Após perda de visão central, britânico ganha olho biônico

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Implante é o primeiro feito em paciente com degeneração macular, doença que afeta adultos em idade avançada; mecanismo permite ‘enxergar’ até de olhos fechados.

Cirurgiões de Manchester, no Reino Unido, realizaram o primeiro implante de um olho biônico em um paciente com o caso mais comum de perda de visão em países desenvolvidos.

Ray Flynn, de 80 anos, sofre de degeneração macular relacionada à idade avançada – que causou a perda total do seu campo de visão central.

Ele passou a usar um implante na retina, que converte imagens de vídeo vindas de uma pequena câmera que ele usa nos óculos.

Flynn disse estar “encantado” com o implante e espera que, em breve, sua visão melhore o suficiente para que ele possa voltar a se dedicar a atividades como jardinagem e compras.

Erva ou flor?
O implante Argus 2, fabricado pela empresa americana Second Sight, já foi usado para restaurar parte da visão de pacientes que ficaram cegos em decorrência da doença rara retinite pigmentosa, que causa a degeneração da retina.

A operação feita em Manchester é o primeiro caso em que o implante é usado em um paciente com degeneração macular, que afeta, em graus diferentes, pelo menos meio milhão de pessoas no Reino Unido.

Antes da cirurgia, Ray Flynn explicou o avanço de sua doença.

“Não consigo digitar a senha do meu cartão em uma loja ou em um banco. Apesar de praticar jardinagem com frequência, não consigo mais distinguir entre ervas e flores”, disse à BBC.

Ele afirmou ainda que precisava sentar-se muito perto da televisão para conseguir enxergar qualquer coisa e que deixou de assistir às partidas de seu time de futebol, o Manchester United, por não conseguir entender o que acontece no campo.

A operação durou quatro horas e foi comandada por Paulo Stanga, cirurgião de retina e vítreo do Manchester Royal Eye Hospital e professor de Oftalmologia e Regeneração Retinal na Universidade de Manchester.

“O progresso de Flynn é impressionante, ele está conseguindo ver os contornos de pessoas e objetos muito bem. Acho que pode ser o começo de uma nova era para pacientes com perda de visão.”

Até de olhos fechados
Com o implante, o paciente recebe a informação visual de uma câmera em miniatura colocada em seus óculos, que funciona mesmo quando ele está de olhos fechados.

As imagens são convertidas em pulsos elétricos e transmitidas via wi-fi (por isso, os óculos são equipados com um transmissor) para eletrodos implantados em sua retina.

Os eletrodos estimulam as células restantes na retina, que enviam a informação para o cérebro.

Em um teste duas semanas após a cirurgia, Flynn conseguiu detectar padrões de linhas horizontais, verticais e diagonais em um computador, coisa impossível antes do procedimento.

Ele manteve os olhos fechados durante o teste, para que a equipe tivesse certeza de que a informação visual vinha da câmera em seus óculos, em contato com o implante em seu olho.

Além de Flynn, mais quatro pacientes com degeneração macular receberão o implante, como parte de um teste clínico.

O Argus 2 custa cerca de 150 mil libras (R$ 740 mil) incluindo os custos do tratamento, mas os pacientes deste primeiro teste serão tratados gratuitamente.

Atualmente, o implante não consegue proporcionar uma visão detalhada das coisas – mas estudos anteriores mostraram que pode ajudar pacientes a distinguirem formas geométricas e portas, por exemplo.

Segundo Paulo Stanga, Flynn deve aprender a interpretar melhor as imagens do implante com o passar do tempo.

Startup cria pó a partir de alimentos vencidos para combater fome e desperdício no mundo

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Uma startup sueca criou uma tecnologia que desidrata frutas vencidas e as transforma em um pó, cujo objetivo é solucionar um terrível paradoxo: enquanto quase um bilhão de pessoas no mundo sofre com a fome, o resto do planeta desperdiça cada vez mais comida.

Segundo a ONU, cerca de 1,76 milhão de toneladas de comida é desperdiçada por ano no mundo, quase 40% de tudo que é produzido, algo que gera um prejuízo de 2,36 trilhões de reais para a economia global. Segundo o Programa Alimentar Mundial, uma agência ligada às Nações Unidas, 795 milhões de pessoas no planeta não têm comida suficiente para ter uma vida saudável.

