“Vidro Solar” gera energia capaz de manter edifício

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Uso de painel solar todo mundo já ouviu falar, mas e “vidro solar” é novidade. Criada pela startup Oxford Photovoltaics – incubada pela Universidade de Oxford, na Inglaterra – a invenção foi criada para captar luz solar e transformar em energia para ser usada pelo edifício.

Transparente e colorido, o vidro é usado para revestir a fachada da construção. Ficando exposto, ele gera energia a partir da luz do sol. A boa notícia também é que o custo desse vidro é bem mais acessível que os painéis solares tradicionais.

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Empresário de RO constrói avião e sonha com fábrica de aeronaves

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Dediel Gomes usou sonho de infância para superar depressão.
Empresa de semirreboques pegou fogo e causou prejuízo de 1,5 milhão.

Construir uma fábrica de aeronaves era o sonho de criança do empresário e piloto Dediel Gomes, de 47 anos. A ideia ficou adormecida com o passar do tempo, mas depois de uma tragédia, a fantasia dos tempos de menino se tornou uma alternativa para impulsionar a vontade de viver. Em 2012, um incêndio destruiu a empresa de semirreboques de Gomes em Ariquemes (RO). O prejuízo de R$ 1,5 milhão o deixou em depressão. Para superar o problema, em maio de 2013, ele deu início ao projeto dos sonhos de infância e estima que a aeronave ficará pronta para voar em 2016.

Gomes tinha uma empresa de semirreboques de fibra de vidro e, no dia 29 de novembro de 2012, um incêndio queimou os equipamentos e todo o estoque do estabelecimento. “Fiquei muito triste. Teve um dia que chorei o dia todo. Foi quando passei em uma rua e vi um avião num outdoor. Cheguei em casa e falei para minha esposa: ‘vou construir algo impossível para mim'”, lembra.

Ele diz que buscou informações e também usou a experiência de 15 anos como piloto para desenhar o projeto e construiu um protótipo em madeira. “Fiquei horas estudando. O modelo da aeronave é único. Pode haver parecidos, mas não igual. Já pedi o registro para patente”, explica. O projeto está sendo executado em um galpão cedido por um colega empresário, que também se tornou sócio na fabricação de peças com fibra de vidro.

O ultraleve terá motor de 100 HP, que já foi encomendado, mas ainda não foi entregue. O modelo dos para-brisas veio pronto para ser instalado. As rodas foram compradas de uma empresa no Paraná. O restante da estrutura é confeccionado com fibra de vidro e carbono, de forma artesanal por Gomes.

Cada peça tem um molde. O empresário fabrica protótipos e depois as matrizes que servem de forma. “Aplicamos a manta de fibra de vidro ou de carbono no molde, impregnamos com resina e depois vem a secagem, que dura geralmente 12 horas. Fazemos os acabamentos e a peça fica pronta”, detalha. Ele acredita que o ultraleve deve ficar pronto para voar no prazo de um ano. Neste período, ele constrói as últimas peças e tenta regulamentar a aeronave na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O modelo experimental deve pesar 380 quilos quando for concluído.

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A meta de Gomes é que este avião seja o primeiro de muitos. “Criar um avião do zero e sem dinheiro, não é fácil. Mas nós temos que sonhar grande. Meu objetivo é fazer uma fábrica de aviões em Ariquemes. O mesmo modelo poderá ser usado para aeronaves de quatro lugares com motores de 160 HP. Estamos fazendo devagar e com carinho, e tenho fé que teremos sucesso neste projeto. Agora a depressão já foi embora”, ressalta.

Regulamentação
Quando Gomes tem dúvidas sobre a construção do avião, ele procura o engenheiro civil Darley Fornaciari Zanetti, que está concluindo o curso de engenharia mecânica. Zanetti, que também é amante da aviação, explica que a construção amadora é liberada pela Anac. Porém, para a aeronave ser regulamentada, é necessário que seja supervisionada por um engenheiro aeronáutico.

