Mundo terá déficit de 40% de água em 2030 se consumo não mudar

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20% das águas subterrâneas do planeta estão sendo exploradas de forma abusiva

O planeta terá um déficit de água de 40% em 2030 se a forma atual de consumo não mudar, alertou um relatório publicado nesta sexta-feira pela Unesco, que pede que a melhor gestão deste recurso faça parte dos objetivos do planeta da ONU.

O estudo, elaborado por 31 órgãos da ONU sob o guarda-chuva da Unesco, estabeleceu que nos últimos anos houve avanços no acesso à água e ao saneamento no mundo, mas a tensão persiste e será mais evidente por causa do crescimento demográfico.

Por isso, considerou que os objetivos de Desenvolvimento Sustentável para 2016-2030, que devem substituir os Objetivos do Milênio (2001-2015) precisam ser mais ambiciosos na proteção dos recursos hídricos.

Atualmente o plano da ONU só destaca o acesso à água e ao saneamento.

O relatório da Agência da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) pediu que sejam incluídos também a administração dos recursos hídricos, a qualidade de água, a gestão das águas residuais e a prevenção de catástrofes naturais causadas pela água.

A água é fonte de desenvolvimento econômico, que frequentemente precisa de grandes volumes, assim como a agricultura e a produção energética, e precisam de “equilíbrio”, explicou o principal autor do relatório, Richard Connor.

Ainda existem no mundo 748 milhões de pessoas que não têm acesso a água livre de contaminação e as primeiras vítimas são os pobres, os marginalizados e as mulheres, segundo o estudo.

Os autores assinalaram que o setor agrícola, que consome mais quantidade, terá que aumentar sua produção em 60% até 2050, o que provocará mais tensão no acesso à água.

A demanda de produtos manufaturados também crescerá e o relatório assinalou que suas necessidades de água aumentarão 400% nesse período.

A esse aumento da demanda se soma uma gestão defeituosa, que faz com que persista a irrigação intensiva e que muitas águas fiquem contaminadas por causa de pesticidas e produtos químicos perto de leitos fluviais.

Segundo o relatório, 20% das águas subterrâneas do planeta estão sendo exploradas de forma abusiva.

O elemento também sofre com o aquecimento climático, na forma de maior evaporação causada pelo aumento da temperatura, e pela alta do nível do mar que pode afetar reservatórios aqüíferos de água doce.

Todas estas pressões “podem desembocar em uma competição pela água entre diferentes setores econômicos, regiões ou países”.

O relatório também apontou uma “gestão deficiente que, com frequência, cobra um preço inferior ao seu valor real e que não é levada em conta na hora de adotar decisões no setor energético ou industrial”.

“Os esforços realizados por alguns países indicam que é possível conseguir uma melhor gestão e uma utilização mais escrupulosa dos recursos hídricos, inclusive nos países em vias de desenvolvimento”, assinalou o relatório.

Um dos fatores de economia de água preconizados no estudo é o fomento das energias renováveis em vez das centrais térmicas, grandes consumidoras de água e que produzem atualmente 80% da eletricidade do mundo.

Para tomar este tipo de decisão, assinalaram os autores, é preciso que “os poderes públicos possam influenciar nas decisões estratégicas que têm repercussões determinantes na perdurabilidade dos recursos hídricos”.

Outro dos métodos de economia pode ser o subsídio para que a agricultura invista em sistemas de irrigação eficientes, o que atacaria outra das principais fontes de desperdício de água.

Relatório

“A mente precisa de exercícios para evoluir”

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O neurocientista Ken Kiehl defende que, assim como deficientes físicos necessitam de fisioterapia, doentes mentais, a exemplo de psicopatas, têm de trabalhar o cérebro para combater a doença

Kent Kiehl, neurocientista americano da instituição Mind Research Network e da Universidade do Novo México, nos Estados Unidos, é autor do livro The Psycopath Whisperer (sem tradução em português; 19 dólares na Amazon), resultado de vinte anos de estudo com psicopatas presos. Na entrevista a seguir, Kiehl explica como a psicopatia se desenvolve como uma característica genética e quais são os caminhos para combatê-la e, assim, diminuir seus efeitos.

