Descoberto minério que converte luz solar, calor e movimento em eletricidade

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Cientistas encontraram um material com propriedades para extrair energia de várias fontes ao mesmo tempo

As energia renováveis podem ganhar uma nova fonte. Cientistas da Universidade de Oulu, na Finlândia, acabam de descobrir um mineral que é capaz de transformar luz solar, calor e energia cinética em eletricidade. E o mais impressionante: tudo ao mesmo tempo.

O material é um tipo de cristal, chamado de KBNNO, que  pode ser um modo alternativo de carregar aparelhos eletrônicos, como celulares e laptops, e outros apetrechos high-tech – já que ele não teria energia o suficiente para abastecer uma casa inteira.

O elemento faz parte da família perovskita – minerais raros que são capazes de produzir energia a partir de algumas fontes: raios solares, temperatura e movimento. Esta é a primeira vez que os pesquisadores conseguem identificar um material que possa converter as três fontes simultaneamente.

De acordo com o estudo, publicado no jornal Applied Physics Letters, o KBNNO é um material ferroelétrico com moléculas polares, que funcionam como as agulhas de uma bússola. Quando são estimuladas por algum fator físico, como a mudança de temperatura, por exemplo, elas acabam se desalinhando – o que desencadeia uma corrente elétrica.

O único empecilho dessa nova descoberta seria a eficácia da produção de energia, que é menor em comparação com os perovskitas especializados, como a de células solares – que já são usadas em tecnologias de captação de luz. Mais baratas, já bateram o recorde de eficiência, passando de 3,8% de conversão de eletricidade em 2009, para 25,5% em 2016. Mas, enfrentam um problema natural: e quando não há luz do Sol?

E é aí que entra o KBNNO. O grupo de pesquisadores estão otimistas e acreditam que é possível aumentar o nível de eficiência com ajustes na composição do material. A expectativa é que o mineral já esteja pronto para ser comercializado em 2018.

 

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Americano que atirou em si mesmo recebe transplante de rosto

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Andy Sandness atirou no próprio rosto em meio a uma crise de depressão. O doador morreu em tragédia semelhante: atirando em si mesmo, aos 21 anos

O americano Andy Sandness finalmente voltou a ter uma vida normal. Em 2006, aos 21 anos, ele atirou em si mesmo durante uma crise de depressão. Após passar por diversos procedimentos ao longo de dez anos, em junho do ano passado Andy foi submetido a um transplante de rosto na Clínica Mayo em Rochester, nos Estados Unidos e agora tem vida normal. Seu doador, um jovem de 21 anos, morreu em tragédia semelhante: atirou em si mesmo, segundo informações da agência de notícias AP.

Andy atirou no próprio rosto em 2006, aos 21 anos de idade, em meio a uma crise de depressão. Ele se arrependeu na hora e implorou para os médicos não o deixarem morrer. Em consequência do tiro, Sandness ficou sem nariz e mandíbula. A boca estava dilacerada, sobraram apenas dois dentes e ele perdeu parte da visão do olho esquerdo.

Após o incidente, o jovem foi tratado em dois hospitais e, em seguida, transferido para a Clínica Mayo, onde conheceu o cirurgião plástico Samir Mardini, especializado em reconstituição facial. Na época, a equipe de Mardini reconstruiu sua mandíbula com osso, músculo e pele retirados do quadril e da perna. Eles reconectaram os ossos da face com placas de titânio e parafusos.

Após quatro meses e cerca de oito cirurgias, Andy retornou para sua cidade, onde foi acolhido por famílias e amigos.  Mas a adaptação não foi fácil: ele quase não tinha vida social e frequentemente se recolhia no campo para caçar ou pescar.

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Como a realidade virtual pode ajudar cientistas a ‘viajar’ por dentro de tumor e tratar câncer

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Cientistas da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, receberam 20 milhões de libras (R$ 80 milhões) para desenvolver pelos próximos seis anos um projeto que pode ser capaz de mudar a forma como médicos lidam com câncer.