Segundo o engenheiro, a vistoria é regida pelo Regulamento Brasileiro de Homologação Aeronáutica 37 (RBHA), que avalia, entre outros, a estrutura, o material utilizado e o projeto. Além disso, o avião deve passar por 50 horas de voo para ver se atende os requisitos de motores.

O engenheiro explica que o mercado de ultraleves está cada vez maior no Brasil. “Esse tipo de aeronave não pode ultrapassar os 600 quilos, pois se trata de um ultraleve avançado experimental. O próprio piloto é responsável pelo voo”, conclui.

De acordo com a Anac, a vistoria é realizada ao término da construção, com o principal objetivo de verificar as condições de voo. O primeiro ocorre após a obtenção do Certificado de Autorização de Voo Experimental (Cave), que é emitido após a vistoria.

Uso frequente do Facebook é associado a declínio do bem-estar

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Estudo aponta que rede social provoca um declínio em dois componentes do bem-estar: como as pessoas se sentem momento a momento e quão satisfeitas elas estão com suas vidas

Apesar de muita gente aparentar felicidade em suas postagens na rede social Facebook, um estudo desenvolvido por pesquisadores dos EUA e Europa revela que é provável que elas não sejam tão felizes assim. Isso porque o nível de satisfação e bem-estar diminui conforme aumenta a frequência de postagens.

A pesquisa é assinada pelo psicólogo Ethan Kross e outros oito pesquisadores das universidades de Michigan (EUA) Leuven (Bélgica). Foram ouvidos 82 jovens adultos usuários de smartphones com contas no Facebook, para avaliar o quão bem eles se sentiam enviando cinco postagens por dia durante duas semanas. Também foi analisada a quantidade de acessos de cada um.

“As análises indicam que o uso do Facebook prevê um declínio em dois componentes do bem-estar subjetivo: como as pessoas se sentem momento a momento e quão satisfeitas elas estão com suas vidas”, revela o artigo, publicado no jornal científico Plos One. No entanto, os pesquisadores reconhecem que os números são inconclusivos, e a questão do bem-estar pode ter outros fatores.

“O uso do Facebook leva ao declínio do bem-estar porque as pessoas tendem a utilizá-lo quando se sentem mal”, sugere. Uma variável que também pode impactar o sentimento de satisfação das pessoas é a percepção de isolamento social (quão sozinha uma pessoa se sente) — o que, por outro lado, indica que não só o uso frequente do Facebook, como também da Internet de uma maneira geral pode contribuir para a redução da sensação de satisfação e bem-estar.

“A necessidade humana por conexões sociais é bem estabelecida, bem como os benefícios que as pessoas herdam dessas conexões. Superficialmente, o Facebook fornece um inestimável recurso para preencher essa necessidade, permitindo às pessoas se conectarem instantaneamente”, considera. “Mais do que melhorar o bem-estar, como as interações suportadas por redes sociais ‘offline’ fazem de forma poderosa, as recentes descobertas demonstram que a interação pelo Facebook pode provocar resultados opostos em jovens adultos — pode miná-lo”, conclui.

Via Administradores

Supercondutores: os novos aliados da energia eólica

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Graças a esse tipo de material, universidade australiana desenvolve turbina 40% mais leve e que custa 2/3 menos

A produção de energia eólica, que se expande em todo o mundo, incluindo o Brasil, pode ganhar um novo impulso: pesquisadores da Universidade de Wollogong, na Austrália, desenvolvem um novo tipo de turbinas eólicas feitas de material supercondutor, 40% mais leves que os modelos atuais. Para obter essa redução, seus projetistas planejam substituir a pesada caixa de engrenagens da turbina por uma bobina de magnésio supercondutor diboride, capaz de captar a força do vento e transformá-la em eletricidade sem perda de energia e a um custo 2/3 menor. Os supercondutores são materiais que transportam eletricidade ou elétrons de um átomo para outro sem resistências. Isso significa que nenhum calor, som ou outra forma de energia são liberados quando esse material atinge a chamada “temperatura crítica” – o momento em que se torna supercondutor. Desenvolvida pelo Instituto de Materiais Supercondutores e Eletrônicos da Universidade, a nova turbina pode entrar em operação em usinas de energia eólica da costa australiana nos próximos cinco anos.

