Com bicicleta improvisada, barbeiro corta cabelos ao ar livre em Rio Claro

bicicleta

Lousa em frente ao cemitério anuncia a ‘Barbearia Bike Céu Azul’.
Luis Guilherme Inácio cobra R$ 10 pelo serviço oferecido aos clientes.

A pequena lousa na praça em frente ao cemitério de Rio Claro (SP) anuncia: ‘Barbearia Bike Céu Azul’. É desta forma que Luis Guilherme Inácio divulga o seu serviço, oferecido ao ar livre. Com uma bicicleta improvisada, usada para carregar as ferramentas de trabalho, o barbeiro de 40 anos tem atraído clientes nos fins de semana para cortar os cabelos por R$ 10, valor que ele diz considerar justo.

Em uma caixa presa à garupa da antiga bike Regent adquirida há 5 anos, Inácio guarda tesouras, giletes e navalhas descartáveis, talco, máquina de corte e água e álcool para higienizar os instrumentos. O banco da magrela serve para pendurar a toalha e um espelho. O barbeiro também leva um banquinho para acomodar o freguês. No primeiro fim de semana, atendeu cinco clientes no sábado e quatro no domingo.

“Foi interessante, muita gente passou, ficou olhando. Outros vieram perguntar. Achei que a ideia da bicicleta ajuda a popularizar o serviço. O valor não é caro, nem barato, acho justo, não prejudico concorrentes. Por enquanto só corto o cabelo. Não tem como fazer barba porque ainda não consegui bolar um encosto para a cabeça do cliente e ficar confortável”, explicou Inácio.

Clientes aprovam
O analista de qualidade Fernando Ferreira, de 39 anos, foi um dos que aproveitaram para dar uma melhorada no visual. “Já tinha cortado o cabelo duas vezes com ele. Quando me contou da ideia, eu disse que aprovava 100%. Você aproveita para sair do ambiente fechado e se torna algo descontraído e relaxante. Achei fantástico”, disse.

O comerciante Vitorio Mundini, de 41 anos, também aprovou o serviço. “É diferente, muito gente olhando, carros passando, sons de pássaros, você se adapta à natureza. Voltarei novamente. Um amigo que trabalha lá no velório também cortou”, relatou.

Paixão e necessidade
Durante a semana, Inácio trabalha como motorista na Prefeitura de Santa Gertrudes, onde foi contratado por três meses. Como só tem mais 30 dias de trabalho garantidos, ele pensou na ‘barbearia móvel’ como alternativa para ganhar algum dinheiro e complementar a renda. “Fiz curso há mais de 10 anos, mas até então era um hobby. Faço por paixão e agora por necessidade, pois sou um batalhador”, contou.

O barbeiro disse que sempre fez trabalho voluntário, cortando cabelos dos velhinhos que ficam no Lago Azul. “Já trabalhei como vigilante e, durante as folgas, ficava cortando cabelos voluntariamente. Tem pessoas que não podem se locomover, então eu pego a bicicleta e vou na casa, consigo ajudar quem não pode pagar”, disse.

Casado e pai de três filhos (de 3, 12 e 18 anos), o barbeiro disse também que tenta resgatar a tradição dos bons tempos da profissão que hoje conta com um setor sofisticado. “O meu mercado é do senhor que ainda passa gel, que gosta de um bigode bem aparado e que vai cortar o cabelo e fazer uma higienização, como tirar a sobrancelhas, pelos das orelhas e do nariz”, explicou.

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