Garoto de 12 anos recebe nariz novo criado em sua própria testa

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Cirurgia foi feita na Índia após menino ter o rosto desfigurado por uma pneumonia.

Médicos na Índia substituíram o nariz desfigurado de um garoto de 12 anos por outro que “cresceu” na sua própria testa.

Arun Patel sofreu deformações na face por causa de uma pneumonia quando era bebê.

A infecção danificou a cartilagem do nariz, e os médicos não conseguiam reconstruí-lo.

Uma operação semelhante foi feita na China em 2013. Neste caso, um homem recebeu um novo nariz após ter o seu desfigurado durante um acidente de trânsito.

Alargador de tecido
Os pais de Arun o levaram a um médico em seu vilarejo, no Estado de Madhya Pradesh, devido a uma pneumonia que ele teve logo após o nascimento.

Mas o tratamento piorou seu estado e ele perdeu parte do nariz por causa dos grandes danos ocorridos no tecido.

Mais de dez anos depois, um grupo de médicos na cidade de Indore decidiu fazer uma rara cirurgia plástica para dar a ele um novo nariz.

O médico Ashwini Dash, que liderou a equipe, disse à BBC que “estava confiante de que o novo nariz funcionaria bem como os outros órgãos” do menino.

Todo o processo, em quatro etapas, levou um ano.

Na primeira fase, um “alargador de tecido” de silicone foi colocado na testa do garoto, abrindo espaço para o crescimento do novo nariz. Depois, uma substância foi injetada para fazer os tecidos se expandirem.

A segunda etapa envolveu tirar cartilagem de suas costelas para criar um novo nariz, que cresceu na testa durante três meses.

Os médicos removeram o nariz artificial na terceira fase e o implantaram no rosto do menino. A última parte consistiu em fazer uma cirurgia reparadora na testa.

Técnica
Procedimentos desse tipo costumam ser feitos quando o local está muito danificado – devido a um acidente, por exemplo.

Isso também pode ser feito com orelhas – algumas já “cresceram” no braço de pacientes, região que tem a pele parecida.

A cartilagem retirada das costelas é moldada e implantada e, em seguida, a pele de outra parte do corpo adere a ela.

No caso do nariz que cresce na testa, muitas vezes ele nem precisa ser retirado para ser implantado: pode ser apenas “girado” e “empurrado” para o lugar certo.

 

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Prosopagnosia: como é viver sem conseguir reconhecer ninguém?

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A estudante Evie Prichard conta como é viver com uma desordem que a impede de reconhecer rostos – até os da própria família.

Quando você encontra uma pessoa conhecida, a maneira mais fácil de reconhecê-la é pelo rosto – mas nem todo mundo consegue fazer isso.

Estima-se que uma em cada 50 pessoas tenha prosopagnosia, ou “cegueira para feições”, uma condição que pode afetar até 5 milhões de pessoas no Brasil, por exemplo.

A britânica Evie Prichard, de 24 anos, tem essa desordem e conta como é a vida quando você luta para reconhecer amigos e família:

“Eu tinha 19 anos quando esbarrei com um desconhecido em uma festa e perguntei se ele conhecia um ex-namorado com quem havia rompido meses antes.

Aquela camisa floral e o aroma do perfume CK One deveriam ter sido suficientes para me alertar sobre quem estava ali, mas por alguma razão esses sinais me fizeram pensar que aquele estranho era um amigo do meu ex, que talvez tivesse pegado emprestado sua camisa e seu perfume.

Infelizmente, como em várias outras ocasiões, o instinto de detetive que me acompanha nas interações sociais tinha me deixado na mão – o sujeito era meu ex.

Tudo o que ele tinha feito era cortado o cabelo e raspado a barba rala, mas como eu estava de salto alto nossa diferença de altura também não aparecia. Minha cegueira para feições significa que aposto em sinais como estilo de cabelo e altura para diferenciar as pessoas, e sem essas coisas eu fico totalmente à deriva.

Nesse sentido foi até um triunfo: certamente o ego dele deu uma desinflada. Mas também foi uma das várias ocasiões em que minha cegueira para feições me fez passar por idiota.

Para mim, um rosto é como um sonho. É incrivelmente vívido no momento, mas se esvai segundos depois, até restarem apenas características desconectadas e uma vaga memória de como aquela face me fez sentir na hora.

