Cerveja reduz risco de infarto

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Presente para sua sexta-feirapesquisadores suecos descobriram que beber até um litro de cerveja por semana reduz em até 30% o risco de sofrer um ataque cardíaco ao longo da vida.

Para chegar à conclusão, eles acompanharam 1,5 mil mulheres ao longo de 32 anos. Durante esse período, elas relataram a quantidade de vinhocerveja e destilados que costumavam beber diariamente. E, então, os pesquisadores compararam os casos de derrame, infarto, diabetes e câncer sofridos por elas com os hábitos alcoólicos e outros fatores de risco, como estilo de vida e tabagismo.

Aí veio a surpresa: quem bebia cerveja moderadamente corria menos riscos de ter um infarto do que os abstêmios e os mais beberrões. Por outro lado, tomar vodkauísque e outras bebidas mais de duas vezes por mês aumenta em até 50% os riscos de ter algum tipo de câncer.

Ainda é cedo para recomendar cerveja como uma bebida saudável ao coração. Mas pesquisadores gregos já haviam chegado a resultados parecidos. Por precaução (e só por isso), amigos, vale tomar uma gelada nessa tarde quente.

Tratamento faz celulas cancerígenas comerem umas às outras

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Pesquisadores do Instituto Federal Suíço de Tecnologia descobriram uma maneira de fazer células cancerígenas comerem umas às outras. 

Com uma mistura de drogas que afinam o sangue com antidepressivos tricíclicos, os cientistas constataram um processo chamado autofagia, que faz com que as células cancerígenas de um tumor no cérebro comecem a se eliminar.

A combinação dos medicamentos fez o tempo de vida de um rato de laboratório com glioblastoma, em seus primeiros estágios, dobrar. Isoladas, as drogas não apresentaram o mesmo efeito.

Os dados do estudo mostram que a dupla acelera o ritmo de autofagia, dessa forma, fazendo as células morrerem. 

“É importante ressaltar que a terapia dessa combinação não curou os ratos, mas atrasou a progressão da doença e modestamente estendeu seu tempo de vida”, escreve Douglas Hanahan, um dos autores sênior do estudo.

Os medicamentos foram dados aos ratos, com intervalos de 10 a 15 minutos entre cada um, ao longo de cinco dias. O antidepressivo foi ministrado por via oral, enquanto o afinador de sangue teve aplicação intravenosa.

O tratamento ainda está em fase embrionária de avaliação e mais pesquisas ainda precisam ser feitas.

Inédito. Homem paraplégico volta a andar graças a “tradutor cerebral”

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Uma lesão na espinal-medula impedia o americano de 26 anos de andar. Agora volta a andar sem precisar de próteses.

Um homem que é paraplégico há cinco anos conseguiu voltar a andar com as próprias pernas graças a uma equipa de investigadores da Universidade de Irvine, na Califórnia. Uma lesão na espinal medula impedia o seu cérebro de comunicar com as suas pernas, o que o deixava paralisado da cintura para baixo. Mas uma experiência pioneira ligou o seu cérebro a um computador capaz de traduzir os sinais neuronais e enviá-los directamente às pernas através de elétrodos.

De acordo com os médicos e investigadores envolvidos no processo, o caso é inédito. O processo pioneiro fazia uso de um “tradutor do cérebro” – o cérebro do homem estava ligado ao computador, que estava programado para traduzir os seus impulsos cerebrais para sinais que pudessem ser enviados e compreendidos pelas suas pernas.

O homem de 26 anos não conseguia andar desde um acidente, há cinco anos, que lhe paralisara a espinal medula. Através do sistema desenvolvido pelos investigadores, o homem conseguiu percorrer uma pista de 3,5 metros, apoiado por um andarilho e um arnês, visto que os músculos das suas pernas estavam muito enfraquecidos para suportar o seu peso após tantos anos sem uso.

O estudo, publicado na revista científica Journal of Neuroengineering and Rehabilitation, explica que o resultado final foi trabalhoso. O homem precisou de aprender a comunicar claramente os seus sinais cerebrais ao computador, e depois aprender a usar esses sinais para movimentar as pernas. O resultado final que se pode ver no vídeo foi conseguido após 20 sessões no arnês. “Mostrámos que é possível restaurar a capacidade de caminhar controlada intuitivamente pelo cérebro após uma lesão na espinal medula. É um sistema não-invasivo para a estimulação dos músculos das pernas que é prometedor”, explicou uma das principais autoras do estudo, An Do, ao jornal Guardian.

