Avião projetado em MG bate cinco recordes de velocidade

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Monomotor Anequim projetado na Universidade Federal de Minas Gerais pesa apenas 500 kg

O Anequim, avião projetado pelo Centro de Estudos Aeronáuticos (CEA), quebrou cinco recordes mundiais de velocidade (veja abaixo) em sua categoria (ultraleve) na Base Aérea de Santa Cruz, no último fim de semana, no Rio de Janeiro. A aeronave foi projetada e construída por uma equipe coordenada pelo professor Paulo Iscold, do Departamento de Engenharia Mecânica da UFMG.

Desenvolvida desde 2011, a aeronave apresenta um peso inferior a 500 quilos, já incluindo piloto e combustível. Entre as principais inovações do Anequim, cujo nome é inspirado em uma espécie de tubarão agressiva e veloz, o professor Iscold destaca a peculiaridade de ter sido integralmente projetado no computador e construído por máquinas de comando numérico.

necessidade da habilidade manual na construção do avião. A partir do momento em que qualquer forma desenhada pode ser feita pela máquina, o limite passa a ser a criatividade”, afirma o professor.

O Anequim também é o primeiro avião brasileiro com estrutura primária feita totalmente em fibra de carbono, o que o tornou extremamente leve, rígido e forte, como explica o CEA.

A UFMG é uma das poucas universidades do mundo em que professores ensinam a fazer aviões fazendo avião”, afirma o professor Paulo Iscold, em alusão ao fato de que o Anequim, a exemplo de seus antecessores, foi projetado e construído por equipes formadas por professores e estudantes.

Recordes do Anequim

Velocidade em techo de 3 km com altitude restrita: 521,08 km/h
Recorde anterior: 466,83 km/h

Velocidade em trecho de 15 km: 511,19 km/h
Recorde anterior: 455, 8 km/h

Velocidade em techo de 100 km: 490,14 km/h
Recorde anterior: 389,6 km/h

Velocidade em trecho de 500 km em curso fechado: 493.74 km/h
Recorde anterior: 387,4 km/h

Tempo para alcançar 3.000 metros de altitude: 2 minutos e 26 segundos
Recorde anterior: 3 minutos e oito segundos

Sem quais partes do corpo é possível sobreviver?

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O corpo humano é formado por inúmeros órgãos responsáveis por garantir nossa sobrevivência. Mas alguns deles não são exatamente essenciais – e são até dispensáveis para a vida.

O número de órgãos considerados “prescindíveis”, que não são estritamente necessárias à vida, é até surpreendente.

As amígdalas, por exemplo, ainda que protejam as vias respiratórias de uma invasão bacteriana, perdem sua importância após os três anos de idade.

Além disso, por causa de sua função, elas podem ser infectadas facilmente – e é exatamente por isso que, quando as dores e infecções na garganta se tornam recorrentes, a medida aconselhada pelos médicos é a extração das amígdalas. A ausência delas não afeta a resposta imunológica do organismo.

Outro órgão desnecessário – e que muitas vezes nos causa problemas, como apendicite – é o apêndice. Ele não tem função específica no corpo humano e tudo indica que foi útil a nossos ancestrais para digerir alimentos duros, como cascas de árvores. Mas, atualmente, ele não serve para nada.

Alguns cientistas acreditam que, com a evolução da espécie, o apêndice tende a desaparecer. No entanto, esse órgão é rico em células linfoides que combatem infecções e poderia ter algum papel no sistema imunológico.

Ainda assim, tendo ou não uma função, ele pode ser retirado sem causar dano algum ao corpo humano.

Diferente do apêndice, a vesícula, esse pequeno saco verde em forma de pera que se esconde atrás do fígado, é, sim, útil. Ela se encarrega de armazenar a bile e ajuda a digerir os alimentos.

No entanto, quando começa a causar muitos problemas – principalmente nos casos de pedras na vesícula -, ela pode ser eliminada. Quando isso ocorre, é apenas necessário ter alguns cuidados a mais na alimentação – o consumo de comida picante ou gasosa, por exemplo, pode causar diarreia e inchaço.

Outros órgãos que não são estritamente necessários para a nossa sobrevivência são os reprodutores, tanto das mulheres, quanto dos homens: útero, ovários, testículos e próstata. Eles são essenciais para criar novas vidas, mas é possível viver sem eles.

Outro “mistério” que persiste por muito tempo é a existência dos mamilos nos homens. A exemplo do apêndice, os mamilos são partes ou órgãos chamados de “vestigiais”, que ao longo da evolução da espécie foram perdendo sua função. Mas no caso dos mamilos, podem causar sérios problemas , pois seus tecido podem formar tumores tão fatais quanto aqueles que acometem mulheres nas mamas.

