BBC testa caixa de ‘tortura’ usada pela CIA na ‘Guerra ao Terror’

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Ex-diretor-executivo de agência admite ter usado método para extrair confissões à força de supostos terroristas; técnica foi recriada pela primeira vez na TV.

Após os atentados de 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos colocaram em prática o que chamaram de “técnicas aprimoradas de interrogatório”.

Durante muito tempo, a CIA, a agência de inteligência americana, alegou, no entanto, que tais métodos, usados durante o governo de George W. Bush, não incluíam tortura, porque eram legalmente aprovadas pela Casa Branca.

Mas a realidade era bem diferente. Em uma entrevista ao programa Panorama, da BBC, que foi ao ar nesta semana, Buzzy Krongard, ex-diretor-executivo da CIA, admitiu a prática de tortura.

“Os métodos tinham como objetivo deixar os suspeitos ‘desconfortáveis’. Sem me ater à semântica, sim, era tortura (o que a CIA fazia). Havíamos sido informados por autoridades legais que podíamos torturar as pessoas e você diz que isso é errado”, afirmou ele à repórter da BBC Hillary Anderson.

Hillary decidiu se submeter a uma das técnicas mais usadas contra prisioneiros da guerra contra o terror: a caixa-preta.

Com a ajuda de Malcomn Nance, um ex-instrutor da Marinha americana, essa polêmica técnica de interrogatório foi recriada pela primeira vez para uma emissora de TV.

Nance era responsável por treinar militares sobre como resistir à tortura. Foi no seu programa de treinamento militar que a CIA se inspirou para extrair confissões à força de suspeitos de terrorismo.

A caixa foi construída segundo especificações originais. Um dos prisioneiros chegou a ficar 29 horas dentro do objeto ao longo de três semanas.

Presa dentro da caixa, a repórter confessa que permanecer dentro dela será um teste físico e mental.

Os torturadores chegam a colocar, inclusive, uma gravação de bebês chorando compulsivamente para tentar desestabilizá-la.

Ao fim de 12 minutos, Hillary chega ao limite e pede para sair.

‘Waterboarding’
Depois da caixa preta, é a vez de recriar a técnica conhecida como waterboarding (ou afogamento simulado).

Chris Sampson, integrante da equipe de Nance, aceitou participar da simulação, sob condições estritamente controladas e com acompanhamento médico. Ele nunca havia sido submetido a tal técnica.

Completamente imobilizado em cima de uma prancha de madeira, a sessão de afogamento simulado começa. Sampson mal consegue respirar e controlar seus movimentos.

A sessão é interrompida 17 segundos depois, quando os torturadores tentam extrair informações privilegiadas dele. Se fosse real, o processo continuaria por horas a fio.

‘Estado Islâmico’
Ao longo do tempo, no entanto, os métodos de tortura da CIA ganharam força em todos os níveis das Forças Armadas americanas e a autoridade moral do Ocidente começou a declinar.

Nos campos de detenção do Iraque, o grupo autodenominado “Estado Islâmico” nasceu.

Agora, o grupo recorre a táticas muito semelhantes às empregadas pelas forças americanas.

Para especialistas de segurança, o programa de tortura dos Estados Unidos talvez tenha permitido vencer batalhas de inteligência, mas também alimentou o ódio em algumas partes do mundo.

“Esse é um capítulo negro com o qual nós devemos aprender. E acho que o mundo também deve aprender. Esses não são os Estados Unidos que tanto defendemos. Nossos valores foram violados, nosso sistema de Justiça também, e não devemos deixar que isso aconteça de novo”, afirmou à BBC a senadora Dianne Feinstein.

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