A razão mais comum para a larga escala desse desperdício é o consumo desenfreado de alimentos, principalmente nos países mais desenvolvidos. As pessoas compram ou preparam mais comida do que precisam. Além disso, existe o costume de jogar fora alimentos que ultrapassam a data de vencimento, sem que eles tenham sido consumidos.

Para tentar solucionar esse problema, um grupo de estudantes de pós-graduação na Suécia criou um produto chamado FoPo Food Powder. A ideia é simples: os alimentos são estragados pelas bactérias, e as bactérias amam água. Ao desidratar a comida, ela irá demorar mais tempo para estragar. Seco, o alimento é pulverizado e transformado em um pó colorido que aumenta a validade da fruta de duas semanas para dois anos.

As frutas usadas no FoPo são compradas de agricultores e varejistas, normalmente na véspera de sua data de vencimento. Assim, os alimentos podem ser comprados por um valor menor, mas que não irá gerar prejuízo para quem está vendendo.

A startup foi criada por Kent Ngo, engenheiro mecânico, Gerald Marin e Vita Jarolimkova, especialistas em inovação alimentar. “Não queremos criar um novo produto ou tecnologia, mas criar valor a partir da ineficiência do sistema alimentar”, afirmou Marin ao site Mashable. A ambição da FoPo é alimentar 9 bilhões de pessoas até 2050, reduzindo 40% do desperdício dos alimentos produzidos no planeta.

O pó está disponível em três sabores diferentes: banana, framboesa e manga (o desenvolvimento de uma versão de abacaxi deve terminar nos próximos meses). O produto final retém entre 30% e 80% do valor nutricional do alimento original e pode ser colocado sobre iogurtes e sorvetes, usado em bolos ou misturado com vitaminas.

A bem sucedida campanha de financiamento da FoPo no Kickstarter superou a meta de arrecadação em quase 50 mil reais e deve começar a entregar os primeiros produtos para os primeiros doadores em agosto. Os fundos arrecadados serão usados para que a empresa encontre um fabricante confiável para os produtos e teste os alimentos.

Atualmente, a startup participa de um projeto piloto nas Filipinas, onde fazendas locais estão doando mangas e abacaxis para uma primeira carga, que será financiada pelo governo filipino e a Organização das Nações Unidas para Alimento e Agricultura. Estima-se que cerca de 20% das crianças filipinas tenham problemas de nutrição, agravados pela quantidade de catástrofes que atingem o país todos os anos.

Fonte: Mashable / Kickstarter

LEGO para adultos: grua móvel de 18 rodas e 11 motores é impressionante

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Se você é admirador daquelas construções e réplicas absurdas de LEGO que algumas pessoas fazem por aí e postam na internet, é muito provável que você também fique fascinado com o vídeo acima. Publicado no YouTube por Dawid Szmandra (conhecido por fazer reproduções do tipo), podemos ver um Liebherr LTM 1750-9 praticamente idêntico ao original e totalmente funcional graças aos 11 motores LEGO que estão escondidos dentro dele.

A grua móvel possui um guindaste operante e braços que abrem e se estendem no chão para dar sustentabilidade ao veículo no momento de levantar objetos. Tudo é controlado através de um controle remoto, não muito distante do brinquedo. Apesar de ser incrível ver esse tipo de criação no LEGO Ideas (o site em que você pode cadastrar as suas propostas para que elas se tornem realidade), é muito improvável que o Liebherr LTM 1750-9 seja comercializado.

Não há um preço oficial do modelo, já que ele foi criado de modo totalmente caseiro, com diversas peças LEGO combinadas de um jeito inédito. Contudo, se um dia esse modelo LEGO realmente chegar as lojas, é muito provável que ele custe várias centenas de reais. E deve ser no mínimo interessante controlar um Liebherr LTM 1750-9 pelo chão da sala.

Vídeo

Jovem com HIV tem vírus sob controle sem remédios há 12 anos, diz médico

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Caso inédito foi apresentado na Conferência sobre a Patogênese do HIV.
Adolescente de 18 anos foi infectada por sua mãe durante gravidez.

