A família que viveu isolada na Sibéria por 42 anos sem saber da 2ª Guerra Mundial e da viagem à Lua

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De 1936 a 1978, os Lykov sobreviveram longe da civilização, após fugirem das patrulhas comunistas que estavam matando cristãos ortodoxos no país.

Durante mais de quatro décadas, a família Lykov viveu completamente isolada da civilização em meio à neve do sul da Sibéria, na Rússia, para fugir da morte pelas mãos do regime soviético.

Foi assim que, vivendo sem rádio ou televisão, Karp, Akulina, Savin, Dmitriy, Natalia e Agafia nunca tomaram conhecimento dos horrores da 2ª Guerra Mundial ou da chegada do homem à Lua.

Sua existência só foi descoberta em 1978, quando quatro geólogos que exploravam a região de helicóptero avitaram primeiro o jardim dos Lykov e, depois, a cabana de madeira onde moravam há 42 anos.

Até então, não havia qualquer registro de atividade humana naquela área, e o assentamento mais próximo ficava a 200 km de distância.

“Quando nos aproximamos da cabana, um senhor com uma barba comprida saiu um pouco assustado. Era Karp, o pai”, disse a geóloga Galina Pismenskaya ao jornalista russo Vasily Peskov, que revelou a história em 1994 no livro Perdidos na Taiga.

“Nós o cumprimentamos, mas não fomos correspondidos de imediato. Depois de alguns minutos, ele disse: ‘Se vieram de tão longe, é melhor que entrem.”

‘Velhos crentes’

Pouco a pouco, os geólogos começaram a interrogar os membros da família para saber como haviam chegado até ali e, principalmente, como haviam sobrevivido ao rigor do clima siberiano por tanto tempo.

Logo nos primeiros intercâmbios de histórias, o que mais chamou atenção da família foi uma caixa que os geólogos levaram para a cabana: era uma televisão.

De acordo com o relato de Peskov ao jornalista britânico Mike Dash na revista Smithsonian Magazine, por causa do isolamento, os Lykov haviam se esquecido um pouco do idioma russo que falavam quando abandonaram a civilização.

Depois de várias visitas e conversas não só com Karp, mas também com outros membros da família, os geólogos conseguiram saber o motivo que os levou àquele lugar.

Karp e sua mulher, Akulina, eram o que se chama na Igreja Ortodoxa Russa de “velhos crentes”, cristãos partidários de ritos e da liturgia mais antiga.

Os “velhos crentes” não aceitavam as profundas mudanças que haviam ocorrido em sua igreja em 1654 com a chamada Reforma de Nikon. Por isso, foram perseguidos não só pelos czares, mas também pelo regime comunista que se instalou no país a partir de 1917.

Essa perseguição chegou a Karp e Akulina em 1936. O homem narrou como eles decidiram fugir após uma patrulha bolchevique atirar em seu irmão quando eles trabalhavam nos arredores da cidade onde viviam no sul da Rússia.

Com sua mulher e os filhos que tinham até o momento (Savin e Natalia), ele pegou alguns pertences, vários tipos de sementes que tinha guardados e submergiu nas profundezas da taiga, o bosque de árvores e neve siberiano.

Ali, começaram uma nova vida, longe das patrulhas que queriam executá-los por suas crenças e isolados de tudo que acontecia no restante do mundo.

Nesse tempo, ocorreu a 2ª Guerra Mundial, o assassinato do presidente americano John F. Kennedy, a chegada do homem à Lua. Enquanto isso, a família se dedicava a ler a Bíblia, a semear e caçar sua própria comida e a fazer roupas a partir de peles de animais.

Nesse lugar inóspito, a família cresceu conforme o casal teve mais dois filhos: Dmitriy e Agafia.

Luta pela sobrevivência

A maioria das reservas de petróleo e gás natural da então União Soviética – e, hoje, da Rússia – repousam sob o solo siberiano. Os quatro geólogos buscavam um novo local de exploração quando avistaram a cabana dos Lykov e mudaram de planos.

