 empregos e 82 bilhões de dólares de lucro em dez anos nos Estados Unidos.

Graças à legislação de 2012, a França tornou-se pioneira no mercado de drones, com um quadro favorável ao desenvolvimento em que despontam figuras como Redbird.

Entre os franceses, o setor emprega cerca de 3.000 pessoas, essencialmente em pequenas empresas especializadas em captura de imagens (90% do mercado atual), movimentando entre 50 a 100 milhões de euros.

Legislação esperada nos EUA

A Redbird vai mais longe, oferecendo a grupos industriais ou mineradores dados para otimizar a exploração de suas redes e mercados, ou permitindo à agricultura aprimorar o uso de agrotóxicos – preservando, assim, o meio ambiente.

Os drones são, principalmente, ferramentas de captura de informação, por isso o interesse de atores do mundo digital, como Amazon, Google ou Facebook, que causaram frisson ao anunciar experiências de entrega em domicílio com o auxílio de drones.

Uma perspectiva dificilmente tangível por ora, tendo em vista as legislações atuais, que proíbem o sobrevoo de zonas residenciais, o voo noturno e impõem “zonas de não-voo” nos arredores de aeroportos.

Segundo os empresários da área, estes anúncios aumentam o lobby para a adoção, em 2015, de uma legislação sobre o uso privado de drones nos Estados Unidos, o que deve dar um grande pontapé nos negócios.

O sócio-fundador da Amazon, Jeff Bezos, avalia que o principal obstáculo dos Estados Unidos não é tecnológico, mas “regulamentar”.

A Federal Aviation Authority (FAA) lançou em 2013 uma experiência sobre os drones em seis regiões americanas, e prevê integrar 7.500 mini-drones nos céus americanos até 2018.

Os drones levantam muitas questões, ilustradas por dois incidentes envolvendo aviões de passageiros em 2014, nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, colocando em evidência a necessidade de melhores regras e maior formação para os pilotos de drones.

Os drones também suscitam questões em termos de privacidade, já que permitem capturar e conservar imagens pessoais.

Nova droga pode fazer você aprender como uma criança de 7 anos

Akrit Jaswal

Substância muda a maneira como os cérebros de adultos absorvem informações novas

Em Sem Limites, filme de 2011, Bradley Cooper interpreta um escritor que, incapaz de escrever um livro, perde a namorada e se vê sem dinheiro. Até que uma circunstância o coloca em contato com uma droga que é capaz de aumentar seus poderes cognitivos de maneira absurda e o torna capaz raciocinar, resolver problemas e aprender coisas novas numa velocidade impressionante.

Takao Hensch, professor de Biologia Molecular, Celular e Neurologia de Harvard, está estudando uma droga que pode mudar a maneira como os cérebros de adultos absorvem informações novas e pode aproximá-los das características dos cérebros de crianças até 7 anos, que aprendem informações e habilidades novas com muito mais facilidade (esse estudo, por exemplo, fala sobre como crianças aprender línguas).

O ácido valpórico, que é a principal substância da droga, é usado normalmente para tratar epilepsia e convulsões. Hensch disse à rádio NPR que “é uma droga que estabiliza o humor, mas descobrimos que também restaura a plasticidade do cérebro a um estado muito jovem”, e por plasticidade, ele fala da capacidade do cérebro de assimilar novas habilidades e conhecimentos.

O cientista conduziu um experimento em que tentou ensinar ouvido absoluto – a habilidade, que  devido a uma exposição musical elevada, de identificar e reproduzir notas musicais sem uma referência – a um grupo de adultos que tinha tomado a droga. De acordo com eles, os resultados de aprendizado foram melhores, e isso é empolgante porque não há registros anteriores de adultos que foram capazes de adquirir ouvido absoluto.

Hensch disse também que acha que estamos próximos de uma droga que pode aperfeiçoar, por exemplo, nosso aprendizado de línguas – porque estamos próximos de entender como o aprendizado e o desenvolvimento cerebral funcionam a nível celular. Mas ele também diz que há uma preocupação grande com a possibilidade de efeitos colaterais.

(via NPR)

Como cachorros entendem o que sentimos?

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Um novo estudo revelou que existem uma série de semelhanças entre o cérebro dos humanos e dos cães

Quando ouve a voz de um amigo, você imediatamente o imagina, mesmo que não possa vê-lo. E pelo tom de voz, você consegue avaliar se ele está feliz ou triste. Podemos fazer tudo isso porque o cérebro humano tem uma área especializada, responsável pelo reconhecimento de voz. Agora, depois de fazer experiências com ressonância magnética e um grupo de cães, cientistas chegaram à conclusão de que o melhor amigo do homem também possui essa área.