Há quem nasce psicopata? Estudos recentes, como os que conduzi, sugerem que a maior parte das variantes para traços de psicopatia é genética. Um exemplo é a metodologia que faz uso de gêmeos. Normalmente, ambos os irmãos marcam a mesma pontuação, seja ela alta, ou baixa, no teste usado para identificarmos um psicopata. Com essa técnica, sabemos que ao menos 50% dos traços de psicopatia são relacionados ao DNA. Mas isso não é uma sentença definitiva para a vida, pois é maleável. Há várias oportunidades para remodelar as pessoas.

É possível diagnosticar um bebê como psicopata? Uma criança, sim. Existem psiquiatras que tentam identificar a doença em pacientes com 5 anos. Todos têm a esperança de que, mesmo no caso de um jovem que aparenta ser de alto risco para a sociedade, os pais possam buscar caminhos para resolver, ou ao menos aliviar, o problema se agirem cedo.

Como alguém consegue exercitar o cérebro para ir contra a genética? Assim como uma deficiência física precisa de fisioterapia, a mente necessita de exercícios. Partimos do princípio que a psicopatia tem a ver com redução de empatia e excesso de impulsividade. Então, desenvolvemos jogos de computador que estimulam a empatia e reduzem a impulsividade. O paciente ganha no game se conseguir esperar, planejar e pensar sobre as atitudes cuidadosamente. Esse tipo de trabalho reduz, em muito, os traços típicos desse desvio mental.

O psicopata consegue perceber sozinho que é um psicopata? Usualmente, não. Por sofrer de falta de empatia pelo outro, o psicopata não percebe como o seu modo de vida influencia as pessoas. Aliás, nem como ele afeta a própria vida. Durante o tratamento, porém, quando o psiquiatra explana sobre os atos do psicopata, ele consegue se reorientar para não repetir os erros. Temos de educar e treinar a mente do paciente.

Como fazer isso? A melhor opção é o reforço positivo. Ou seja, reduzir a punição e aumentar os agrados quando o paciente age corretamente. Pesquisas comprovam que essa estratégia é mais eficiente em indivíduos com essas características.

Quem tomaria essa atitude corretiva, baseada no incentivo, não na punição? Pais, professores, babás, quase todos do convívio do indivíduo podem agir. É preciso trabalhar com o paciente, principalmente quando é uma criança, em todos os momentos de sua vida. Cabe ao psiquiatra treinar aqueles que fazem parte da vida do psicopata.

É possível reinserir um psicopata na sociedade, mesmo um com histórico de crimes? Isso depende muito da linha filosófica e social do sistema criminal de cada país. Acredito que os dados falam por si. Sem planejamento, não dá. Exemplo: 80% dos prisioneiros voltam ao sistema penitenciário dentro de três a cinco anos se não passaram pelo devido tratamento psiquiátrico. O ponto da minha pesquisa é que, já que eles serão soltos depois de cumprirem as penas, devemos elaborar tratamentos, estudos, programas de monitoramento, tudo para minimizar as chances de essas pessoas voltarem a cometer crimes consequentes de escolhas erradas de suas mentes perturbadas.

O que acontece quando lava derretida atinge uma lata de Coca-Cola?

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A temperatura lava pode variar de 700 à 1200 °C. E de acordo com os fabricantes da Coca-Cola, ela é recomendada ser servida à 4 °C.

O fotógrafo Bryan Lowry se perguntava: “O que aconteceria se uma lata de Coca-Cola se ela entrasse em contato com lava derretida?” Ele decidiu fazer esse experimento em um vulcão no Havaí. Na primeira lata Bryan fez um pequeno buraco na parte superior para impedir a lata de alumínio explodir. Já a segunda lata foi deixada perfeitamente selada. Lowry utilizou uma GoPro para capturar o vídeo.

Pika-de-Ili, mamífero ‘fofinho’ raro, é redescoberto em montanhas da China

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Espécie foi descoberta em 1983 e foi vista raras vezes desde então.
Mesmo cientista que a descobriu conseguiu fotografar exemplar em 2014

O cientista Weidong Li, do Instituto de Ecologia e Geografia Xinjiang, na China, descobriu por acaso uma nova espécie de mamífero em 1983: a pika-de-Ili (Ochotona iliensis). O pequeno animal, encontrado pela primeira vez na cordilheira Tian Shan, no noroeste da China, tem uma peculiar aparência de bichinho de pelúcia fofo.