A descoberta gerou uma comoção nacional, segundo Peskov. As pessoas queriam saber como uma família havia conseguido chegar e, sobretudo, sobreviver ali sem que o inverno russo a aniquilasse.

Não foi fácil. Os testemunhos dos cinco membros restantes da família (Akulina havia morrido em 1961), registrados por Peskov, dão conta de uma luta pela sobrevivência sem as ferramentas adequadas.

Para comer, contavam apenas com os alimentos que cresciam a partir das sementes trazidas com eles e com os animais que caçavam, muitas vezes com os pés descalços, até mesmo no inverno.

“Sua vida era bastante primitiva, especialmente porque não podiam substituir as ferramentas que haviam levado em sua fuga em 1936”, explicou Dash.

Por quase uma década, eles viveram o que chamaram de “anos de fome”, quando tinham de decidir se comiam o que havia resistido às pragas e aos animais selvagens ou se deixavam algumas sementes para cultivá-las no ano seguinte.

Em certa ocasião, tiveram de comer o couro de seus sapatos e se vestir com as peles de ursos e outros animais que matavam.

As condições extremas também haviam feito com que se mudassem para cada vez mais longe dos centros urbanos e pequenos vilarejos – e essa foi a principal razão de tal isolamento.

Mortes seguidas

Segundo Peskov, o interior da cabana onde a família vivia parecia medieval: as vasilhas eram feitas com madeira, o chão era forrado com folhagens do bosque, e as paredes não tinham janelas, porque não havia vidro para protegê-los do frio.

Foi por meio da televisão trazida pelos geólogos que eles se deram conta de tudo que havia ocorrido do mundo naquele tempo, dos horrores da guerra aos avanços da ciência, entre muitas outras mudanças da vida cotidiana.

Quando souberam da existência de satélites, compreenderam o que tinham visto no céu, mas não conseguiam explicar: “Ah, essas são as estrelas que pareciam girar cada vez mais rápido”.

A princípio, a única coisa que a família recebeu dos geólogos foi sal. “Foi uma tortura viver por todos esses anos sem isso”, disse o patriarca, que, a não ser por isso, pretendia continuar a levar a mesma vida.

Mas foi inevitável retomar o contato com as localidades mais próximas. Os Lykov começaram a receber cada vez mais coisas e também se renderam à magia da televisão.

Ainda que Peskov e Dash digam que o que se passou a seguir não se deveu ao contato com a civilização, três dos cinco integrantes da família morreram em 1981 por causa de diferentes doenças.

Dmitry e Natalia desenvolveram uma infecção nos rins – devido à limitada dieta que levaram por anos -, e Savin não resistiu a uma pneumonia causada por uma infecção. Por sua vez, Karp morreu em 1988.

A única sobrevivente, Agafia, decidiu ficar longe das cidades, como lhe ensiram seus entes queridos. Ela queria morrer no mesmo lugar onde havia aprendido a viver.

 

 

Por que as abelhas podem ser o segredo para a superinteligência humana?

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Uma ferramenta inspirada em enxames de insetos está ajudando as pessoas a prever o futuro, tornando grupos mais inteligentes do que seus membros são individualmente.

Quem acredita ter descoberto uma forma de aumentar a inteligência de todos nós é Louis Rosenberg. E o segredo é simples: abelhas.

Rosenberg tem uma startup no Vale do Silício, a Unanimous AI, que criou uma ferramenta para facilitar a tomada de decisões levantando opiniões online.

A ferramenta permite que centenas de participantes respondam a uma questão todos de uma vez, juntando suas opiniões coletivas, tendências, preconceitos e variações de conhecimentos em uma única resposta.

Desde seu lançamento, em junho, até a primeira quinzena de dezembro, a Unanimous AI registrou cerca de 50 mil usuários e respondeu 230 mil questões.

