O sonho de todo cantor de chuveiro chegou: caixa de som à prova d’água

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Conheça a Splash n Dash, mini caixa de som que pode ser usada no chuveiro e na piscina

Agora os cantores de chuveiro podem realizar o sonho de fazer um show completo, com acompanhamento e tudo. Isso será possível graças à Splash n Dash (modelo GPS2500) da marca GoGear. É uma caixa de som pequena que funciona por Bluetooth e é à prova d’água, pois foi projetada justamente para ser usada dentro do chuveiro ou perto da piscina. Através de uma ventosa na estrutura da caixinha, é possível fixá-la em vidros e azulejos.

A Splash n Dash está disponível nas cores azul, rosa, vermelho e amarelo, e pode ser adquirida por R$ 180. A sugestão do fabricante é colocar o aparelho em uma posição central no ambiente ou de forma que ele fique apontado para o usuário no chuveiro, de forma que o som tenha melhor alcance. A caixinha à prova de respingos se conecta com qualquer dispositivo que tenha Bluetooth.

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Prótese de crânio em 3D é usada pela primeira vez no Distrito Federal

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Jovem de 24 anos voltou a enxergar perfeitamente depois de retirar um tumor benigno e receber prótese tridimensional. Trio de médicos fez a cirurgia no Santa Luzia

A primeira paciente a passar por uma reconstrução de crânio com a ajuda de uma prótese em 3D no Distrito Federal se recupera bem. O procedimento, inédito em Brasília, ocorreu em setembro e, após 2 meses e meio, a estudante Santana Rodrigues, 24 anos, se surpreende com o resultado. “Hoje, o meu olho tem um pequeno inchaço, mas quase imperceptível. Saí da cirurgia enxergando perfeitamente”, comemora. A intervenção foi realizada por três médicos: o neurocirurgião Renato Silva; o oftalmologista e especialista em órbitas e vias lacrimais Rodrigo Durães; e o otorrinolaringologista e cirurgião crâniomaxilofacial Diderot Parreira. Ela ocorreu no Hospital Santa Luzia (916 Sul).

Santana se submeteu à cirurgia depois de começar a perceber que o osso acima da sobrancelha direita crescia sem motivo aparente. Com o tempo, a visão ficou comprometida. “Eu demorei para me preocupar. O crescimento era muito lento. Mas, em 2014, eu percebi que não conseguia enxergar se olhasse para cima”, relembra. No início, o que parecia um galo virou uma displasia fibrosa. A doença provoca desgaste, crescimento ou lesões ósseas. O quadro levou a um tumor benigno, o que provocou a expansão do crânio e o enfraquecimento da região.
Antes do procedimento, Santana enfrentou o drama de ter a intervenção negada pelo plano de saúde. “Demoraram para entender a doença e a gravidade”, conta Santana. Para resolver o problema, que durou mais de seis meses, ela entrou em contato com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que ajudou no processo, e o plano de saúde liberou a cirurgia. Segundo a estudante, se não tivesse obtido a autorização, não seria operada. “Isso tudo não é barato. Só os materiais, segundo o plano de saúde, custam R$ 370 mil”, ressalta.

Alta complexidade
A cirurgia, bastante delicada, ocorreu em 3 de setembro. Durou cerca de 6 horas. Santana acordou lúcida da anestesia geral, passou três dias na UTI sob observação e ficou afastada durante 45 dias de qualquer atividade. Renato Silva explica que, sem a tecnologia 3D, seriam usados na reconstrução materiais como tela de titânio ou cimento ósseo regenerativo (leia Como funciona). “Sem ela, nós teríamos de moldar durante a operação, e esse material de acrílico precisa estar quente para ficar moldável. Não poderíamos liberar calor próximo ao cérebro. Desenvolvendo a prótese do tamanho exato antes do procedimento, ela vem fria e esterilizada”, explicou o neurocirurgião.

