Novo tratamento contra câncer nos EUA dá esperança a pacientes terminais de leucemia

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Modificação genética de glóbulo branco teria feito 90% de doentes terminais que participaram de testes entrarem em remissão; especialistas, porém, querem análise independente de resultados.

Testes de um novo tratamento genético contra o câncer, que teoricamente “treina” o sistema imunológico do organismo a combater o tumor, apresentaram resultados extremamente animadores: 90% dos pacientes em estado terminal entraram em remissão após a terapia, de acordo com cientistas nos Estados Unidos.

Os resultados foram anunciados na segunda-feira (16), durante o encontro anual da Associação Americana para o Progresso da Ciência, em Washington.

O novo tratamento consiste na modificação genética de glóbulos brancos de pacientes com leucemia. As células modificadas para combater o câncer depois são reimplantadas em seus organismos.

No entanto, os dados dos testes ainda não foram publicados ou analisados de forma independente. E acredita-se que dois pacientes tenham morrido em decorrência de uma resposta imunológica extrema de seus organismos.

Para especialistas, os resultados são animadores, mas por enquanto apenas um pequeno passo em direção a uma cura para o câncer.

Cautela
O cientista à frente do novo tratamento, Stanley Riddell, do Centro Fred Hutchinson de Pesquisas sobre o Câncer, em Seattle, disse que todos os outros tratamentos disponíveis tinham fracassado nos pacientes terminais e que eles tinham sobrevidas estimadas em dois a cinco meses.

“Os preliminares (do estudo) são sem precedentes”, disse Riddell à BBC.

A nova proposta de terapia envolveu a retirada de células do sistema imunológico de dezenas de pacientes. Conhecidas como t-cells, elas têm a função normal de destruir tecido infectado. Os cientistas modificaram geneticamente as células para que elas passassem a atacar células “doentes”.

“Os pacientes estavam realmente no fim da linha em termos de opção de tratamento, mas uma simples dose dessa terapia pôs mais de 90% desses pacientes em remissão completa – não conseguíamos mais detectar (neles) as células com leucemia”, disse Ridell à BBC.

No entanto, sete pacientes desenvolveram síndrome de liberação de citocinas – uma reposta exagerada do sistema imunológico – e precisaram de terapia intensiva. Dois morreram.

Se essas taxas podem ser aceitáveis para pacientes em estado terminal, os efeitos colaterais da nova terapia – por exemplo, a síndrome de liberação de citocinas – mostram-se bem mais fortes que o de tratamentos convencionais, como a quimioterapia e radioterapia, que funcionam na maioria dos pacientes.

Especialistas alertam também para a diferença entre doenças como a leucemia e tipos de câncer com tumores “sólidos”, como o de mama.

“Este tratamento mostrou resultados promissores no tratamento desse tipo de câncer de sangue. Na maioria dos casos, o tratamento convencional é bastante efetivo, então essa nova terapia seria para os casos raros de pacientes em que o tratamento não funcionou”, disse Alan Worlsey, pesquisador do centro britânico Cancer Research UK.

“O grande desafio agora é descobrir como fazemos esse tratamento funcionar para outros tipo de câncer”.

Os cientistas já sabem como “apagar” memórias dolorosas

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Apagar ou alterar memórias é algo que soa definitivamente saído de ficção científica. De fato, filmes como “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” e “O Vingador do Futuro” há muito têm brincado com essa ideia.

Mas, graças a avanços na tecnologia de digitalização neurológica ao longo das últimas décadas, estamos agora mais perto do que as pessoas imaginam de tornar tal “absurdo” uma realidade.

As lembranças não são permanentes

Todos nós temos memórias ruins que são difíceis de esquecer. Elas podem continuar a nos assombrar, levando a condições como ansiedade, fobias ou distúrbios de estresse pós-traumático.

Essas lembranças podem até parecer irreversíveis, mas não são. Os cientistas têm descoberto que nossas memórias não são tão permanentes quanto pensávamos.