Desde sua descoberta, foram raras as vezes em que o mamífero foi visto. Em 2014, durante uma expedição à cordilheira Tian Shan, o mesmo cientista que descobriu a espécie conseguiu registrar em foto uma rara aparição de um exemplar. A história do raro bichinho das montanhas e seu descobridor foi publicada na edição de março da revista “National Geographic China”.

Weidong Li partiu para as monhanhas em 2014 com alguns voluntários justamente para procurar exemplares da pika-de-Ili, segundo a revista. O exemplar típico do mamífero mede cerca de 20 cm, tem orelhas grandes e pêlo acinzentado com manchas marrons.

Um artigo publicado na revista científica “Oryx” por Weidong em  2005 fala sobre o possível declínio do número de exemplares de pika-de-Ili nos locais onde o animal havia sido visto anteriormente.

Segundo o artigo, o aumento da temperatura devido ao aquecimento global pode ter contribuído para o “dramático declínio” da população da espécie. O autor recomendava que a espécie fosse classificada como ameaçada de extinção.

Hipnose ganha espaço em consultórios e hospitais

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Técnica pode ser usada como terapia complementar para áreas da medicina, psicologia, odontologia e fisioterapia

Em uma tarde de domingo, no centro médico da Universidade de Tennessee, nos Estados Unidos, uma criança de cinco anos chega carregada por médicos, com diversas escoriações no corpo e uma perna quebrada. Chorando muito, ela conta que havia se acidentado em um triciclo. Pedindo alívio para a dor — e aguardando a chegada dos pais ao local —, recebe a notícia de que não poderia ser medicada antes de realizar uma bateria de exames.

Prontamente, a psicoterapeuta brasileira Lina Schlachter começa a perguntar para a menina sobre coisas de que ela gosta. Realiza movimentos circulares no rosto da garota, pede para que ela feche os olhos e, por meio da conversa, leva sua imaginação ao encantador mundo de Harry Potter, onde ela estaria voando com uma vassoura sobre locais agradáveis, sentindo-se confiante e feliz. A criança começa a relaxar o rosto, diminui as feições de dor e para de chorar. Em poucos minutos, ela se diz tranquila e recebe os pais, que chegam logo depois, com um sorriso no rosto.

A situação, que ocorreu em 2009, não causou estranhamento aos médicos, já acostumados ao procedimento. Lina submeteu a paciente a um estado hipnótico, método em que um especialista sugere mudanças nas sensações e percepções, alterando as capacidades sensoriais e motoras.

Já muito popular nos Estados Unidos e na Europa, a hipnose vem conquistando espaço também no Brasil. Nos últimos anos, passou a ser reconhecida como terapia auxiliar pelos conselhos de psicologia, medicina, odontologia e fisioterapia, e começou a ser praticada em hospitais e consultórios.

Doutora em psicologia pela Universidade de Tennessee, Lina relata que utilizou a técnica trabalhando na emergência de um hospital norte-americano, ajudando pessoas com traumas severos a se “distrair” da dor que sentiam.

— Os resultados costumam ser benéficos, mas isso depende da suscetibilidade de cada um à hipnose — explica a especialista.

Usada há milênios para diferentes finalidades, a técnica foi associada à magia e ao curandeirismo durante muito tempo e se tornou até atração de circo. Foi a partir do século 19 que a hipnose começou a ganhar popularidade no meio acadêmico, sendo fundamental para que Sigmund Freud elaborasse, por exemplo, sua teoria sobre o inconsciente.

Estudos científicos demonstraram a forma como a técnica atua no cérebro e, assim, ela passou a ser aceita e difundida como um tratamento complementar para diferentes finalidades, que vão desde a redução de dores crônicas ou agudas, transtorno do pânico, fobias e insônia, até sedação de dor em procedimentos dentários.

‘Virou paixão’, diz empresário que colhe abóboras de 200 kg no Paraná

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Hobby começou há sete anos depois de uma viagem ao Rio de Janeiro.
Chico Neto mora em Cascavel e viaja pelo país a procura de variedades.

Há sete anos o empresário Francisco Neto Lourenço, de 61 anos, começou a plantar abóboras gigantes no sítio que tem em Santa Maria, Distrito de Santa Tereza do Oeste, no oeste do Paraná. Hoje, ele diz que as plantações gigantes se tornaram um hobby e uma paixão. Tanto que chega a gastar por ano aproximadamente R$ 7 mil para cuidar dos vegetais.