Rosenberg acredita que o Unanimous AI pode ajudar a responder algumas das questões mais difíceis da atualidade. E mais: ele acredita que mesmo com avanços cada vez mais rápidos em inteligência artificial os humanos ainda podem ser cruciais na tomada de decisões.

“Não podemos parar o desenvolvimento de inteligências artificiais cada vez melhores. Então, a alternativa é nós ficarmos cada vez mais inteligentes para estarmos sempre um passo à frente”, explicou.

E é aí que entram as abelhas.

“Se você analisar espécies sociais como as abelhas, elas trabalham juntas para tomar decisões melhores. Por isso as aves formam bandos e os peixes, cardumes – isso permite que eles reajam de forma otimizada combinando a informação que possuem. A questão para nós era: pessoas conseguem fazer isso?”, disse Rosenberg.

Tudo indica que sim.

O Unanimous AI conseguiu um índice de acerto muito bom em alguns eventos: a previsão dos vencedores do Oscar; vencedores da Stanley Cup, o Campeonato Nacional de Hockey, em 2016; os quatro primeiros colocados na corrida de cavalos de Kentucky Derby de 2016, transformando uma aposta de US$ 20 (quase R$ 64) em um prêmio de US$ 11,8 mil (mais de R$ 37 mil).

Mais recentemente a ferramenta previu não apenas o time vencedor do campeonato americano de beisebol, o World Series Baseball, o Chicago Cubs, que não vencia desde 1908. Mas também previu quem seria o adversário dos Cubs na final, o Cleveland Indians.

Além disso, o Unanimous AI também previu quem seriam os oito times que chegariam nas fases finais do campeonato. Todas as previsões foram publicadas quatro meses antes no jornal americano Boston Globe.

‘Sabedoria da multidão’

Para Toby Walsh, pesquisador em inteligência artificial da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, a “sabedoria da multidão já é bem conhecida”.

“Vários métodos já foram desenvolvidos para usar a inteligência coletiva”, acrescentou.

Um exemplo é a previsão para mercados, na qual as pessoas fazem apostas financeiras, na bolsa de valores, por exemplo, tendo como base o resultado de um evento futuro.

O comportamento geral do mercado pode ser usado como um indicador da probabilidade daquele evento.

Outro exemplo vem do ano de 1999. Menos de três anos depois de perder uma partida para o computador Deep Blue, da IBM, o campeão mundial de xadres Gary Kasparov resolveu enfrentar uma multidão de 50 mil pessoas em um jogo pela internet.

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Ele venceu, mas disse que nunca tinha se esforçado tanto em um jogo, que ele chamou de o maior jogo na história do xadrez, graças ao número incrível de ideias e diferentes pontos de vista.

Essa ideia de enfrentar ou pedir a opinião de muitas pessoas ao mesmo tempo não é nova. Há registros dela no começo do século 20.

Em 1906, Francis Galton, um erudito da época, pediu a 787 agricultores que adivinhassem o peso de um boi.

Os palpites foram variados mas a média entre todos foi apenas 450 gramas abaixo da resposta correta, que era de 542,9 quilos.

Há alguns anos, a Rádio Pública Nacional dos Estados Unidos (NPR, na sigla em inglês) repetiu a experiência pedindo a mais de 17 mil pessoas para adivinhar o peso de uma vaca em uma fotografia.

Novamente a média chegou muito perto – cerca de 5% diferente do peso correto. E, neste caso, a multidão não era formada por fazendeiros.

Pequenos enxames

O que está claro é que opiniões abalizadas fazem parte desse fenômeno. Mas, assim como na experiência da NPR, os participantes das experiências de Rosenberg não são especialistas.

Ninguém do grupo que previu quem seriam os ganhadores do Oscar sequer tinha visto todos os filmes concorrentes, por exemplo.

E, mais importante, grupos relativamente pequenos, ou pequenos enxames, têm um desempenho melhor que as multidões maiores.