  • Esqueça seus problemas: pílula pode apagar memórias ruins

Na verdade, eles já conseguiram excluir, alterar e até mesmo implantar falsas memórias não apenas em animais, mas em seres humanos. E drogas que reprogramam nosso cérebro para esquecer coisas ruins já estão no horizonte.

Como excluir uma memória?

Para entender isso, é preciso compreender primeiro como as memórias se formam e são mantidas vivas em nossos cérebros.

No passado, os cientistas pensavam que as memórias eram armazenadas em um local específico, como um arquivo neurológico. Hoje, eles já perceberam que cada memória que temos é “trancada” em conexões por todo o cérebro.

  • Cientistas desenvolvem técnica para apagar a memória de humanos

Uma memória é formada quando as proteínas estimulam nossas células cerebrais a crescer e formar novas conexões, literalmente religando circuitos em nossas mentes.

Quando isso acontece, a memória é armazenada em sua mente e fica lá. Ocasionalmente, nós refletimos sobre ela ou a revisitamos.

Visitar uma memória é amolecê-la

O que muitas pessoas não percebem é que essas memórias não são estáveis. Na verdade, cada vez que revisitamos uma, ela se torna maleável de novo, e pode ficar mais forte e mais viva do que antes.

  • No futuro, você poderá apagar suas memórias ruins

Este processo é conhecido como reconsolidação, e explica por que nossas memórias às vezes mudam um pouco ao longo do tempo – por exemplo, se você caiu de sua moto, cada vez que você se lembra do assunto e fica chateado, você está reforçando as conexões entre a memória e emoções como medo e tristeza. Eventualmente, apenas o pensamento de uma moto pode ser suficiente para torná-lo aterrorizado.

Alternativamente, a maioria de nós já teve a experiência de uma memória traumática se tornar motivo de riso anos mais tarde.

O processo de reconsolidação é muito importante justamente porque é o ponto no qual os cientistas podem intervir nas nossas memórias.

Na prática

Vários estudos têm mostrado que bloquear uma substância química chamada norepinefrina – que está envolvida na resposta de luta ou fuga do nosso organismo e é responsável por desencadear sintomas como suor nas mãos e coração acelerado -, os pesquisadores podem “amortecer” memórias traumáticas, impedindo-as de ser associadas com emoções negativas.

  • Cientistas descobrem formas de apagar memórias ruins

Por exemplo, no final do ano passado, pesquisadores da Holanda conseguiram tirar o medo de aranhas de pessoas com fobia, usando um medicamento chamado propanolol para bloquear a norepinefrina.

Dois de três grupos viram uma tarântula em um frasco de vidro para acionar suas memórias de medo de aranhas, e receberam em seguida propranolol ou placebo. O terceiro grupo simplesmente recebeu propranolol. Ao longo dos próximos meses, os grupos que receberam placebo ou propranolol sem ser expostos a uma aranha não mostraram nenhuma mudança em seus níveis de medo, enquanto o grupo queacionou a memória e recebeu a droga foi capaz de tocar a tarântula dentro de dias. Em três meses, o temor tinha desaparecido.

A mesma droga também foi testada em 2007 em vítimas de um trauma. Os participantes receberam ou propranolol ou um placebo diariamente durante 10 dias, e foram convidados a descrever as suas memórias do evento traumático. Aqueles que receberam a droga não esqueceram a experiência, mas uma semana depois foram capazes de contá-la com muito menos estresse.

Nos ratos, uma técnica semelhante foi utilizada para fazer os animais “esquecerem” que um som particular era associado com um choque eléctrico, enquanto outras memórias ficaram intactas.

Questões éticas

Até agora, os pesquisadores não tentaram explicitamente excluir uma memória totalmente em seres humanos, devido às implicações éticas.