Viver com um cérebro que não conta com essa função crucial pode ser muito desgastante, mas na maior parte do tempo é algo apenas inconveniente e – muito – constrangedor.

O que é prosopagnosia?

– Prosopagnosia é uma condição neurológica onde a parte do cérebro que reconhece rostos não se desenvolve como deveria

– Pode impedir as pessoas de reconhecer parceiros, familiares, amigos e até a própria imagem

– Imaginava-se que fosse causada por lesão cerebral (prosopagnosia desenvolvida), mas agora um elo genético foi identificado (prosopagnosia congênita)

– A prosopagnosia desenvolvida é rara, mas uma em cada 50 pessoas pode ter a versão congênita da desordem

– Não há tratamento específico, mas existem treinamentos específicos para aprimorar a detecção de rostos

Fonte: NHS Choices: Prosopagnosia

Houve até uma vez em que me vi no espelho em um bar e realmente não me reconheci. Cheguei a ter alguns pensamentos bem críticos sobre minha própria cara suada antes de perceber que o alvo da minha crítica era eu mesma.

Outro dia, minha mãe, que tem cabelos enrolados, fez uma escova e eu passei direto por ela na rua.

Estudos mostraram que até 2% da população pode estar vivendo com prosopagnosia. Muitos nem percebem que possuem essa condição.

A gravidade da desordem vai da relativamente gerenciável até o ‘desculpe, pensei que estava beijando meu marido’. A maior parte dos diagnósticos fica entre esses dois polos.

Minha prosopagnosia é severa, mas consigo reconhecer amigos próximos em circunstâncias normais, e tenho uma chance de 50% de manter o reconhecimento após um corte de cabelo ou troca de óculos.

A situação é pior para muitas pessoas. Ouvi histórias de gente que foi roubada por estranhos que se passaram por parentes e de crianças andando com homens desconhecidos.

Por sorte, nada disso aconteceu comigo quando era criança – sei do meu problema por toda a vida, então sempre fui cautelosa.

Para mim era quase impossível reconhecer meus colegas na escola, o que fazia do ato de fazer e manter amigos uma luta. Ainda lembro de vagar chorando pelos corredores no primeiro dia do ginásio: tinha ido ao banheiro e não sabia para qual sala voltar porque não reconhecia a professora nem os alunos.

As pessoas costumam ficar perplexas quando conto sobre minha prosopagnosia. Na verdade já vi todo tipo de reação, de descrença à fascinação e riso histérico. Um homem até me acusou – pelas minhas costas – de inventar a história para paquerá-lo.

Até recentemente pensava-se que a prosopagnosia era uma condição muito rara que resultava de dano cerebral, mas ela é mais comum como desordem genética. E está na minha família – afetou minha mãe, minha avó e minha bisavó, embora minha irmã Rosa tenha aparentemente escapado da maldição.

Foi apenas neste século que pesquisadores começaram a perceber exatamente quantas pessoas estavam vivendo em silêncio com essa condição. Pessoas que, como eu, tiveram prosopagnosia por todas suas vidas, e acabaram aprendendo a esconder muito bem suas deficiências.

Como uma pessoa cega que reconhece parentes pelos passos, portadores de prosopagnosia são forçados a desenvolver maneiras incomuns de descobrir com quem estão conversando. De sinais óbvios como cabelo e voz até postura, jeito de andar e sobrancelhas, confiamos em dezenas de táticas para enfrentar o cotidiano.

E se tudo isso falhar, somos ótimos blefadores. Quando encontro alguém que possa conhecer, eu geralmente projeto o nível de amizade que seria aceitável para amigos de infância ou estranhos completos. É uma linha bem tênue.

Mas ainda tenho uma vocação especial para me fazer de idiota. Uma vez estava sendo filmada para um documentário e duas meninas que conhecia bem do colégio ficaram por quase 20 minutos ao lado de minha mesa em um bar quase vazio sem que eu tivesse a menor ideia de quem eram.

Uma delas me vendeu uma cerveja, e embora eu tenha a olhado nos olhos e sorrido enquanto pegava o troco, eu ainda não consegui reconhecê-la.

No mês passado, no festival de música de Glastonbury, eu estava acampando com amigos e um monte de amigos deles, a maioria desconhecida para mim. Durante o festival, pessoas se juntaram a nós e eu não tinha a menor ideia se eram as mesmas pessoas com quem havia passado os dias anteriores bebendo e conversando.