Tudo começou depois de uma viagem, conforme conta Chico Neto, como é conhecido na região. “Estava no Rio de Janeiro e uma pessoa me disse que em um bairro, que não me lembro o nome, vendiam sementes de abóboras gigantes. Fui lá e comprei. Quando cheguei em casa plantei as sementes e colhi uma abóbora de 65 kg”.

Depois da primeira colheita, Chico Neto não parou mais com as plantações e começou a pesquisar sobre o assunto em livros, revistas e na internet. Com as pesquisas aprendeu alguns truques para deixar o vegetal cada vez maior. “Passo leite nas folhas porque ajuda a evitar insetos e no pé passo melado de cana de açúcar diluído na água, que serve como vitamina para a planta”, revela o empresário. Mas diz que o que faz realmente a diferença é a forma de adubação.

A técnica, ao que parece, dá certo, este ano ele colheu sete abóboras com 200 kg cada. “A gente teve que arrumar um guindaste para tirar elas da roça”, conta orgulhoso. Essa foi a maior colheita que ja fez desde que começou a plantar o vegetal.

Mas, segundo ele, o hobby não sai barato. “Gasto com viagens, com adubos e tudo mais que é preciso. Já fui buscar adubo em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul porque aqui os adubos são mais para soja e milho”, explica. Despesas altas, mas sem nenhum lucro. “Não ganho nada, é só pelo prazer”, ressalta. Mas a família apoia. “Eu e a minha mulher vamos a cada dois dias medir o pé para acompanhar o crescimento”.

Quando colhidas, as abóboras são levadas para a loja de materiais de construção que  Chico Neto mantém no Bairro São Cristóvão, em Cascavel, cidade vizinha. Ali, ele distribui os vegetais para os clientes e moradores da região. “Cada um que passa e pede um pedaço eu dou. Até porque ela apodrece depois de mais de 20 dias fora do pé”, diz. O mesmo acontece com as sementes, que também são doadas.

A única coisa que Chico Neto não entrega para todos é o segredo de como produzir abóboras tão grandes. “Começa desde o cuidado com a semente, tem que plantar em copos em casa com adubo para já nascer com bastante comida. Depois de 10 dias dá para levar para a roça. Mas não conto tudo não”, se diverte. Ao G1, o empresário revelou que até a polinização é feita manualmente.

Muito além das abóboras
Chico Neto tem 150 variedades de abóboras, além de sementes do vegetal gigante. São vários os tamanhos, corres e formatos. “Eu sou doente por abóboras, é uma coisa diferente, ninguém nunca se preocupou, mas eu comecei a colecionar e virou paixão”, confessa. “Eu vou nas feiras e casas agrícolas, no nordeste, no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais para ver se tem variedades diferentes”, completa.

Além das abóboras, no sítio do empresário também é possível encontrar outras plantações curiosas e gigantes. “Tem quiabo de 500 centímetros, pé de girassol com 3,40 metros e chuchu com 2 kg, entre outros. Eu procuro coisa diferente para plantar”.

E todas as colheitas ficam registras em fotos e em uma revista, que o empresário publica uma vez por ano. “Eu planto as abóboras no começo de setembro, depois do frio, e colho entre janeiro e fevereiro. Vou fotografando e depois monto a revista que sai mais ou menos no mês de abril”. Assim como as sementes e as abóboras gigantes, a revista também é distribuída pela cidade.

De acordo com a professora de agronomia da Fundação Assis Gurgacz (FAG), em Cascavel, as sementes usadas por Chico Neto são de uma variedade de abóboras gigantes e o crescimento é normal e esperado. “O que faz a diferença é o cuidado que ele tem com as plantas e o clima da região também ajudam”, explica.

Pesquisas testam se dinheiro torna as pessoas más

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De avarentos mal-humorados aos lobos de Wall Street, Hollywood já abordou sob diversos ângulos o poder corruptor do dinheiro. Mas esses relatos da tela grande são confiáveis? O dinheiro nos torna pessoas más?

O psicólogo social Paul Piff passa algumas tardes cruzando uma faixa de pedestres à beira-mar de Los Angeles, em meio a skatistas e passeadores de cães.