No ano passado Rosenberg fez a pergunta da vaca para um grupo. Com respostas de apenas 49 pessoas, a precisão do palpite mais que dobrou quando os pesquisados agiram como um enxame em comparação à simplesmente calcular a média entre as respostas do grupo.

Rosenberg afirma que isto é mais do que a sabedoria das multidões. “Nós deixamos os grupos de pessoas mais inteligentes”, explicou.

A sabedoria das multidões geralmente é mais usada através de pesquisas ou votações. E, para Rosenberg, isto tem um efeito de amplificação – nossa tendência é tomar decisões melhores como um grupo do que como indivíduos.

Mas a abordagem de Rosenberg foi criada para melhorar ainda mais este quadro.

“Enxames vão superar (o desempenho de) votações e pesquisas pois permitem que (a opinião do grupo) convirja para a melhor resposta, ao invés de simplesmente descobrir qual é a média das opiniões”, contou.

Escolher uma resposta desta forma é importante pois impede a influência daqueles que dão a resposta primeiro. Por exemplo: em votações públicas, as pessoas que votam primeiro podem influenciar um grupo.

E em termos de previsão dos mercados, aqueles com mais dinheiro têm uma influência maior no resultado final. E estas forças podem distorcer o quadro final.

Decisões coletivas

Rosenberg trabalhou com sistemas de realidade aumentada para o Armstrong Labs da Força Aérea Americana no começo da década de 1990.

Mas ele se interessou por abelhas. Por exemplo: quando um enxame de abelhas quer estabelecer uma nova colmeia, precisa tomar uma decisão coletiva na hora de escolher o lugar.

Algumas centenas de abelhas vão voar em direções diferentes para ocupar possíveis lugares. Quando elas voltam, fazem uma dança, se balançando, para passar a informação sobre o que encontraram para o enxame.

Cada uma destas abelhas que saíram em busca de um novo local para a colmeia vai tentar puxar o grupo para o seu lado e, no fim, elas decidem em grupo qual direção seguir, tomando uma decisão que nenhuma abelha sozinha poderia tomar.

Rosenberg está tentando capturar a mesma dinâmica com seus enxames humanos. Responder uma questão com a ferramenta Unanimous AI envolve mover um ícone para um canto da tela ou para outro – indo a favor ou contra a multidão – até alcançar uma convergência de ideias ou opiniões.

Os indivíduos precisam disputar o tempo todo com os membros do grupo para persuadi-los a se inclinar em direção de sua solução preferida.

Experiências já mostraram que esta abordagem supera a previsão que usa pesquisas.

Em outro estudo, Rosenberg e seus colegas pediram a um grupo de 469 torcedores do futebol americano para prever os resultados de 20 apostas no Super Bowl de 2016.

Em seguida, eles fizeram a mesma proposta para um grupo de apenas 29 torcedores. Apesar de ser 16 vezes menor – e não ter informações melhores – este grupo acertou em 68% de suas previsões em comparação com apenas 48% no grupo maior.

Empresas e médicos

No entanto Rosenberg não está tão interessado em apostas e esportes. Ele sabe que alguns vão querer usar a ferramenta para melhorar suas apostas.

“Se ficar muito popular, poderá afetar a forma como as probabilidades são calculadas”, explicou.

Para ele os eventos esportivos são apenas bons testes para a ferramenta.

Rosenberg está oferecendo a Unanimous AI para empresas. O sucesso da ferramenta despertou o interesse de muitos grupos, desde organizações que fazem previsões financeiras até empresas de pesquisa de mercado.

“O valor de longo prazo do ato de ampliar a inteligência das pessoas é muito mais importante do que apostas em esportes”, disse.

Por exemplo: equipes de vendas podem fazer previsões melhores se pensarem como um enxame.

“O objetivo é realmente fazer melhor uso do conhecimento, da sabedoria e da intuição que já existe em uma equipe.”