Pior foi quando eu e minha irmã entramos na área VIP numa tarde – aparentemente havia todo tipo de celebridade por ali, mas eu não fazia ideia quem eram.

Embora eu possa – e faço isso – brincar com minha condição, é sempre cansativo ficar batalhando para descobrir a identidade de alguém a cada encontro. Como universitária em uma cidade pequena, eu deveria reconhecer dezenas de pessoas por dia, mas acabo ofendendo muitas delas também.

Sou uma pessoa sociável por natureza. Mas depois de alguns dos meus melhores amigos reconhecerem que me achavam fria no começo porque eu os ignorava sempre, ficou mais e mais difícil para mim querer conhecer pessoas novas.

No final, o jornalismo estudantil me salvou. Falar sobre prosopagnosia em uma coluna me permitiu ser ‘aquela menina com cegueira para feições’. Embora não seja o nicho dos sonhos de muitas pessoas, foi a maneira mais eficiente de explicar às pessoas que eventualmente magoava a razão de tratá-las como estranhos.

Ironicamente, à medida que passei a ser um rosto reconhecido no campus, ficou mais aceitável para mim falhar em reconhecer os outros.

Rostos são parte importante da identidade. Não ser reconhecido pode ser terrível – é como ser ignorado e alguém dizer que você não importa.

Mas nada se compara à dor de saber que está magoando as pessoas constantemente, fazendo com que se sintam subestimadas e ignoradas, mesmo não tendo ideia de que está fazendo isso naquele momento.

Alienar-se de um mundo de rostos é estranho, mas me conforto ao pensar que artigos como esse podem contribuir para que as pessoas perdoem a mim e a outros como eu.

Como a aspirina líquida pode combater tumores cerebrais

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Cienstistas bitânicos anunciaram na terça-feira um tratamento potencialmente revolucionário no tratamento de tumores cerebrais, que tem como base uma forma líquida de aspirina.

Geoff Pilkington e Richard Hill, da Universidade de Portsmouth, no sul do Reino Unido, apresentaram as conclusões de sua pesquisa em uma convenção média para especialistas em turmores cerebrais, em Varsóvia (Polônia).

Eles argumentam que o composto “IP1876B”, cuja fórmula tem ainda dois ingredientes não revelados, mostrou em testes ser 10 vezes mais eficiente no combate aos tumores do que qualquer combinação de drogas já conhecida. Todos os componentes, segundo os cientistas, já são aprovados para uso clínico.

Os testes foram feitos usando células cancerosas de adultos e crianças. Neles, o “IP1876B” matou as células comprometidas sem ter efeito sobre células normais. E um dos grandes trunfos da nova fórmula – que combina os dois ingredientes com aspirina líquida – desenvolvida em parceria com a companhia Innovate Pharmaceuticals, é que ela aumentou de forma significativa a habilidade das drogas de cruzar a barreira hematoencefálica, uma membrana que protege o cérebro, mas que também bloqueia o caminho de muitas drogas anticâncer mais convencionais.

Outro obstáculo importante que Pilkington e Hill parecem ter superado é o desenvolvimento de uma forma verdadeiramente líquida de aspirina.

As alternativas atualmente no mercado não são totalmente solúveis e ainda contêm resíduos que podem causar efeitos colaterais gástricos.

Pilkington e Hill dizem que os resultados dos testes sugerem que o “IP1876B” poder ser altamente eficaz contra o glioblastoma, uma das formas mais agressivas de tumor cerebral e que normalmente mata pacientes em um ano. Mas o composta ainda precisa de mais testes para determinar se pode ser usado com segurança em humanos.

“Temos uma potencial alteração crucial na pesquisa sobre tumores cerebrais e isso mostra que ciência bem financiada pode conseguir. É a mesma ciência que vai permitir um dia que encontremos a cura para essa doença devastadora”, diz Sue Farrington Smith, diretora da Brain Tumour Research, ONG que arrecada fundos para pesquisas em tumores cerebrais.

Adolescente cria ‘advogado robô’ para tratar de multas

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Joshua Browder é um adolescente britânico que programou um chatbot para o ajudar com as multas de estacionamento.