Vídeo:

Equipe apresenta supercarro com turbina e foguete para chegar a 1.600 km/h

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Veículo britânico foi criado para quebrar recorde de velocidade em pista especial na África do Sul em 2016.

Ele foi construído para alcançar mais de 1.610 km/h e bater o recorde atual de velocidade. Foram oito anos de pesquisas, design e fabricação até que o carro supersônico Bloodhound finalmente viesse a público.

Cerca de 8 mil pessoas deverão vê-lo em Londres nos próximos três dias. O carro deverá correr numa pista especialmente preparada para ele na África do Sul.

O veículo, projetado em Bristol, na Inglaterra, foi criado para quebrar o recorde estabelecido por outro carro britânico, o Thrust SSC, em 1997, de 1,228 km/h.

O painel de um lado do carro foi removido, para deixar à mostra suas partes internas. O que será exposto corresponde a 95% do Bloodhound, que ainda aguarda a instalação do sistema de foguete, um dos seus três motores, e uma série de outros acessórios.

“É incrível vê-lo assim, longe da oficina e quase pronto para correr”, disse o engenheiro-chefe, Mark Chapman.

“Não posso esperar para ver a reação das pessoas, para ver o olhar em seus rostos”.

Para chegar aos 1.610 km/h, o veículo contará com a força de uma turbina de aviões Eurofighter Typhoon, fabricado pela Rolls-Royce, e de um foguete híbrido Nammo, produzido na Noruega.

O terceiro motor é um Jaguar V8, que bombeará o foguete com substâncias comburentes (que alimentam a combustão).

Se há alguma incerteza técnica sobre o projeto, ela envolve o sistema de abastecimento e o foguete. Todos os elementos do veículo ainda precisam ser testados.

“Estamos trabalhando para ter um teste do sistema de abastecimento na Grã-Bretanha feito até o Natal deste ano, e depois iremos à Noruega. Queremos testar os foguetes em janeiro e fevereiro”, disse Chapman.

Se tudo der certo, o Bloodhound fará alguns testes em baixa velocidade no aeroporto da Cornualha, na Grã-Bretanha, usando o motor Eurofighter. Ali, o carro atingirá 320 km/h. A partir da metade de 2016, os trabalhos serão na África do Sul.

O comandante Andy Green, da Força Área britânica, será novamente o piloto. Ele dirigiu o Thrust SSC que quebrou a velocidade do som no deserto do Nevada, nos Estados Unidos, quando atingiu a velocidade de 1,227,985 km/h em 15 de outubro de 1997.

Vídeo mostra pedestre escapando de acidente incrível na Arábia Saudita

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Homem quase foi atingido por painel de vidro que desabou de prédio Apesar do susto, pedestre escapou ileso do acidente impressionante.

Um pedestre escapou por pouco de ser atingido por um vidro que caiu de um prédio na Arábia Saudita. Imagens das câmeras de segurança mostram o homem caminhando na calçada, quando um painel de vidro desabou do prédio e passou rente a seu pouco.

O homem chega a cair no chão, mas, em seguida, levanta-se e parece não acreditar no que aconteceu. A cena teria acontecido no dia 18 de agosto em Riad. Um vídeo que mostra o incidente impressionante foi postado no YouTube no dia 20 de setembro.

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Cientistas japoneses criam rim para transplante em laboratório

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Testes em porcos e ratos teriam resultado em órgãos com funcionamento normal na passagem de urina; notícia é esperança para pacientes à espera de transplante.

Cientistas no Japão anunciaram que estão mais perto de criar em laboratório rins totalmente funcionais, após testes promissores em porcos e ratos.

Em um estudo divulgado pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos (PNAS), a equipe de pesquisadores da Universidade Jikei, em Tóquio, explica que os órgãos, desenvolvidos a partir de células-tronco, foram transplantados para os animais e funcionaram como rins naturais no que diz respeito à passagem de urina – anteriormente, essa operação tinha sido um problema, com a pressão da urina causando inchaços.

O problema foi resolvido com a criação de mais canais para o escoamento do líquido.

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O anúncio dos cientistas japoneses representa uma esperança para as milhares de pessoas no mundo que estão na fila de espera para transplantes de rim. No Brasil, segundo diversas entidades, há pelo menos 35 mil pessoas na fila.

