Abelhas em risco

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Responsáveis pela polinização da maioria dos vegetais que alimenta a humanidade, as abelhas estão desaparecendo em velocidade preocupante, inclusive no Brasil

Nosso planeta é composto por terra, água, atmosfera e seres vivos, como plantas e animais, incluindo nós, os humanos. Juntos, formamos e habitamos os ecossistemas responsáveis pelo delicado mosaico que sustenta a grande teia da vida. A urgência e a importância de conservar todo o rico patrimônio natural que nos cerca são crescentes. Hoje, consumimos 25% mais recursos naturais do que a Terra é capaz de nos fornecer.

Diante dessa realidade, aumentam a cada dia a pressão e a ameaça à sobrevivência de diferentes espécies, hábitats e populações, levando à perda de exemplares da fauna e da flora, alguns ainda nem mesmo estudados. O desaparecimento de uma espécie essencial à sobrevivência humana – as abelhas – tem motivado esforços de centenas de pesquisadores e entidades mundo afora.

Trabalhadeiras e vigilantes, as abelhas são responsáveis pela polinização de mais de 70 das 100 espécies vegetais que fornecem 90% dos alimentos consumidos no planeta, segundo dados da ONG WWF-Brasil.

O alerta de conservação é essencial. Afinal, em um mundo sem abelhas, não ficaremos apenas sem mel, cera e flores; corremos o risco de ficar sem comida. Isso num planeta em que, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), um em cada nove habitantes já passa fome.

Polinizadores vitais

Poucos sabem, mas espécies vegetais como o maracujá, a berinjela e o pimentão, por terem flores mais fechadas, precisam de polinizadores específicos. Mas a lista de frutas, vegetais e sementes que dependem das abelhas para serem produzidas é ainda maior, incluindo também uva, limão, maçã, melão, cenoura, amêndoa e castanha-do-pará.

Produtores de abelhas em todo o mundo, em especial nos Estados Unidos, já relatam perdas de até 50% em suas populações de abelhas em colmeias. Em algumas regiões da China, elas já não existem mais. Uma das principais causas do desaparecimento desses insetos, segundo pesquisas, é o uso abusivo de inseticidas e agrotóxicos.

Substâncias presentes nesses produtos atingem o sistema nervoso e digestório das abelhas, desestabilizando seus voos e deslocamentos. Quando não morrem intoxicadas, elas perdem o caminho de volta, deixando a colmeia vazia. Em casos mais graves, não conseguem se alimentar e morrem por inanição.

Além do uso de pesticidas, outros fatores, como eventos extremos causados por mudanças climáticas, poluição do ar, desmatamento seguido pela ocupação do solo por extensas monoculturas (milho, trigo e cana), bem como técnicas para aumentar a produção de mel também contribuem para o chamado Distúrbio de Colapso de Colônias, ou CCD, na sigla em inglês.

Abelha Africanizada

Em todo o mundo há cerca de 20 mil espécies de abelhas. No Brasil, cálculos indicam a existência de duas mil a três mil espécies. A mais conhecida é a Apis mellifera, popularmente chamada de “abelha de mel” ou “africanizada”, que não é nativa do país. Ela foi introduzida nos séculos passados, com diferentes linhagens vindas da Europa e África. Aqui se reproduziu e originou a abelha africanizada.

As abelhas nativas do Brasil são os meliponíneos ou abelhas sem ferrão (jataís, irapuãs, uruçus, mandaçaias), as mamangavas (Bombus e Xilocopas) e várias outras espécies de abelhas solitárias.

As africanizadas estão distribuídas por todo o Brasil. As demais são espécies com distribuições regionais ao longo do território brasileiro, dependendo de suas adaptações.

A velocidade da perda de colmeias no Brasil preocupa e acendeu o sinal vermelho. Há registros de perdas de 20 mil colônias em São Paulo, entre 2008 e 2010. Em Santa Catarina, esse número chega a 100 mil, somente em 2011. Em Minas Gerais, as perdas oscilam entre 20% e 40%, principalmente na região do Triângulo Mineiro. Há ainda relato de um caso específico, na região de João Monlevade, com a perda de duas mil colmeias em 2013.

No site “Beealert” também são citados casos nas cidades mineiras de Frutal, Passos, Lavras, Barbacena, Entre Rios de Minas e Jaboticatubas, esta última na Região Metropolitana de Belo Horizonte. No entanto, nesses locais, segundo especialistas, não há dados sobre o número de colmeias afetadas nem mesmo comprovação das causas da mortalidade.

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