É gratuito e já 250 mil pessoas usaram o serviço gratuito, com 160 mil dos pedidos a terem tido sucesso. Joshua Browder, britânico, criou um chatbot no último ano, o Do Not Pay, para o ajudar com as multas de estacionamento.

O chatbot trabalha no Reino Unido e em Nova Iorque, nos Estados Unidos, e faz várias perguntas para determinar a validade da multa. Diz a BBC que também pode ser usado para pedir compensações por atrasos nos voos.

Browder acredita que os chatbots podem ajudar em termos de serviço público e, como tal, está a criar um novo bot para ajudar refugiados sírios a produzir documentos em inglês, baseados em texto em árabe.

Vacinas contra zika são testadas com sucesso em camundongos

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Um grupo de cientistas do Brasil e dos Estados Unidos testou em camundongos, com sucesso, duas vacinas experimentais contra o vírus da zika. Os resultados da pesquisa foram publicados nesta terça, 28, na revista científica Nature Communications.

Os cientistas testaram uma vacina com o vírus inativo e uma vacina de DNA – que utiliza apenas algumas das proteínas do vírus para estimular uma resposta do sistema imunológico contra ele – e ambas forneceram proteção total a camundongos suscetíveis ao zika.

De acordo com um dos autores do estudo, Paolo Zanotto, professor do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP), os resultados do estudo são animadores, embora ainda sejam apenas uma ‘prova de conceito’, isto é, uma demonstração de que é possível produzir uma vacina contra o vírus zika.

“O estudo é importante, porque demonstra que, a princípio, é possível vacinar contra a zika. É um estudo com camundongos, ainda em estágio pré-clínico, mas é uma notícia muito boa que tenhamos um modelo que mostra uma reação imunológica contra o vírus”, disse Zanotto ao jornal O Estado de S. Paulo.

Zanotto, que também é o coordenador da Rede Zika – uma força-tarefa dos cientistas paulistas para estudar e deter a epidemia de zika -, coordenou a parte brasileira do estudo em conjunto com Jean Pierre Peron, também do ICB-USP. Nos Estados Unidos, o estudo foi coordenado por Dan Barouch, da Harvard University.

Segundo Zanotto, as vacinas forneceram proteção de 100% aos camundongos que, depois de vacinados, foram infectados e não apresentaram a presença do vírus no organismo, indicando que a infecção não progrediu.

De acordo com o cientista, os animais foram infectados com uma linhagem do vírus originária de Porto Rico e com uma linhagem que circula no Brasil, obtida a partir de um bebê na Paraíba.

Nos dois casos, a vacina foi eficaz, induzindo uma resposta imunológica. Nos camundongos que receberam placebo, em vez das vacinas, houve infecção e a presença do vírus no organismo durou até seis dias.

Estratégias

Em uma das candidatas, a vacinas utiliza a abordagem mais clássica de imunização: uma forma inativada do vírus é purificada e tratada com substâncias que não permitem a replicação do RNA – o código genético – do vírus.

“É como se trabalhássemos com um vírus morto, mas cujo aspecto espacial externo é idêntico ao do vírus vivo. Por isso, ele funciona como antígeno, isto é, aciona o sistema imunológico a produzir anticorpos”, explicou Zanotto.

Já a vacina de DNA, de acordo com o cientista, não utiliza o vírus inteiro inativo, mas apenas duas de suas proteínas que são importantes para que o vírus consiga aderir às células e infectá-las.

Para isso, os cientistas testaram várias combinações de proteínas do vírus e a que mostrou melhores resultados foi a união da proteína pré-membrana (prM) e da proteína do envelope externo do vírus (Env).

“As duas proteínas são inseridas em um plasmídeo, que é uma pequena molécula de DNA. Esse DNA é então jogado dentro das células, que produzem as proteínas, induzindo uma resposta de anticorpos”, disse Zanotto.

Segundo Zanotto, ainda será preciso realizar uma série de pesquisas para definir se uma futura vacina contra o vírus zika usará a abordagem do vírus inativado ou a da vacina de DNA.

Segundo ele, o novo estudo é ainda uma preparação para a fase pré-clínica das pesquisas para o desenvolvimento da vacina contra o zika.

“O estudo preparou os modelos que utilizaremos nos ensaios pré-clínicos. Em seguida, os testes serão feitos com grandes roedores e depois com primatas não-humanos. A partir daí, são feitos inúmeros testes para avaliação da segurança e da eficácia da vacina e, se tivermos sucesso, começarão os estudos clínicos propriamente ditos”, afirmou.