Danos menores
Com algumas consequências adversas, ainda é possível viver sem mais órgãos. Como as glândulas da tireóide (é possível viver sem elas com a ajuda de tratamentos hormonais), o baço (mas ficamos mais propensos a infecções) e várias veias (temos muito mais do que precisamos).

O próprio cérebro, apesar de ser essencial à vida, pode ter algumas partes retiradas sem grandes danos. Cirurgiões retiraram até metade do cérebro de centenas de pacientes por problemas que não poderiam ser corrigidos de outra forma e, ainda assim, essas pessoas sobreviveram, apesar de carregarem algumas sequelas.

A operação se chama hemisferectomia e não tem efeito na personalidade ou na memória. O que se perde é o uso de um dos olhos e uma das mãos – do lado oposto ao do hemisfério cerebral que foi tirado. Caso o lado ausente seja o esquerdo, também é possível que se tenha mais dificuldade para falar, até que o próprio cérebro se autocorrija.

Há também os casos de órgãos que existem em pares – os pulmões, por exemplo. É possível viver só com um deles, ainda que seja necessário uma preocupação com a respiração, que será mais restrita. Mas é possível ter qualidade de vida com um pulmão só, tudo depende do estado de saúde prévio à cirurgia para a retirada do órgão.

Os rins também existem em pares, mas é possível viver com um só. Sua função principal é “filtrar” os fluidos do corpo e um rim já dá conta de fazer isso, enviando as sobras para a bexiga.

É possível viver com apenas um dos rins com a ajuda da bexiga para filtrar os fluidos

O intestino grosso é outro que pode ter sua função desempenhada pelo intestino delgado após uma adaptação neste órgão. É possível também viver sem o estômago, conectando o esôfago diretamente ao intestino delgado.

Há também um osso da perna, a fíbula ou perônio, que não tem função de sustentação de peso do corpo, então também é de certa forma dispensável. Ela até pode ser utilizada como peça para reparar outros ossos.

Por fim, a última parte das vértebras: o cóccix. Ele é o único vestígio que nos resta de uma cauda. E pode nos causar muitas dores quando caímos e batemos essa parte ao final da coluna. Mas ele pode ser retirado sem maiores sequelas.

Touca de silício ajuda pacientes contra efeitos colaterais da quimioterapia

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A quimioterapia pode ser um tratamento efetivo contra um câncer, mas ela é igualmente ofensiva ao corpo humano — e a perda de cabelo, apesar de não ser o pior dos efeitos colaterais, é um dos que mais pode incomodar os pacientes. Agora, um acessório bastante simples e que já está em uso pode ao menos reduzir isso.

A Dignicap é uma touca feita com base em silício (e com neoprene no exterior) que, acompanhada de um equipamento eletrônico, impede ou reduz a perda de cabelo durante a quimioterapia. O procedimento é simples: a partir da unidade de controle, ela resfria a cabeça do paciente e, com essa redução na temperatura, estreita os vasos sanguíneos da região que é ligada aos cabelos. Desse modo, as toxinas do procedimento, que são as causadoras da queda, não são capazes de chegar até lá.

Alguns países da Europa já usam o acessório no tratamento há cerca de dez anos, mas só agora ele foi aprovado pelo órgão regulador dos Estados Unidos — e, por enquanto, apenas para pacientes com câncer de mama.

Além disso, até agora, 69% dos voluntários que usaram a touca aprovaram os resultados, embora às vezes somente metade da cabeleira seja mantida. Ainda assim, caso o experimento seja bem sucedido, é provável que mais tipos da doença sejam adicionados à lista de permissões.

FONTE(S)

  • PSFK/LEO LUTERO

Pesquisadores estabelecem a primeira teoria matemática do humor

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É possível matematizar algo tão complexo e pessoal quanto o humor? Pesquisadores da Universidade de Alberta, no Canadá, conseguiram. Seus resultados foram publicados no Journal of Memory and Language.

De acordo com o professor de psicologia Chris Westbury, principal autor do estudo, essa é a primeira pesquisa a criar uma teoria quantificável do humor.

A ideia nasceu de uma pesquisa anterior na qual participantes foram convidados a avaliar sequências de letras e determinar se elas eram palavras reais ou não. Westbury começou a notar uma tendência: os participantes riam quando ouviam palavras inventadas, como “snunkoople”.

Isso levantou a dúvida: como uma palavra pode ser inerentemente engraçada?

O efeito snunkoople

Westbury surgiu com a hipótese de que a resposta estava na entropia – uma medida matemática que pode indicar quão ordenada ou previsível uma palavra é.

Combinações de letras incomuns, como “finglam”, são mais baixas em entropia do que outras palavras inventadas, como “clester”, que têm combinações mais prováveis.

