A técnica – e o ceticismo – envolvendo o projeto do 1º transplante de cabeça do mundo

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Um cirurgião italiano que diz ser capaz de realizar um inédito transplante de cabeça afirma que já poderia fazer a operação no ano que vem.

Em entrevista ao programa Newsbeat, da BBC, Sergio Canavero afirma ter voluntários para o procedimento, que consiste em usar o corpo de um doador para ter a cabeça afixada a ele.

Canavero está confiante de que a medicina tem recursos para fazer da técnica uma realidade.

“Não estamos a uma década ou a anos (do transplante). Eu espero ter tudo pronto para começar a trabalhar no final de 2017. Mas é claro que a realização depende da disponibilidade de um doador. O último transplante facial demorou diversos meses para ser feito por falta de um doador adequado. Mas a tecnologia estará disponível”.

Apesar do imenso risco envolvendo a cirurgia, o médico italiano diz ter muitas pessoas se oferecendo como cobaias – dispostas a, na prática, trocar seu corpo por um mais saudável.

Ele diz que, por conta da tecnologia disponível, países como Reino Unido, Alemanha e França seriam os mais indicados para realizar o transplante de cabeça.

Como fazer?

Canavero diz que o transplante requereria a mão de obra de 150 médicos e enfermeiros, duraria 36 horas e custaria o equivalente a R$ 42 milhões. O primeiro passo seria congelar o corpo do paciente para preservar as células do cérebro.

O passo seguinte seria drenar o cérebro de Valery e substituir o sangue com uma solução cirúrgica.

A partir daí, o pescoço do paciente e do doador seriam cortados para que as artérias e veias importantes fossem envoltas com tubos feitos de uma combinação de silicone e plástico – esses tubos seriam comprimidos para impedir o fluxo de sangue e depois afrouxados para facilitar a circulação quando a cabeça fosse reconectada.

Uma parte ainda mais delicada é o corte da medula espinhal, algo que seria feito com um bisturi especial, feito de diamantes, por causa de sua força. A cabeça, então, é movida para o novo corpo e as medulas, conectadas com um tipo especial de cola.

Os desafios seriam enormes, a começar pelo perigo da rejeição do corpo pela cabeça, das dificuldades em reabilitar o paciente após a cirurgia e, sobretudo, da incerteza sobre como será possível integrar a parte da espinha que começa na cabeça e prossegue pelas costas do corpo humano.

Testando a ciência

Canavero conta que primeiro testará o procedimento em doadores que tenham tido morte cerebral.

“Vamos simplesmente cortar a medula espinhal e, durante seis a 12 horas, monitorar a recuperação e a condição neuro-fisiológica”, diz o italiano.

Ele deposita suas esperanças também na substância usada para reconectar a medula espinhal – um polímero inorgânico chamado polietilenoglicol.

“Agora temos uma substância que faz o milagre de renovar uma medula espinhal cortada. Os resultados que temos são espetaculares. Fizemos um teste com um cachorro e ele se recuperou em duas semanas. Ele conseguia correr”.

‘Ficção científica’

A maioria dos especialistas médicos classifica a proposta de Canavero como “ficção científica” e acha que um transplante de cabeça é impossível – além de potencialmente trazer dilemas éticos e submeter pacientes a procedimentos que podem ser muito dolorosos.

Em reportagem de abril, o jornal britânico The Independent citou Arthur Caplan, fundador do Centro de Bioética da Escola de Medicina da Universidade de Nova York, dizendo que Canavero era um “charlatão” que visava a “autopromoção” oferecendo “falsas esperanças” aos pacientes.

Há quem também duvide de que a aprovação de órgãos regulatórios, o financiamento e a capacidade técnica para o transplante estejam disponíveis no fim de 2017, como prevê Canavero.

Em uma conferência de cirurgia cerebral em Annapolis, EUA, em julho, a palestra de Canavero foi uma das mais esperadas e comentadas.

Muitos colegas viram o procedimento com ceticismo; outros destacaram, porém, que diversas descobertas científicas já foram classificadas de “loucura” antes de serem concretizadas – além de terem permitido outros avanços científicos em paralelo a sua concretização.

Canavero, por sua vez, diz já ter testes em macacos para usar como base e que o procedimento tem “90% de chances de sucesso”.

“Isso quer dizer que o paciente acorda sem danos e já começa a andar dentro de um mês ou depois de fisioterapia”, explica.

“Estamos dando esperanças às pessoas que têm sido decepcionadas pela medicina ocidental”.

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