A ferramenta também despertou o interesse de médicos. Um diagnóstico médico é uma forma de previsão que pode se beneficiar da inteligência do enxame, de acordo com o criador da Unanimous AI.

“Um radiologista, um oncologista, outros especialistas podem chegar a uma conclusão sobre um diagnóstico e nossa visão é que eles podem fazer um uso melhor dos seus conhecimentos e intuições combinados”, afirmou Rosenberg.

Máquinas já são capazes de fazer diagnósticos. Mas, para Rosenberg, os enxames humanos têm uma vantagem.

“Existe muito trabalho por aí para tirar as pessoas da equação em coisas como o diagnóstico médico. Mas se você está tirando humanos da equação, você corre o risco de acabar com uma forma muito fria de inteligência artificial que realmente não tem o sentido do interesse humano, das emoções ou valores humanos.”

Imprevisível

Os temores do criador da Unanimous AI vão além dos diagnósticos médicos.

“Se construirmos uma inteligência artificial que é realmente inteligente, então será imprevisível, como se alienígenas aparecessem na Terra.”

Rosenberg afirma que ampliando nossa inteligência, criando estes enxames humanos, é uma forma que nos manter na corrida.

“É um jeito de ter os benefícios da inteligência artificial, mas mantendo as emoções, valores e intuição dos humanos.”

É uma ideia grandiosa. Que Toby Walsh, da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, prefere encarar com mais cautela.

“Infelizmente existe uma diferença entre um simples experimento de laboratório e como as pessoas se comportam em um mundo bagunçado”, disse.

“Eu teria menos certeza de que armadilhas (sociais) como a tragédia dos comuns – onde indivíduos egoístas agem contra os interesses do grupo – podem ser evitados com tanta simplicidade.”

Para Walsh, este tipo de atitude humana pode atrapalhar na hora de se chegar a um consenso.

“Mudança climática é um bom exemplo da tragédia dos comuns onde a inteligência do enxame não vai ajudar”, alertou.

E há outra razão para preocupação. Enxames às vezes acabam em catástrofe.

Formigas, por exemplo, formam grandes grupos, deixando para trás uma trilha de feromônios que outras formigas vão seguir.

O comportamento às vezes leva a um fenômeno conhecido como espiral da morte, que acontece quando formigas seguem a formiga logo à frente em um círculo cada vez maior até que todas morrem.

Ainda assim, Rosenberg não parece preocupado.

“Enxame é uma forma muito simples de nos manter à frente das máquinas.”

E com as pesquisas de opinião fracassando de forma espetacular na previsão dos resultados do referendo para a saída da União Europeia, na Grã-Bretanha, e dos resultados das eleições nos Estados Unidos, este pode ser o momento certo para tentar usar nossa inteligência coletiva.

Então a Unanimous AI é uma espiral da morte ou um atalho para um futuro mais inteligente? Talvez esta seja mais uma pergunta para o enxame.

 

Formigas têm GPS sofisticado e podem andar para trás

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Insetos usam a posição do Sol e sua memória visual dos lugares. Formigas caminham para trás quando precisam transportar cargas pesadas.

As formigas têm um sistema de navegação GPS muito sofisticado que lhes permite se orientar sem problemas, incluindo andando para trás quando transportam cargas pesadas de comida, segundo os pesquisadores.

Para se guiar e encontrar o caminho de seu formigueiro, estes insetos utilizam a posição do Sol e sua memória visual dos lugares, explicam estes entomologistas, cujo estudo foi publicado na quinta-feira (19) na revista americana “Current Biology”.

Estes cientistas observaram que as formigas caminham para trás e param de vez em quando para olhar ao redor com o objetivo de verificar onde estão e utilizar esta informação para estabelecer seu itinerário em função do sol.

Esta descoberta sugere que são capazes de aproveitar as interações espaciais no mundo exterior, e não apenas com relação a elas.

Inspiração para programas

Sua alta capacidade de ajuste para navegar pode ser uma fonte de inspiração para criar novos programas de computador destinados a orientar os robôs, estimam os pesquisadores.