Essencialmente se resume à probabilidade das letras individuais. Portanto, se você olhar para uma palavra como ‘yuzz-a-ma-tuzz’ e calcular sua entropia, vai descobrir que é uma palavra de baixa entropia porque tem letras improváveis, como Z”, explica Westbury.

Inspirado pelas reações a snunkoople, Westbury decidiu determinar se era possível prever que palavras as pessoas achariam mais engraçadas, utilizando a entropia como referência.

As descobertas

Na primeira parte do estudo, os participantes foram solicitados a comparar duas palavras inventadas e selecionar a opção que consideravam mais bem-humorada. Na segunda parte, viram uma única palavra que não existia e a classificaram em uma escala de 1 a 100, com 100 sendo muito engraçada.

Os resultados mostram que, quanto maior a diferença de entropia entre as duas palavras, mais provável os participantes eram de escolher a com menor entropia”, afirmou Westbury.

Os participantes escolheram a palavra esperada pelo pesquisador 92% das vezes. “Ser capaz de prever com esse nível de precisão é incrível. Quase nunca em psicologia você prevê o que alguém vai escolher 92% do tempo”, conclui.

O humor é uma mensagem

Esta resposta quase universal diz muito sobre a natureza do humor e seu papel na evolução humana.

Westbury refere-se a um conhecido estudo de linguística feito em 1929 por Wolfgang Köhler, no qual os participantes viram duas formas geométricas, uma espetada e uma arredondada, e foram convidados a identificar qual era um “baluba” e qual era um “takete”, palavras inventadas. Quase todos os entrevistados intuíram que takete era o objeto pontiagudo, o que sugere um mapeamento comum entre os sons da fala e a forma visual de objetos.

As razões para isto podem ser evolutivas. “Nós pensávamos que o humor era pessoal, mas os psicólogos evolucionistas têm indicado que o humor é um dispositivo de envio de mensagem. Se você ri, você deixa alguém saber que algo não é perigoso”, argumenta Westbury.

Violação de expectativa

A ideia de entropia como um preditor de humor alinha com uma teoria do século 19 do filósofo alemão Arthur Schopenhauer, que propôs que o humor é o resultado de uma violação de expectativa, ao contrário de uma teoria anterior de que o humor era baseado simplesmente na improbabilidade.

Quando se trata de humor, as expectativas podem ser violadas de diversas maneiras. No caso de palavras inventadas, as expectativas são fonológicas (nós esperamos que sejam pronunciadas de uma certa maneira), enquanto que em trocadilhos, por exemplo, as expectativas são semânticas – os trocadilhos violam nossa expectativa de que uma palavra tem um certo significado.

 

Estudantes do DF lançam aplicativo que mapeia pés de frutas públicos

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Um grupo de estudantes de Brasília criou um aplicativo que permite mapear pomares em lugares públicos. Desde o lançamento, no fim de novembro, o Fruit Map foi baixado 420 vezes. Por enquanto, o app está disponível apenas para aparelhos com sistema IOS e pode ser instalado gratuitamente.

Nosso principal objetivo é reaproximar as pessoas da natureza nas grandes cidades. Se há um pé de manga do seu lado, sem agrotóxico, por que comprar no supermercado?”, diz o idealizador do projeto, Vinícius Magalhães.

A plataforma permite que as pessoas sinalizem onde há frutas, se a propriedade é pública ou privada e se o acesso é fácil, médio ou difícil. “É um aplicativo colaborativo, ou seja, precisamos da participação das pessoas para funcionar”, afirma Magalhães.

Aos 20 anos, o estudante de ciências ambientais  diz que o local com mais “pinos” sinalizando os pomares pelo Fruit Map é o Plano Piloto, em Brasília. Ele afirma que há pessoas em São Paulo, Belo Horizonte e Campina Grande que já utilizam o aplicativo.

O “catálogo” tem mais de 50 frutas até o momento. “As frutas que mais aparecem no mapa são manga e jaca. Tem surgido pessoas perguntando por pés de amora”, conta o estudante. De acordo com o Fruit Map, moradores de Brasília podem encontrar pés de amora na 110 Sul e na 204 Sul.

Eu sempre tive o hábito de colher frutas pela UnB, já conheci todos os pomares da universidade”, afirma Magalhães. O jovem conta que a ideia surgiu a partir da vontade dele e do amigo Adarley Grando, estudante de ciência da computação, de 22 anos, de mapear os pés de fruta disponíveis em áreas públicas. Ele descobriu que não havia nada que mostrasse de forma sistemática as frutas da capital.

Após conversas entre eles, a conclusão foi de “que um aplicativo poderia ser uma forma interativa de fazer esse mapeamento”. Em seguida, a dupla convidou o último integrante do grupo para ajudar na programação: o estudante de Tecnologia da Informação, Fábio Rezende.