Pesquisadores produzem cartilagem em impressora 3D

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Material é composto de células retiradas de vacas. No futuro, pesquisadores esperam substituir tecidos danificados em humanos

Tecidos retirados de cartilagens de vacas estão sendo utilizados em impressoras 3D para criar novas cartilagens. O projeto procura, no futuro, substituir os tecidos que estão danificados em humanos. A pesquisa, realizada por especialistas da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, pretende encontrar alternativas para pessoas que sofrem com desgaste de cartilagens, causados por problemas como artrose.

“Nosso objetivo é criar um tecido que pode ser utilizado para substituir uma grande quantidade de tecidos danificados”, afirmou Ibrahim Ozbolat, professor de engenharia científica e mecânica da Universidade Estadual da Pensilvânia, coautor do estudo publicado nesta segunda-feira (27) na revista científicaScientific Reports, da editora Nature.

Nova cartilagem – Para criar a espécie de ‘tinta orgânica’ utilizada na impressora, os pesquisadores cultivaram as células retiradas das vacas em finíssimos tubos feitos de alga. Após uma semana, elas cresceram e se aglomeraram dentro do tubo. Como o tecido não gruda na alga, os especialistas conseguiram retirá-lo exatamente no molde necessário.

Assim que a fina linha de tecido ficou pronta, ela foi inserida na máquina – que, com um bocal específico, consegue moldá-la no formato desejado pelos pesquisadores. Após meia hora “secando”, o protótipo foi levado para um recipiente onde ficou mergulhado em uma espécie de líquido com nutrientes que auxilia no processo de junção das células, formando um único tecido. “Podemos fabricar os tecidos no comprimento que quisermos, já que o processo de impressão de cartilagem é escalonado”, afirmou Ozbolat.

Segundo o pesquisador, essa forma de produção de tecido para substituir cartilagens é melhor que as utilizadas previamente, pois se aproxima de forma mais fiel ao tecido original. Segundo os pesquisadores, a cartilagem é surte bons resultados em impressoras 3D, pois consiste em apenas um tipo de célula e não possui vasos sanguíneos. Além disso, é um tecido que não pode se autorreparar – uma vez danificado, ele permanecerá assim no organismo.

O tecido artificial criado pela equipe de engenheiros não tem tantas propriedades de movimento como a cartilagem natural, produzida no corpo; mesmo assim, é melhor que as cartilagens obtidas pelo método de hidrogel (substância utilizada como meio para a criação das células), que não permite uma integração natural entre as células formadoras do tecido. Segundo Ozbolat, as cartilagens naturais são formadas por meio da pressão que as articulações exercem; como nas vacas o processo é semelhante, o tecido formado artificialmente a partir dessas células deve apresentar melhores propriedades mecânicas.

Humanos – Se o processo for aplicado em humanos no futuro, os pesquisadores explicam que o próprio paciente deverá fornecer células-tronco, ou células encontradas nas próprias cartilagens, para compor o novo tecido. Isso evitaria que a cartilagem artificial fosse rejeitada pelo organismo. “As pessoas que têm artrose sofrem muito. Precisamos de novas alternativas de tratamento para isso”, afirmou o engenheiro.

 

Folha biônica produz combustível a partir de luz solar, água e ar

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A folha de uma árvore, um pedaço de grama, uma simples célula de alga: todas produzem energia a partir da simples combinação de água, luz solar e dióxido de carbono através do milagre da fotossíntese. Agora, cientistas dizem que replicaram — e melhoraram — esse truque através da combinação de química e biologia em uma folha “biônica”.

O químico Daniel Nocera, da Universidade de Harvard, e sua equipe uniram forças com a bióloga Pamela Silver, da Escola de Medicina de Harvard, e sua equipe para fazer uma espécie de bateria viva, que chamam de folha biônica por conta de sua fusão entre biologia e tecnologia. O dispositivo usa eletricidade solar de um painel fotovoltaico para energizar a reação química que quebra água em oxigênio e hidrogênio, e a seguir adiciona micróbios famintos para se alimentarem do hidrogênio e converter o CO2 do ar em álcool.

