Cientistas desvendam mistérios do ‘maior coração do mundo’

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Como o maior animal que já passou por este planeta, é natural que a baleia-azul (Balaenoptera musculus) também seja uma recordista no tamanho de seus órgãos internos.

E a dificuldade dos cientistas de encontrar espécies intactas deu origem a uma série de “fábulas”, como a de que o coração do animal seria do tamanho de um carro ou que sua aorta (a principal artéria) seria tão grande, que um homem poderia nadar dentro dela.

Por isso, quando uma baleia-azul apareceu morta no litoral de Newfoundland, no Canadá, especialistas viram ali uma oportunidade valiosa.

Uma equipe do Museu Real de Ontário (ROM, na sigla em inglês) foi enviada para dissecar o mamífero de 23,3 metros de comprimento, que morreu após ficar preso sob uma camada de gelo.

Quatro pessoas para empurrar

“Tivemos que abrir a cavidade peitoral para expor o coração, e em seguida entrar nela e livrar o órgão de todos os tecidos em volta. Eu me enfiei até a cintura no que restou dos pulmões e do sangue”, conta Jacqueline Miller, técnica em mastozoologia do ROM.

“Precisamos de quatro pessoas para empurrar o coração através de uma ‘janela’ que abrimos entre as costelas e a lateral da cavidade peitoral”, lembra. “Eu esperava encontrar um órgão do tamanho de um carro. Mas acho que esse coração tem o mesmo tamanho de um desses carrinhos de golfe.”

A aorta também pareceu um pouco menor do que se acreditava, com espaço suficiente para caber uma cabeça humana.

Pesando saudáveis 180 quilos, o coração teve de ser banhado em cerca de 3,8 mil litros de formaldeído para evitar sua rápida decomposição e para começar o processo de preservação.

“Até onde sabemos, este é o primeiro coração de baleia-azul a ser anatomicamente conservado para estudo e para ser exposto. As pessoas têm uma curiosidade em saber o tamanho e ver se o órgão é estruturalmente semelhante ao nosso”, explica Miller.

O coração da baleia será exibido no museu em Toronto junto com seu esqueleto.

A equipe também está trabalhando com especialistas em anatomia da Lincoln Memorial University, nos Estados Unidos, para catalogar a baleia.

“A baleia-azul representa o limite máximo de tamanho e fisiologia de um ser vivo, e seu comportamento e tolerância fisiológica variam de acordo com isso”, diz a cientista canadense

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