A programação do aplicativo ficou sob a responsabilidade de Grando e Rezende. Magalhães se ocupou do design e da divulgação. Eles afirma que pretendem expandir o catálogo de frutas para 104 e apresentar uma ferramenta de sazonalidade de cada item. Outra intenção deles é disponibilizar o app para sistema Android.

Como funciona a ArcaBoard, uma hoverboard que flutua em qualquer superfície

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Agora sim, 2015 já pode terminar. O ano marca os 30 anos do filme De Volta para o Futuro, em que Marty McFly dava voltas em uma hoverboard. Em 2015 tivemos várias delas, como a Slide, da Lexus, e a nova geração da Hendo Hoverboard, que já havia aparecido no Kickstarter anteriormente. O problema é que nenhuma delas realmente pairava sobre qualquer superfície, como o skate flutuante do filme. Com a ArcaBoard, esse paradigma começa a mudar.

No vídeo de demonstração, a ArcaBoard aparece levitando por cima das superfícies mais comuns (como o asfalto, por exemplo) sem nenhum problema. Seria até difícil de acreditar se todos os detalhes de seu funcionamento não estivessem minimamente explicados e ela não fosse fabricada pela empresa romena ARCA (Associação Romena de Aeronáutica e Astronáutica).

A companhia, também conhecida como Arca Space, já participou de eventos como o Google X Lunar Prize e obteve autorização do governo da Romênia e da Associação Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) para trabalhar com foguetes estratosféricos e balões. Ainda com suas ambições no espaço (só que agora metaforicamente), a Arca resolveu lançar comercialmente uma hoverboard que funciona em qualquer superfície.

Não se engane: o funcionamento da ArcaBoard não é nada parecido com o da hoverboard da Lexus, por exemplo. Enquanto a Slide funciona por levitação magnética (e precisa de uma trilha de ímãs embaixo para levitar), a ArcaBoard tem 36 ventoinhas elétricas de alta potência, gerando mais de 272 cavalos e 195 quilos de impulso.

Assim, combinada com uma série de baterias de polímero de lítio (LiPo), ela consegue ficar no ar por apenas seis minutos. Depois disso, você precisará plugá-la na tomada por seis horas (!) para completar uma carga. A não ser, é claro, que você compre o ArcaDock, um acessório de US$ 4,5 mil para carregá-la em 35 minutos.

Como você pode ver na imagem acima, a ArcaBoard tem alguns equipamentos para garantir uma boa flutuação. Há sensores de proximidade e um sistema de estabilização, que não deixa você cair da sua caríssima hoverboard. Com tudo isso dentro, podemos concordar que a beleza não é exatamente o forte da ArcaBoard.

Um problema de usar esses equipamentos (relativamente) grandes é que a ArcaBoard fica bem maior do que a hoverboard da Lexus, por exemplo. Ela mede 145×76 cm, tem 15 cm (!) de espessura e pesa 82 kg (!!). Certamente não deve ser fácil carregá-la por aí, além da movimentação parecer ter sido um tanto quanto difícil, como visto neste vídeo de demonstração:

Bom, pelo menos ela pode flutuar sobre praticamente qualquer superfície, incluindo terra, água, neve e até gelo, a uma velocidade de até 20 km/h. Na demonstração acima, é possível vê-la deslizando pelo asfalto a uma velocidade muito baixa e, muitas vezes, ela só flutua e pouco se movimenta. Mas, ei, funciona. É isso que importa, né?

Por ser tão difícil assim de controlar, você pode descer da ArcaBoard, sacar seu smartphone e movimentar o dispositivo, uma vez que o equipamento tem aplicativo para Android e iOS. A conexão é feita via Bluetooth e o app pode ativar o sistema de estabilização e até controlar a navegação por gestos com a mão.

De qualquer forma, ainda não é hora de sair pela rua e ver alguém ir flutuando com uma hoverboard para o trabalho. O tamanho e o peso da ArcaBoard limitam muito sua mobilidade, sem falar do preço. Eu já mencionei que ela custa quase US$ 20 mil? Vinte. Mil. Dólares. O dobro do preço da Hendo Hoverboard.

Você já pode comprar a ArcaBoard, disponível nas cores bege, azul e verde, se tiver muito dinheiro sobrando. No entanto, ela só deve chegar em abril de 2016.

Vídeo

Com informações: Gizmag, The Next Web, The Verge.

Estudante cria 5 mil abelhas em apartamento de 42 m² no centro de São Paulo

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Bacharelando em gestão ambiental, Celso Barbieri Jr, que criou rede de túneis feita com canos de PVC para abelhas entrarem e saírem, se tornou referência na criação e proteção desses insetos em cidades.