Uma jovem francesa de 18 anos, infectada pelo HIV durante a gravidez de sua mãe, está em remissão 12 anos após parar de se receber o tratamento antirretroviral, um caso inédito no mundo – segundo estudo publicado nesta segunda-feira (20). As informações são da AFP.

O caso mostra “que uma remissão prolongada após um tratamento precoce pode ser obtido numa criança infectada pelo HIV desde o nascimento”, de acordo com a pesquisa francesa apresentada pelo médico Asier Saez-Cirion, do Instituto Pasteur de Paris, durante a 8ª Conferência sobre a Patogênese do HIV, em Vancouver, no Canadá.

A garota, que foi tratada até os 6 anos de idade, faz parte de um pequeno grupo que conseguiu remissão do vírus, pelo menos por algum tempo, depois de um tratamento com antirretrovirais. O caso da adolescente francesa é a remissão mais longa de que se tem conhecimento em uma criança, segundo informações da Reuters.

Casos anteriores
Em 2013, houve um caso de um bebê do estado americano do Mississippi que, depois de um tratamento agressivo contra o HIV, controlou a infecção por um período de 27 meses sem tratamento, antes de ela voltar.

A remissão duradoura também foi constatada em um grupo de 14 pacientes franceses conhecidos como o “estudo Visconti”. Eles começaram o tratamento 10 semanas depois da infecção e permaneceram tomando as drogas por uma média de três anos.

Depois de interromper o tratamento, a maioria tinha um nível tão baixo do vírus em seu corpo que permaneceu indetectável por mais de sete anos.

Tratamento precoce
No caso da garota francesa, ela foi tratada inicialmente com uma droga destinada a prevenir que a infecção se instalasse.

Quando a droga foi retirada, seis semanas depois, a criança foi detectada com níveis altos do vírus. Ela, então, recebeu um coquetel de quatro drogas anti-HIV e permaneceu com esse tratamento por seis anos. Os médicos decidiram então não retomar o tratamento, e passaram a monitorá-la.

O médico Sáez-Cirión diz que ela não tem características genéticas associadas com indivíduos que naturalmente conseguem controlar o HIV. Ele atribui a remissão ao fato de ela ter recebido uma combinação de antirretrovirais logo depois da infecção. Para o especialista, o estudo demonstra os benefícios do tratamento precoce tanto para adultos quanto para crianças.

Junho bate recorde de calor no planeta desde fim do século 19

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Temperaturas foram as mais altas desde início dos registros, em 1880.
Primeiro semestre também teve recordes de calor para o período.

Junho de 2015 foi o mês mais quente no planeta desde que o registro de temperaturas começou a ser feito em 1880 – anunciou nesta segunda-feira (20) a Agência Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa, em inglês).

Os seis primeiros meses do ano também foram marcados por temperaturas recordes para o período, o que demonstra que o aquecimento global continua a não dar trégua.

O ano passado já havia sido o mais quente desde que se tem registro.

A temperatura média em junho na terra e nos oceanos foi 0,88°C superior à média do século 20, acrescenta a Noaa em um comunicado.

O recorde anterior de temperatura em um mês de junho foi em 2014, e o do primeiro semestre do ano, em 2010.

No primeiro semestre de 2015, a temperatura média foi 0,85°C superior à média do século 20, ainda de acordo com a Noaa.

Em junho, a extensão dos gelos árticos chegou a 906.495 km2, 7,7% abaixo da média do período 1981-2015.

Trata-se da terceira menor superfície de gelos árticos em um mês de junho desde 1979, quando começaram a ser feitas as observações por satélite.

Na Antártida, a superfície gelada chegou a 984.195 km2, 7,2% a menos do que a média do período 1981-2010.

