Os 5 casos mais fascinantes descritos por Oliver Sacks

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Ao contrário de outros nomes famosos da divulgação científica, como Stephen Hawking e Carl Sagan, Oliver Sacks não foi um pesquisador genial. Não existem teorias com seu nome, tampouco grandes descobertas.

Não há, porém, qualquer demérito nisso — ele próprio reconhecia que não era cientista. Seu lugar não era no laboratório, isolado do mundo. Era no consultório, onde ele podia exercer sua maior habilidade: a da empatia.

Ele era um bom médico, que sabia prestar atenção em seus pacientes.

O neurologista ficou famoso simplesmente descrevendo casos clínicos de seu cotidiano — que não era nada prosaico, como você pode ver nesta lista com os casos mais fascinantes que ele encontrou durante meio século de prática médica:

1. O regente que perdeu todas as suas memórias — mas ainda conseguia lembrar da esposa

Após contrair herpes, o regente de orquestra Clive Wearing desenvolveu uma encefalite — inflamação cerebral — que lhe tirou a vida em vida. A infecção viral havia lhe causado o que Sacks documentou como “o caso mais severo de amnésia jamais documentado”.

O vírus detonou o hipocampo de Clive. Essa área do cérebro transfere as lembranças recentes para a memória de longo prazo.

Por isso, Clive não consegue guardar nenhuma memória recente por mais de trinta segundos. A cada meio minuto, é como se ele estivesse consciente pela primeira vez na vida.

Suas memórias mais antigas, como o amor pela esposa Deborah – que ele cumprimenta com entusiasmo sempre que que vê “pela primeira vez” — e a capacidade de reger um coral, permanecem intocadas. Veja, no vídeo abaixo, Clive tocando piano:

Mas se limitam a um aceno do passado, já que Clive só tem trinta segundos para desfrutar dessas lembranças antes de começar tudo de novo.

A história foi retratada no livroAlucinações Musicais, de 2007.

2. O Hare Krishna que acreditava ter encontrado a iluminação

Em um de seus livros mais célebres — Um Antropólogo em Marte, de 1996 — Sacks descreve um o caso de um paciente de 25 anos chamado Greg, que ele conheceu em 1977.

Devoto da seita Hare Krishna, o hippie desenvolveu um tumor cerebral que, lentamente, o fez perder as memórias de toda a década anterior e o cegou.

Ele não acreditava, porém, que estivesse ficando cego. Para Greg, a gradativa perda de visão e o abatimento causado pela doença eram sinais de que ele havia chegado à iluminação.

Seus colegas de seita o encorajavam a acreditar nisso. “Eles o rodeavam, dizendo que ele havia atingido o ‘desprendimento’, como ‘o iluminado”, escreveu Sacks.

Quando o tumor — que era benigno — foi finalmente retirado, já havia feito seu estrago. Greg, um símbolo do flower power, alegre e cheio de vontade de viver, havia engordado muito, se tornado apático e incapaz de manter uma conversa, e estava completamente cego.

3. O homem que confundiu sua mulher com um chapéu

O título daquela que é, provavelmente, a obra mais famosa de Sacks surgiu do caso do Dr. P.

Dr. P. conseguia ver tudo que lhe rodeava — só não conseguia entender bem o que eram aquelas coisas. Ele sofria de agnosia visual, ou seja, era incapaz de reconhecer objetos e pessoas que conseguia enxergar perfeitamente bem.

Era capaz de distinguir ângulos, formas e linhas — só não conseguia associar tudo em um conjunto fechado.

No livro de 1998, Sacks conta como, ao fim de sua primeira consulta, Dr. P. confundiu o topo cabeça de sua mulher com um chapéu e, de fato, tentou colocá-lo na cabeça — aquilo o fez concluir que, definitivamente, o paciente necessitava de tratamento!

4. A volta dos mortos-vivos

No fim da década de 60, Sacks foi trabalhar em um hospital no Bronx, em Nova York. Ali, encontrou um grupo de oitenta pacientes em estado completamente catatônico.

Eles tinham sido atingidos pela epidemia de encefalite letárgica que contagiou mais de 1 milhão de americanos no início da década de 1920.

Popularmente chamada de doença do sono — embora não tenha nada a ver com a tripanossomíase africana, transmitida pela mosca tsé-tsé — a encefalite letárgica tem causas desconhecidas.

A doença leva suas vítimas a oscilarem entre um estado letárgico e um sono profundo. Oliver Sacks resolveu testar uma nova droga, chamada levodopa, que era utilizada no tratamento de Parkinson.

Deu certo, pelo menos por um tempo: os pacientes acordaram, mas os efeitos da levodopa se expressaram de forma radicalmente em cada um deles. Para muitos, era dificílimo acordar em 1970 e descobrir que quarenta anos haviam se passado.

Sacks narrou a história no livro Tempo de despertar (1973) que virou filme e o alçou à fama.

5. O próprio Oliver Sacks

“Quem é este barbudo que está no meu banheiro?”

Com frequência, este era o primeiro pensamento que Oliver Sacks tinha ao se olhar no espelho. Sacks não conseguia reconhecer rostos, nem daqueles que ele conhecia há anos.

Sua condição era tão extrema que ele não era capaz nem de identificar o próprio rosto no espelho, até lembrar-se de que era ele próprio que estava sendo refletido

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