Um estudante está fazendo um experimento inusitado no centro de São Paulo: criar 5 mil abelhas na sala de seu apartamento de 42 m².

Para tornar isso possível, Celso Barbieri Jr., de 24 anos, teve de contornar alguns problemas.

O apartamento não tem sacada e ele precisa manter a janela da sala fechada para que sua gata não fuja. A solução foi montar as colmeias em duas caixas de madeira que ele mantém em uma prateleira sobre a janela.

Também criou um sistema de “túneis” feitos com canos de PVC – para as abelhas saírem para se alimentar -, que tem até uma entrada de madeira para simular uma árvore.

Depois, o mais difícil foi pensar em um toldo na ponta de um dos canos para evitar que as abelhas morressem atraídas pelas luzes noturnas e fossem parar nas casas dos vizinhos.

“Queria ver se no centro da cidade, num lugar superárido, cercado por cimento de todo lado, daria para criar abelhas”, diz.

Deu certo. Além das sensíveis abelhas mandaçaias, ele cuida das pequenas jataís, ambas espécies nativas brasileiras de abelha sem ferrão.

“Abro as caixas uma vez por semana ou a cada quinze dias para ver se estão botando ovos novos e se não houve invasão de mosca”, conta. Se alguma abelha escapa, ele coloca de volta com a mão ou deixa que voltem à colmeia pelo cano.

A namorada Paula, com quem divide o apartamento, achou esquisito no início, mas passou a apoiar e gostar das abelhas. Os vizinhos de prédio também. Segundo Celso, as abelhas só vão onde há luz do sol e não os incomoda.

As jataís produzem um litro de mel por ano e as mandaçaias, cinco litros. Também fazem própolis, mas, em condições ideais, a produção seria bem maior. Celso não consome, pois está focado em observar o experimento.

Como tem menos de 50 enxames, ele precisou apenas fazer um cadastro técnico no Ibama e informar o objetivo da sua criação, sem precisar avisar a prefeitura ou outro órgão.

Alimentação
Na maior parte do ano não é preciso se preocupar em reforçar a alimentação das abelhas. Há flores suficientes na redondeza e ele fez uma hortinha vertical com hortelã, flores e pimenta perto das colmeias para elas coletarem pólen.

No inverno, coloca uma mistura de água com açúcar dentro da caixa para compensar a falta de flores.

Com as jataís, praticamente aposentou o guarda-chuva, pois o comportamento da abelhas seria um “ótimo serviço de previsão do tempo”. “Quando o céu está fechado e as jataís voltam para a colmeia, sei que vai chover em uns 20 minutos, então nem saio de casa”.

Celso é provavelmente a primeira pessoa a fazer tanto esforço para ter abelhas em apartamento em São Paulo, mas não é o único a querer criá-las em casa.

A fila de espera para ser guardião do grupo SOS Abelhas Sem Ferrão tem cerca de 60 pessoas – e já incluiu nomes como o chef Alex Atala, que recebeu um enxame para sua casa.

O jovem, que se forma neste ano, passou a ser um dos quatro administradores do grupo dois meses após participar de um evento que viu no Facebook. Hoje, gasta pelo menos quatro horas do dia pesquisando ou fazendo ativismo e pretende estudar o assunto em seu mestrado.

Uma das atividades do grupo é justamente resgatar abelhas sem ferrão em situação de risco em áreas urbanas e distribuí-las para interessados em cuidar delas. Não é necessário fazer curso para criá-las, mas eles dão dicas pela internet.

“Elas são inofensivas – as mais defensivas no máximo vão enrolar no seu cabelo ou tentar entrar no ouvido – e estão sumindo por causa do uso indiscriminado de agrotóxicos. São tão vulneráveis e a gente precisa delas, não tem como não se afeiçoar”, afirma.

Polinização
A diversidade das abelhas é o que garante a polinização de diversas plantas e culturas agrícolas e melhora a qualidade de frutos de várias delas. Estudo realizado pela Universidade de São Paulo publicado no Journal of Economic Entomology em junho deste ano mostrou que o trabalho dos polinizadores – 90% deles são abelhas – foi responsável por US$ 12 bilhões do faturamento total de US$ 45 milhões de 40 culturas no Brasil em 2013. Entre elas estão café, soja, tomate, cacau e laranja.

“Cerca de 75% da alimentação humana depende direta ou indiretamente de plantas polinizadas ou beneficiadas pela polinização animal”, afirmou a professora Vera Lucia Imperatriz Fonseca, uma das autoras do estudo, em entrevista à revista Fapesp.

Nas cidades, explica Tereza Cristina Giannini, autora que coordenou a pesquisa, a importância das abelhas é de polinizar árvores e flores de parques e áreas verdes. Algumas árvores brasileiras só são polinizadas por abelhas nativas, por exemplo.