A descoberta, explicou a Science, ajuda a entender como os cachorros parecem tão sintonizados com os sentimentos de seus donos. “É absolutamente brilhante, uma pesquisa inovadora”, diz Pascal Belin, neurocientista da Universidade de Glasgow, no Reino Unido, que fazia parte da equipe que identificou as áreas de voz no cérebro humano em 2000.

“Eles fizeram o primeiro estudo comparativo, utilizando não humanos, do processamento cerebral de vozes, e eles fizeram isso com uma técnica não invasiva, treinando cães para deixarem em um scanner”, celebra Belin.

Os cientistas por trás da descoberta já tinham mostrado que o ser humano pode facilmente distinguir latidos alegres de tristes de cães. “Os cães e os seres humanos compartilham um ambiente social semelhante”, diz Attila Andics, neurocientista de um grupo de pesquisa da Academia Húngara de Ciências da Universidade Eötvös Loránd, de Budapeste, e principal autor do novo estudo. “Então, nós nos perguntamos se os cães também obter alguma informação social de vozes humanas.”

Para descobrir, Andics e seus colegas decidiram fazer a varredura do cérebro canino para ver como ele processa diferentes tipos de sons, incluindo vozes, latidos e barulhos naturais. Em nós, seres humanos, a área de voz é ativada quando ouvimos os outros falar.

Então, a equipe treinou 11 cães a ficarem parados em um scanner de ressonância magnética, enquanto usavam fones de ouvido. O scanner capturou imagens da atividade cerebral dos cães enquanto eles ouviram a cerca de 200 cães e sons humanos, incluindo lamentações, choro e risadas. Os cientistas também examinaram os cérebros de 22 indivíduos humanos que ouviram o mesmo conjunto de sons. Ambos os cães e humanos ficaram acordados durante as varreduras.

As imagens revelaram que os cérebros dos cães têm, de fato, áreas de voz e que eles processam vozes da mesma forma que os cérebros humanos. E por essas áreas de voz estarem em locais semelhantes aos dos humano. “Isso mostra que cães e os seres humanos têm mecanismos cerebrais semelhantes para processar o significado social do som”, diz Andics.

Mas existem diferenças, claro. Os pesquisadores descobriram que, em cães, 48% de suas regiões cerebrais auditivos respondem mais fortemente a sons ambientais, como o motor de um carro, do que as vozes. Nos seres humanos, em contrapartida, apenas 3% de suas regiões do cérebro sensíveis ao som acendeu mais para os sons nonvocal.

O estudo “nos confronta com a percepção de que o nosso maravilhoso cérebro é em, muitos aspectos, um produto de nosso passado evolutivo distante.”, diz John Marzluff, um biólogo da Universidade de Washington, Seattle.

Quer ser mais inteligente? Corra!

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Fazer exercícios aeróbicos regularmente pode ser uma das melhores maneiras de turbinar o QI, a memória e lutar contra o envelhecimento do cérebro, mostram estudos

Quem achou que ia cochilar na palestra do psiquiatra John Ratey ficou decepcionado. Ele fez seu público, composto por 1.100 dos principais educadores do mundo, exercitar-se ali mesmo. “Corremos sem sair do lugar por 20 segundos, depois descansamos 10 segundos e então repetimos isso mais quatro vezes”, diz. Parece um começo estranho para a apresentação de um professor da Escola de Medicina de Harvard numa conferência sobre educação. Mas Ratey sabia que esse “aquecimento” jogaria a seu favor: todos ficariam mais atentos e talvez até guardassem melhor o que estavam prestes a ouvir. Na verdade, foi um início perfeito para uma palestra sobre como usar nossos corpos para melhorar nossas mentes.

A ideia de que os exercícios físicos reduzem o risco de doenças cardíacas, de certos tipos de câncer e até previnem contra diabetes tipo II é bem aceita entre os cientistas. Só que estudos mostram que os exercícios também podem turbinar a mente. Não estamos falando apenas daquele bem-estar vago sugerido por ditados como “mente sã, corpo são”. O que Ratey e outros pesquisadores estão descobrindo é que a atividade física tem profunda influência em uma série de capacidades cognitivas que definem seu QI.