Embora as formigas geralmente caminhem para frente quando transportam pequenos pedaços de comida, muitas vezes caminham para trás quando precisam transportar cargas pesadas ao seu formigueiro.

Estas observações sugerem que as formigas aparentemente são capazes de reconhecer o mundo ao redor delas, seja qual for a direção que tomem.

Também podem manter seu nível de orientação quando se deslocam em todas as direções: para frente, para trás ou lateralmente.

“As formigas têm um cérebro relativamente pequeno, cujo tamanho é inferior à cabeça de um alfinete, mas, apesar disso, podem navegar sem problemas em condições difíceis”, explica a professora Barbara Webb, da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido.

“Compreender seu comportamento nos dá novas informações sobre o funcionamento de seu cérebro e pode nos inspirar a conceber sistemas robóticos que reproduzam suas funções cerebrais”, acrescenta.

Para entender como estes insetos enfrentam diversos obstáculos e ajustam seu trajeto para encontrar o caminho de volta para casa, os estudiosos colocaram à prova formigas do deserto em seu ambiente natural.

Os pesquisadores colocaram espelhos para alterar sua percepção da posição do sol e então constataram que as formigas iam na direção errada.

Este estudo internacional também foi realizado por uma equipe de cientistas da Universidade Nacional Australiana e do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França.

Ambulâncias que interrompem emissão de rádio dos automóveis? Na Suécia, será possível

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Uma equipe de estudantes do Instituto Real de Tecnologia de Estocolmo, na Suécia (KTH, na sigla em sueco), criou um sistema que garante que os motoristas ouvirão uma ambulância se aproximando, não importa o quão alta esteja a música em seus carros. Chamado de EVAM System, o sistema interrompe o áudio de carros próximos à ambulância e o substitui por um aviso.

Além do aviso em áudio, o display do rádio de carros próximos também mostrará um aviso que informa da proximidade de um veículo de emergência. Como o sinal é enviado ao longo da banda FM de rádio, todos os carros equipados com Radio Data System (RDS) ouvirão o aviso. O RDS é um sistema de transmissão de dados via rádio que já é comum em carros no Brasil desde ao menos 2013.

Segundo Mikael Emeberg, um dos criadores do sistema, o objetivo é reduzir o estresse e os acidentes causados por ambulâncias. “Normalmente os motoristas só têm poucos segundos para reagir e dar passagem a veículos de emergência”, diz. “O melhor tempo de aviso possível é de 10 a 15 segundos [antes de a ambulância chegar]. Queremos chamar a atenção dos motoristas com antecedência para mitigar o estresse que compromete a segurança nas ruas”, completa.

“Ambulância se aproximando”

De acordo com Florian Curinga, outro dos criadores do sistema, os avanços em isolamento acústico dos carros têm causado um aumento no número de acidentes de trânsito envolvendo ambulâncias. Como o carro é protegido contra sons externos, os motoristas não ouvem o veículo de emergência se aproximando. Aumentar o som das sirenes seria uma solução, mas isso prejudicaria todas as outras pessoas próximas à ambulância – e talvez sequer surtisse efeito sobre o motorista.

Para garantir que o aviso sempre chegue aos motoristas dentro do tempo ideal de resposta, o EVAM System consegue reagir a difrenças de velocidade máxima. Por isso, em uma estrada, por exemplo, o sistema será ativado a uma distância maior para compensar a alta velocidade. Numa rua de bairro, a ativação ocorrerá a uma distância menor entre a ambulância e o carro.

O sistema começará a ser testado na Suécia até abril deste ano, e poderá ser expandido caso se verifique que ele é capaz de reduzir acidentes. Um possível problema que o Engadget aponta é o fato de que as ondas de rádio com o aviso podem afetar carros que estejam em outras ruas – ou mesmo rádios com RDS que não estejam em carros. No entanto, por se tratar de uma fase de testes, é provável que esses problemas sejam resolvidos no futuro.