Preocupado com a diminuição das populações de abelhas no planeta, o empresário Alexandre Avari, de 38 anos, está há um ano na fila de espera do SOS Abelhas Sem Ferrão. Ele já cuidava de um ninho no muro de sua casa e entrou em contato com o grupo para saber como salvar três enxames do muro da casa de um amigo que ia fazer uma reforma.

Recebeu as instruções, fez o resgate sozinho e agora as abelhas do amigo estão preservadas e cercadas de flores. Mas Alexandre tem espaço para pelo menos mais duas colmeias em sua casa. “Elas estão aqui desde antes da gente, nós que somos intrusos, é uma questão de educação, se a abelha escolheu aquele lugar, quem sou eu para tirar”, diz o empreendedor do ramo de inovações em tecnologia.

Educação Ambiental
Apesar de terem realizado mais de 50 resgates em menos de dois anos de existência, a principal atividade do SOS Abelhas Sem Ferrão é a educação ambiental. São pelo menos duas palestras por mês em escolas, subprefeituras, entre outros. “Quando você não conhece, não enxerga. Eu não sabia, por exemplo, que morria tanta abelha na cidade em reforma, demolição, poda sem instrução, uso do fumacê, desconhecimento da população”, diz Celso.

As ações, tanto presenciais, como campanhas na internet, são direcionadas para combater o desconhecimento. “Nem todos que vão ouvir as palestras vão querer criar abelhas, mas vão ser guardiões mesmo sem ter enxame em casa, vão conhecer e evitar que elas sejam atacadas”.

Além dos quatro administradores, o SOS Abelhas Sem Ferrão tem 13 conselheiros, entre técnicos agrícolas, pesquisadores, engenheiros florestais e policiais ambientais aposentados, e já tem unidades no Vale do Ribeira, em Guaxupé (MG), Uberlândia (MG) e Jeremoabo (BA).

Dificuldades na cidade
Mesmo com 13 resgates no currículo, o momento mais marcante da experiência de Celso foi, entretanto, um em que não conseguiu realizar no início de outubro. Ele recebeu uma ligação sobre uma árvore cortada por empresas terceirizadas de poda pela Prefeitura de São Paulo na região da avenida Brasil.

“Fui na hora em que me avisaram, mas não consegui salvar. Fico com a imagem das abelhas entrando no tronco da árvore e saindo, dando voltas sem achar seu ninho”, conta. “Com certeza elas morreram, pois as abelhas que voaram não tinham lugar para voltar e as larvas se afogam no próprio alimento quando deixam o tronco deitado, e depois mandam para o aterro sanitário”.

A Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, que realiza as podas, ao ser avisada do caso pela BBC Brasil, respondeu que “desconhece casos de colmeias que tenham sido removidas durante a execução de serviço de poda ou remoção de árvores, realizado por equipes das subprefeituras, que têm acompanhamento de técnicos.”

As abelhas sem ferrão são animais silvestres protegidos por lei e sua eliminação é crime ambiental, que deve ser denunciado à Polícia Ambiental, segundo a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente.

“Há uma boa vontade da organização da Prefeitura, principalmente da Secretaria do Verde e Ambiente, mas tem um problema com relação a empresas terceirizadas”, diz Celso. Já fizemos uma capacitação para uma dessas empresas, mas muitas vezes a gente oferece o treinamento e não tem resposta. O ideal é capacitar os engenheiros que fazem o laudo para a retirada das árvores”.

Estudantes recriam quadro de Van Gogh com 30 mil tampinhas

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Estudantes de uma escola em Taiwan recriaram o famoso quadro A Noite Estrelada, do pintor holandês Vincent Van Gogh (1853-1890), usando 30 mil tampinhas coloridas de garrafa.

Estudantes de uma escola em Taiwan recriaram o famoso quadro A Noite Estrelada, do pintor holandês Vincent Van Gogh (1853-A obra foi concluída em apenas 50 minutos pelas alunas da escola para meninas de Xiaoming, na cidade de Taichung, no centro-oeste do país. Elas formaram pequenos grupos para compor painés que em seguida foram acoplados uns aos outros, informou o site de notícias taiwanês ET Today .

A obra tem 20 metros de altura por 20 metros de comprimento.

O professor Wu Qingchuan disse que queria que as meninas aprendessem sobre reciclagem e trabalho em grupo.

Segundo ele, o exercício incentivou as estudantes mais introvertidas a falarem umas com as outras de modo a assegurar que os painéis pudessem ser acoplados corretamente.

As alunas começaram a coletar as tampinhas no verão, mas essa não foi uma tarefa fácil, segundo o professor.