Os primeiros estudos a sugerir essa ligação vêm dos anos 1960, mas foi na década de 1990 que Fred Gage, geneticista do Salk Institute (EUA), descobriu que fazer exercícios parecia estimular o crescimento de novos neurônios em camundongos. Na mesma época, o psicólogo Arthur Krame, da Universidade de Illinois, publicou um artigo na revista Nature demonstrando que adultos antes sedentários, ao seguir um plano de exercícios de seis meses, melhoravam o desempenho em testes mentais que exigiam controle executivo. Esse controle é o tipo de concentração que nos ajuda a alternar tarefas sem cometer erros, fundamental para a inteligência.

Desde então, várias pesquisas confirmam e aprofundam esses resultados. Boa parte examina idosos, cujas habilidades mentais tendem a decair com o passar dos anos. Um grande estudo da Universidade de Munique, por exemplo, acompanhou 4.000 idosos durante dois anos. Aqueles que raramente faziam atividades físicas tiveram mais do que o dobro de chance de sofrer algum comprometimento cognitivo se comparados aos que faziam jardinagem, natação ou ciclismo algumas vezes por semana. Outro grande estudo publicado no periódico The Lancet, que seguiu um grupo de quase 1.500 pessoas durante 20 anos, mostrou que esses efeitos podem ser duradouros. Os indivíduos que se exercitavam pelo menos duas vezes por semana já adultos tinham menos chance de desenvolver demência quando passavam dos 60 anos. Os resultados são um alerta para os preguiçosos: formar hábitos saudáveis hoje pode atrasar o declínio mental décadas no futuro.

Pesquisas com jovens são mais raras, mas há evidências de que as atividades físicas fortalecem a saúde cerebral em todas as fases. Uma delas analisou crianças de 5 a 14 anos em escolas públicas na cidade de Nova York. Em testes cognitivos, os 5% de alunos que estavam mais em forma tiveram notas 36% superiores que o grupo menos em forma. Outro levantamento sobre registros de condicionamento físico de 1,2 milhão de homens que se alistaram nas forças armadas da Suécia entre 1950 e 1976 chegou a uma conclusão semelhante. A pesquisa, que seguiu os dados dos jovens dos 15 aos 18 anos, indicou correlação entre boa forma física na adolescência e o melhor desempenho em testes de inteligência e habilidades cognitivas aos 18 anos.

SACUDIDA NO CÉREBRO

O conjunto desses estudos está transformando o modo como vemos a relação entre corpo e mente. “Quando comecei a estudar o assunto, achei que houvesse um cérebro saudável básico e as atividades físicas pudessem melhorá-lo”, conta a neurologista Megan Herting, da KeckSchoolof Medicine, em Los Angeles. “Mas agora penso o contrário: as crianças com altos níveis de atividade representam o nível básico de como o cérebro deve ser ativo.” A conclusão de Megan,que estuda o impacto dos exercícios nas crianças, é que eles não são um fator que incrementa a cognição normal, mas são uma condição necessária para que ela exista.

O que está por trás dessa relação? “As pessoas gostam muito da euforia provocada pela corrida e da clareza mental que sentimos com uma rotina de exercícios”, afirma Brian Christie, neurocientista da Universidade de Victoria, no Canadá. O estresse pode inibir as respostas cerebrais na resolução de problemas, impedindo que o órgão faça as conexões necessárias. “Se você sai para caminhar, seus níveis de estresse geralmente despencam”, diz Christie. O fenômeno pode explicar em parte por que as crianças mais saudáveis também têm melhor desempenho nos estudos.

Os exercícios provavelmente contribuem com mudanças mais permanentes. Por ser um dos órgãos que mais consome energia, o cérebro depende de uma dieta constante de nutrientes e oxigênio, supridos por uma complexa rede de vasos sanguíneos. As atividades físicas encorajam a construção dessas linhas de suprimentos e também facilitam sua manutenção. Matthew Pase, da Universidade Swinburne, na Austrália, descobriu que a pressão alta, especialmente nas grandes artérias centrais que alimentam o cérebro, pode causar falhas no desempenho cognitivo, talvez em consequência de danos aos vasos. Como a atividade física regular reduz a pressão arterial, ela deve proteger o cérebro desses problemas no fornecimento de alimento. Outra forma mais indireta de benefício é o fato de que indivíduos mais atléticos têm menos risco de diabetes e obesidade, problemas que podem gerar um ciclo de reações que contribui para o acúmulo das placas cerebrais em pacientes com Alzheimer.