“A Austrália precisa desesperadamente de energia renovável e sustentável. E o vento é barato, limpo e acessível em dias de sol ou chuva”, diz Hossain. Considerando que o país tem 35 mil quilômetros de costa, não faltará espaço para instalar usina eólicas.

Os materiais supercondutores vêm ganhando grande atenção da comunidade científica e da indústria por seu potencial de revolucionar os atuais sistemas de força e baterias. Hoje, esses sistemas ainda geram e distribuem energia por meio de condutores de cobre, mas durante o processo se perde cerca de 10% da energia gerada devido à resistência existente no material. Além disso, o cobre tem durabilidade limitada, necessitando de contínua manutenção e substituição.

Já os supercondutores, por não oferecerem resistência, são capazes de transmitir e armazenar energia sem perdas. Também permitem que a corrente elétrica circule indefinidamente, mesmo quando o equipamento está desligado. E seus custos tendem a cair cada vez mais, à medida que sua produção seja expandida.

O coordenador do projeto, Shahriar Hossain, colocou um vídeo no YouTube explicando a ideia.

Os dilemas do primeiro eucalipto transgênico do mundo

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Criado pela Futuragene, da Suzano, ele promete ser até 20% mais produtivo do que as espécies convencionais. Mas, agora, a empresa tem de provar ao mundo que a árvore não é nenhum Frankenstein

As florestas plantadas, cuja madeira tem uso comercial, espalham-se por 7,6 milhões de hectares do território brasileiro. É muita coisa. Unidas em uma só gleba, elas abraçariam quase metade do Acre. Existe, contudo, um pedacinho dessa vasta crosta verde que atrai a atenção do mundo. São ínfimos 2 hectares (ou 0,000026% do total), encravados no município de Angatuba, a pouco mais de 200 quilômetros da capital paulista. Ali, crescem 120 exemplares do H421*– o eucalipto transgênico, criado pela FuturaGene, uma empresa de tecnologia da Suzano, a segunda maior produtora de celulose do planeta. O nome dado à planta é um tanto hermético, mas pode chamá-la de eucaliptão. (*É uma inovação mundial. Trata-se do primeiro produto transgênico que altera diretamente a produtividade de uma planta)

Na verdade, o H421, a olho nu, nem faz jus ao superlativo. Não é mais bombado do que os eucaliptos convencionais. Tem, porém, propriedades que soam efusivas, se comparadas à média da espécie. O eucaliptão é, por exemplo, entre 15% e 20% mais produtivo do que as outras variedades. Uma vantagem percentual dessa magnitude, conquistada em uma só geração de mudas, é mais do que expressiva. Hoje, sem a transgenia, o ganho de produtividade dessas árvores dá passos seguros, mas lentos, em um ritmo de 0,8% ao ano. Ou seja, o H421 avançou, em um só arranque, a distância que os seus pares levariam mais de duas décadas para percorrer. A versão transgênica também cresce mais rápido. Atinge o ponto de corte em cinco anos e meio. O normal? Sete anos.

O desempenho excepcional do novo eucalipto permite que a indústria reduza as áreas de plantio sem perder produção

Essas vantagens agrícolas têm implicações estratégicas. Isso porque, ao dar tamanho salto de produtividade, a indústria de papel e celulose enche a mão com coringas. Pode optar, por exemplo, em reduzir o tamanho das florestas, derrubando custos, sem diminuir o volume produzido. Tem a alternativa ainda de concentrar as áreas de plantio nas imediações das fábricas, abrindo mão das mais distantes, o que acarretaria ganhos consideráveis em logística. “O eucalipto transgênico, com esse avanço de rendimento, permite que repensemos a indústria”, diz Eugênio Ulian, vice-presidente de Assuntos Regulatórios da FuturaGene. “Ele aumenta a margem de manobra do setor.”