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Experiência atinge a menor temperatura da história

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Cientistas superam barreira imposta pela física quântica e se aproximam da menor temperatura possível: – 273,15 °C, o zero absoluto

O frio é sinônimo de sofá, cobertor e chá quente. E essa preguiça dos meses de inverno também se manifesta em escala atômica. Afinal, a temperatura de um objeto nada mais é que o grau de agitação de suas partículas. Se nós pudéssemos observá-las com um microscópio o que ainda não é possível na prática , veríamos os átomos de objetos quentes em festa, e os átomos de objetos frios meio tristes e abatidos.

Isso impõe um limite prático ao frio: quando já se está parado, não dá para ficar ainda mais parado. Em números, esse estado de inanição total equivale a – 273,15 °C, o zero absoluto da escala Kelvin. Para alcançar esse estado, porém, não basta colocar átomos numa geladeira – ela não seria forte o suficiente, e a culpa é toda da física quântica. Agora, a equipe do americano Jeremy B. Clark, físico do National Institute of Standards and Technology, deu um jeito de driblar a interferência do mundo subatômico. E chegar mais perto do que nunca do zero absoluto.

No laboratório, a melhor maneira de resfriar algo é iluminá-lo. Em contato com a medida certa de fótons (as partículas que compõem a luz e as demais ondas eletromagnéticas), os átomos perdem uma grandeza física chamada momento. Ele é a capacidade que uma força tem de fazer um objeto girar em torno de seu eixo de rotação. Um átomo sem momento, portanto, é um átomo “paradão”.

LEIA: Como uma pessoa morre de frio?

Em escalas tão pequenas, porém, há um problema: a mecânica clássica de Isaac Newton, que prevê com sucesso o movimento de corpos grandes como eu, você e Júpiter, para de valer. E entra em cena a física quântica, um reino em que imperam probabilidades [entenda melhor aqui]. Essa imprevisibilidade toda deixa um “restinho” inevitável de agitação chamado quantum backaction limit, que impedia a ciência de alcançar o frio absoluto. Até agora.

O que Clark fez foi usar um estado especial da luz chamado squeezed light (em português, algo como “luz comprimida”) para frear o resíduo de movimento dos átomos. Esse tipo de luz têm menos flutuações e é muito eficiente em arrancar a energia do objeto. “Pode parecer contraintuitivo”, afirmou Kaplan, um dos membros da equipe, à Smithsonian Mag. “Nós estamos acostumados a usar a luz para aquecer as coisas, como o Sol faz. Com essa técnica, porém, a frequência e o ângulo da luz são calibrados para permitir que os fótons arranquem energia dos átomos durante a interação”. Luz que esfria em vez de esquentar.

A temperatura alcançada está a uma distância minúscula do zero absoluto: algumas centenas de microkelvin, um valor de quatro casas após o zero, separam o experimento do sucesso. Aperfeiçoando o método, os cientistas logo serão capazes de bater os – 273,15 °C necessários. O objeto resfriado em questão é o disco microscópico de alumínio que você vê abaixo, com apenas 100 nanômetros de espessura. Chamado de “tambor”em inglês, é a primeira coisa maior que um átomo a alcançar uma temperatura tão baixa.

Aplicar objetos tão frios a um computador é o próximo passo para uma revolução tecnológica. “Quanto mais frio ficar o tambor, melhor ele é para qualquer aplicação”, explicou um dos co-autores do artigo, John Teufel, ao Futurism. “Sensores ficarão mais sensíveis. Você pode armazenar informação por mais tempo. Se aplicados em um computador quântico, então os cálculos seriam feitos sem distorções, e as respostas seriam exatas”.

Alguém aceita um casaco?

Rússia planeja criar carro voador tripulado

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Segundo o consultor-chefe do invento, o transporte será capaz de decolar quase verticalmente e aterrissar em terreno acidentado

O Fundo de Pesquisas Inovadoras pretende criar um “carro voador”, capaz de decolar quase verticalmente e aterrissar em terreno acidentado.