A técnica, desenvolvida a partir de células-tronco, ainda não foi usada em humanos

Existem no mundo outros projetos de criação de órgãos em laboratório, mas o que faz o projeto da Universidade Jikei diferente é que ele também inclui a criação de uma bexiga extra. Quando conectada ao aparelho urinário de ratos, o conjunto funcionou por pelo menos oito semanas sem problemas.

Os mesmos resultados foram obtidos nos testes com os porcos.

“Trata-se de um interessante passo adiante. Os dados relacionados aos testes com animais são fortes”, afirma Chris Mason, especialista em células-tronco da University College London.

“Mas não podemos dizer se vai funcionar em humanos. Ainda estamos anos longe disso. Mas no caso dos rins, ao menos temos terapias como a diálise, que podemos usar em pacientes enquanto crescemos rins em laboratório quando isso for possível”.

Outras técnicas sendo estudadas por cientistas incluem o “rejuvenescimento de órgãos”. Na Universidade Harvard, nos EUA, a equipe chefiada por Harald Ott desenvolveu uma técnica que “lava” o tecido de órgãos mortos e deixa um estrutura que pode ser “repopulada” com novas células. Ott e sua equipe já conseguiram desenvolver rins e pulmões com essa técnica.

Estudo conclui que sensção de “pensamento distorcido” na depressão e no transtorno bipolar é real

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Pessoas com depressão ou transtorno bipolar muitas vezes sentem que a sua capacidade de raciocínio fica “distorcida”, ou menos apurada do que antes dos sintomas começarem. Agora, pesquisadores demonstraram em um grande estudo que o efeito é realmente real – e enraizado em diferenças de atividade cerebral que aparecem em exames cerebrais avançados.

Além do mais, os resultados se somam às evidências crescentes de que essas condições se encaixam em um grande espectro de transtornos de humor, em vez de serem completamente independentes. Isso pode transformar a maneira como médicos e pacientes pensam, diagnosticam e tratam esses males.

Em um novo artigo publicado na revista “BRAIN”, pesquisadores da Faculdade de Medicina e Centro para Depressão da Universidade de Michigan (EUA) e seus colegas relataram os resultados de testes feitos com 612 mulheres, mais de dois terços das quais tinham passado por depressão séria ou transtorno bipolar. Os pesquisadores também apresentaram dados de exames cerebrais detalhados de 52 das mulheres.

O número de pacientes envolvidos é grande para este tipo de estudo de saúde mental, o que torna os resultados mais significativos.

Falta de concentração

Vistas como grupo, as mulheres com depressão ou transtorno bipolar se saíram igualmente mal em um teste no qual era necessário manter a concentração. O teste pedia que reagissem rapidamente quando certas letras brilhavam brevemente em uma tela, no meio de uma sequência aleatória de outras letras. Em comparação com o grupo sem problemas de saúde mental, os grupos com qualquer um dos diagnósticos eram visivelmente defasados neste teste padrão de controle cognitivo.

E, enquanto individualmente muitas mulheres com depressão ou bipolaridade se saíram tão bem no teste quanto as participantes saudáveis, quase todas as que fizeram o teste e ficaram entre os 5% piores resultados tinham um dos dois transtornos do humor.

Com as varreduras do cérebro, os pesquisadores descobriram que as mulheres com depressão ou transtorno bipolar tinham diferentes níveis de atividade ​​em uma determinada área do cérebro chamada córtex parietal posterior direito. Nas pacientes com depressão, a atividade nesta área era maior do que em mulheres saudáveis, enquanto que em pessoas com a doença bipolar era inferior. A área onde foram vistas as diferenças ajuda a controlar a “função executiva” – atividades como memória de trabalho, resolução de problemas e raciocínio.

Nós mostramos uma disfunção cognitiva partilhada em mulheres com transtornos de humor, que eram pronunciados em testes de controle cognitivo e mais sutis em exames”, explica Kelly Ryan, neuropsicóloga e principal autora do estudo. “Estes resultados suportam a ideia de ver transtornos de humor dimensionalmente, como uma linha contínua que vai de maior função a maior disfunção através de doenças que são mais parecidas do que distintas”, acrescenta Ryan, que atende pacientes no Departamento de Psiquiatria da Universidade de Michigan.

Novas perspectivas

Este ponto de vista dos transtornos de humor é um conceito que cada vez atrai mais pesquisadores. O Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos apoia o desenvolvimento de novas formas de classificação dos transtornos, independente dos diagnósticos clínicos encontrados no guia que médicos de todo o mundo usam, chamado de Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.

