Peste pode ter afetado humanos muito antes do que se pensava

pragaorigem

Bactéria que causa peste já existia 3 mil anos antes do que se pensava.
Bactéria ‘Yersinia pestis’ foi responsável por três surtos maciços.

A peste exterminou milhões de pessoas no início do século VI e através da Idade Média, mas um estudo divulgado nesta quinta-feira (22) sugere que a doença pode ter existido milhares de anos antes.

A análise de DNA de dentes humanos da Europa e da Ásia mostrou que a bactéria que causa a peste era detectável cerca de 3 mil anos antes do que documentado anteriormente.

O estudo, publicado na revista “Cell”, sugere que esta bactéria, conhecida como Yersinia pestis, era comum – embora possa ter causado um tipo ligeiramente diferente, mas ainda devastador da doença.

“Descobrimos que a linhagem Y. pestis se originou e foi difundida muito mais cedo do que se pensava, e conseguimos estreitar a janela de tempo de quando ela se desenvolveu”, disse o principal autor do estudo, Eske Willerslev, do Centro de GeoGenetics da Universidade de Copenhague.

“O estudo muda nossa visão sobre quando e como a peste influenciou populações humanas e abre novas possibilidades para o estudo da evolução das doenças”.

Três grandes surtos
A bactéria é apontada como a responsável por três surtos maciços, começando com a praga de Justiniano, que começou em 541 do período pós-cristão, e matou mais de 25 milhões de pessoas nos próximos dois séculos.

Depois disso veio a Peste Negra, que começou na China em 1334 e se espalhou ao longo das grandes rotas comerciais para a Europa – onde dizimou cerca de metade da população.

A terceira pandemia, também conhecida como Praga Moderna, surgiu na China em 1850 e matou cerca de 10 milhões de pessoas.

Até agora, os cientistas não tinham evidências moleculares diretas para esta bactéria a partir de material esquelético com mais de 1.500 anos.

A nova evidência sugere que a praga “pode ter sido responsável por grandes declínios populacionais que parecem ter ocorrido no final do quarto e início do terceiro milênio da era pré-cristã”, afirmou um pronunciamento da Universidade de Cambridge.

A mais antiga forma da praga não foi carregada por pulgas, uma adaptação que a bactéria parece ter ganho no primeiro milênio da era pré-cristã.

Versão inicial da praga
Mas a praga pré-histórica não teria causado a peste bubônica, que leva ao inchaço dos gânglios linfáticos que formam nódulos no corpo.

Em vez disso, uma versão inicial da praga provavelmente afetava os pulmões, causando “uma tosse desesperadora pouco antes da morte”, transmitida simplesmente pelo fato de respirar perto de pessoas infectadas, de acordo com a Universidade de Cambridge.

Os resultados também sugerem que doenças causadas pela praga podem ter contribuído para migrações humanas em grande escala.

“Nosso estudo muda a compreensão histórica deste patógeno humano extremamente importante e faz com que seja possível que outras supostas pragas, como a peste de Atenas e a peste Antonina, tenham sido causadas pela Y. pestis”, explicou o co-autor Simon Rasmussen, da Universidade Técnica da Dinamarca.

Os pesquisadores disseram que sua abordagem científica também poderia ser usada para lançar luz sobre outras doenças ao longo da história, mesmo usando material antigo que não apresenta sinais óbvios de doença.

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