A divulgação foi feita pelo consultor-chefe do departamento de pesquisas físico-técnicas do Fundo, Yan Chibisov.

“Trata-se de um verdadeiro veículo voador, mas com a facilidade de transporte e pilotagem de um carro. Até o momento existe uma grande diferença entre um piloto e um condutor de carro. A diferença deve ser eliminada — é esta a nossa supertarefa”, disse ele durante um encontro com engenheiros de empresas produtoras do setor.

Segundo ele, o aparelho será destinado para transportar cargas e passageiros com a capacidade máxima de 1.000 kg. Ao mesmo tempo, sublinhou que o veículo não será um drone, mas terá um sistema automático de controle, decolagem vertical e aterrissagem em local acidentado, bastando uma área de 50 por 50 metros.

Chibisov destacou que o veículo poderá ser utilizado em diferentes operações de resgate. (Sputnik)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tubarão engravidou de si mesmo. Caso inédito de partenogênese é registrado

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Normalmente, os leites pasteurizados duram cerca de duas a três semanas antes de azedar e coalhar – algo que também é utilizado para a produção de certas sobremesas. No entanto, um novo processo desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Purdue, nos EUA, promete prolongar por até 63 dias a vida dos leites sem a adição de químicos, segundo informações do Gizmodo.

A descoberta foi feita pelo pesquisador Bruce Applegate, juntamente com colegas da Universidade do Tennessee. Eles conseguiram aumentar a temperatura do leite em 10 graus em menos de um segundo. O processo, descrito na revista SpringerPlus, eliminou mais de 99% das bactérias deixadas para trás após a pasteurização inicial.

 

O leite que vem das vacas é normalmente embalado com microrganismos. Assim, para que esteja apto ao consumo humano, precisa ser pasteurizado para que uma quantidade significativa de patógenos prejudiciais sejam removidos; uma técnica foi desenvolvida no século 19, por Louis Pasteur. Logo, nos leites comercializados basicamente não há microrganismos e agora, o novo processo promete destruir a maior parte dos vestígios deixados, aumentando consideravelmente a data de validade do leite.

 

O processo consiste em colocar gotículas minúsculas de leite pasteurizado em uma câmara aquecida, pressurizando até que aumente rapidamente e diminua a temperatura dele até 10°C. Após isso, os pesquisadores verificaram que o leite, pré-carregado com Lactobacilos e Pseudomonas, apresentou níveis inferiores de bactérias. Uma parte interessante sobre este método é que ele já usa o calor necessário para pasteurizar o leite, por isso não é necessário que passe previamente pelo processo de pasteurização regular.

Com esse tratamento, você está tirando quase tudo”, disse Applegate. “Tudo o que sobrevive está em um nível tão baixo que levará muito mais tempo para que se multipliquem a um ponto que danifica a qualidade do leite”.

 

Até o momento, não foram encontradas diferenças entre o leite pasteurizado e o que passou pelo processo dos cientistas, incluindo aroma, sabor e cor. No entanto, os pesquisadores admitem que a técnica não é perfeita e que ainda estão lidando com alguma pequenas questões sobre contaminação. Logo, eles dizem que as experiências iniciais mostram uma promessa de algo que poderá ser útil e aumentado em uma escala industrial.

 

O processo em questão, chamado de câmara LTST, foi desenvolvido pela Millisecond Technologies, de Nova York. Agora, a empresa e os pesquisadores que desenvolveram o método pretendem lucrar com isso, mas precisam percorrer um longo caminho até que estejam aptos para propor algo que reduza o desperdício de alimentos. Até o momento, não há nenhuma informação de quando esse ‘super leite’ estará disponível nos supermercados.

[ Gizmodo / Springer Plus ] [ Fotos: Reprodução / Purdue Agriculture Communication photo/Tom Campbell ]