Qual é a idade do seu coração?

Heart

Especialistas americanos criam um recurso online por meio do qual é possível saber se o órgão tem condições compatíveis com a idade cronológica ou se está mais desgastado do que deveria

Grande parte das pessoas já sabe que determinadas condições apresentam sérias ameaças para o coração. Pressão alta e colesterol ruim elevado estão entre elas. Mas como conhecer exatamente o tamanho do desgaste provocado por esses fatores de risco? Na última semana, especialistas do Centro de Controle de Doenças (CDC), órgão do governo dos Estados Unidos, descreveram uma ferramenta capaz de ajudar nesta tarefa. Eles tornaram disponível um sistema online por meio do qual é possível calcular a idade do coração, nem sempre igual à idade cronológica dependendo do número de circunstâncias de risco manifestadas pelo indivíduo. O recurso pode ser acessado no endereço http://www.cdc.gov/vitalsigns/cardiovasculardisease/heartage.html

O sistema registra o sexo e a idade da pessoa e também leva em consideração algumas das principais condições que repercutem na saúde cardíaca: o nível de pressão arterial, o peso e se o indivíduo é fumante ou diabético. A partir dos dados, informa se o coração é mais “jovem”, tem idade compatível com os anos de vida ou se, por causa dos fatores de risco que pesam sobre ele, já apresenta danos de um coração muito mais velho. Um dos exemplos apresentados pelo Centro de Controle de Doenças é o de uma mulher de 50 anos não fumante, hipertensa, diabética e obesa. Pelos cálculos, sua idade cardíaca é de 85 anos.

O objetivo do CDC – uma das mais respeitadas instituições do mundo – é tornar melhor compreensível o ­impacto que o estilo de vida tem sobre o funcionamento cardíaco. “O conceito por trás da idade do coração é alertar os indivíduos, especialmente os mais jovens, para que modifiquem agora hábitos que não são saudáveis em vez de esperar sofrer um infarto ou um acidente vascular cerebral”, afirmou o epidemiologista Matthew Ritchey, da Divisão de Prevenção a Infartos e AVCs do centro americano. “É uma alternativa simples para ilustrar o risco. Estudos mostraram que a idade cardíaca pode motivar as pessoas a adotarem hábitos saudáveis e a aderirem mais às intervenções terapêuticas”, disse à ­ISTOÉ Quanhe Yang, cientista sênior do CDC e um dos autores do trabalho.

O recurso chamou a atenção em todo o mundo. “É uma maneira interessante de estimular a prevenção”, considerou o cardiologista Roberto Kalil Filho, diretor geral do Centro de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. “A doença coronariana é a que mais mata no mundo e a população ainda não se previne da maneira ideal”, diz.

O sistema foi criado com base nas informações coletadas pelo CDC em todos os estados americanos e as que foram produzidas pelo Estudo Framingham, um projeto da Universidade de Boston e do Instituto Nacional de Coração, Pulmão e Vasos Sanguíneos dos EUA. Iniciado em 1948, ele registra os dados cardiovasculares dos moradores da cidade de Framingham, em Massachussets, abastecendo algumas das principais pesquisas sobre o tema realizadas nas últimas décadas.

A ferramenta permite o cálculo da idade cardíaca individual, mas possibilitou ao CDC a obtenção de um retrato amplo de como anda a vitalidade cardíaca dos americanos. As projeções mostraram que aproximadamente 69 milhões dos habitantes adultos dos Estados Unidos que não sofreram infarto ou acidente vascular cerebral têm um coração cinco ou mais anos mais velho do que a idade cronológica. Segundo o instituto, o número equivale ao total de pessoas vivendo em 130 grandes cidades daquele país. As estimativas também informam que um a cada dois homens e duas a cada cinco mulheres apresentam idade cardíaca cinco anos superior à cronológica – a média é de sete anos a mais. E três em cada quatro infartos ou acidentes vasculares cerebrais são motivados pela presença de fatores de risco que elevam a idade do coração.

É possível ter uma ideia, por exemplo, do impacto da pressão arterial. Homens que manifestam hipertensão (além de 140 mmHg) adicionam cerca de vinte anos a mais ao seu coração. Na faixa intermediária, entre 120 e 139 mmHg, somam dez anos a mais. Com as mulheres, o grau de envelhecimento é parecido. Nas hipertensas, o coração ganha em torno de dezoito anos além da idade cronológica e nas pré-hipertensas o prejuízo fica em torno de doze anos a mais.

Mudança na composição pode aumentar eficácia de medicamentos

Substância que aumenta o prazo de ação dos medicamentos no organismo pode tornar pílulas mais eficazes

Qualquer que seja seu problema de saúde, caso tenha de tomar dois comprimidos por dia em vez de um, é possível que culpe uma reação de seu metabolismo. Antes que os remédios façam efeito, suas substâncias e moléculas passam por um processo de desintegração quando a máquina do corpo tenta eliminá-las. Como resultado, grande parte dessas substâncias e moléculas é expelida pelo organismo antes que o medicamento traga algum benefício.

Mas no mês passado o órgão governamental de controle da indústria alimentícia e do setor farmacêutico dos Estados Unidos, a Food and Drug Administration, recebeu um pedido de aprovação do novo medicamento SD-809, que poderá ter uma reação mais eficaz contra as barreiras naturais de defesa do organismo. O SD-809 destina-se ao tratamento da paralisia causada pela doença de Huntington, uma afecção genética rara e com consequências terríveis.

Se o remédio for aprovado, será o primeiro passo para a fabricação de um novo tipo de medicamento que, graças às propriedades do deutério, um isótopo pesado e estável do hidrogênio usado, em geral, como moderador de nêutrons em reatores nucleares, evitam a reação metabólica de eliminação de substâncias e moléculas do remédio pelo organismo.

Em muitos casos, a reação metabólica depende da ruptura de compostos orgânicos específicos formados por carbono e hidrogênio. A substituição de alguns dos átomos de hidrogênio de um medicamento pelo deutério pode retardar esse processo e, assim, o remédio terá um efeito mais prolongado e eficaz.

A linha exata entre inovação e evidência ainda será traçada e, portanto, quem mais se beneficiará além dos pacientes com os novos medicamentos, continua uma incógnita. Mas isso não muda um fato básico: o uso de remédios com o acréscimo de deutério logo será generalizado e o resultado será menos comprimidos para engolir.

Fontes: The Economist – Drugs that live long will prosper

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