 

Eles criaram um mapa digital em 3D que permite usar a realidade virtual de forma inédita para reconstituir e estudar tumores reais.

A princípio, os pesquisadores se concentrarão em aplicar a tecnologia ao câncer de mama.

Os recursos foram concedidos pela ONG Cancer Research UK, que seleciona anualmente pesquisas na área para investir.

Os cientistas acreditam que o software permitirá obter uma compreensão mais detalhada de como o câncer funciona no nível celular.

Isso pode levar a progressos na forma como a doença é diagnosticada e tratada. Ao mesmo tempo, poderá dar aos pacientes uma melhor compreensão de sua condição.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o câncer é a segunda doença mais mortal em todo o mundo.

Em 2015, de acordo com os dados mais recentes, 8,8 milhões de pessoas morreram por causa de tumores, o que representa uma em cada seis mortes registradas naquele ano.

Os principais tipos de câncer responsáveis por esse índice são os de pulmão, fígado, colorretal, estômago e mama.

BBC

 

Criatura bizarra encontrada em praia é identificada na Nova Zelândia

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Essa espécie de enguia chega até a 2,5 metros e vive em fundos arenosos ou enlameados a 300 metros de profundidade.

 

Uma criatura estranha encontrada em uma praia do parque Kulim, na Nova Zelândia, foi identificada como sendo uma espécie de enguia Ophisurus serpens, segundo o especialista Russ Hawkins.

Murry Milgrew pisou na estranha criatura quando estava com seu amigo Sandy Fenton no parque. Inicialmente, ele pensou que fosse o pescoço de um cisne morto.

Ele pegou o animal e o levou de volta à praia para examinar.

De acordo com o especialista, essa espécie de enguia chega até a 2,5 metros e vive em fundos arenosos ou enlameados a 300 metros de profundidade. Ela usa sua cauda óssea para cavar um buraco no fundo e ficar de emboscada à espera de presas.

“Parecia uma criatura pré-histórica”, disse Sandy.

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Italiano é a pessoa com mais diplomas universitários no mundo

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Nada mais distante da imagem típica de um erudito. O italiano Luciano Baietti, 70 anos, tem um desejo de superação que o converteu na pessoa com mais diplomas universitários no mundo, o que não o impede de levar uma vida normal.

“Através dos livros, me sinto mais livre. Efetivamente, as duas palavras têm a mesma etimologia”, reconhece à AFP Luciano Baietti, que tem 15 títulos acadêmicos, um recorde mundial.

O escritório de sua casa de Velletri, uma localidade perto de Roma, decorado com um estilo kitsch, tem as paredes cobertas com seus diplomas.

Uma cópia do retrato do escritor francês Louis-François Bertin, produzido pelo pintor Dominique Ingres em 1832, decora o espaço.

“Era um homem de cultura e conhecimento”, diz Baietti, ex-diretor de uma escola de ensino médio, que entrou no Livro Guinness dos Recordes em 2002 depois de ter obtido seu oitavo diploma universitário, em Ciências do Esporte na Universidade Sapienza de Roma.

Entre os títulos alcançados há mais de 15 anos figuravam Sociologia, Humanidades, Direito, Ciências Políticas e Filosofia.

Desde então somou outros sete diplomas à lista, entre eles o de Ciências Estratégicas da Universidade de Turim, de Criminologia em Roma e o último, alcançado no dia 1º de fevereiro, em Turismo, em Nápoles.

“A cada vez me sinto diante de um novo desafio, um desafio que impus a mim mesmo. Quero testar o limite do meu corpo e do meu cérebro, até onde posso chegar”, conta com tom divertido este homem, que foi professor de educação física.

Foi justamente enquanto estudava Educação Física, seu primeiro diploma, obtido em 1972, que surgiu seu interesse pelo mundo acadêmico.

