‘Tem que se virar’, diz comerciante do Recife que adaptou cadeira de rodas

índicea

Amigos deram a ideia de usar carrinho de compras preso à cadeira.

Leonardo conta que já vendeu produtos de limpeza de porta em porta.

Em frente do número 3574, da Avenida Boa Viagem, Zona Sul do Recife, Leonardo Cohen, de 33 anos, ganha a vida saciando a sede dos frequentadores da praia. Provando que quando alguém quer trabalhar, nada é desculpa, nem mesmo uma deficiência, ele vende bebidas em um carrinho de supermercado acoplado à cadeira de rodas. Para o cadeirante, a dificuldade se transformou em força de vontade e uma história de superação.

“A gente tem que se virar, né?”, diz Leonardo. Ele faz questão de mencionar que sempre foi independente. “Faço tudo sozinho. Só não lavo roupa porque não alcanço”, brincou. Com o primeiro grau de escolaridade incompleto, ele começou vendendo produtos de limpeza de porta em porta.

Diagnosticado com uma má-formação congênita da coluna vertebral, Leonardo conta que se submeteu a mais de 100 cirurgias. “Eu tenho meningomielocele. Com 24 horas de nascido, eu já fiz uma operação e não parou mais. É prótese na bacia, correção no pé e canoa na cabeça para não desenvolver hidrocefalia”, completou.

O carrinho utilizado pelo comerciante é do prédio onde ele mora. A ideia de acoplá-lo à cadeira de rodas surgiu dos amigos que Leonardo fez na praia. “Eles são muito legais, me chamaram para vender aqui e me deram os primeiros produtos para começar”, contou. A sombrinha, assim como o isopor, também foram doações.

A história encantou o engenheiro mecânico Edson Campos, de 70 anos. “Passava por ele todos os dias e sempre me chamava a atenção o fato de ter disposição para trabalhar mesmo com a dificuldade de se movimentar. Além de um exemplo de batalhador é também muito gente boa”, afirmou.

O carinho que Leonardo recebe é tanto, que um personal trainer e frequentador da praia conseguiu que o cadeirante fizesse academia sem pagar nada. “Isso me ajuda a fortalecer as costas e até perder peso, porque levava uma vida sedentária. Estou tendo oportunidades aqui que nunca tive na vida”, relembrou.

Dividindo o espaço com os carros no trânsito, todo dia o cadeirante precisa percorrer dois quilômetros da casa até o ponto de vendas. Questionado sobre os problemas de acessibilidade na capital pernambucana, Leonardo relatou que passou por situações piores. “Recife é horrível. Minha cadeira vive quebrando, ela está nova e já tive que trocá-la com três meses de uso. Não vou nem falar dos ônibus, eles não respeitam a gente”, completa.

Atualmente, Leonardo tenta se aposentar por invalidez. “Não consigo, pois alegam que tenho condições de me sustentar, mas é uma realidade nada fácil. Minha vida é dura, mas não vou desistir, vou continuar batalhando e correndo atrás”, conclui o vendedor.

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