“Não esperava que elas bebessem tão pouco”, disse Wu ao ET Today . “Elas pediram ajuda dos pais, dos amigos e até do resto da família.”

Em entrevista à emissora chinesa China Southeast TV , uma das alunas disse que ficou maravilhada com o resultado final do projeto.

“Para todo mundo que participou desse exercício, acho que o resultado ficou verdadeiramente magnífico”.

1890), usando 30 mil tampinhas coloridas de garrafa.

‘Imagine o meio do nada’, diz brasileiro, 1º a subir em montanha de 5.845 m nos Andes

Equipe de três alpinistas brasileiros enfrentou temperatura de até -31ºC em expedição que durou dois meses por 12 montanhas.

Três alpinistas brasileiros conquistaram uma montanha de 5.845 m de altitude na província de La Rioja, na Argentina, que até então era a mais alta dos Andes que ainda não havia sido escalada.

O projeto durou dois meses e a expedição escalou 12 montanhas, incluindo quatro ainda “virgens”, e enfrentou temperaturas que chegaram a -31ºC.

O grupo foi integrado por Maximo Kausch, atualmente o alpinista que mais escalou montanhas acima dos 6.000 m nos Andes; o geógrafo paulista Pedro Hauck e o mecânico de veículos Jovani Blume de Roca Sales (RS), além da cientista inglesa Suzie Imber.

“Imagine o meio do nada! Agora imagine você chegar lá, ficar semanas percorrendo o nada e ainda escalar montanhas! Épico”, disse Kausch sobre a expedição.

‘Pelo bem da ciência’, voluntários são pagos para ficarem dois meses na cama

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Cientistas simulam vida no espaço em laboratório e contratam voluntários par permanecerem deitados ali por 60 dias para avaliarem efeitos de missões de longa duração na saúde de astronautas.

Já imaginou ser pago para ficar dois meses deitado na cama? Um estudo feito para investigar o que acontece com o corpo e a saúde dos astronautas que passam muito tempo no espaço busca voluntários exatamente para esse “trabalho”.

No estudo, coordenado pelo laboratório Envihab, na Alemanha, cientistas observam as mudanças no corpo de voluntários que passam dois meses deitados, como o desgaste dos seus músculos e ossos e mudanças no funcionamento de seus órgãos.

A ideia é entender o que pode acontecer com astronautas quando eles passam muito tempo longe da Terra.

Envihab parece um prédio do futuro. Um daqueles onde tudo parece perfeito e brilhante pelo lado de fora, mas que carrega um ar sinistro do lado de dentro.

O edifício lembra uma construção feita com Lego, mas a maior parte dele, na verdade, está abaixo da superfície.

O cientista nutricional Petra, nosso guia pelo prédio, nos levou pela entrada do túnel, sem nenhuma janela e com um brilho verde assustador.

Dentro do prédio, toda parede, piso ou teto são brancos e lisos, não há nenhuma janela, nem plantas ou quadros – e também não há maçanetas nas portas.

A sensação é de estar entrando em outro mundo – e é desorientadora. Mas essa experiência estranha de ser jogado em uma estação espacial ou em um “mundo alienígena” é proposital. O Envihab foi desenhado assim para que médicos, cientistas e engenheiros pudessem pesquisar os efeitos de viagens espaciais – o isolamento, o impacto físico e psicológico, etc.

Vivendo no espaço
Com um cartão, Petra libera um novo conjunto escondido de portas. Elas balançam apenas com o zumbido leve e nós entramos em uma sala que parece um quarto de hospital. É uma enfermaria, com equipamento médico em um longo e claro corredor, sem nenhuma janela e cheio de camas.

Esses quartos, porém, não são para pacientes doentes. Eles são ocupados por 12 voluntários perfeitamente saudáveis que são pagos para ficarem deitados nessas camas por dois meses “pelo bem da Ciência”. Conhecido como estudo do “descanso na cama”, esse experimento é feito para simular os efeitos de longo prazo da vida fora da gravidade.

Viver no espaço por mais do que alguns dias é um problema sério para a saúde. Os músculos e ossos sofrem desgaste, e os fluidos corporais formam uma “piscina” na cabeça, dando aos astronautas aqueles rostos inchados e uma sensação constante de gripe – até o sistema imunológico e a visão são afetados.

O astronauta americano Scott Kelly e o cosmonauta russo Mikhail Kornienko estão na Estação Espacial Internacional por nove meses para investigar os desafios de missões de longa duração. Uma de ida e volta para Marte, por exemplo, levaria pelo menos 18 meses.

O objetivo do experimento “descanso na cama” no laboratório Envihab é reproduzir uma experiência parecida àquela que se tem quando se está em órbita. Mas ficar deitado em uma cama 24 horas por dia por dois meses inteiros não é algo tão fácil ou prazeroso quanto se pode pensar.