Jovem de SP copia a Bíblia à mão em oito meses e bate recorde brasileiro

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Lauane diz ter recebido pedido do ‘Espírito Santo’ para encarar o desafio.
Estudante transcrevia o livro entre oito e dez horas diariamente

A estudante Lauane Destro Viana, de 19 anos, bateu o recorde de manuscrever mais rápido a Bíblia, informou o RankBrasil, empresa que registra recordes exclusivamente brasileiros. A jovem de Santo André (SP) copiou à mão o livro em oito meses, de 17 de fevereiro a 17 de outubro do ano passado. Sou cristã evangélica e leio a Bílbia todo ano desde que me converti. Quando preparava um cronograma para relê-la, ouvi a voz do Espírito Santo me pedindo para que daquela vez eu copiasse o livro”, contou.

O recorde anterior pertencia ao mineiro Sidney Mendonça, que copiou a Bíblia em nove meses, em 2013. Na ocasião, o rapaz, que já havia lido o livro duas vezes, estava de férias da faculdade de engenharia e afirmou ter encarado a empreitada para “fazer algo diferente”.

Para ir do Gênesis ao Apocalipse, Lauane usou 22 canetas, três corretivos e 2.923 folhas de papel. “Estudava o livro entre 8 e 10 horas em média, todos os dias. Só no último mês reduzi a intensidade da transcrição, porque comecei a trabalhar como auxiliar administrativa”, explicou.

De acordo com o RankBrasil, a estudante teve que enviar fotografias, vídeos e declarações reconhecidas em cartório para garantir que ela mesma realizava o desafio. Lauane, que será premiada com um troféu, disse que após ter manuscrito a Bíblia, compreendeu melhor seu livro favorito.

Li com a atenção dobrada, já que também estava escrevendo. Desta vez, percebi como o livro apresenta os erros que as pessoas cometem, não só os acertos. Isso é importante, porque os sábios aprendem com os erros dos outros”, acredita Lauane.

Tecidos de cordas vocais são desenvolvidos em laboratório

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Técnica possibilitaria transplante para pessoas com problemas de voz.
Em teste, tecidos ficaram três meses no corpo de um roedor.

Pesquisadores norte-americanos desenvolveram em laboratório tecidos de cordas vocais, que poderiam gerar transplantes para as milhões de pessoas que sofrem problemas de voz – informou um estudo publicado nesta quarta-feira (18).

As pesquisas ainda estão no primeiro estágio, mas o avanço é importante já que as cordas vocais são “um sistema delicado e difícil de replicar”, ressaltou Nathan Welham da universidade de Wisconsin, que conduziu o estudo publicado na revista médica “Science Translational Medicine”.

Os tecidos das cordas vocais ficaram três meses no corpo de um ratinho, cujo sistema imune foi modificado para imitar o dos seres humanos. Os tecidos também foram capazes de produzir vibrações quando transplantados para cadáveres de cães.

Eles foram desenvolvidos em laboratório durante um período de duas semanas, a partir de fibroblastos (fibras que produzem colágeno) e células epiteliais humanas (que formam um tecido de revestimento), disseram os pesquisadores.

As células foram isoladas, purificadas e aplicadas a uma estrutura de suporte tridimensional baseado em colágeno, do mesmo tipo que o aparato usado para desenvolver pele artificial em laboratório.

Primeiros resultados são promissores
Os tecidos bem desenvolvidos têm a aparência de cordas vocais naturais úmidas e elásticas, descreveu Welham.

Chegar até o transplante de cordas vocais pode levar anos, mas os pesquisadores afirmam que as primeiras etapas de seus trabalhos são promissoras para os pacientes.

Cerca de 20 milhões de pessoas sofrem com alguma disfunção das cordas vocais nos Estados Unidos e até hoje não existe tratamento eficaz para este tipo de problema.

As deficiências podem ser causadas por um trauma, um ferimento, uma operação cirúrgica ou cânceres, como o câncer de cabeça ou do pescoço.

“A voz é uma coisa muito fascinante, à qual nós não prestamos muita atenção até que ela mostre sinais de alteração”, ressaltou Welham.