No entanto, a evidência sugere que isso é algo que seria possível, dada a combinação certa de medicamentos e exercícios de revisitação da lembrança. [ScienceAlert]

Novo teste identifica o câncer de próstata pelo cheiro da urina

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Inspirada pela capacidade dos cães de farejar tumores malignos, novo teste promete ajudar mais homens a detectar a enfermidade em estágios iniciais

Recentemente, pesquisadores anunciaram um novo teste para detectar o câncer de próstata pela urina urina. Agora, há um novo estudo que acredita ser possívelindicar a doença pelo cheiro do líquido – um método inspirado por ninguém menos que os melhores amigos do homem, os cães.

A descoberta aconteceu após uma pesquisa conduzida pela Universidade de Liverpool e Southmead Hospital evidenciar que a composição química dos resíduos corporais é afetada pelas células da próstata cancerosa.  A partir desse trabalho científico, os acadêmicos acharam uma novo forma, inspirada pela capacidade dos cachorros de farejar melanomas (um tipo de tumor maligno), de substituir o toque retal e o exame sanguíneo da dosagem de PSA pelo teste baseado no odor exalado pela urina.

Após a aquisição de amostras de urina, os pesquisadores desenvolveram algoritmos para analisar os padrões de compostos voláteis na urina. Utilizando o Odoreader, um sistema capaz de fazer a separação de compostos que podem ser vaporizados sem decomposição, eles foram capazes de detectar quais destes podem indicar câncer. O índice de precisão foi de 96%, segundo o estudo.

Os testes convencionais são invasivos e vistos como o principal motivo pelos quais os homens não visitam o médico para fazer o exame de próstata. Segundo pesquisa feita pelo Datafolha e encomendada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), 77% dos entrevistados concordam totalmente que os homens não fazem exame de toque retal por machismo ou preconceito. Mas isso deve ser questão de tempo, se depender dos pesquisadores do Reino Unido.

De acordo com Raj Persad, um dos líderes do estudo, professor, e urologista do Southmead Hospital, esse resultado poderia ajudar mais homens a descobrir a enfermidade ainda em seus estágios iniciais. “Se este teste for bem sucedido em um exame médico completo, vai revolucionar o diagnóstico da doença, já que, mesmo com biópsias detalhadas, existe um risco de falha na detecção do câncer da próstata em alguns casos”.

Incrível: pesquisadores usam impressora 3D para “fabricar” orelha humana

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Todos nós sabemos que a impressão 3D pode contribuir muito para a evolução da medicina. A prova mais recente disso é um projeto impressionante tocado por cientistas do Centro Médico Wake Forest Baptist, nos Estados Unidos. A equipe conseguiu com sucesso imprimir uma orelha humana com vasos sanguíneos e cartilagens. Essa é a primeira vez que um grupo de pesquisadores conseguem emular um órgão humano com tanta perfeição.

O time utilizou um polímero biodegradável que “sobrevive” ao lado das células da orelha até que esta esteja madura o suficiente até que ela se adapte ao corpo do paciente implantado. Além disso, os pesquisadores usaram uma biotinta à base de água para manter as células vivas difundindo oxigênio e nutrientes até elas – é o líquido rosado que você vê nas imagens do inicio.

Para provar que o órgão fabricado tem total capacidade de se integrar em um ser vivo, os cientistas implantaram a orelha em um rato de laboratório. Em dois meses, ela estava em perfeitas condições, com as cartilagens e vasos sanguíneos devidamente conectados ao organismo do animal. Isso significa que, no futuro, é bem provável que nós conseguiremos imprimir partes do nosso corpo se algo der errado com eles.

Cientistas preveem que células do sistema imunológico podem ser “remédio vivo” contra o câncer

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Células-T têm potencial de memória e poderiam destruir a doença antes de ela se manifestar

Cientistas da Universidade de Milão, na Itália, acreditam que raros glóbulos brancos do sistema imunológicos, conhecidos como células-T, poderiam ser programados para parar a formação de células cancerígenas por anos. As informações são do portal de notícias britânico The Independent.

