Aparelho da USP rastreia células cancerígenas e otimiza tratamento Equipamento foi desenvolvido pelo Instituto de Física de São Carlos (SP). Inovação foi testada em pacientes e deve chegar em breve ao mercado.

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Rastrear o percurso de células cancerígenas no início da metástase com maior precisão é a proposta de um novo equipamento desenvolvido por pesquisadores do Grupo de Óptica do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da Universidade de São Paulo (USP). A inovação promete auxiliar cirurgiões na localização dessas células, otimizando o tratamento dos pacientes. Existem ao menos dois serviços de saúde interessados em adquirir o novo sistema, cuja patente está em andamento.

O aparelho detecta os linfonodos sentinela, estruturas responsáveis por drenar o líquido presente entre os tecidos e que em casos de tumor pode conter células cancerígenas, por meio de um corante que emite fluorescência. O equipamento foi testado em 17 cirurgias de pacientes com câncer de língua, cabeça, pescoço e de pele, no Hospital de Câncer deBarretos, onde recebeu sugestões fundamentais para a melhoria do sistema.

Os resultados, quando comparados ao sistema comercial disponível no hospital, demonstraram a viabilidade do sistema, além de possuir algumas vantagens significativas”, disse Angelo Biasi Govone, pesquisador do IFSC que desenvolveu o protótipo do aparelho durante o projeto de mestrado sob orientação da professora Cristina Kurachi.

Segundo ele, a técnica que utiliza fluorescência é a mais precisa, por permitir ao médico visualizar na tela do computador, em tempo real, onde está o linfonodo sentinela, um gânglio presente em regiões como axilas, virilha e pescoço.

Processo
O processo no qual as células malignas se desprendem do tumor e percorrem a corrente sanguínea até encontrar um tecido para se estabelecer é chamado de metástase. Neste processo, inicialmente estas células são drenadas pelo sistema linfático e se instalam primeiramente no linfonodo sentinela. Com o passar do tempo, seguem para outros linfonodos e, posteriormente, para o sistema venoso, podendo se espalhar por todo o corpo, com potencial para originar novos tumores.

A importância de localizar o linfonodo sentinela e retirá-lo para verificar se há comprometimento com células cancerígenas é para evitar retirar os demais linfonodos desnecessariamente, pois em caso de uma retirada mais ampla o paciente sofrerá com efeitos colaterais, como edema, parestesia, redução de mobilidade e dor. Se o linfonodo não estiver comprometido com células cancerígenas, o sistema linfático é preservado. Se estiver, toda a cadeia de linfonodos deve ser retirada, a fim de evitar a evolução do processo de metástase”, explicou o pesquisador.

Técnicas
Atualmente existem várias técnicas empregadas na localização dos linfonodos. As principais consistem em injetar ao redor do tumor algum tipo de marcador capaz de ser detectado por um sistema desenvolvido para este fim.

Dentre as técnicas mais empregadas, a utilização de corantes exige que o médico vasculhe a olho nu todo o tecido onde existe possibilidade de se encontrar o linfonodo sentinela, segundo o pesquisador. “É uma técnica pouco precisa e que pode aumentar o tempo de internação no pós-operatório, podendo ser bastante invasiva”, disse.

Outro sistema, tido como padrão ouro, é o emprego de rádio-fármacos para a marcação, que exigem a utilização de detectores de radiação. “Este sistema é bastante sensível à detecção de linfonodos mais profundos, porém por utilizar um marcador radioativo, existem casos em que apresenta baixa precisão, pois aponta um aglomerado de linfonodos, sem identificar precisamente qual é o sentinela”, explicou Govone.

Novo equipamento
O equipamento criado pelo IFSC é constituído por duas câmeras, uma que capta imagens em preto e branco e outra que permite visualizar imagens coloridas; um conjunto de LEDs infravermelhos e brancos, que ajuda a detectar a fluorescência e a captar as imagens; um monitor, que permite visualizar as cenas captadas no instante em que se realiza a operação; este sistema é fixado a um suporte móvel, que conta com uma manopla, permitindo o manuseio pelo próprio cirurgião.

De acordo com Govone, a técnica usada no sistema emprega fluorescência, capacidade que uma substância tem de absorver luz de determinada cor e gerar luz em uma cor diferente. O equipamento então ilumina o paciente com uma cor específica que é absorvida pelo corante fluorescente, que então emite uma outra cor. A luz emitida pelo corante presente no linfonodo é captada pelas câmeras do equipamento, permitindo ao médico ver o linfonodo sentinela projetado no monitor em tempo real, mesmo que esteja abaixo da pele ou de outros tecidos.

A técnica que utiliza corantes não fluorescentes é a mais invasiva, com o pós-operatório mais complexo, já que a região comprometida na cirurgia é mais ampla pelo fato de que o médico precisa procurar o linfonodo a olho nu, enquanto que a técnica de fluorescência possui maior sensibilidade, permitindo uma cirurgia menos invasiva e mais segura. Apesar de existirem equipamentos comerciais que empregam a técnica de fluorescência para a detecção do linfonodo sentinela, o protótipo desenvolvido conta com significativas melhorias, sendo capaz de gerar imagens coloridas, gravar a cirurgia e ser utilizado pelo próprio médico que realiza a cirurgia”, concluiu o pesquisador.

 

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