Cão ajuda cientistas em busca de tratamento de doença rara

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Cientistas brasileiras descobriram um gene que pode ajudar no tratamento de uma doença rara, que atinge um em cada quatro mil meninos em todo o mundo. A distrofia muscular de Duchenne diminui a expectativa de vida dos pacientes para apenas 30 anos.

“Aos dois ou três anos, a mãe nota que o filho está caindo muito. Com 10 ou 12 anos, ele não consegue mais andar”, explica Mayana Zatz, professora de genética do Instituto de Biociências da USP e uma das autoras do estudo, em entrevista a EXAME.com.

Segundo ela, a doença é caracterizada pela ausência da distrofina, uma proteína que forma um tipo de capa nas células musculares. Sem ela, ocorre a degeneração dos músculos. “No começo, o músculo ainda regenera. Porém, após dois anos, a perda muscular é maior do que a regeneração”, diz Zatz.

Quando se descobriu a existência da distrofina em 1987, todos os tratamentos para a doença de Duchenne focaram na substância. Os pesquisadores, até hoje, tentam encontrar uma forma de aumentar a produção da proteína para melhorar o quadro clínico do paciente.

A pesquisa da USP descobriu que a distrofina pode não ser a única forma de achar cura ou terapia para a distrofia muscular de Duchenne. Segundo as autoras, o gene Jagged1, ligado a processos de regeneração muscular, pode trazer esperanças de tratamento para os pacientes.

O estudo foi publicado na revista científica Cell sob o título de “Jagged 1 Rescues the Duchenne Muscular Dystrophy Phenotype” (“Jagged 1 resgata fenótipo da distrofia muscular de Duchenne”, em tradução livre).

Mais de 10 anos de pesquisa

Como as cientistas chegaram a essa descoberta? “Foi totalmente sem querer”, brinca Zatz. Desde 2003, ela e um grupo de pesquisadores da USP pesquisam cães da raça Golden Retriever, que possuem a distrofia muscular de Duchenne.

Até então, todos os cachorros nasciam com a doença e morriam depois de um ou dois anos. Um filhote chamado Ringo chamou a atenção das cientistas em 2004. “Quando Ringo nasceu, achamos que era apenas mais um dos cães afetados. Realizamos os testes e vimos que ele tinha a mutação no DNA”, conta Zatz.

Após um ano, uma surpresa: Ringo não apresentava a doença. “Ele vivia pulando a cerca e logo teve filhotes. Um deles, o Suflair, apresentava as mesmas características do pai”, lembra a geneticista.

Intrigadas, Zatz e Natássia Vieira, na época doutoranda em genética pela USP, decidiram analisar quais eram as diferenças genéticas entre os músculos de Ringo e de outros cachorros doentes. Dessa análise saiu uma lista de 65 genes.

Para fazer o mapeamento genético completo do genoma dos cães e descobrir qual era o gene importante, Vieira foi a Boston, nos Estados Unidos. Lá, com a ajuda de Louis Kunkel, da Escola de Medicina de Harvard, e de Kerstin Lindblad-Toh, diretora científica do Broad Institute, ela encontrou uma região no cromossomo 24, que abrigava o gene Jagged1.

Para testar a nova hipótese, a pesquisadora aumentou em duas vezes a proteína do gene em peixes paulistinha – que não têm distrofina e possuem a doença. “Foi visto que 75% dos peixes sobreviveram após a aplicação”, relata Vieira.

De acordo com a cientista, o próximo passo do estudo é entender porque o gene deixa os músculos mais resistente. “Com isso, talvez, nós possamos encontrar outros genes que possam gerar novas terapias.”

Possíveis novos tratamentos

Atualmente, os medicamentos mais utilizados para o tratamento da distrofia de Duchenne são os corticoides. “Eles são ministrados desde que a doença é descoberta, pois aumentam a capacidade ventilatória”, explica Zatz.

No entanto, após alguns anos, pacientes precisam utilizar aparelhos de ventilação assistida. “O diafragma fica comprometido e, depois dos 20 anos, muitos dos meninos morrem de insuficiência respiratória”, diz a geneticista.