O debate esquentou
O gene introduzido no DNA do eucalipto da Suzano, além de ser o embrião de uma reviravolta, representa, ainda, uma inovação mundial sem equivalentes. Trata-se da primeira planta cuja alteração resulta, diretamente, em aumento de produtividade. Até agora, as variedades vegetais transgênicas bem-sucedidas no mercado, como a soja ou o milho, focavam em mudanças mais simples, com um número menor de variantes genéticas envolvidas, relacionadas à resistência a herbicidas ou a pragas, por exemplo.

Embora esteja tecnicamente pronto para entrar em produção, o H421 ainda não pode ser usado comercialmente pela Suzano. Para isso, a empresa precisa do sinal verde da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A companhia encaminhou, no início deste ano, um pedido de liberação do produto para o órgão. No mês passado, a entidade promoveu uma audiência pública para debater o assunto. Agora, o processo será analisado em quatro subcomissões da CTNBio (saúde humana, animal, vegetal e ambiental). Somente depois disso, a proposta será avaliada em definitivo pelo plenário da instituição. Quando isso vai acontecer? Ninguém sabe. Mas, desde a audiência, as discussões em torno do eucaliptão esquentaram. E muito.

E as abelhinhas?
Não poderia ser diferente. A transgenia, nem de longe, é um tema alheio a turbulências. Como se sabe, os Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) representam a materialização vegetal do mito de Frankenstein. Por isso, mobilizam toda a sorte de inimigos e temores. Grupos de apicultores brasileiros, por exemplo, estão montando barricadas contra a introdução dos eucaliptos transgênicos no Brasil. As entidades do setor estimam que até 30% do mel nacional tem como origem o néctar das flores dessas árvores. O país produz 50 mil toneladas de mel por ano, sendo que 20 mil toneladas são exportadas. Do total que segue para o exterior, 80% é certificado como orgânico. “Acreditamos que, com a transgenia, perderíamos essa classificação e boa parte do nosso mercado”, afirma Joelma Lambertucci de Brito, secretária executiva da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel). “Os europeus, por exemplo, não aceitariam o nosso produto.” A entidade, formalmente, defende estudos de longo prazo para uma avaliação criteriosa dos eventuais efeitos do H421. Na prática, porém, quer empurrá-lo para que seja plantado na Terra do Nunca.

O pior é o selo
Na indústria de papel e celulose, há quem considere precipitada a tentativa de adoção de um produto transgênico para uso comercial pela Suzano. Nesse caso, a barreira apontada por executivos do setor responde pelo nome de certificação. A quase totalidade dos grandes compradores globais de papel e celulose exige que as indústrias do segmento ostentem os selos verdes, como o concedido pelo Forest Stewardship Council (FSC), a poderosa ONG internacional, cujo certificado é um pré-requisito para a entrada de produtos de origem florestal em países desenvolvidos, sobretudo na Europa.

O FSC, com sede em Bonn, na Alemanha, é formado por empresas e ONGs das mais variadas origens (Greenpeace, WWF e Conservação Internacional, por exemplo), além de representantes de povos indígenas e quilombolas. É uma mega e sortida assembleia global. Daí, em grande parte, o peso da sua certificação. Criada em 1993, jamais admitiu a presença de transgênicos em florestas para uso comercial. Qualquer genezinho mais estranho em uma árvore resulta em cartão vermelho para o produtor. E sem perdão.

Um tema espinhoso
Ocorre que “jamais” também tem um limite. A cada três anos o FSC promove uma assembleia-geral. A última delas ocorreu em Sevilha, na Espanha, no mês passado. O tema dos OGMs nas florestas plantadas voltou à baila. Nada de prático foi acertado, mas o diretor-geral da entidade, Kim Carstensen, reconheceu que os organismos geneticamente modificados representam um caminho sem volta para o setor. O evento reservou ainda uma sessão de debates sobre as árvores transgênicas. Uma discussão desse tipo nunca havia ocorrido, mas ainda não existem sinais de entendimento entre as partes no horizonte. “Esse é o assunto mais complicado e difícil para ser resolvido na história da FSC”, diz Mauricio Voivodic, secretário executivo do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), a maior certificadora do FSC no Brasil. “Ele é cheio de tabus e dogmas que precisam de muitos debates e articulações para serem superados.”

