Os robôs vão à guerra

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Uma nova geração de armas autônomas está sendo desenvolvida em diversos laboratórios ao redor do mundo. Quando finalmente chegarem ao campo de batalha, devem transformar o modo como as guerras são travadas

Do arco e flecha à bomba atômica, a tecnologia tem sido usada para decidir guerras e conflitos desde o início da civilização humana. Até agora, no entanto, o homem sempre esteve no controle, decidindo quando e em cima de quem descarregar o golpe fatal. Na guerra do futuro, esse poder pode escapar de suas mãos. Daqui a alguns anos, robôs avançados terão a capacidade de decidir quem vive e quem morre nos campos de batalha. Seja se locomovendo sobre quatro patas – impossíveis de derrubar – ou voando a centenas de metros do combate, estarão equipados com metralhadoras e pistolas automáticas e serão capazes de acertar alvos a quilômetros de distância. Se sofrerem algum tipo de dano, estarão equipados com chips capazes de se regenerar, para que continuem em ação ininterruptamente. Inteligentes, saberão o modo mais eficaz de atacar um alvo, causando o maior estrago possível. Esses robôs ainda não são realidade. Mas a tecnologia descrita existe, espalhada por diversos laboratórios científicos nos Estados Unidos – todos financiados pelo exército americano. É apenas questão de tempo para que as armas autônomas e letais saiam dos laboratórios e passem a ser aplicadas nos conflitos humanos, mudando a experiência da guerra para sempre.

Há mais de dez anos, o uso de robôs nos campos e batalha é uma realidade. Hoje, cerca de 12.000 aviões não-tripulados – também chamados de drones – cruzam os céus do Oriente Médio comandados pelo exército americano. O Predator, por exemplo, é usado no Iraque e Afeganistão para missões de vigilância e espionagem, e pode ser controlado desde os Estados Unidos. No chão, mais 8.000 robôs são usados pelos soldados para desarmar bombas a distância, prevenindo danos à tropa. O Packbot, o mais famosos deles, foi desenvolvido pela empresa iRobot, responsável também pelo Roomba, o primeiro aspirador de pó robótico do mundo.

Faltava a esse robôs, no entanto, um grau de autonomia e letalidade que aumentasse sua eficiência nas zonas de guerra. Por isso, nos últimos anos, centenas de drones começaram a receber armas e sistemas de GPS que facilitam sua navegação automática. O SWORD, uma espécie de Packbot com uma arma na topo, já foi enviado ao Afeganistão e Iraque. Ele, no entanto, ainda não é levado muito a sério pelas tropas. Por ser fácil de derrubar e incapaz de se levantar sozinho, é vítima fácil de emboscadas e costuma fornecer armas aos inimigos – recebeu por isso o apelido jocoso de “Veículo de Reabastecimento do Talibã”.

Essa tecnologia, no entanto, não dever ser motivo de piada por muito tempo. O que está sendo mostrado no Oriente Médio é apenas a primeira geração de robôs desenvolvidos para a guerra, ainda com uma série de limitações que estão sendo superadas por protótipos testados em diversos laboratórios nos Estados Unidos. Segundo Peter W. Singer, cientista político que já trabalhou com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos e hoje é pesquisador do Instituto Brookings, um think tank sediado em Washington D.C., essa primeira geração é comparável ao Ford T, um dos primeiros carros a ser fabricado em massa no mundo, ainda no início do século XX. Quando eles aparecerem, era impossível prever a importância que os automóveis viriam a ter, e a revolução que causariam no estilo de vida americano. Do mesmo modo, só agora começam a se mostrar as aplicações militares mais avançadas dos robôs, com cada vez mais autonomia em relação aos seus controladores humanos. Segundo Singer, o cenário que se desenha é claro: os homens estão perdendo o monopólio da guerra.


Robô com pernas

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