Quando falamos de mudanças dentro do cérebro, as atividades físicas provocam a liberação de neurotransmissores como serotonina, noradrenalina e dopamina, os mesmos estimulados pelos antidepressivos e medicamentos para hiperatividade. Ou seja, uma corridinha na esteira ou uma pedalada na bicicleta ergométrica pode se parecer com tomar uma mistura de Prozac com Ritalina, explica Ratey. Os exercícios também estimulam a produção de substâncias que regulam o desenvolvimento do cérebro, os fatores de crescimento. Ratey chama essas substâncias de “adubo cerebral”, pois elas criam um ambiente no qual os neurônios podem prosperar e promove a formação de novas conexões.

EVOLUÍMOS PARA CORRER

As origens dessa conexão entre corpo e mente provavelmente estão em uma época remota de nossa evolução. “A atividade física é uma parte importante de nossa história evolucionária. Todo nosso sistema fisiológico se baseia em ser atlético”, afirma David Raichlen, antropólogo biológico da Universidade do Arizona. Talvez a capacidade cerebral tenha emergido para melhorar a busca por alimentos, ele sugere. Quando os animais procuram comida, o aumento de fatores de crescimento no cérebro leva ao desenvolvimento de neurônios e sinapses, o que ajuda a lembrar o caminho para voltar à fonte de comida mais tarde.

Raichlen lembra que os seres humanos têm resistência atlética muito superior à dos outros primatas. Em outras palavras, ninguém jamais veria um macaco correndo uma maratona. À medida que se adaptaram a corridas de longa distância em busca de alimentos, nossos ancestrais teriam vivenciado uma injeção constante dos fatores de crescimento, o que fez os neurônios e sinapses se desenvolverem. É possível que o resultado tenha sido uma explosão na inteligência, defende Raichlen. Ou seja, que parte da razão para a inteligência dos seres humanos esteja no nosso esforço físico.

Independentemente do papel dos exercícios na evolução, suas consequências para o cérebro já começam a ser levadas em consideração. O Departamento de Saúde dos EUA está encorajando as escolas a oferecerem mais aulas de educação física e o Instituto de Medicina do país recomenda que os alunos das séries iniciais façam 30 minutos de exercício por dia e os mais velhos 45 minutos. “Precisamos que as crianças se mexam todos os dias. Além de fazer sentido para a saúde, também aumenta suas notas nas provas”, diz Ratey.

O mesmo princípio se aplica à população mais velha. Exercitar-se é uma alternativa aos jogos de inteligência. Kramer diz que ainda não há evidências suficientes que comprovem o benefício de jogos como palavras cruzadas, já que as melhorias conquistadas não parecem afetar o cotidiano. Por outro lado, os novos programas de exercício, conduzidos durante seis meses ou um ano, tendem a acelerar a velocidade de processamento cerebral e melhorar a atenção e a memória em diversas atividades. Combinar as duas abordagens pode ser a opção ideal.

Marinha e Prefeitura tentam remover objeto gigante que apareceu em praia

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A primeira tentativa realizada na tarde desta sexta-feira (26), falhou.
Objeto em formato de cone foi encontrado no dia 24 em Praia Grande.

Falhou a primeira tentativa para retirar o objeto ainda não identificado que foi localizado na última quarta-feira (24), em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Uma grande operação foi montada na tarde desta sexta-feira (26), com a presença de técnicos da Prefeitura e também da Marinha. A retroescavadeira utilizada não suportou o peso do objeto, que está com água na parte interna, dificultando o trabalho de remoção. Com mais de dois metros de altura e aproximadamente 5 toneladas, a peça, em formato de cone, despertou a curiosidade das pessoas que caminhavam pela areia da praia na véspera do Natal.

O guarda-vidas Maurício Soares foi um dos primeiros a avistar o objeto. “Vi logo que cheguei para trabalhar. Segundo as pessoas, ele apareceu  na parte da manhã. Isolei a área para ninguém se machucar. Não tinha nenhuma identificação. Era de ferro e estava bem enferrujada. Tinha uma corta e uma circunferência de aproximadamente três metros. Estava com uma cracas (crustáceos marinhos), com ostras e sedimentos”, diz.

Por volta das 16h desta sexta-feira, funcionários da prefeitura amarraram uma espécie de cabo de aço no objeto e tentaram retirá-lo da faixa de areia com uma retroescavadeira. Por conta do peso, o maquinário utilizado não foi suficiente. O G1 conversou com técnicos que estão no local e eles disseram que vão aguardar a chegada de um equipamento com maior potência para, enfim, supender o material e tirá-lo do local. A preocupação é que alguém se machuque, já que o objeto está enferrujado e pode causar acidentes.

