Exercícios e medicamentos deixam o cérebro mais eficiente?

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É possível ficar mais inteligente? Muito se fala de métodos para treinar o cérebro e evitar perdas cognitivas, assim como de avanços da indústria farmacêutica em favor da boa saúde dos neurônios, mas pouca coisa é comprovada cientificamente. Os métodos de ginástica cerebral, das palavras cruzadas aos enigmas matemáticos, frequentemente são considerados modos de prevenir o envelhecimento dos neurônios. Num artigo para o New York Times, o colunista e psiquiatra Richard Friedman lembra uma experiência promovida anos atrás pela BBC e pela Universidade de Cambridge, com 11.430 pessoas. Durante seis semanas, separadas em grupos, elas fizeram um de vários tipos de exercícios, como provas de atenção, equações matemáticas e jogos de memória. Antes e depois, passaram por testes de inteligência. A conclusão não foi das mais animadoras: a única habilidade que cada um comprovadamente desenvolveu foi a de fazer os testes a que foram submetidos repetidas vezes. Dito de outra forma, quem fez muito palavras cruzadas só ganhou… habilidade em fazer palavras cruzadas.

Mas uma esperança também veio à tona: para os sexagenários, os exercícios provocaram melhora na habilidade de argumentar verbalmente – o que, teoricamente, comprova que exercícios mentais podem de fato retardar os efeitos da idade no cérebro. Outra experiência, realizada pela Universidade de Stanford, mostrou ganho de habilidades mentais entre jovens. Aqueles que acreditam ter uma inteligência maleável demonstram maior motivação e melhor desempenho nos estudos se comparados aos que veem a própria inteligência como imutável.

Se os benefícios da ginástica mental são duvidosos, é certo que os exercícios físicos estimulam as funções cognitivas. A atividade corporal aumenta os níveis da proteína conhecida como Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BDNF, na sigla em inglês), que promove o crescimento e a formação de neurônios. Por outro lado, experiências adversas, como uma depressão forte, baixam os níveis de BDNF. O que leva à questão inevitável: drogas estimulantes (como a Ritalina) fortalecem a inteligência? O conhecimento científico atual é inconclusivo exceto num aspecto: esses medicamentos melhoram a memória de longo prazo. Finalmente, há algo que ajuda a manter a boa forma cerebral e não requer receitas: o convívio com outras pessoas. São claras as evidências de que o declínio cognitivo causado pela idade é menor entre as pessoas que têm redes de relações sociais ricas.

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