Não é impossível, ainda assim, que o FSC revise o paradigma dos transgênicos. Quando a proibição foi baixada, no início dos anos 90, os OGMs eram tão esquisitos e suspeitos como os zumbis, nos primeiros episódios do seriado The Walking Dead. Hoje, estão por toda parte. Os dados globais sobre a transgenia na agricultura são compilados e divulgados anualmente pela ISAAA (International Service for the Acquisition of Agri-biotech Applications). O último relatório da organização indica que as culturas biotecnológicas somaram 175 milhões de hectares em 2013. Aumentaram em 5 milhões de hectares em relação a 2012. O Brasil tem a segunda maior lavoura transgênica do planeta (só fica atrás dos Estados Unidos). É, ainda, o país onde esses os OGMs mais crescem.

O Brasil tem a segunda maior lavoura de OGMs do mundo. E a que mais cresce

serão alteradas até a próxima assembleia da entidade, marcada para daqui a três anos. Existe a possibilidade de uma decisão surgir antes disso, mas é remota. Se a espera pode ser tão longa, por que tentar produzir comercialmente um transgênico agora? “Nós estudamos o produto há bastante tempo e acreditamos que é seguro. Ele não apresenta um impacto maior do que o eucalipto convencional”, afirma Ulian, o vice-presidente de Assuntos Regulatórios da FuturaGene. “Além do mais, a rampa de adoção do nosso transgênico será bastante lenta. Planejamos ter apenas entre 2% e 3% das florestas de eucalipto ocupadas com o H421 em três anos. Haverá tempo para que todos os problemas sejam resolvidos.”

O engenho humano
A FuturaGene foi criada em 1993, dentro da Universidade Hebraica de Jerusalém. Ela mantém centros de pesquisa no Brasil, na China e em Israel. Desde 2001, desenvolve o eucalipto geneticamente modificado. Começou a monitorá-lo no campo em 2006. Quatro anos depois, a empresa foi comprada pela Suzano, com a qual já desenvolvia parcerias. A criação do H421 é o resultado de uma dessas peripécias do engenho humano, em que o estoque de conhecimento avoluma e avoluma, ainda que lentamente, até desembocar em uma inovação.

No fim da década de 70, os cientistas observaram um comportamento peculiar em um microrganismo. A agrobactéria, como passou a ser chamada, atacava variedades vegetais. Elas, invariavelmente, adquiriam uma doença, uma espécie de tumor. Nesse processo, o bichinho transferia alguns dos seus genes para o genoma da planta atacada. Fazia uma espécie de transmissão de DNA. A partir daí, os pesquisadores iniciaram uma longa – e microscópica – batalha. O objetivo da briga era fazer com que a bactéria transferisse para os seus alvos um material genético que alterasse positivamente as características naturais da planta. Assim, elas poderiam ser mais fortes, resistentes, produtivas… Deu certo. É lógico que, dito assim, em 657 caracteres (com espaço), parece simples, mas essa luta científica perdurou por décadas.

Concorrência acirrada entre os OGMs
A FuturaGene largou na frente com o H421, mas não é a única empresa a lidar com eucaliptos transgênicos no mercado. Longe disso. No mundo, os destaques entre as concorrentes no ramo da biotecnologia são empresas como a ArboGen, que desenvolveu nos Estados Unidos uma variedade geneticamente modificada resistente ao frio, e a sueca SweTree Technologies. No Brasil, estudos de campo com árvores desse tipo são realizados desde 1999. Hoje, entre os produtos que estão em processo de avaliação, todos em áreas experimentais, há variedades que testam a redução do teor de lignina na árvore. Esse é um componente que interfere na rigidez da madeira. A sua redução facilita a produção de polpa de celulose. Outras experiências investigam a tolerância a extremos climáticos dessas árvores, além de alterações na qualidade da madeira.