A pesquisa é parte do desenvolvimento do campo de imunoterapias contra a doença — que desenvolve tumores a partir do sistema imunológico. Os pesquisadores acreditam que esse pode ser o futuro do combate à doença.

Apelidado de “droga viva”, o tratamento se basearia em monitorar as células do corpo a partir de células tumorais cancerosas, que poderiam ser destruídas.

A professora Chiara Bonini, uma das idealizadoras da pesquisa, explica o porquê da escolha das células-T.

— As células-T são um remédio vivo e têm potencial para ficar em nosso corpo por toda a vida. A memória é a principal característica positiva dessas células.

Estudos do Inca estimam que 12,6 mil novos casos de câncer infantil vão surgir no Brasil em um ano

Ou seja, na prática, as células-T — devido ao potencial de memória — “se lembrariam” do câncer, e estariam prontas para destruí-lo antes mesmo de ele se manifestar.

O processo para o desenvolvimento de uma “vacina” envolveria encontrar essas células T e modificá-las geneticamente, a fim de atacar as células cancerosas.

A equipe por trás dos resultados analisou dez pacientes com câncer que receberam transplantes de medula óssea — infundidos com células-T rastreáveis. Depois de 14 anos, os cientistas descobriram que um pequeno número de células ainda estava circulando nos fluxos sanguíneos dos pacientes.

A pesquisa foi apresentada na reunião anual da Aaas (sigla em inglês para Associação Americana para o Avanço da Ciência). O imunologista britânico professor Daniel Davis, da Universidade de Manchester, disse que essas células-T foram descobertas pela primeira vez em 2011, e têm sido estudadas desde então para possíveis criações de vacinas e tratamentos.

— A imunoterapia tem um grande potencial para revolucionar o tratamento do câncer, e esse estudo mostra que tipos de células-T podem ser manipuladas para aumentar a longevidade. O tratamento implicaria infusões dessas células geneticamente modificadas, que forneceriam uma resposta imune duradoura contra o câncer em uma pessoa.

Animais detectam várias doenças e ‘avisam’ os pacientes

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Pombos costumam ser vistos como sujos e incômodos, mas são os mais recentes numa lista longa de animais com habilidades que podem ser úteis à saúde do homem.

Embora tenham um cérebro menor do que a ponta do seu dedo indicador, pombos possuem uma memória visual impressionante.

Provou-se recentemente que esses pássaros podem ser treinados para ser tão precisos como humanos na detecção de câncer de mama por meio de imagens.

Conheça mais três amigos peludos ou emplumados que podem ter um impacto importante na medicina.

De ratos de laboratório a ratos especialistas

Ratos são frequentemente associados à difusão de doenças, mas esse roedor de cauda longa é um farejador sensível que pode salvar vidas.

O nariz de um roedor possui até 1.000 tipos diferentes de receptores olfativos, enquanto humanos possuem apenas de 100 a 200 desses receptores. Isso dá a roedores como ratos a habilidade de farejar aromas sutis.

Na África, ratos estão sendo usados para detectar casos de tuberculose.

As habilidades de ratos gigantes africanos são estudadas na Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo (Moçambique). Roedores treinados estão conseguindo detectar, em amostras humanas de muco, um cheiro específico produzido por bactérias da tuberculose.

Quando ratos identificam o cheiro, eles param e esfregam as pernas para indicar que uma amostra está infectada.

Tradicionalmente, técnicos de laboratório preparam lâminas e examinam cada amostra no microscópio. Analisar cem amostras levaria dois dias – tarefa que um rato cumpre em 20 minutos.

Esse método de detecção é acessível e não depende de equipamentos sofisticados, normalmente escassos em países com alta prevalência de tuberculose.

E é também mais preciso – os ratos são capazes de detectar mais infecções por tuberculose e, consequentemente, salvar mais vidas.

Dr. Cachorro

Os cachorros são tidos como o melhor amigo dos humanos – e ao longo dos anos provaram como podem ser habilidosos.

