Novo mapa cerebral pode mudar os rumos da neurociência

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Pesquisadores da Universidade de Washington em St. Louis, nos EUA, fizeram uma descoberta que deve mudar a maneira como os cientistas veem o cérebro humano. Eles desenvolveram um novo mapa do córtex cerebral, o que acabou revelando 100 novas regiões distintas em cada hemisfério. A pesquisa foi publicada na renomada revista científica Nature.

O córtex cerebral humano lida com o movimento dos músculos, além de estar relacionado com a resolução de problemas, o raciocínio lógico e a regulação emocional. É por causa dele e de suas funções complexas que o ser humano se distingue de outros mamíferos.

No passado, os mapas do córtex cerebral eram criados a partir de apenas um tipo de imagem de ressonância magnética. Além disso, poucos voluntários faziam parte dos estudos. Era como se os cientistas analisassem o cérebro humano a partir de lentes embaçadas.

Contudo, para a criação desse novo mapa, os pesquisadores norte-americanos combinaram três técnicas de mapeamento cerebral diferentes. A primeira é uma ressonância magnética funcional baseada em tarefas, que informa quais áreas são relacionadas com determinadas funções.

A segunda é um mapa de mielina, que dá informações sobre a “arquitetura” de certas regiões. A última é uma ressonância magnética funcional em estado de repouso, que mostra como os neurônios dentro e entre diferentes regiões cerebrais se comunicam.

Para reunir todas essas informações, os pesquisadores treinaram um classificador a partir de um programa de machine-learning. Ele reconheceu as “impressões digitais” de cada parte do córtex cerebral de 210 adultos e jovens saudáveis.

O novo método “clareou a visão” dos cientistas e, como resultado, eles descobriram 100 novas regiões em cada hemisfério, somando um total de 360 áreas dentro do córtex cerebral.

Por enquanto, segundo o estudo, o algoritmo tem 96,6% de precisão. Pode parecer bastante, porém não é o suficiente para a ciência. Apesar disso, ele poderia ajudar os neurocientistas a encontrar as mesmas áreas em seus pacientes, aponta David McCormick, professor de neurociência da Universidade de Yale, em entrevista ao The Verge.

Com isso, os médicos poderiam ajudar pessoas com dificuldade de aprendizagem, por exemplo. Eles só precisariam comparar a área do cérebro relacionada à aprendizagem de uma pessoa saudável com a de indivíduo com esse problema. Além disso, as cirurgias cerebrais poderão ser menos invasivas, já que os médicos saberão com mais precisão em qual região devem operar.

“Para entender o cérebro e para corrigi-lo, nós precisamos saber o esquema de circuitos e todas as partes, como eles funcionam e como eles interagem”, afirma McCormick. “Este estudo é um grande avanço para a compressão do diagrama do circuito”, adiciona.

 

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