Nenhuma grande indústria de produtos florestais, na verdade, fechou os olhos para os transgênicos. A Fibria, a maior produtora de celulose do mundo, também está nesse páreo, mas só no campo da pesquisa. A empresa concentra a sua artilharia tecnológica no melhoramento clássico, feito por meio do cruzamento de variedades. Ela tem 79 patentes de genes de eucalipto, sendo 26 concedidas e outras 53 em pedidos de análise. Em tese, esse banco de dados genético também poderia ser empregado na biotecnologia. “Ocorre que os nossos clientes aceitam que façamos estudos, mas não o plantio comercial de transgênicos”, diz Fernando Bertolucci, gerente-geral de Tecnologia da Fibria. “Eles precisam entender melhor como essa tecnologia funciona.”

A FuturaGene parte do princípio que isso acontecerá em breve. Como argumento complementar, usa um dado sempre eficaz: o da necessidade. Um estudo preparado pela ONG ambiental WWF indica que a demanda global por madeira vai triplicar até 2050, chegando a 10 bilhões de metros cúbicos por ano. A produtividade das florestas, nesse cenário, será crucial. Ainda assim, ninguém duvida, o debate será longo.

Em Moçambique, ratos treinados detectam tuberculose pelo cheiro

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Bichos detectaram 1.182 casos que passaram despercebidos em clínicas.
Organização também treina roedores para encontrar minas terrestres.

Desde 2013, ratos treinados foram os responsáveis por detectar 1.182 casos de tuberculose que passaram despercebidos em unidades de saúde da cidade de Maputo, capital de Moçambique, no sudeste da África.

Apropriadamente apelidados de “HeroRATs”, ou “ratos heróis”, eles conseguem diagnosticar a doença com uma precisão de até 80%. Além de ser mais barato, o método pode ser até 20 vezes mais rápido do que os testes tradicionais, ampliando a detecção e tratamento da doença e, consequentemente, freando sua propagação.

O projeto, que teve início na Tanzânia, é da organização belga Apopo, que se dedica a desenvolver métodos de detecção usando ratos treinados. O diagnóstico de tuberculose é apenas uma vertente da ONG, que também treina roedores para encontrar minas terrestres em países afetados por esse problema.

Por que ratos?

O médico Emilio Valverde, gerente do projeto de detecção de tuberculose em Moçambique e professor da Universidade Vanderbilt, nos EUA, conta que a ideia de usar ratos para ajudar a humanidade foi do fundador da Apopo, Bart Weetjens. “Ele mantinha ratos como bichos de estimação quando criança e percebeu que os animais eram inteligentes, treináveis e com olfato muito preciso.”

Primeiro, veio a ideia de treiná-los para detectar minas terrestres enquanto analisava o problema que atinge muitos países devastados pela guerra na África Subsaariana. Valverde conta que o explosivo usado em minas terrestres, o TNT, tem um odor forte e Weetjens passou a treinar os bichos para reconhecer esse cheiro. Deu certo e hoje o projeto é desenvolvido em Moçambique, Tanzânia, Tailândia, Angola, Cambojam Vietnã e Laos.

Em seguida, Weetjens e uma equipe de pesquisadores quiseram ver se havia outras questões humanitárias “relacionadas ao odor” em que os ratos poderiam ser usados. “Em estágios avançados da doença, até os humanos podem sentir um pouco do cheiro da tuberculose, então eles decidiram tentar e começaram a treinar ratos, com sucesso”, conta o médico.

Como funciona?

Os “ratos heróis” começam a ser treinados a partir da quarta ou quinta semana de vida. Na primeira fase, os ratinhos são separados das mães e começam a se familiarizar com o mundo humano. A partir da sexta semana de vida, os ratos são treinados para associar um barulho de clique com uma recompensa em forma de comida. Duas semanas depois, são apresentados ao cheiro característico da bactéria causadora da tuberculose, o Mycobacterium tuberculosis. O rato se especializa, então, em reconhecer esse odor em amostras de escarro humano.