Pessoas neuróticas costumam ver rostos em coisas

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Estudo mostra como a pareidolia está relacionada ao neuroticismo

Você já ouviu falar de pareidolia? É um fenômeno bastante curioso que nos permitem ver formas do cotidiano em objetos. Um dos exemplos mais claros é aquela formação rochosa em Marte que nos lembra um rosto. Outro, mais recente, que explicamos aqui, foi o rosto de Jesus que ‘apareceu’ no pescoço da Fernanda Souza durante o casamento da atriz. O que acontece é que o nosso cérebro, para compreender o mundo de forma mais rápida, é acostumado a fazer associações também rápidas com formas e coisas que costumamos ver em nosso cotidiano. O cérebro pega um ‘atalho’ e vemos rostos, aliens, etc.

E, agora, pesquisadores relacionaram esse fenômeno com o neuroticismo.

Um novo estudo, realizado no Laboratório de Ciências da Comunicação NTT, em Tóquio, cientistas mostraram a um grupo de voluntários uma folha de papel cheia de pontos espalhados de aleatoriamente. Os participantes deveriam contar para os cientistas se, naqueles pontos, viam alguma figura. Depois os cientistas cruzaram essas dados com os traços de personalidade dos participantes – e os mais neuróticos eram os que mais encontravam rostos nos pontos, invariavelmente.

Para os pesquisadores, isso faz bastante sentido: pessoas mais neuróticas, que costumam ser mais tensas e emocionalmente instáveis, são mais predispostas à pareidolia como um mecanismo evolutivo. Basicamente, elas estão sempre alertas a ameaças, o que significa que podem achar que há perigo onde não existe. E o perigo pode ter a forma de um rosto.

Via Science of Us

Por dentro do hotel de robôs no Japão

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Os funcionários de um novo hotel no Japão são eficientes, mas um tanto incomuns. Desde o check-in até a saída dos hóspedes, tudo é resolvidos por uma equipe de robôs.

Uma noite no hotel Henn na (“esquisito”, em tradução livre), que faz parte do parque de diversões Huis Ten Bosch, custa a partir de 9 mil ienes (R$ 230), o que é considerado uma pechincha no país.

O fundador do parque, Hideo Sadawa, disse à imprensa que ter robôs trabalhando no hotel não é apenas um truque. Segundo ele, o objetivo é mostrar como os estabelecimentos podem se tornar mais eficientes com menos gastos trabalhistas.

“Eu queria destacar a inovação e também queria fazer algo a respeito da alta nos preços dos hotéis”, afirmou.

O hotel atraiu o interesse da imprensa estrangeira, mas o público japonês demonstrou menos entusiasmo – afinal, o país já está acostumado a modas exóticas relacionadas à tecnologia.

Um dinossauro na recepção

O Henn na tem diferentes tipos de recepcionistas, incluindo um dinossauro que fala inglês e uma andróide que fala japonês.

Ao chegar, é preciso digitar seus dados pessoais em um painel touch screen. Os robôs também usam tecnologia de reconhecimento facial.

Um carregador robô

Quem leva as suas malas até o quarto é, também, um autômato. Basta colocar a bagagem nele e digitar o número do quarto.

Sensores que detectam o calor do corpo

Os quartos são equipados com painéis que usam sensores para ajustar a temperatura do ambiente de acordo com a temperatura do corpo dos seus habitantes.

Além disso, também não há interruptores de luz. Quando querem apagar as luzes do quarto, os hóspedes têm que falar com a robô Tully, em forma de Tulipa.

Além de escurecer o ambiente, ela também informa as horas e a previsão do tempo.

Um robô gigante para guardar suas malas

Quer fazer o check-out, mas pegar as malas depois? Sem problemas.

Um tipo robô gigante mais comum em fábricas ajuda os hóspedes a guardar suas malas em um quarto especial.

Os clientes colocam as malas em uma janela e elas caem em uma caixa. Em seguida, o robô recolhe uma por uma e as coloca em armários.

Colombianos quebram recorde Guinness de maior coquetel de camarão do mundo

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Cozinheiros de Cartagena de Indias, no norte da Colômbia, quebraram neste domingo o recorde Guinness de maior coquetel de camarão do mundo com um recipiente que conteve uma mistura de camarão, verduras, molhos e limão que pesou 1.320 quilos.