O objetivo desta iniciativa não é substituir este sistema de diagnóstico clínico, mas sim estender formas de compreender a neurobiologia, o desempenho e a genética das doenças, em vez de agrupar sintomas clínicos baseados na memória recente que o paciente tem e das observações médicas dos sinais de um paciente.

Os pesquisadores esperam que sua descoberta possa ajudar outros pesquisadores, que poderiam usar esses testes como uma forma de dividir os participantes para um estudo mais aprofundado – um “fenótipo intermediário” para transtornos de humor. Por exemplo, os pesquisadores poderiam se concentrar em estudar pessoas com e sem transtornos de humor clássicos dando-lhes primeiro o teste de controle cognitivo e, em seguida, usando a opção de escaneamento do cérebro apenas naqueles com mau desempenho. Isso poderia influenciar estratégias futuras de rastreio clínico, diagnóstico e tratamento. [Science Daily]

Estranho estudo conclui que uma barra de ferro pode tomar decisões

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A capacidade de tomar decisões é geralmente considerada uma habilidade cognitiva possuída apenas por sistemas biológicos.

Agora, um novo estudo japonês relata que qualquer objeto rígido físico (ou seja, não vivo), como uma barra de ferro, é capaz de tomar uma decisão (escolher determinada opção entre mais de uma) através da obtenção de informações de seus arredores, acompanhadas de flutuações físicas.

Cérebro para quê? Temos a física para tomar decisões!

Os pesquisadores, Song-Ju Kim, Masashi Aono e Etsushi Nameda, publicaram seu artigo no New Journal of Physics.

A implicação mais importante é que o regime proposto irá proporcionar uma nova perspectiva para a compreensão dos princípios de processamento de informações de certas formas inferiores de vida”, disse Song-Ju Kim, do Centro Internacional de Materiais Nanoarquitetônicos, parte do Instituto Nacional de Ciência dos Materiais em Tsukuba, no Japão. “Essas formas de vida inferiores exploram sua física subjacente sem necessidade de qualquer sistema neural sofisticado”.

Conservação de volume

De acordo com a pesquisa, o único requisito para um objeto físico exibir uma capacidade de tomada de decisão eficiente é praticar a “conservação de volume”.

Qualquer objeto rígido sujeito a uma lei de conservação de volume, como uma barra de ferro, quando é exposto a flutuações, pode mover-se ligeiramente para a direita ou para a esquerda, desde que seu volume total seja conservado.

Como este deslocamento se assemelha a um jogo de cabo-de-guerra com um objeto rígido, os pesquisadores chamaram o movimento de TOW (“tug-of-war dynamics”, ou “dinâmica de cabo-de-guerra”).

Exemplo

Os cientistas japoneses forneceram um exemplo de como a ideia funciona: digamos que existam duas máquinas caça-níqueis, A e B, com diferentes probabilidades de vitória. O objetivo é decidir qual máquina oferece a maior probabilidade de ganhar, o mais rapidamente possível, com base em experiências passadas.

Uma barra de ferro comum pode tomar essa decisão. Toda vez que o resultado de um jogo da máquina A terminar em uma recompensa, a barra se move para a esquerda a uma distância específica. Cada vez que o resultado acabar em nenhuma recompensa, a barra se move para a direita a uma distância específica. O mesmo vale para a máquina B, mas as direções dos movimentos são invertidas. Depois de testes suficientes, o deslocamento total da barra revelará que máquina oferece a melhor probabilidade de ganhar.

Os movimentos da barra ocorrem devido a flutuações físicas. “O comportamento do objeto físico causado por operações pode ser interpretado como uma flutuação”, explica Kim. “O ponto importante é que as flutuações, que sempre existem em sistemas físicos reais, podem ser usadas para resolver problemas de tomada de decisão”.

Possível e melhor

A pesquisa chegou à conclusão de que esse sistema pode resolver problemas mais rapidamente do que outros algoritmos de tomada de decisão. Os cientistas atribuem o desempenho superior ao fato de que o novo método pode atualizar as probabilidades em ambas as máquinas de jogo, mesmo que jogue em apenas uma delas.

Esta característica deriva do fato de que o sistema sabe a soma das duas probabilidades de recompensa antecipadamente, ao contrário dos outros algoritmos de decisão.

Os pesquisadores já comprovaram experimentalmente que versões simples de um objeto físico podem tomar decisões utilizando o método TOW em trabalhos relacionados. “Na verdade, nós já implementamos o TOW em pontos quânticos e fótons individuais”.