Recentemente, a atenção da medicina se voltou a cães que parecem ter a habilidade extraordinária de detectar quando pessoas com epilepsia estão prestes a ter uma convulsão – mesmo quando a própria pessoa não tem ideia disso.

Sally Burton começou a sofrer de epilepsia na infância, algo que afeta sua vida desde então.

“Eu nunca podia ficar sozinha”, conta ela. “Tive que estudar em casa, e fazer amigos e conhecer pessoas novas era difícil. Sentia-me muito só.”

Há 13 anos, ela ganhou Star, seu primeiro cão de alerta para convulsões.

“Ter um cachorro como esse instantaneamente tornou minha vida mais acessível”, diz Sally.

“Uma das primeiras coisas que fiz quando tinha Star foi preparar uma xícara de chá, algo que não tinha conseguido fazer em 30 anos, por causa dos riscos de ter uma convulsão ao segurar água fervente. Depois passei a ir sozinha até a cidade, também pela primeira vez.”

Não se sabe ao certo como cães podem detectar uma convulsão. Suspeita-se que mudanças mínimas nos gestos e na postura da pessoa possam alertá-los. Outra hipótese é algum tipo de indicador no olfato ou na audição.

Após a morte de Star, Sally ganhou um novo cachorro, Robbie. Como Star, ele foi treinado pela Support Dogs, uma organização de assistência social britânica.

A organização treina cães capazes de produzir sinais, como tocar permanentemente a perna de alguém, de 15 a 45 minutos antes que os donos tenham uma convulsão.

Embora haja pouca evidência científica sobre a eficácia desse método, as observações práticas de cães como Robbie mostram resultados.

“Quando estou na rua é reconfortante saber que Robbie me dará um aviso 100% confiável, cerca de 50 minutos antes de qualquer convulsão que venha a ter – o que me dá tempo para procurar um lugar seguro”, afirma.

Os segredos da baba da vaca

Seja qual for a denominação, saliva pode ser visto como algo nojento. Mas muitos animais lambem suas feridas, aplicando boas porções dessa substância para tentar evitar infecções.

A saliva no mundo animal pode ter propriedades antimicrobianas – e isso inclui a baba de vacas.

Estudos mostraram que há proteínas nos fluidos corporais das vacas, incluindo saliva e leite, que possuem características antiparasíticas.

A saliva também contém proteínas, chamadas mucinas, que podem atuar para evitar a entrada de mais bactérias em uma ferida.

Especialistas não recomendam deixar um animal lamber suas feridas, pois poderiam introduzir outras bactérias nesses locais, mas se você não gosta da ideia, o seu próprio cuspe, felizmente, também tem propriedades antibacterianas.

Anvisa aprova terceiro teste sorológico para diagnosticar zika

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Segundo fabricante, resultado sai em até 20 minutos.
Testes aprovados são de empresas do Canadá, Alemanha e Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou, nesta segunda-feira (15), a aprovação do terceiro teste sorológico para diagnosticar zika no país.

O teste aprovado é da empresa canadense Biocan Diagnostics que afirma que o produto dá o resultado em até 20 minutos. Ele é capaz de detectar dois tipos de anticorpos: IgG, que permite o diagnóstico mesmo depois que o vírus já foi eliminado do organismo, e IgM, que permite a detecção durante a fase aguda da infecção.

Outros dois produtos já tinham sido aprovados com esse fim em 3 de fevereiro: os testes da empresa alemã Euroimmun e o da empresa brasileira Quibasa Química Básica. Ambos usam a metodologia de imunofluorescência para detectar anticorpos contra os vírus da zika, da chikungunya e da dengue simultaneamente.

A Anvisa já tinha aprovado, também em 3 de fevereiro, um teste molecular desenvolvido pela Quibasa Química Básica que usa a metodologia de reação em cadeia da polimerase (PCR).