“Além dos eventos esportivos, tínhamos aulas teóricas que eu gostava muito e que fizeram com que eu me entusiasmasse pelo estudo”, lembra Baietti, que é casado e tem um filho de 22 anos.

– Desafios –

“Passei da pedagogia à sociologia, à literatura e à psicologia, depois ao direito para chegar a disciplinas mais profissionais, como a ciência da investigação e da estratégia”, explica este estudioso.

O último diploma foi o que gerou mais problemas. “Foi organizado conjuntamente pelo Ministério da Defesa e pela Universidade de Turim e tratou de temas delicados relacionados à segurança nacional. Tinha que se apresentar de uniforme”, lembra.

Para seu diploma número 15, da Universidade Pégaso se Nápoles, Luciano Baietti precisou encarar mais um desafio: a telemática.

“Levando em conta que usar a internet não é algo tão fácil para alguém da minha geração, eu queria demonstrar que a educação à distância é tão boa quanto o ensino tradicional e quebrar um preconceito tenaz”, explicou.

Outro diploma que deu trabalho para conquistar foi o de Criminologia, já que precisou entrevistar vários detidos na prisão.

“Depois de falar com eles, de ouvir seus argumentos, você se pergunta sobre o que é justo ou não”, confessa.

Apesar de sua idade, prepara um novo diploma, o número 16, em Ciências da Alimentação.

Assim como fez com os outros títulos, se prepara em silêncio, em seu escritório, entre as três e as cinco da madrugada.

“É a hora na qual meu cérebro está disponível para assimilar conhecimentos e que me permite manter uma vida familiar normal”, confessa entre estudioso, que também é voluntário da Cruz Vermelha italiana.

Lagarto predador entra clandestinamente no Brasil

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Começou com a foto de um lagarto publicada em agosto de 2015 em um post no grupo Herpetologia Brasileira no Facebook. Era um lagarto estranho que havia sido observado em uma região residencial próxima à zona portuária de Santos pelo estudante de biologia Ricardo Samelo, da Universidade Federal de São Paulo, campus Baixada Santista.

“A foto causou comoção entre os membros do grupo. Era um animal diferente de qualquer outro em nossa fauna”, recorda o herpetólogo Ivan Prates, atualmente doutorando na City University of New York (CUNY), sob orientação da professora Ana Carolina Carnaval, da mesma universidade.

Imediatamente começaram as especulações para saber qual seria a espécie em questão. A sugestão mais forte era que devia se tratar de um Anolis carolinensis. O gênero Anolis reúne quase 391 espécies, praticamente todas no Caribe e nas Américas Central e do Sul. Uma única espécie é exclusiva da América do Norte, justamente o A. carolinensis.

“Após comentar sobre a foto com a minha orientadora [Carnaval], resolvemos descobrir que bicho afinal era aquele. Entrei em contato com Ricardo, que mora em Praia Grande, e aproveitei uma vinda a um congresso no Brasil para irmos a campo na Baixada Santista tentar elucidar o mistério”, disse Prates.

Os pesquisadores não imaginavam, mas estavam prestes a identificar a primeira ocorrência na América do Sul de uma espécie original de Cuba, a Anolis porcatus, que é invasora, predadora e potencialmente nociva à fauna brasileira.

A identificação foi publicada em dezembro de 2016 no South American Journal of Herpetology. O trabalho contou com apoio da FAPESP e da National Science Foundation por meio do projeto de pesquisa “Dimensions US-BIOTA São Paulo: integrando disciplinas para a predição da biodiversidade da Floresta Atlântica no Brasil”.

Quando chegaram ao local onde Samelo havia avistado o lagarto que causou alvoroço na rede social, a dupla de biólogos se deparou com um grande número de animais.