Cozinheiros de Cartagena de Indias, no norte da Colômbia, quebraram neste domingo o recorde Guinness de maior coquetel de camarão do mundo com um recipiente que conteve uma mistura de camarão, verduras, molhos e limão que pesou 1.320 quilos.
O “coctelón”, como as pessoas chamaram o enorme coquetel, foi preparado com cerca de cem quilos de alho, 300 de cebola, 150 de limão, 60 de verdura, 550 de molho de tomate e pouco mais de mil quilos de camarão.
“Queremos pôr Cartagena no palco do mundo como uma vitrine gastronômica por excelência e esperamos que o instituto de patrimônio reconheça esta atividade como patrimônio gastronômico material e imaterial da cidade”, explicou à Agência Efe o organizador do evento, Arnold Venera.
A preparação do coquetel aconteceu na Praça da Alfândega, localizada em frente à Prefeitura de Cartagena, no centro histórico desta cidade e participaram cocteleiros de Cartagena, engenheiros de alimentos e chefs profissionais do Serviço Nacional de Aprendizagem, sob supervisão de um delegado do Guinness.
O representante do Guinness Record certificou a marca mundial, que estava em poder do México com 1.160 quilos.
O recepiente de acrílico no qual foi preparado este gigantesco coquetel tem uma altura de três metros, 170 centímetros de diâmetro e peso de duas toneladas.
Após estabelecer o novo recorde, o coquetel de camarão foi distribuído para degustação entre as centenas de pessoas que se reuniram para serem testemunhas do novo recorde Guinness colombiano

Teste identifica ‘melhor maneira’ de combater perda de memória

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Pesquisa dividiu 30 voluntários em três tipos de atividades diferentes e descobriu quais tarefas podem ajudar a manter cérebro ativo.

Pergunte quais são as maiores preocupações de qualquer pessoa com mais de 40 anos e uma das respostas mais comuns certamente será o medo de perder a memória.

Há algumas maneiras mais conhecidas de manter a saúde do cérebro – não fumar, manter-se dentro do peso ideal ou não desenvolver diabetes do tipo 2.

Mas pode-se fazer algo para realmente melhorar o cérebro? Pesquisadores britânicos desenvolveram um teste para tentar descobrir.

Para esse teste, feito em parceria com a Universidade de Newcastle, na Inglaterra, foram recrutados 30 voluntários. Eles foram submetidos a diversos exames que analisaram memória, habilidade de resolver problemas e velocidade de reação.

Todos receberam um monitor de atividade, que mediu o quanto e quando eles se moviam. Em seguida, os voluntários foram separados aleatoriamente em três grupos. Cada grupo recebeu uma atividade diferente, que deveria ser feita durante oito semanas.

A tarefa para um dos grupos era simplesmente andar rapidamente, a ponto de ficar quase sem ar, durante três horas por semana. A ideia é que a caminhada – ou qualquer forma de exercício vigoroso – mantém o cérebro alimentado com sangue rico em oxigênio.

Mas a tarefa não agradou a todos. “Caminhar é a atividade que eu menos gosto”, disse Ann, uma das participantes.

Voluntários foram divididos em três grupos: o primeiro teve que correr 3h por semana

O segundo grupo teve que fazer jogos, como palavras cruzadas ou Sudoku, também por três horas por semana. A justificativa é que o cérebro se beneficia dos desafios.

Finalmente, o terceiro grupo teve que observar um homem nu por três horas a cada semana. Mais precisamente, tiveram que participar de uma aula de arte que também envolvia desenhar um modelo, Steve.

Quem se beneficiou mais?
No final do experimento, quase todos no primeiro grupo relataram uma grande melhoria em seu condicionamento físico – quão fácil passou a ser uma subida, por exemplo.

No segundo, os voluntários acharam os desafios difíceis no início, mas no final já estavam trocando dicas de Sudoku.

Mas o grupo mais entusiasmado foi, sem dúvida, o de arte. Embora alguns tenham achado difícil assistir à aula uma vez por semana, todos eles comentaram sobre o quanto gostaram.

“Eu me tornei uma desenhista compulsiva de tudo”, disse Simone. “Eu até sai para comprar alguns lápis pastel e até mesmo um livro sobre ‘Como (desenhar)’.”

Mas qual dos grupos teve mais melhorias em relação ao poder do cérebro?