Graças ao grande número de endinheirados na região, não faltam carros luxuosos, híbridos ou esportivos pelas ruas.

Piff está ali para ilustrar um de seus experimentos mais provocativos: ela quer saber se motoristas ricos param menos para os pedestres do que pobres.

Motoristas são, por lei, obrigados a parar se alguém quiser atravessar a rua. E, enquanto um Lexus passa na sua frente sem deixar que ele cruze a rua, Piff explica o que seus pesquisadores descobriram.

“Nenhum dos motoristas dos carros mais baratos desrespeitou a lei, enquanto quase 50% dos motoristas de carros mais caros desrespeitou”, diz ele.

Piff também perguntou a diversas pessoas de diferentes classes sociais como elas se comportariam em diferentes cenários.

No passado, a percepção pública tendia à noção de que os mais pobres tinham probabilidade maior de agir de forma ilegal, por estarem sob pressão financeira e sob condições mais difíceis.

Mas a pesquisa de Piff sugere o contrário: que ter mais dinheiro faz com que você se preocupe menos com os outros e se sinta no direito de colocar interesses próprios em primeiro lugar.

Após quase uma década de pesquisas nessa área, Piff chegou à polêmica conclusão de que a prosperidade, em vez de transformar você em um benfeitor, pode ser algo ruim para sua bússola moral.

“(O dinheiro) torna você mais afinado com seus próprios interesses e seu próprio bem-estar”, ele diz.

“De certa forma, isso o isola de outras pessoas, psicologicamente e materialmente. Você prioriza suas necessidades e objetivos e fica menos conectado às pessoas ao seu redor. Se eu lhe der uma caneta e pedir que você desenhe um círculo para representar a si mesmo, quanto mais próspero você for, maior será seu círculo em relação ao tamanho dos círculos desenhados pelas pessoas mais pobres.”

Teste do ditador

Em seu laboratório psicológico, Piff já conduziu estudos que sugerem que as pessoas com mais dinheiro têm mais propensão a trapacear em jogos de dados, a comer doces guardados para crianças e menos vontade de ceder seu tempo para ajudar os demais.

Usando uma ferramenta conhecida dos psicólogos, o “teste do ditador”, Piff reuniu um grupo de pessoas e deu US$ 10 a algumas delas. Disse a elas que poderiam compartilhar tudo, uma parte ou nada do dinheiro com os participantes que não haviam recebido a quantia.

“A economia racional diria que os mais pobres tenderiam a guardar mais dinheiro para si mesmas e os ricos tenderiam a doar mais. Descobrimos o oposto”, disse ele. “Quanto mais rico você é, levando-se em conta diversas outras variáveis, menos generoso você é. Você dá porções significativamente menores para a outra pessoa. E os pobres eram bastante mais generosos.”

Em outro estudo, ele manipulou um jogo de Banco Imobiliário para privilegiar um jogador, dando-lhe mais dinheiro no inicio. Após dezenas de jogos, notou-se que a vitória trazia à tona o pior lado desse jogador – em modos prepotentes, no uso do espaço e até comendo mais salgadinhos do pote comunitário.

Quando nos sentimos prósperos, conclui Piff, precisamos menos das outras pessoas. No mundo real, quando as pessoas têm menos dinheiro, elas contam mais com suas relações sociais. Por isso, essas relações acabam sendo priorizadas.

Outro estudo alega que pensar em dinheiro nos torna mais determinados, mas também menos sensíveis a sentimentos dos demais

Os mais ricos, em contraste, podem pagar por sua própria paz, tranquilidade e espaço – além da solução para a maioria de seus problemas. Nada como uma carteira cheia para animar os ânimos durante uma crise. Só que isso tende a isolar as pessoas das experiências das demais.

Questionamentos

As descobertas de Piff certamente têm seu encanto. Traz conforto pensar que os donos das vantagens financeiras pelo menos pagam um preço por isso. Mas nem todos estão convencidos.

A psicologia é uma disciplina carregada de dificuldades. Estudos sempre trazem fatores que confundem as conclusões: será que a pessoa que atravessa a rua o faz de modo mais confiante se estiver diante de um carro barato? Será que o motorista é realmente rico ou ele pegou a BMW emprestada de seu tio?