O estranho objeto chamou a atenção de várias pessoas que passavam pela praia. A funcionária pública Luciane Knapick, de 34 anos, tirou fotos da peça e observou atentamente as características do objeto. “Provavelmente veio com as fortes chuvas na região, que deixaram o mar revolto. Aparentemente, está cheio de água, vaza por um furo no casco, com bastante fluidez e pressão. Na hora ficou aquele debate se era um contrapeso de plataforma marítima, mas vi na internet que pode ser uma boia”, observa.

Terapia “psicodélica”

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Primeiro estudo terapêutico com LSD em 40 anos mostra resultados positivos para ansiedade e depressão em pacientes com doenças terminais

Saem os antidepressivos e ansiolíticos, abrem-se as portas da percepção. Um estudo da MAPS (Associação Multidisciplinar Para Estudos Psicodélicos) publicado em janeiro afirma que o LSD, aliado à psicoterapia, pode ser eficaz no tratamento de ansiedade e depressão em pacientes com doenças terminais. Os testes, realizados na Suíça, ainda são restritos — eles envolveram apenas 12 voluntários. Mas trazem as primeiras evidências científicas sobre o uso medicinal da droga desde 1973, quando as pesquisas foram restritas nos EUA.

O sonho hippie estava acabando e as políticas de combate às drogas entravam no seu auge. Sintetizado pelo químico suíço Albert Hofmann, o LSD foi testado em mais de 40 mil pessoas até 1965. Celebridades como o ator Cary Grant participaram de sessões de psicoterapia e expansão da consciência sob efeito do LSD antes dos Beatles o experimentarem. Francis Crick, vencedor do Nobel da Ciência em 1962, iniciou sua pesquisa sobre o DNA com base nas visões de uma viagem de ácido. Psiquiatras das Forças Armadas Americanas ministravam psicodélicos para manipular depoimentos de prisioneiros da Guerra Fria, enquanto os jovens faziam uso recreativo da droga.

Os condutores da nova pesquisa acreditam no potencial do LSD. “A droga interage com neurotransmissores como a serotonina e a dopamina, provocando uma espécie de sonho acordado muito vívido, que leva os pacientes a um profundo contato com suas pendências e ao enfrentamento de seus medos”, afirma o psiquiatra Peter Gasser, coordenador do estudo. Os 12 voluntários passaram por 30 sessões: 22 com uma dose de 200 mg, e oito com a dose placebo de 20 mg. “Devido a repressões na infância, uma das pacientes se queixava de dificuldade para expressar alegria. Durante a experiência, libertou-se a ponto de dançar pela sala e pediu para passar as mãos sobre as costas macias de uma vaca”, diz Gasser.

Não houve efeitos colaterais graves como flashbacks, surtos psicóticos ou ansiedade severa. Só foram aceitos pacientes sem histórico de problemas mentais, como a esquizofrenia. Nenhum medicamento psiquiátrico foi utilizado. “Não indicamos a terapia com LSD a pessoas muito jovens, que ainda não têm repertório de enfrentamento para lidar com algumas vivências”, afirma Gasser.

Rick Doblin, fundador e presidente da MAPS, acredita que novas pesquisas devem apontar alternativas a medicamentos psiquiátricos tradicionais. “As pessoas já demonstram descrença na indústria farmacêutica e tendência à aceitação de outras substâncias para finalidade médica e espiritual. A exploração do subconsciente e da espiritualidade é um direito humano fundamental”, opina. Para ele, a regulação do LSD com finalidade terapêutica é mais fácil que a da maconha. “Temos ótima relação com órgãos como FDA (FoodAndDrugAdministration) e DEA (DrugEnforcementAdministration)”, explica.

Os testes custaram US$ 200 mil e foram subsidiados por simpatizantes. “Pedimos apoio a instituições governamentais e grandes fundos de pesquisa, mas eles consideraram politicamente arriscado. Talvez agora seja mais fácil conseguir”, diz Doblin. A organização também planeja novos estudos legais sobre o uso medicinal do MDMA (ecstasy), maconha, ibogaína e ayuasca para tratamentos direcionados à ansiedade, estresse pós-traumático e dependência química. Os próximos grupos devem ser montados no México e Nova Zelândia.