Caso o Jagged1 se mostre capaz de aumentar a quantidade de distrofina no ser humano, novos tratamentos poderão aumentar a sobrevida dos pacientes. “Eu vou começar a estudar alguns vírus que podem aumentar geneticamente a capacidade de produção de proteínas do gene”, conta Vieira.

Segundo ela, os professores de Harvard já estão analisando remédios que podem fazer esse trabalho. “Se for uma droga que já está no mercado, vai ser mais fácil encontrar uma terapia.”

Caso contrário, o processo de aprovação do medicamento poderá demorar mais de dez anos. “A indústria farmacêutica não dá muita importância para a doença, por ela ser rara. Então, é outro impedimento”, diz Vieira.

Apesar de a descoberta ser um marco, tanto Zatz quanto Vieira são cautelosas com relação à possibilidade de encontrar cura para a distrofia. “Acho que tem potencial, mas ainda vai demorar algum tempo e anos de estudos”, afirma Vieira.

Novo método se mostra mais eficaz para diagnóstico de câncer de próstata

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Pesquisadores do Instituto de Karolinska, na Suécia, desenvolveram um novo teste para diagnóstico de câncer de próstata. Batizado com nome de STHLM3, o método se mostrou mais eficaz que o usual exame, conhecido como PSA. Unindo exames de sangue que buscam por uma combinação de seis marcadores proteicos, 200 marcadores genéticos e análise de dados clínicos, como idade, histórico familiar e avaliações antecedentes para a doença, o STHLM3 é capaz de identificar formas mais agressivas dos tumores ao mesmo tempo em que reduziu a incidência de falsos positivos, evitando que os pacientes passassem por tratamentos arriscados ou biópsias dolorosas.

O estudo  analisou os resultados dos testes PSA e STHLM3 realizados em 58.818 homens de Estocolmo, com idades entre 50 e 69 anos, entre 2012 e 2014. As análises mostraram que o STHLM3 reduziu o número de biópsias em 30% sem comprometer a segurança dos pacientes. Além disso, o novo método encontrou casos agressivos de câncer em homens com baixos valores no teste PSA, e que por isso não teriam a doença diagnosticada a tempo de ser combatida.

Dilemas masculinos ainda são entraves para diagnóstico

Os dados comprovam: o tumor na próstata é a quinta doença que mais mata no mundo e a segunda mais comum entre os brasileiros. Somente este ano, são esperados mais de 60 mil novos casos em todo o país. A notícia boa é que, segundo a última pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), o aumento da expectativa de vida e a melhoria nos métodos de diagnósticos, além da evolução dos sistemas de informação, contribuíram para que mais casos pudessem ser descobertos e tratados rapidamente. No entanto, ainda não é o suficiente. Com o objetivo de diminuir a incidência da doença e alertar a população sobre a importância da prevenção e diagnóstico precoce, o Instituto Lado a Lado pela Vida, em parceria com diversos setores da sociedade, promove, desde 2012, a campanha Novembro Azul.

Para o oncologista Victor Marcondes, médico da Clínica Oncomed, é preciso que os homens superem os tabus que os afastam dos consultórios e, acima de tudo, mudar hábitos do cotidiano que contribuem para o surgimento desse tipo de tumor. “Campanhas, como o Novembro Azul, têm o papel de alertar os homens sobre a realização de um diagnóstico precoce. Mas, para que haja uma diminuição na incidência do câncer de próstata, é fundamental ter atenção aos fatores de risco, como alimentação inadequada, sedentarismo e obesidade”, afirma Marcondes.

De olho no histórico familiar

Segundo a Sociedade Brasileira de urologia, o ideal é que os médicos conversem com os pacientes que possuem 50 anos ou mais sobre a importância de realizar o rastreio do câncer de próstata. Os procedimentos indicados são o exame de toque retal e uma dosagem de PSA (substância encontrada no sangue que, em níveis maiores que 4ng/ml, aumenta os riscos de incidência da doença). Marcondes chama atenção ainda para o histórico familiar, que influencia na possibilidade de desenvolvimento da doença nos homens acima dos 50.