Durante o treinamento, os ratos cheiram uma série de 10 buracos dentro de uma gaiola. Sob cada buraco está uma amostra de escarro humano que deve ser avaliado. Quando ele detecta a tuberculose, sinaliza para os profissionais do laboratório mantendo seu nariz no buraco por pelo menos três segundos. Quando eles indicam a presença da tuberculose em uma amostra que comprovadamente contém a bactéria, recebem comida de recompensa: banana ou amendoim.

Para serem acreditados como HeroRATs, os bichos têm de passar por um teste final em que comprovem sua capacidade de detectar a doença.

Qual a vantagem?

Valverde observa que os países mais afetados pela tuberculose são justamente os mais pobres. “Recursos limitados são um problema prevalente em regiões que têm uma carga elevada de tuberculose.” Ele cita que, a cada ano, 9 milhões de pessoas são infectadas pela tuberculose e 3 milhões desses casos ocorrem na África Subsaariana justamente por causa dos sistemas inadequados de saúde e falhas na detecção da doença.

O exame mais usado nesses países é o de microscopia. Apesar de serem precisos na teoria, eles são muito demorados e, dependendo da qualificação dos técnicos que o realizam, de 20% a 80% dos casos podem passar sem ser detectados.

“Os ratos de detecção da tuberculose são pelo menos tão precisos quanto os exames convencionais de microscopia, mas sua principal vantagem é que eles são 20 vezes mais rápidos”, diz Valverde. Enquanto um rato é capaz de cheirar centenas de amostras em 20 minutos, um técnico de laboratório faria o mesmo trabalho em quatro dias.

Em Maputo, a organização Apopo desenvolve o projeto em colaboração com o Ministério da Saúde de Moçambique e com a Universidade Eduardo Mondlane, maior universidade do país. O projeto tem parceria com 13 unidades de saúde da cidade.

Desde 2013, os ratos já avaliaram 36,561 amostras humanas da capital, aumentando em 48% a taxa de detecção da doença nessas clínicas. A organização calcula que 8,5 mil novos casos foram evitados a partir dos casos a mais que foram detectados com os ratos.

Leoa que foi salva por jovem alemão o ‘abraça’ todos os dias

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Amizade entre homem e felino será relatada em documentário “Lionheart”

Um vídeo no Youtube que mostra a leoa Sirga abraçando o homem que salvou sua vida já foi visto por mais de 15 milhões de vezes. Agora, a amizade entre o felino e o alemão Valentin Gruener vai se transformar em documentário, que deve ser lançado ainda este ano. As informações são do Daily Mail.

O jovem de 27 anos salvou a leoa quando ainda era um pequeno filhote abandonado pela mãe em terras que pertencem a Willie De Graaff, em Botswana, África. Sirga foi encontrada quase morta, mas o fazendeiro permitiu que Gruener, que trabalha no Projeto Vida Selvagem Modisa, tentasse salvar sua vida.

Depois de sobreviver, conforme mostra o documentário Lionheart (Coração de Leão, em tradução livre), todos os dias, quando Gruener vem abrir a jaula, Sirga pula em cima dele e lhe dá um abraço.

Agora, a leoa está aprendendo a caçar (e, claro, seu amigo é quem a acompanha) para, futuramente, voltar à vida selvagem. Gruener assumiu o compromisso com De Graaff de ajudá-la a se tornar um caçador autossuficiente, mostrando-lhe como pegar sua própria comida na floresta. “Ela aprendeu a ser paciente, perseguir e deixar seus alvos em emboscada”, disse o alemão, que passa horas agachado em matagais ou nadando em poços de água ao lado de Sirga.

“O dia em que ela matou seu primeiro antílope foi o mais incrível da minha vida, porque percebi que ela um dia será capaz de cuidar de si mesma na natureza”, acrescentou ele, orgulhoso.

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