O primeiro dispositivo de fotossíntese artificial da equipe apareceu em 2015 — produzindo 216 miligramas de álcool para cada litro de água — mas o catalisador de níquel-molibdênio- zinco que tornava a reação química de quebra da água possível teve o infeliz efeito colateral de envenenar os micróbios.

Daí, a equipe saiu a procura de um catalisador melhor, um que se daria bem com os organismos vivos e que dividiria a água de maneira eficaz. Como a equipe relatou na publicação Science, no dia 2 de junho, eles o encontraram em uma liga de cobalto e fósforo, uma amálgama já em uso como revestimento anticorrosivo para partes de plásticos e metais achados em coisas desde torneiras até placas de circuito. Com pouca carga elétrica, esse novo catalisador pode se montar de uma solução de água, cobalto e fósforo — e fósforo em água é bom para seres vivos como a bactéria Ralstonia eutropha, que compõe metade da parte de trás da folha biônica.

Faça uma corrente elétrica correr do aparelho fotovoltaico através dessa solução em uma voltagem suficientemente alta e a água será separada. Essa voltagem também é maior do que a necessária para induzir o cobalto a se precipitar da solução e formar o catalisador cobalto-fosfato, o que significa que quando a folha biônica está funcionando, sempre existem elétrons o suficiente nos arredores para induzir a formação do catalisador — e, portanto, nenhum metal em excesso para envenenar os micróbios ou pausar o processo de separação da água. “O catalisador nunca pode morrer enquanto funciona,” diz Nocera, notando que a nova folha biônica foi capaz de passar 16 dias funcionando direto.

O novo catalisador de cobalto também quebra a água em oxigênio e hidrogênio sem criar o tipo de moléculas de oxigênio reativas que podem danificar o DNA ou outros processos essenciais para a continuidade da vida. “Eu não sei porque ainda,” Nocera afirma. “Será divertido descobrir.”

Com esse novo catalisador na folha biônica, a equipe aumentou a eficiência da versão 2.0 em produzir combustíveis a partir do álcool, como o isopropanol e o isobutanol, para cerca de 10%. Em outras palavras, para cada kilowatt-hora de eletricidade usada, os micróbios podem limpar 130 gramas de CO2 de 230.000 litros de ar para fazer 60 gramas de isopropanol. Isso é melhor do que a eficiência natural da fotossíntese em converter água, luz solar e ar em energia armazenada.

E não existe motivo para pensar que a R. eutropha não poderia ser feita para gerar outros produtos — talvez moléculas complexas de hidrocarbono como aquelas achadas em combustíveis fósseis ou ainda toda a extensão de químicos usados atualmente sintetizados por recursos poluentes, como fertilizantes. “Existem insetos que comem hidrogênio como sua única fonte de comida, e o hidrogênio veio da quebra de água. Então, existem insetos renováveis e biologia sintética para fazê-los fazer qualquer coisa,” diz Nocera. “Você pode começar a pensar em uma indústria de químicos reutilizáveis.” A equipe hibrida relata no estudo publicado na Science que eles já induziram a  R. eutropha a fazer uma molécula que pode ser transformada em plástico.

A ideia fundamental é reverter a combustão e usar um remanescente da queima de combustíveis fósseis — o CO2 se acumulando na atmosfera — para construir combustíveis renováveis, como fazem as plantas. Mas a folha biônica não irá competir em preço com os combustíveis cavados de dentro do chão por um bom tempo, especialmente porque os micróbios ainda não fazem muito combustível de maneira rápida. A maior folha biônica atualmente está em um vaso de um litro, embora a equipe não tenha descoberto limites para fazer um maior.

Ao fazer combustíveis do excesso de CO2 no ar, esse novo biorreator poderia ajudar a mitigar os problema de poluição e mudança climática enquanto traz, ao mesmo tempo, combustíveis mais limpos para pessoas que ainda não possuem acesso à energia moderna. “Você pode fazer esse tipo de ciência no seu quintal. Você não precisa de uma infraestrutura massiva de bilhões de dólares,” diz Nocera.

“Ao integrar a tecnologia da biologia com química orgânica, um caminho muito poderoso se apresenta, onde você tem o melhor dos dois mundo,” ele acrescenta. “Eu peguei ar e sol e água e eu fiz coisas disso, e eu fiz dez vezes melhor que a natureza. Isso me faz sentir bem.”