“Indivíduos com histórico de um ou mais parentes de primeiro grau afetados pelo câncer de próstata têm risco maior de desenvolver a doença. E quanto maior o número de parentes de primeiro grau afetados, maior a possibilidade da doença atingir os demais membros da família. Outra questão importante é que o câncer de próstata tem maior incidência em negros do que na população de cor branca”.

Possibilidade de infertilidade preocupa

Uma das principais preocupações dos pacientes é a possibilidade de a cirurgia para a retirada do tumor causar infertilidade. Segundo Maria Cecília Erthal, especialista em reprodução humana do Vida –  Centro de fertilidade da Rede D’Or, já existem métodos eficazes para que o homem possa ter filhos após a doença.  Segundo ela, o combate ao tumor deve vir em primeiro lugar, e o mais prejudicial é a falta de esclarecimento.

“Este é um trabalho que sempre tentamos realizar: orientar os homens que hoje existe vida após o câncer. Com as crescentes taxas de cura, a vida continua por muitos anos após o tratamento e devemos sempre nos preocupar com a qualidade dessa vida. A técnica de congelamento de espermatozoides, por exemplo, já é bem conhecida e dominada há mais de 60 anos”, explica.

Equilíbrio emocional é fundamental para a recuperação

As principais sequelas acontecem quando há a cirurgia de retirada total da próstata, conhecida como prostatectomia radical. Esse tipo de procedimento pode resultar em disfunção erétil, incontinência urinária e complicações relacionadas ao momento da cirurgia, como infarto, trombose, infecções, entre outros. O paciente deve manter um acompanhamento frequente com o seu médico após a cirurgia para que seja feita uma avaliação personalizada sobre o surgimento de complicações.

O oncologista Victor Marcondes ressalta que a incontinência urinária é uma das sequelas que mais incomodam os homens. No entanto, segundo o médico, o estado emocional do paciente é o fator que mais influencia. “O dano à musculatura do esfíncter pode levar, sim, à incontinência urinária. Apesar disso, a principal causa para o aparecimento do problema é o estresse emocional. E apenas menos de 1% dos casos necessitam da implantação de um esfíncter artificial para correção da incontinência”, explica Marcondes.

 

 

 

Descoberto em bactérias novo gene resistente a antibióticos

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Cientistas classificam a descoberta, feita na China, como “preocupante” e dizem que monitoramento do MCR-1 é essencial para evitar a propagação de bactérias resistentes e o início de uma “era pós-antibiótica”.

Um estudo publicado na revista médica britânica The Lancetinforma que a descoberta se destacou por identificar um gene do tipo plasmídeo, com DNA móvel, capaz de passar facilmente de uma bactéria para outra. Casos anteriormente identificados de resistência a antibióticos se deram por mutação genética, sendo replicados quando a bactéria se reproduzia, portanto não se transferindo tão facilmente a outros espécimes.

Segundo Liu Jian-Hua, coautor do estudo, as descobertas levam a “resultados extremamente preocupantes”. Os cientistas identificaram cadeias de DNA resistentes a antibióticos transferidas entre Klesbsiella pneumoniae, que provoca a pneumonia, e Escherichia coli(E. coli), uma das principais causas de infecções do trato urinário.

Limitar polimixinas

Os cientistas responsáveis pela descoberta pediram restrições urgentes ao uso de medicamentos na pecuária, sobretudo as polimixinas, que incluem a colistina, aplicada no controle de germes comuns como a E. coli.

Descrevendo a descoberta como “preocupante”, Laura Piddock, professora de microbiologia na Universidade de Birmingham, aconselha que se reduza o uso de polimixinas “o mais breve possível”. “Igualmente preocupante é que esse tipo de resistência possa ser facilmente transferida entre as bactérias”, acrescentou.