Inteligência artificial

Ao mostrar que a tomada de decisão não se limita aos sistemas biológicos, o novo método tem aplicações potenciais em inteligência artificial.

O método proposto irá introduzir um novo paradigma de computação analógica baseado em física, que inclui coisas como ‘nanodispositivos inteligentes’ e ‘redes de informação inteligentes’ com base na autodetecção e autojulgamento”, afirma Kim.

Um exemplo é um dispositivo que pode fazer uma mudança de direção de modo a maximizar a sua absorção de luz”, sugere. Esta capacidade é semelhante à forma como um girassol gira na direção do sol. [Phys]

O que a ciência já sabe sobre a felicidade?

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Há um debate filosófico enorme sobre o que realmente significa “ser feliz”, mas se você está à procura de respostas concretas, ele pode não ser o suficiente. Em uma matéria publicada no site Life Hacker, o redator Patrick Allan foi procurar o que a pesquisa científica diz que a felicidade é, e – talvez mais importante – o que ela não é.

Todos sabemos o que sentimos quando estamos felizes, mas a verdadeira fonte de nossa felicidade sempre foi difícil de identificar. Podemos nos tornar mais felizes? Se sim, como? Como explica um professor de História da Universidade Estadual da Flórida, Darrin M. McMahon, os povos antigos, na verdade, enxergavam a felicidade mais como um sinal de sorte.

É um fato marcante que em todas as línguas indo-europeias, sem exceção, chegando até o grego antigo, a palavra para a felicidade é um cognato com a palavra para a sorte… O que este padrão linguístico sugere? Para muitos povos antigos – e para muitos outros bem depois disso – a felicidade não era algo que você poderia controlar”, aponta o pesquisador.

Esse tipo de pensamento ainda é bastante comum hoje em dia. Um monte de gente assume que ser feliz significa que você teve sorte ou que a sua vida foi abençoada. A psicologia positiva, em combinação com outras áreas científicas, como neurologia, tem feito muito progresso em descobrir o que constitui a felicidade, e que temos algum controle sobre ela.

Como medir e estudar a felicidade

Por mais abstrato que o conceito de felicidade possa parecer, ele é estudado da mesma forma que qualquer outro conceito científico: com uma grande variedade de experiências. Dacher Keltner, professor de Psicologia na Universidade de Berkeley, na Califórnia, explica em seu curso online “A Ciência da Felicidade” que existem quatro tipos principais de estudos sobre a felicidade:

Observação e experiência de amostragem: captura de pessoas em um momento de suas vidas diárias. “O quão feliz você está quando está lavando a louça? E no trabalho?”

Estudos transversais / de correlação: estudos de levantamento nos quais as pessoas respondem a um monte de perguntas sobre como se sentem em um momento específico.

Estudos longitudinais: quando a vida das pessoas é estudada ao longo do tempo para encontrar a trajetória de uma vida feliz.

Estudos experimentais: experiências que permitem a prospecção de relações causais entre felicidade e fontes externas.

Até aí tudo bem, mas como é que realmente se mede a felicidade? A resposta é extremamente simples (e imperfeita): autorrelato. Geralmente, esses estudos fazem perguntas como “O quão satisfeito você está com sua vida?” e “Diariamente, que tipo de emoções positivas e negativas você sente?”. Não há liberações de energia para medir a felicidade, nem há como contá-la em sua corrente sanguínea. Eles simplesmente utilizam questionários para perguntar aos participantes do estudo se eles estão felizes em um momento específico.

Pode parecer insuficiente, mas é o melhor que temos. A única pessoa que pode dizer se você está se sentindo feliz ou não é você. Isso significa que você é a ferramenta mais confiável para medir os seus próprios níveis de felicidade (pelo menos até agora). Estes autorrelatos podem ser feitos como apenas um levantamento, durante a experiência de amostragem (ligando aleatoriamente para participantes e perguntando “O que você está fazendo?” e “O quão feliz você está se sentindo agora?”), ou às vezes relatado por outros por meio de indicadores comportamentais (o que é particularmente bom no estudo de bebês e crianças).

Subdivisões da felicidade

O autorrelato está longe de ser perfeito, no entanto. Afinal, sentir-se “feliz” pode significar coisas diferentes. É por isso que o psicólogo vencedor do Prêmio Nobel Daniel Kahneman desenvolveu a análise dos “quatro níveis de sentir”. Quando se trata de felicidade, ela pode ser dividida em quatro domínios conceituais para esclarecer que tipo de felicidade está sendo examinada. Por exemplo:

Bem-estar: “No geral, minha vida está indo bem”.