Para começar, não há nenhuma cama luxuosa com travesseiros super confortáveis. Os voluntários precisam ficar em camas de hospitais inclinadas para que suas cabeças fiquem mais próximas ao chão. Há câmeras monitorando todos eles para o caso de tentarem se levantar ou sentar.

Christian está há 40 dias no experimento. Ele pode assistir à televisão, tem um celular, um laptop e a internet disponíveis para quando precisar – e diz que até consegue ver o sol por uma frestinha no vidro fosco.

‘Férias da rotina’
Fora dali, no mundo real, ele é um consultor de TI freelancer e descreve sua experiência como umas “férias da rotina”. Christian diz que ele aceitou participar do estudo porque ele gosta de ciência e está animado com a possibilidade de voos espaciais de longa duração tripulados. Eu também gosto dessa ideia, mas não consigo nem imaginar ficar mais do que algumas horas preso nesta cama dentro deste quarto subterrâneo climatizado.

Os voluntários precisam fazer tudo deitados – ir ao banheiro, por exemplo, envolve bacias e frascos e eles têm que tomar banho na horizontal, em uma cama especial à prova d’água. Christian ainda descreve a comida como “muito saudável”.

Na Estação Espacial Internacional, os astronautas precisam passar pelo menos uma hora e meia se exercitando todos os dias para manter a músculos e ossos em atividade. No experimento, Christian também precisa fazer exercícios, pulando e saltando – tudo isso sem se levantar, usando uma cama especial para exercícios físicos.

Os resultados do estudo não serão utilizados somente para ajudar astronautas no futuro. Eles também deverão facilitar a vida de pacientes que passam muito tempo em camas de hospital. Além disso, pesquisas espaciais sobre o desgaste de músculos e ossos já estão beneficiando pessoas que sofrem de osteoporose.

Perguntado sobre o que quer fazer assim que for liberado do estudo, Christian diz: “Respirar fundo várias vezes”. Que é exatamente o mesmo que faço quando saio dali e volto a ter contato com o ar fresco do mundo de fora daquele prédio.

Bebezinha nasce “grávida” e passa por cirurgia para retirada de gêmeos

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Eis uma história extraordinária que não ouvimos todos os dias: uma bebezinha de apenas três semanas teve que passar por uma cirurgia para remover dois pequenos fetos que se encontravam em seu ventre. Isso mesmo, caro leitor, de acordo com Amy Graff, do portal SFGate, uma bebê nasceu “grávida” de gêmeos em um hospital de Hong Kong, e o caso surpreendeu médicos de todo o mundo.

Segundo Amy, a menina nasceu com uma condição extremamente rara conhecida como fetus in fetu que ocorre em 1 a cada 500 mil nascimentos — e dos quais existem apenas 200 casos registrados na literatura médica. No caso desta bebezinha, os médicos acreditavam que ela havia nascido com tumores, mas, durante os exames, descobriram que se tratava de dois fetos alojados em seu abdome.

Gêmeos

Os “gêmeos” contavam com períodos gestacionais entre 8 e 10 semanas, mediam 35 e 37 milímetros e pesavam 14,2 gramas e 9,3 gramas cada um. Além disso, os dois tinham cordões umbilicais, perninhas, braços, costelas, espinha e intestinos. Conforme explicaram os médicos que atenderam a garotinha, é praticamente impossível detectar essa condição durante o pré-natal, e quase sempre o problema só é identificado logo após a criança vir ao mundo.

Em 2006, por exemplo, ocorreu um caso semelhante no Paquistão, no qual uma equipe de cirurgiões removeu gêmeos do abdome de uma menina de 2 meses. Algum tempo depois, em 2009, uma garotinha chinesa de um ano idade também passou por uma cirurgia — que neste caso durou 10 horas — para a retirada de um feto.

Contudo, também pode acontecer de a condição ser descoberta muito tempo depois, como foi o caso de um paciente egípcio que, aos 18 anos de idade, teve um feto removido de seu abdome ou, ainda, o de outro na Indonésia que aos 41 anos descobriu que havia nascido com a condição.

Bebês “grávidos”

Embora quem nasça com essa condição apresente fetos alojados no abdome, essas pessoas evidentemente não “engravidaram” enquanto estavam no ventre de suas mães. Na verdade, se trata de um caso de gêmeos parasitas, ou seja, de fetos inviáveis que são absorvidos pelo corpo do bebê cujo desenvolvimento prosseguiu normalmente durante a gestação.

Portanto, basicamente, o que provavelmente aconteceu é que a mãe da garotinha chinesa estava grávida de trigêmeos, mas dois dos fetos não evoluíram e acabaram sendo englobados pelo corpo da bebezinha.