Cientistas refizeram a bateria de testes cognitivos e os resultados foram bem claros. Todos os grupos tinham terminado a experiência um pouco melhor, mas o de maior destaque era o que tinha assistido à aula de arte.

Mas por que ir a uma aula de arte pode fazer a diferença para coisas como a memória?

Novo aprendizado
O psicólogo clínico Daniel Collerton, um dos especialistas que participou do estudo, disse que parte do benefício veio de aprender uma nova habilidade.

“Aprender algo novo”, diz, “envolve o cérebro de maneiras que parecem ser a chave. O seu cérebro muda em resposta a isso, não importa quantos anos você tenha”.

Aprender a desenhar não era apenas um novo desafio para o grupo, mas, ao contrário das palavras cruzadas e do Sudoku, também envolvia o desenvolvimento de habilidades psicomotoras.

Capturar uma imagem no papel não é apenas intelectualmente exigente: envolve aprender a fazer os músculos na mão guiarem o lápis ou o pincel nas direções corretas.

Um benefício adicional é que ir à aula de arte significava que durante três horas semanais eles tiveram que ficar em pé enquanto desenhavam ou pintavam.

Ficar de pé por longos períodos é uma boa maneira de queimar calorias e de manter o coração em boa forma.

A aula de arte também foi a mais ativa socialmente, outra coisa importante a ser levada em conta para manter o cérebro afiado. Este grupo reuniu-se regularmente fora das aulas e trocou e-mails.

Tudo isso fez com que o grupo da arte tivesse um benefício triplo. E uma das voluntárias, Lynn, disse que aprender a desenhar também havia produzido outros benefícios inesperados.

“Parte do meu trabalho envolve escrever e propor ideias, o que é um processo difícil e demorado”, diz.

“Eu sou disléxica, o que é um obstáculo adicional, mas, após fazer a aula de arte, descobri que a minha escrita agora flui e minha capacidade de concentração melhorou. Parece que abri minha mente. Não tenho certeza se consigo explicar, só sei que fez a diferença.”

O mais provável, segundo os pesquisadores, é que qualquer atividade de grupo que envolva ser ativo e aprender uma nova habilidade ajude a impulsionar o funcionamento do cérebro.

Mexicana superdotada é psicóloga mais jovem do mundo

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Aos 13 anos, Dafne Almazán segue os passos dos irmãos mais velhos e pretende ajudar outros superdotados a alcançarem seu potencial.

Ela terminou o ensino primário aos seis anos e o ensino secundário um ano depois. Começou a universidade aos 10 anos e no próximo mês, aos 13, será a psicóloga mais jovem do mundo. 

A mexicana Dafne Almazán é superdotada, assim como seu irmão Andrew, de 20 anos, e sua irmã Delanie, de 17. Recentemente, ela foi incluída na lista das 50 mulheres mais poderosas do México, o que considera “impressionante”.

“Disseram que foi porque meu caso era inspirador”, contou à BBC Mundo.

Em agosto, quando ela terminar seus estudos à distância no Instituto Tecnológico e de Estudos Superiores de Monterrey, no entanto, ela não começará imediatamente a atender pacientes.

Dafne pretende fazer um mestrado e já pensa em um doutorado.

“Todos estes conhecimentos vão me servir para ajudar crianças superdotadas, que é a área à qual eu quero me dedicar. Quero que minha história abra novas portas às crianças e destrua o mito de que nós não temos infância.”

‘Atividades normais’

Apesar de estudar 12 horas por dia, Almazán afirma conseguir levar a vida como uma garota normal de 13 anos. Ou quase.

“Não é porque estou na universidade que não posso continuar me divertindo, então quando minhas amigas vêm, vemos filmes, conversamos, brincamos, (fazemos) atividades normais”, explica.

Mas isso acontece quando ela não está estudando, fazendo taekwondo – já é faixa amarela – pintando, tocando piano ou dando aulas de mandarim a outros superdotados. A garota também já praticou balé clássico, natação e patinagem artística no gelo.

Mas seus próximos passos não serão no mundo dos esportes e das artes. “Tenho que me desenvolver profissionalmente para depois ter as ferramentas necessárias para ajudar as crianças, para que elas não sofram e vejam que é possível fazer tudo isso”, afirma.