Traços: “Eu sou uma pessoa entusiasta e positiva”.

Emoções: “Eu sinto gratidão e apreço”.

Sensações: “É bom sentar nesta banheira de hidromassagem”.

Todas essas quatro coisas são meio que um sinônimo de felicidade, e permitem que os participantes do estudo identifiquem mais cuidadosamente que tipo de felicidade estão experimentando (ou sentindo falta). Geralmente, os pesquisadores usam esses métodos para estudar a satisfação com a vida e bem-estar em geral de uma pessoa, mas para ter uma boa visão da felicidade de alguém, todos os domínios conceituais precisam ser considerados. Por exemplo, saber que alguém com um alto nível de satisfação com a vida também sente gratidão regularmente e passa algum tempo em uma banheira de hidromassagem poderia ser útil para determinar correlações e, talvez mais adiante, a causalidade.

Para tornar a felicidade um pouco mais fácil para os pesquisadores medirem, Edward F. Diener, professor de psicologia na Universidade de Illinois em Urbana Champaign, nos Estados Unidos, desenvolveu um índice chamado de bem-estar subjetivo. Ele permite que psicólogos definam com mais precisão a felicidade como uma combinação de satisfação com a vida e a frequência relativa de emoções positivas e negativas com vários métodos de autorrelato. Há duas partes:

Escala de Satisfação com a Vida: este é um questionário de autorrelato de cinco partes que torna possível medir numericamente a sua satisfação geral com a vida.

Escala de Afeto Positivo Afeto Negativo: a EAPAP também é um questionário de autorrelato que pergunta que emoções você está sentindo naquele momento.

A combinação dos dois é o que compõe o seu bem-estar subjetivo. O seu “nível de felicidade” em qualquer momento é igual a sua Satisfação com Vida mais a sua pontuação no EAPAP. Claro, sua felicidade flutua, então sua pontuação só mede o quão feliz você está se sentindo naquele momento. Você pode responder os questionários várias vezes para ter uma pontuação média ao longo de dias ou meses. Com o conhecimento de como a ciência explora a felicidade, você pode começar entender como a ciência psicológica a define (e como você pode usar isso para ficar mais feliz).

Apesar disso, têm existido controvérsias no campo de estudos psicológico ultimamente. Um grande estudo recente conhecido como Reproducibility Project e publicado na íntegra na revista “Science” encontrou poucos estudos psicológicos que poderiam ser reproduzidos com resultados semelhantes. Como o “The New York Times” observa, os principais focos deste estudo foram estudos realizados sobre a aprendizagem, memória e cognição, e não estudos sobre a felicidade ou outros ramos da psicologia positiva. É sempre bom ter em mente que não importa o que os estudos possam sugerir, os resultados não são sempre absolutos.

O não é felicidade, segundo a ciência

Talvez a melhor maneira para a ciência de tentar definir a felicidade, ou qualquer outra coisa, é com o processo de eliminação. Se você aprender que não é felicidade, você vai, pelo menos, conseguir restringir o seu conceito do que é felicidade. Emiliana Simon-Thomas, diretora de ciência no Greater Good Science Center da Universidade de Califórnia Berkeley, explica que existem algumas regras básicas que os estudos determinaram ao longo dos anos sobre o que a felicidade não é:

Ter todas as suas necessidades pessoais atendidas;

Sentir-se sempre satisfeito com a vida;

Sentir prazer o tempo todo;

Nunca sentir emoções negativas.

Surpreso? Se a resposta for sim, a sua definição de felicidade pode estar um pouco errada. O que o Greater Good Science Center da Universidade de Berkeley descobriu com suas pesquisas é que a verdadeira felicidade é mais sobre a paz geral da mente, focando no bem maior. A felicidade não é sobre querer mais, sempre se sentir “bem”, ou até mesmo estar satisfeito com cada aspecto de sua vida. Hedonismo, ou a busca do prazer e auto-indulgência, provou trazer surtos temporários de felicidade, mas como a pesquisa de Kahneman explica, não é eficaz em manter sua felicidade geral ao longo do tempo.

