Técnica em estudo ‘lê’ pensamento de pacientes completamente paralisados

eletrodo

Pacientes com a chamada síndrome do encarceramento conseguiram responder “sim” ou “não” a perguntas apenas com o pensamento.

Pacientes com a síndrome do encarceramento – também conhecida como l”ocked-in syndrome” – não conseguem mover nenhum músculo voluntário do corpo, apesar de se manterem conscientes e com raciocínio perfeito.

Foi esse o caso do jornalista e escritor francês Jean-Dominique Bauby que, depois de um AVC, ficou quase totalmente paralisado, restando apenas o movimento do olho esquerdo. Por meio de uma técnica desenvolvida por sua fisioterapeuta, ele aprendeu a se comunicar com piscadas que indicavam as letras do alfabeto e assim pôde contar sua própria história no livro “O escafandro e a borboleta”, que depois virou filme.

Mas alguns pacientes não mantêm nem mesmo o controle dos olhos, o que torna a comunicação com o mundo externo praticamente impossível. Uma equipe de pesquisadores liderada pelo cientista Niels Birbaumer, do Centro Wyss para Bio e Neuroengenharia em Genebra, na Suíça, está trabalhando para resolver esse problema por meio de uma interface cérebro-máquina.

Participaram dos testes quatro pacientes que se tornaram completamente paralisados devido à esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença neurodegenerativa do físico Stephen Hawking.

Eles tiveram a atividade elétrica cerebral e a quantidade de oxigênio no sangue medidas pela associação de dois testes não-invasivos: espectroscopia no infravermelho próximo e eletroencefalografia. Essas atividades eram decodificadas por um computador que “aprendeu” a identificar quando o paciente queria responder “sim” ou “não” às perguntas feitas por meio das mudanças na oxigenação do cérebro.

Perguntas com respostas conhecidas — como “O nome do seu marido é Joachim?” – tiveram uma taxa de acerto de cerca de 70%, o que demonstra que a técnica foi realmente eficaz em identificar as respostas e que os acertos não foram um mero acaso.

“Descobrimos que todos os quatro pacientes que testamos conseguiram responder a perguntas pessoais que fizemos a eles, usando apenas seu pensamento”, diz Birbaumer.

Os pesquisadores também perguntaram se os pacientes se sentiam felizes, o que resultou em repetidas respostas “sim”, indicando que eles mantêm uma atitude positiva diante de sua situação. Birbaumer conta que ficou surpreso com a resposta. “O que observamos foi que desde que eles estejam recebendo cuidados satisfatórios em casa, eles acham sua qualidade de vida aceitável. É por esse motivo que, se pudermos tornar essa técnica amplamente disponível, ela poderia ter um enorme impacto no dia a dia das pessoas com a síndrome.”

As famílias também puderam sugerir perguntas específicas para submeter aos parentes paralisados. Em um dos casos relatados pelos pesquisadores, um paciente respondeu “não” em 9 de 10 vezes quando questionado se ele concordava que sua filha se casasse com o namorado. Os resultados da pesquisa foram publicados nesta terça-feira (31) no periódico “PLOS Biology”.

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