Casal pedala mais de 5 mil km para chegar até o ‘fim do mundo’

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Ushuaia, na Argentina, é considerada a cidade mais ao sul do planeta.
Ciclistas se mantiveram durante quase 6 meses vendendo postais.

Foram quase seis meses de viagem e mais de cinco mil quilômetros de distância, vencidos a duras pedaladas. Tudo isso para que os ciclistas Roger Gonzalez e sua namorada, Eduarda Carvalho, conseguissem realizar o sonho de chegar até o “fim do mundo”.

Os dois abandonaram os empregos e a vida confortável que tinham em Sorocaba (SP) e, com R$ 1 mil na carteira, resolveram se aventurar no cicloturismo pelo continente com o objetivo de chegar até Ushuaia, na Argentina, conhecida como “fim do mundo” por ser considerada a cidade mais ao sul do planeta. “Estávamos em busca do contato humano, de viver a cultura de cada lugar. Do novo, do incerto e do simples”, resume o casal.

A ideia da viagem surgiu de vontades individuais. Roger, de 23 anos, é formado em sistema de informações e tinha o desejo de viajar de bicicleta. Maria Eduarda, de 26, é terapeuta ocupacional e sempre quis fazer um mochilão pela América do Sul. Apesar de não ter o hábito de pedalar, topou o desafio proposto pelo namorado e comprou uma “magrela” para pôr o pé na estrada. A família foi contra, mas os amigos, muitos deles ciclistas, deram apoio à ideia.

“Planejamos a viagem 15 dias antes, pegamos os equipamentos que já tínhamos, compramos algumas coisas básicas e itens que achamos necessário. Não teve amadurecimento de ideia, foi meio loucura. Antes de sair até traçamos a rota por dez cidades, mas na quinta já mudamos totalmente o roteiro. E essa foi a melhor parte [da viagem], porque cada dia era um dia diferente. Se alguém nos indicava uma estrada ou lugar para se conhecer, mudávamos nossa rota”, relata Roger.

O ponto de partida foi Sorocaba, no interior de São Paulo, em 10 de setembro de 2015. Maria Eduarda e Roger passaram por quatro estados do Brasil (São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), por todo litoral do Uruguai e por várias localidades argentinas, como Buenos Aires, Bahía Blanca, Neuquén, Bariloche e Esquel, antes de chegarem ao Chile. O casal percorreu ainda a rodovia Carretera Austral, no sul do Chile, e só depois voltaram para a Argentina para finalmente conhecer Ushuaia.

O objetivo foi atingido cinco meses e 25 dias depois do início da aventura. Para se manterem durante todo esse tempo os dois resolveram vender cartões postais e adesivos produzidos com as fotos tiradas por eles. “As pessoas compravam porque nós não vendíamos os postais ou os adesivos, nós estávamos vendendo o nosso sonho. Também não havia preço fixo, o valor da contribuição era voluntária”, explica Roger.

Famílias ‘adotivas’
A alimentação e o percurso não foram os únicos desafios enfrentados pelos dois. O casal ainda precisou contar com a boa vontade de muitas pessoas para se hospedar. Com o auxílio de grupos de ciclismo em redes sociais, eles conseguiram local para passar a noite em todas as cidades brasileiras que visitaram.

Já no Uruguai, o casal acampava na estrada ou utilizava um aplicativo específico que faz a ponte entre turistas que querem hospedagem grátis, além de procurar por locais que trocavam dormitório por mão-de-obra.

Os acampamentos selvagens também se repetiram várias vezes nas Patagônias argentina e chilena. “Muitas vezes algum bicho vinha mexer na nossa barraca e, como eram áreas sem  iluminação, ficávamos com medo de sair para ver o que era. Em uma das noites, fomos ‘assaltados’ por uma ovelha”, brinca Roger.

Os perrengues no caminho, no entanto, não impediram o casal de alcançar seu objetivo. A trajetória é toda contada em uma página na internet. “Foi incrível porque vivemos muitas realidades diferentes, cada dia estava em uma casa com alguma família comendo do que eles comiam, seguindo os seus costumes e, principalmente, compartilhando histórias”, ressalta Maria Eduarda.

O percurso
Entre paisagens estonteantes, águas de beleza inacreditável, formações rochosas esculpidas e estradas no meio da natureza selvagem, o casal destaca os três locais que mais gostaram de conhecer. O primeiro são as Capelas de Mármore, na Carretera Austral no Chile. O ponto abriga um conjunto de grutas cercadas pelo lago General Carrera, de cor azul turquesa e verde esmeralda, onde os turistas podem fazer passeios de barco com guias autorizados.

O segundo lugar preferido foi o Parque Nacional Los Glaciares, uma das principais atrações de El Calafate, na Argentina. A paisagem exuberante contempla a geleira Perito Moreno, que tem quilômetros de extensão. Lá são oferecidas excursões sob o gelo para os visitantes. Por fim, o casal selecionou a bela cidade de Bariloche. O motivo foram as várias opções para quem gosta de esporte e aventura, como o trekking e a canoagem.

Retorno
Neste mês, Maria Eduarda e Roger retornaram a Sorocaba, contabilizando mais de 11 mil quilômetros viajados. Foram quase seis meses de ida e apenas 15 dias de volta. “Depois de Ushuaia, passamos a viajar como mochileiros e pegamos várias caronas porque as nossas bicicletas já estavam quebrando com frequência, principalmente por causa das estradas pedregosas do Chile”, conta o casal.

Além da experiência, os ciclistas destacam as amizades que fizeram durante o percurso. “As pessoas foram incríveis. Tivemos muitos dias marcantes. As pessoas não sabem, mas saíamos emocionados de quase todas as casas. Muitas vezes depois de nos despedirmos da família, a gente se olhava e escorriam lágrimas porque não dava para acreditar em tamanha bondade. Essa parte da viagem é a mais importante porque pudemos acreditar novamente na humanidade”, lembra. A aventura foi tão marcante que os dois já planejaram a próxima viagem, onde vão pedalar pela região Norte do Brasil.

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