Em janeiro, o Ministério da Saúde anunciou que iniciaria, no fim de fevereiro, a distribuição das primeiras 50 mil unidades do Kit NAT Discriminatório para dengue, zika e chikungunya, capaz de dar o resultado em duas hora e desenvolvido pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) em conjunto com quatro unidades da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Por que algumas pessoas ficam carecas?

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A situação é conhecida por muitos: a quantidade de cabelos que fica na escova ou no pente começa a ficar maior do que a que está na cabeça e aí a pessoa começa a temer a calvície. Não há uma cura e talvez o mais injusto é que este é um sinal de envelhecimento que não atinge a todos.

Mas a ciência parece estar mais próxima de uma solução pois pela primeira vez foi detectado o mecanismo desencadeado pelo envelhecimento e que faz com que o cabelo fique mais fino e, com o passar do tempo, caia.

As pesquisas sugerem que as culpadas são as células-tronco dos folículos capilares. Quando estas células ficam danificadas devido ao envelhecimento, elas se transformam em pele.

Com o tempo cada vez mais células-tronco se transformam até que os folículos capilares se encolhem e desaparecem.

Ao contrário das células-tronco de outras partes do corpo, as do cabelo se regeneram em ciclos: uma fase de crescimento é seguida por uma latente, na qual deixam de produzir cabelo.

DNA e colágeno

A descoberta foi feita por Emi Nishimura e sua equipe na Faculdade de Medicina da Universidade de Tóquio, no Japão.

De acordo com o estudo o DNA danificado pela idade desencadeia a destruição da proteína colágeno 17A1 o que, por sua vez, gera a transformação das células em queratinócitos, células predominantes na pele.

Para chegar a estes resultados, publicados na revista especializada Science, os cientistas primeiro estudaram o comportamento do cabelo em ratos e depois em humanos de idades entre 22 e 70 anos.

Os pesquisadores descobriram que os folículos das pessoas com mais de 55 anos de idade eram menores e tinham menos colágeno 17A1.

“Assumimos que estes processos e mecanismo explicam a perda de cabelo em humanos pelo envelhecimento”, disse Nishimura.

A especialista acrescenta que o colágeno 17A1 pode ser usado para desenvolver tratamentos contra a calvície. Mas também afirmou que a transformação das células-tronco pode ser apenas um dos fatores que leva uma pessoa a ficar careca.

O estudo se concentrou na calvície que ocorre com o envelhecimento. Mas existem outras razões para a perda dos cabelos como infecções no couro cabeludo, traumas ou doenças autoimunes.

Comentando a pesquisa japonesa, o biólogo Maksim Plikus, da Universidade da Califórnia, afirmou na revista Science que os resultados do trabalho são “interessantes” pois mostram como estas células danificadas “mudam seu destino” ao invés de serem destruídas.

Cientistas chineses criam ‘sol artificial’ na Terra

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Grupo busca que a fusão nuclear seja uma fonte de energia viável.
Experimento durou 102 segundos e chegou a 50 milhões de graus celsius.

O experimento foi breve, não chegou nem a dois minutos, mas os 102 segundos que durou foram suficientes para transformar uma equipe de cientistas chineses nos autores do “Sol artificial” mais longo que já existiu na Terra.

Apesar de o “astro” criado ter sido efêmero, representou um grande avanço na longa corrida para tornar realidade um dos maiores desafios científicos do século XXI: imitar as estrelas e conseguir que a fusão nuclear seja uma fonte de energia viável.

O Instituto de Ciência Física da cidade chinesa de Hefei, no leste do país, realizou no dia 28 de janeiro esse experimento, embora a Academia de Ciências da China tenha demorado vários dias para divulgar a façanha através de um comunicado.

Utilizando o reator de fusão termonuclear EAST (sigla em inglês de Tokamak Superconductor Experimental Advanced), os pesquisadores elevaram a temperatura do hidrogênio para 50 milhões de graus celsius, triplicando a do núcleo do Sol.