Piddock disse que o monitoramento global da resistência MCR-1 será essencial para evitar a propagação de bactérias resistentes a polimixinas.

Da China para o mundo

O relatório aponta que o MCR-1 está “momentaneamente confinado à China”, mas menciona a probabilidade de que ele se espalhe globalmente. Já haveria até evidências de que ele tenha começado a se espalhar pelo Laos e pela Malásia.

Christi Lane-Barlow, epidemiologista atuante no Laos, disse à DW que isso serviu como um lembrete sobre os perigos de se comer carne de frango e porco mal passada, principalmente se proveniente da China.

“A China é um importante parceiro comercial para o Laos, e a inspeção de produtos de carne que entram no país é limitada. Juntamente com a falta de higiene e os hábitos de consumo de carne crua ou mal cozida, a propagação da resistência no Laos poderia criar um ambiente de maior exposição humana do que se a carne fosse sempre manuseada e preparada higienicamente.”

Lane-Barlow ressaltou a confirmação do estudo de que a resistência encontrada no MCR-1 poderia ser espalhada por plasmídeos. “Isso significa que não se precisa de tanto tempo para a resistência se espalhar, como quando há mutações nos genes das bactérias.” Ela explicou que geralmente a mutação se transmite à medida que as bactérias se replicam ou reproduzem, “mas não entre colônias, como é o caso aqui”.

MCR-1 entre humanos

Em 2015, a demanda por antibióticos do tipo polimixina para uso agrícola deve chegar a quase 12 mil toneladas até o final do ano, de acordo com o relatório médico de pesquisa da QYResearch, uma empresa de pesquisa de mercado com foco em empreendimentos na China. O país é um dos maiores consumidores e produtores da polimixina colistina, muito utilizada na agricultura e pecuária no mundo.

Para o estudo publicado na The Lancet, realizado entre 2011 e 2014, os pesquisadores coletaram amostras de bactérias de porcos e frangos vendidos em 30 mercados ao ar livre e 27 supermercados em Guangzhou, capital da província de Guangdong, no sul da China, bem como de suínos prontos para o abate em outras quatro províncias.

Eles descobriram alta incidência do gene MCR-1 nas amostras positivas de E. coli tanto em animais como na carne crua, com o frequência aumentando a cada ano. Em média, mais de 20% das bactérias nas amostras dos animais e 15% nas de carne crua apresentaram o gene.

Os cientistas também descobriram a mutação MCR-1 em 16 amostras de E. coli e K. pneumoniae de 1.322 pacientes hospitalizados. O estudo constatou que a menor taxa de infecção entre os seres humanos quase dá a certeza de que as cadeias resistentes das bactérias são transmitidas de animais para humanos.

David Paterson e Patrick Harris, da Universidade de Queensland, Austrália, publicaram um comentário sobre o estudo: segundo eles agora estão concluídas as conexões entre o uso agrícola da colistinae a resistência a ela em animais abatidos, em alimentos e em humanos.

“Uma das poucas soluções para romper essas conexões é a limitação ou o fim do uso da colistina na agricultura”, recomendaram. “Deixar de fazer isso criará um problema de saúde pública de grandes dimensões.”

Era pós-antibiótica

O professor Timothy Walsh, da Universidade de Cardiff, País de Gales, que também colaborou no estudo, disse à BBC que a descoberta do MCR-1 poderia significar que em breve o uso de antibióticos ficará obsoleto.

“Quando – e não ‘se’ – o MRC-1 se tornar global, não ‘se’, e o gene se alinhar com outros genes de resistência aos antibióticos, o que é inevitável, então teremos muito provavelmente atingido o início da era pós-antibiótica. Nesse ponto, se um paciente estiver gravemente doente com E. coli, por exemplo, não haverá praticamente nada que possamos fazer.”

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia advertido que o advento da resistência antimicrobiana poderia levar a “um retorno à era pré-antibióticos”, quando mesmo pequenas infecções eram fatais. A OMS enfatizava que o problema da resistência aos antibióticos era amplamente subestimado.

AF/afp/rtr