Dafne dá aulas para alguns dos 250 alunos do Centro de Atenção ao Talento (Cedat), uma instituição fundada por seus pais com o objetivo de acolher crianças e jovens com capacidade intelectual acima da média no México.

“Alguns deles tem dificuldades para escrever os caracteres ou pronunciar as palavras (em chinês), então decidi ajudá-los”, diz a jovem psicóloga, que também fala inglês, francês e latim.

“Quando eu terminar o doutorado, gostaria de dar aulas a crianças. Eu gosto muito de ensinar.”

Aceleração radical’

O pai da garota, Asdrúbal Almazán, diz que o Cedat se baseia em um modelo educacional desenvolvido pelo irmão mais velho de Dafne, Andrew – que é, até o momento, o psicólogo mais jovem do mundo, segundo a organização World Record Academy.

O modelo psicopedagógico é chamado de teoria nomênica e se baseia na segregação total das crianças superdotadas. A chave do sucesso, segundo ele, é deixá-las principalmente longe dos adultos. “As crianças se desajustam”, afirma Almazán.

Em seus estudos no centro, Dafne também seguiu o modelo de “aceleração radical”, que seu pai explica como “deixar que a criança aprenda sem nenhum freio”.

“Às vezes pode parecer que estamos tirando a infância deles. Uma menina de 13 anos que estuda chinês, francês, inglês, piano, robótica, e artes plásticas. As pessoas pensam que não dá tempo.”

“Mas não é assim. É simplesmente organização, porque eles também jogam, brincam.”

Dafne vai falar sobre sua experiência com a “aceleração radical” em agosto, na Dinamarca, durante um congresso do Conselho Mundial de Crianças Superdotadas e Talentosas (WCGTC, na sigla em inglês).

Em família

Almazán também diz que a estabilidade emocional e a unidade do núcleo familiar são importantes para que os superdotados se desenvolvam. No entanto, ele reconhece que, na sua família, o caminho não foi fácil.

“O primeiro, Andrew, nos deu mais trabalho. Foi porque nos vimos sem respostas, pensávamos que tinhamos um filho diferente que não se ajustava em nenhum lugar”, relembra.

“Essa foi a razão para abrirmos o centro. Para poder atender crianças que, como ele, aprendem muito rápido e não têm as pessoas adequadas para guiá-los e ver como sofrem por serem diferentes.”

No princípio, ele afirma que “tiveram muitos diagnósticos errados” sobre o que havia de diferente com seu filho. “Nos rebelamos,  assumimos que ele era uma criança superdotada e começamos a nos preparar para entender o fenômeno.”

Aos 20 anos, Andrew não só é psicólogo como também se formou em medicina, tem um mestrado em educação, está terminando um doutorado e é pesquisador.

Segundo dados do Cedat, 93% das crianças superdotadas são diagnosticadas erroneamente com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), o que pode gerar tratamentos inadequados e provocar a perda de suas capacidades.

Mesmo preparados, os pais de Dafne não queria que, porque seus irmãos eram superdotados, ela se sentisse pressionada.

No entanto, a garota mostrou ser precoce ainda antes de um ano, quando aprendeu a caminhar. Seus pais davam giz de cera para que ela pintasse, mas ela insistia em pedir lápis.

Observando sua irmã e usando os lápis para escrever em um guardanapo que escondia, aprendeu a ler e a escrever aos dois anos e meio.

“Ela queria os lápis porque, com os giz de cera, não podia escrever. Quando vimos que ela aprendeu a ler, pensamos: ‘Não podemos lutar contra isso'”, diz o pai.

Segundo ele, entre os irmãos havia competição e ciúme, algo comum entre crianças com capacidade intelectual acima da média.

“Todos são muito competitivos, querem ser os melhores. Então na dinâmica familiar, os pais devem focar sobretudo em ensiná-los respeito.”

Mesmo assim, as brincadeiras dos irmãos também eram oportunidades de aprendizado.

“Os três brincavam de Revolução Francesa, imprimindo os retratos dos personagens e jogando em um mapa. Para nós, era muito bom ver que estavam aprendendo.”