Após esse aumento térmico, o hidrogênio passou de gás a plasma, o quarto estado da matéria (junto a sólido, líquido e gasoso), no qual as partículas se movimentam a tal velocidade e se chocam com tanta força que os elétrons se separam dos núcleos dos átomos formando um conjunto ionizado.

A novidade do experimento chinês, no entanto, não está nessa alta temperatura, mas no tempo que conseguiram mantê-la, já que em dezembro uma equipe do Instituto Max Planck da Alemanha conseguir atingir 80 milhões de graus em um teste similar.

Enquanto os cientistas alemães, e antes deles outros europeus, japoneses e americanos, consideraram um sucesso chegar ao pico térmico em uma fração de segundo, os chineses o fizeram durante por um minuto e 42 segundos.

Ao controlá-lo por tanto tempo demonstra uma evolução técnica que os aproxima do que a maioria dos especialistas veem ainda muito longe: a chegada de reatores nucleares de fusão capazes de imitar o processo que acontece no Sol de forma natural.

A fusão é uma reação química que consiste na união de dois átomos para formar um maior liberando uma enorme quantidade de energia no processo, mais inclusive que na fissão que se realiza nas usinas nucleares, onde se quebram átomos grandes em partículas menores.

Conseguir uma fusão nuclear estável e controlada é, por seu potencial como fonte de energia limpa e obtida de um recurso quase inesgotável, uma das grandes ambições da comunidade científica internacional.

Estados Unidos, União Europeia, China, Rússia, Japão, Índia e Coreia do Sul formaram uma aliança incomum para explorar a viabilidade da fusão de hidrogênio para a geração de energia no projeto ITER (Reator Internacional Termonuclear Experimental), que está sendo construído no sul da França.

O EAST chinês é uma espécie de versão em pequena escala do ITER e os dados de seu último experimento serão disponibilizados aos parceiros internacionais que participam desse projeto, segundo anunciou a Academia de Ciências da China.

O maior obstáculo da fusão para ser viável como fonte de energia, segundo os especialistas, consiste no confinamento do plasma durante um tempo suficientemente longo em um discreto volume e daí a importância da descoberta do Instituto de Ciência Física de Hefei, que chegou mais longe do que ninguém nesse aspecto.

A Academia de Ciências da China definiu seu resultado como um “marco” e reconheceu que, para consegui-lo, foi preciso superar muitos problemas físicos e de engenharia.

“Foi conseguido através de um aquecimento com um plasma confinado por uma supercondução magnética”, ou seja, o plasma foi retido dentro do reator graças a um sistema de potentes ímãs, explicou à Efe Li Ge, pesquisador do Instituto de Ciência Física de Hefei.

Mais que gerar energia, a ideia dos cientistas chineses era se concentrar no requisito prévio: prolongar o tempo durante o qual se pode trabalhar com o plasma a temperaturas extremas.

Seu próximo objetivo é chegar aos 100 milhões de graus e preservá-los durante 1.000 segundos (16 minutos e 40 segundos).

Antes de chegar a esse ponto, a Academia de Ciências da China adverte que “ainda há muitos desafios científicos e técnicos” e Li acredita que o reator termonuclear terá que ser “atualizado”.

Essas afirmações mostram que a corrida para reproduzir um Sol na Terra pode ser que demore anos, seguramente décadas, mas mostram que para os esforços de controlar a fusão nuclear dentro dos reatores já faltam 102 segundos a menos.

Pesquisador cria sistema que usa o sol para economizar água e energia

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Um irrigador automático que não usa eletricidade e ainda pode ser feito com materiais usados. Essa criação rústica e eficaz de um pesquisador da Embrapa poderá ajudar de pequenos produtores a jardineiros amadores a manter seus canteiros irrigados automaticamente pelo método de gotejamento.

Desenvolvido pelo físico Washington Luiz de Barros Melo, pesquisador da Embrapa Instrumentação (SP), o equipamento é baseado em um princípio simples da termodinâmica: o ar se expande quando aquecido. Melo se valeu dessa propriedade para utilizar o ar como uma bomba que pressiona a água para a irrigação.