Uma parte muito importante da equação da felicidade são os sentimentos negativos que você pode estar sentindo agora. Por mais agradável que possa parecer, a felicidade não é a ausência de sentimentos negativos. Segundo Vanessa Buote, pós-doutoranda em psicologia social, a verdadeira felicidade está em lidar com o bem e mal: “Um dos equívocos sobre a felicidade é que a felicidade é estar alegre, contente e bem disposto o tempo todo; sempre ter um sorriso em seu rosto”, diz ela. “Não é – ser feliz e ter uma vida rica é sobre lidar com o bem e o mal, e aprender a reformular o mal”.

Você pode ter sentimentos negativos e estar feliz em geral com a sua vida ao mesmo tempo. Na verdade, aprender a fazer isso é essencial para ser uma pessoa mais feliz.

As limitações de buscar a felicidade

Agora já sabemos como a ciência define a felicidade, mas isso é apenas a primeira metade da equação. A questão mais importante é: você pode se tornar mais feliz? A resposta curta é sim, mas exceto por medicamentos destinados a ajustar os desequilíbrios químicos, não há nenhuma “pílula mágica” para isso. É preciso algum esforço consciente, e mesmo assim, existem algumas limitações.

Em primeiro lugar, você provavelmente tem um “padrão” definido geneticamente determinando a sua felicidade. Isso significa que, conforme aponta Sonja Lyubomirsky, pesquisadora da Universidade da Califórnia, Riverside, os seus genes herdados podem ser o que te mantém em seu estado atual, ou “crônico”, de felicidade. Se você vem de uma longa linhagem de pessoas melancólicas, você pode simplesmente ser uma pessoa um pouco melancólica. Os seus genes também podem definir um limite máximo para o quão feliz você poderá ser. Essencialmente, sua felicidade é parte de sua personalidade, parte de quem você é. De acordo com Lyubomirsky, estudos longitudinais têm demonstrado que a felicidade das pessoas permanece bastante estável ao longo de suas vidas, então nada vai fazer você ir de miserável para a pessoa mais feliz do mundo.

Em segundo lugar, você pode definir limitações para você mesmo quando tenta demais ser feliz. Lahnna I. Catalino, da Universidade da Califórnia em San Francisco, sugere que buscar excessivamente a felicidade pode se voltar contra você. Ela adverte que você deve evitar tratar a sua felicidade de maneira extrema. Não estabeleça metas irreais para si mesmo e não tente apenas sentir emoções positivas o tempo todo: você com certeza irá falhar, o que vai – ironicamente – levar à infelicidade.

O importante não é qual terapia você segue, mas que você fique fundamentado no senso comum, e seja qual for a terapia ou terapias que você está seguindo, pergunte-se repetidamente, ‘Já cheguei ao meu limite?’”, afirma Michael Bennett, psiquiatra e coautor do livro “F*ck Feelings”. “Assim, você não fica preso no ‘se eu fizesse isso melhor’ ou ‘se eu fizesse mais’ ou ‘se eu encontrasse um terapeuta melhor’. É mais ‘Essa terapia me levou tão longe quanto eu posso ir, então o que eu vou fazer agora?’”

Lembre-se, você tem um limite que você não pode controlar. Não quebre a cabeça com isso: você está apenas sendo você mesmo. Em vez de tentar forçar-se a ser feliz, Catalino aconselha que simplesmente reflitamos sobre os momentos e atividades que nos dão alegria.

Os fatores comuns das pessoas mais felizes

A verdadeira felicidade e contentamento não é uma única coisa. É o culminar da genética, sentimentos, emoções, personalidade e outras variáveis ​​da vida e circunstâncias. O pequeno segredo sobre a felicidade é que os pesquisadores ainda estão debatendo sobre isso e nós não ainda sabemos exatamente o que ela é. Mas as pesquisas que já existem nos dão uma boa ideia. Mesmo que todo mundo tenha suas próprias limitações, existem coisas que você pode fazer para tentar conseguir o seu nível máximo pessoal de felicidade.

Especificamente, praticar muito exercício (especialmente com um objetivo definido em mente), dormir bastante, desenvolver a inteligência emocional e investir em experiências ao invés de bens materiais são bons lugares para começar. Se você ainda não tem certeza do que você deveria estar fazendo, temos mais um método. Este, chamado PERMA, foi criado por Martin Seligman, fundador da psicologia positiva, e publicado em seu livro “Flourish”, e representa os cinco elementos principais que compõem o bem-estar:

Emoção positiva: paz, gratidão, satisfação, prazer, inspiração, esperança, curiosidade e amor se enquadram nesta categoria.