E dados de pesquisas populacionais são difíceis de serem decifrados. É difícil separar causa e efeito, e participantes de pesquisas de laboratório dão respostas que podem ou não ter relação com a vida real.

É só quando estudos com diferentes métodos chegam a conclusões semelhantes que os resultados começam a ser vistos como significativos.

Desde que Piff publicou sua primeira leva de descobertas, em 2010, outros cientistas ao redor do mundo têm tentado replicá-los. Alguns resultados confirmam as pesquisas de Piff; outros trazem conclusões opostas.

Um estudo holandês feito com milionários identificou que estes eram mais generosos do que a média quando se tratava de doar ou guardar para si pequenas quantidades de dinheiro.

Análises de dados populacionais feitas por acadêmicos europeus não encontraram elos entre prosperidade e falta de generosidade. No máximo encontraram o oposto: que indivíduos prósperos tendiam a oferecer mais tempo e dinheiro aos demais.

A essência do dinheiro

Mas um estudo de Kathleen Vohs, da Universidade de Minnesota, pode ajudar a explicar as conclusões de Piff. Na pesquisa, ela derrubava “sem querer” pacotes de lápis para saber se as pessoas ajudam a pegá-los do chão.

Zhansheng Chen e Yuwei Jiang descobriram que pessoas condicionadas a pensar em dinheiro tendiam a aceitar mais transgressões morais

Primeiro, porém, ela preparava metade dos participantes do estudo, “alimentando-os” com frases relacionadas a dinheiro para decifrar ou notas de dinheiro para contar.

Esses participantes “preparados” costumavam ser menos predispostos a ajudar a pegar os lápis. E, em outro estudo, eles se mostraram menos generosos quando convidados a doar dinheiro para caridade.

Ao contrário do que mostravam as pesquisas de Piff, essa evidência obtida por Vohs parece ter pouca relação com o fato de os participantes serem ricos ou pobres. E os resultados foram replicados em 19 países.

“Parece que há algo na ideia de dinheiro e na forma como ele é representado na cabeça das pessoas que provoca essas reações, e parece que isso tem pouca relação com a sensação de se estar rico ou pobre”, diz ela.

Vohs afirma que basta pensar em dinheiro para evocar uma “mentalidade autossuficiente”, refletindo o fato de que o dinheiro carrega, em sua essência, transações com estranhos e o cálculo de como priorizar interesses próprios. Você não costuma usar dinheiro nas relações com as pessoas mais queridas. Como resultado, o dinheiro nos torna mais determinados, mas também menos sensíveis às necessidades e sentimentos dos demais.

Pesquisadores em Hong Kong levaram essa ideia além. Os professores Zhansheng Chen e Yuwei Jiang descobriram que participantes de pesquisas condicionados a pensar em dinheiro tendiam a aceitar mais transgressões morais – como colar em provas ou mentir em currículos – quando diante de dilemas éticos.

E, durante jogos envolvendo punições a participantes com barulhos altos, os preparados para pensar em dinheiro costumavam submeter seus adversários a barulhos mais altos e por mais tempo. O ato de pensar em dinheiro os torna mais agressivos.

Ou seja, o foco em preços, lucros, contas bancárias e orçamentos pode não ser benéfico para o ambiente em seu escritório ou para a integridade de sua organização.

Se você quer que seus funcionários cooperem entre si e se mantenham honestos, não os “suborne” com bônus, diz Jiang. Ele oferece uma alternativa.

“Você pode premiar um funcionário com uma viagem para o Havaí. As pessoas não pensam em dinheiro quando vão para o Havaí.”

dinheiro tendiam a aceitar mais transgressões morais – como colar em provas ou mentir em currículos – quando diante de dilemas éticos.

E, durante jogos envolvendo punições a participantes com barulhos altos, os preparados para pensar em dinheiro costumavam submeter seus adversários a barulhos mais altos e por mais tempo. O ato de pensar em dinheiro os torna mais agressivos.

Ou seja, o foco em preços, lucros, contas bancárias e orçamentos pode não ser benéfico para o ambiente em seu escritório ou para a integridade de sua organização.

Se você quer que seus funcionários cooperem entre si e se mantenham honestos, não os “suborne” com bônus, diz Jiang. Ele oferece uma alternativa.

“Você pode premiar um funcionário com uma viagem para o Havaí. As pessoas não pensam em dinheiro quando vão para o Havaí.”