Uma garrafa de material rígido pintada de preto é emborcada sobre outra garrafa que contém água. Quando o sol incide sobre a garrafa escura, o calor aquece o ar em seu interior que, ao se expandir, empurra a água do recipiente de baixo e a expulsa por uma mangueira fina para gotejar na plantação.

“Funciona tão bem que se você sombrear a garrafa, o gotejamento para, e, ao deixar o sol bater novamente, a água volta a gotejar”, afirma o pesquisador que apresenta sua invenção na 67ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), de 12 a 18 de julho na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), São Paulo.

Fazem parte do invento outros dois depósitos de água: uma garrafa rígida também emborcada que desempenha a função de caixa d’água para manter abastecida a garrafa do gotejamento, e um recipiente maior conectado à garrafa-caixa-d’água que armazena um volume maior de água que será usado por todo o sistema (veja esquema abaixo).

“Os tubos que interligam as garrafas podem ser de equipos de soro hospitalar, por exemplo, mas já utilizei até capas de fios elétricos, retirei os fios de cobre de dentro e funcionou também,” conta o pesquisador.
Ele explica que o maior desafio para quem for fazer o equipamento em casa é a vedação. Para o funcionamento do sistema é necessário que as três primeiras garrafas estejam fechadas hermeticamente. “Isso pode ser obtido com adesivos plásticos, do tipo Araldite, mas exige uma aplicação minuciosa”, ensina.

Também compõe o sistema um distribuidor que pode ser construído com garrafa pet e do qual saem as tubulações que farão a irrigação.

Econômico e ecológico

As vantagens do irrigador caseiro são várias, conforme enumera Melo. Trata-se de um sistema automático sem fotocélulas e que não demanda eletricidade, pois depende somente da luz solar, tornando sua operação extremamente econômica. Ele promove igualmente uma economia de água, pois utiliza o método de gotejamento para irrigar, o que evita o desperdício do recurso.

“Além disso, é possível construí-lo com objetos que seriam jogados no lixo, como garrafas e recipientes de plástico, metal ou vidro”, lembra o especialista.

A versatilidade do equipamento também é grande. A intensidade do gotejamento pode ser regulada por meio da altura do gotejador e o produtor pode colocar nutrientes ou outros insumos na água do reservatório para otimizar a irrigação.

4 – reservatório de água; 5 – equalização de pressão atmosférica; 6 – conexão; 7 – tubo de sucção; 8 – recipiente de transposição de água – sifão fonte; 9 – válvula; 10 – tubo de passagem; 11 – bomba solar – recipiente com ar; 12 – tubo de descompressão; 13 – conexão; 14 – recipiente do gotejador; 15 – sifão inverso; 16 – válvula de saída; 17 – gotas; 18 – suporte.
Quanto o Sol ilumina a bomba solar 11, a  temperatura interna aumenta. O ar interno se expande e força a passagem pelo tubo 12; a pressão do ar sobre o líquido no recipiente 14 impulsiona-o a sair pelos tubos 10 e 15.

A água sai pelo tubo 15 por gotejamento. A pressão interna do recipiente 14 diminui. Nisso, a água no recipiente 8 passa para o recipiente 14 para suprir a água perdida. Mas um pequeno vácuo no recipiente 8 é gerado. Este vácuo provoca a sucção da água que se encontra no reservatório 4.

Quando se encerra a iluminação, a bomba solar 11 tende a esfriar, diminuindo ainda mais a pressão interna do recipiente 14, isto provoca um aumento do vácuo no recipiente 8, que aumenta a sucção da água do reservatório 4.

Este processo continua até o recipiente 14 completar totalmente o seu volume de água.

Joana Silva (MTb 19.554/SP)
Embrapa Instrumentação
instrumentação.imprensa@embrapa.br
Telefone: (16) 2107-2901

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/