Engajamento: nos perdermos em uma tarefa ou projeto que nos proporciona uma sensação de “tempo desaparecido” por estarmos tão altamente engajados.

Relacionamentos: as pessoas que têm relações significativas e positivas com os outros são mais felizes do que as que não o fazem.

Significado: o significado advém de servir uma causa maior do que nós mesmos. Seja uma religião ou uma causa que ajuda a humanidade de alguma forma, todos nós precisamos de significado em nossas vidas.

Realização: para sentir satisfação significativa na vida, devemos nos esforçar para melhorar a nós mesmos de alguma forma.

Ainda há muito para aprendermos quando se trata da ciência da felicidade, mas, até agora, estudos têm provado que é mais do que sorte. De fato, muitos pesquisadores argumentam que a questão não é nem mesmo quais são as circunstâncias da sua vida, mas como você encontra uma maneira de desfrutá-la de qualquer forma. [Life Hacker]

 

Sonogenética: cientistas usam ondas sonoras para controlar células cerebrais

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Cientistas desenvolveram uma nova maneira de ativar seletivamente células do cérebro, do coração, músculo e outras que utilizam ondas ultrassônicas.

A nova técnica, apelidada de “sonogenética”, tem algumas semelhanças com o uso crescente de luz para ativar as células – a optogenética.

O método utiliza o mesmo tipo de ondas da medicina de ultrassom, e pode ter vantagens em relação à optogenética, particularmente quando se trata de adaptar a tecnologia para terapêutica humana.

Som > luz

Em optogenética, pesquisadores acrescentam proteínas de canais sensíveis à luz aos neurônios que desejam estudar. Focando um laser sobre as células, eles podem abrir seletivamente esses canais, para ativar ou silenciar os neurônios-alvo.

Porém, essa abordagem em células profundas do cérebro é difícil: normalmente, os pesquisadores têm de realizar uma cirurgia de implante de cabo de fibra óptica para atingi-las. Além disso, a luz é dispersa pelo cérebro e por outros tecidos do corpo.

Sreekanth Chalasani, do Laboratório de Neurobiologia Molecular do Instituto Salk, nos EUA, autor sênior do estudo, decidiu junto com seus colegas desenvolver uma abordagem que contasse com ondas de ultrassom para fazer essa ativação, ao invés de luz.

Em contraste com a luz, ultrassom de baixa frequência pode viajar através do corpo sem qualquer dispersão”, diz.

Isso pode ser uma grande vantagem quando você quer estimular uma região profunda do cérebro, sem afetar outras regiões”, acrescenta Stuart Ibsen, pós-doutorando no Laboratório e principal autor do novo trabalho.

O experimento

Os cientistas primeiro provaram que, nos nematoides Caenorhabditis elegans, microbolhas de gás fora do verme eram necessárias para amplificar as ondas de ultrassom de baixa intensidade.

As microbolhas aumentavam e diminuíam em sintonia com as ondas”, afirma Ibsen. “Essas oscilações podiam então propagar de forma não invasiva pelo verme”.

Em seguida, encontraram um canal iônico de membrana, TRP-4, que podia responder a estas ondas. Quando deformações mecânicas do ultrassom atingiam as bolhas de gás e se propagavam para o verme, faziam os canais TRP-4 se abrirem e ativarem a célula.

Armados com esse conhecimento, os pesquisadores tentaram adicionar canais TRP-4 a neurônios que normalmente não os têm. Com esta abordagem, eles ativaram com sucesso neurônios que normalmente não reagem ao ultrassom.

Potencial

Como TRP-4 pode ser adicionado a qualquer tipo de célula sensível ao cálcio em qualquer organismo incluindo o dos seres humanos, a nova técnica tem potencial.

Além disso, microbolhas podem ser injetadas na corrente sanguínea e distribuídas por todo o corpo, uma abordagem já utilizada em algumas técnicas de imagiologia humana.

O ultrassom pode, em seguida, chegar de forma não invasiva a qualquer tecido de interesse, incluindo o cérebro, ser amplificado pelas microbolhas e ativar as células desejadas através do TRP-4.

A chave será ver se isso funciona no cérebro de mamíferos”, explica Chalasani. Sua equipe já começou a testar a abordagem em camundongos.

A sonogenética é uma promessa em pesquisa básica, permitindo que os cientistas estudem o efeito da ativação celular. Também pode ser útil na área terapêutica através da ativação de células afetadas por doenças. [MedicalXpress]