“Até aquele momento ainda pensávamos que se tratava do A. carolinensis e achamos dezenas de exemplares do estranho lagarto. Resolvemos perguntar às pessoas que viviam nas proximidades se conheciam aqueles bichos. Todos os conheciam muito bem. O mesmo se deu quando fomos investigar no Guarujá e em São Vicente, municípios onde aqueles lagartos são abundantes. Acreditamos que o mesmo ocorra em Cubatão. Encontramos machos, fêmeas e também filhotes, sinal de que a espécie invasora está procriando e bem estabelecida na Baixada Santista”, disse.

De volta a Nova York, Prates contou com a ajuda da estudante de biologia Leyla Hernandez para um estudo de DNA de amostras coletadas dos animais com o objetivo de verificar se se tratava realmente do norte-americano A. carolinensis. Não era. O DNA pertencia ao cubano A. porcatus.

“O gênero Anolis é complicado de trabalhar. São centenas de espécies, várias muito parecidas. Além do mais, elas podem hibridizar, ou seja, cruzar entre si, o que complica ainda mais a identificação”, disse Prates.

Qualquer espécie invasora é indesejada, uma vez que compete com a fauna nativa pelos recursos disponíveis. Ainda assim, alguns invasores são piores do que outros. É o que pode acontecer no litoral paulista.

“O A. carolinensis é uma espécie comercializada como animal de estimação nos Estados Unidos. Daí a nossa primeira hipótese para explicar a introdução daquela espécie na Baixada Santista. Algum dono poderia ter solto o bicho ou o animal poderia ter fugido ou se extraviado”, disse Prates.

Mas o A. porcatus não é amplamente comercializado no mercado de animais de estimação. “É uma espécie exótica relativamente grande [cerca de 15 centímetros]. Trata-se de um predador generalista, que se alimenta principalmente de artrópodes, mas também de pequenos mamíferos como ratinhos e até mesmo de outros lagartos”, contou.

Segundo Prates, foram reportados na República Dominicana casos de A. porcatus invasores avistados competindo com lagartos nativos. Isso leva a crer que a introdução da espécie na Baixada Santista pode eventualmente colocar em risco a sobrevivência das populações locais de lagartos. Sem falar na possibilidade iminente de o bicho se alastrar para outras áreas adjacentes.

A espécie também já invadiu a Flórida, próxima a Cuba. “No caso dos Estados Unidos, pode ser que alguns bichos tenham chegado boiando, à deriva em cima de ramos de vegetação flutuante, como restos de troncos ou folhas de palmeira”, disse a bióloga carioca Carnaval, professora no Departamento de Biologia da CUNY.

Dimensões da Biodiversidade

A hipótese da invasão flutuante não se aplica ao caso brasileiro. A distância entre Cuba e a Baixada Santista é de 6.100 quilômetros. “Nossa hipótese mais forte é a via marítima. Eles podem ter sido embarcados em contêineres ou na carga de navios mercantes. A ideia se justifica pelo fato de todos os locais onde achamos comunidades de A. porcatus estarem próximos a depósitos de contêineres no porto de Santos”, disse Carnaval.

“Mas o estudo de DNA também sugere que os lagartos podem ser originários da Flórida, onde também são exóticos, e não diretamente de Cuba”, disse Prates.

Segundo Carnaval, o trabalho de identificação do A. porcatus na Baixada Santista foi pontual em seu laboratório. “Como a maior parte do meu laboratório, Ivan [Prates] trabalha com a história demográfica de outras espécies de Anolis que ocupam a Amazônia e a Mata Atlântica, bem como suas respostas a mudanças climáticas”, disse.

“Nosso projeto Dimensões da Biodiversidade é um projeto bem grande que reúne biólogos trabalhando nas áreas de sistemática e documentação de biodiversidade, genética de populações e fisiologia com geólogos, geógrafos, climatólogos e engenheiros ambientais”, disse Carnaval.

O objetivo do trabalho é entender o passado, para poder prever o futuro. “Nossa meta é documentar padrões gerais de diversidade e endemismo de espécies e suas linhagens genéticas ao longo da Mata Atlântica, para entender como esses padrões foram gerados e modificados ao longo dos últimos 120 mil anos. Temos ênfase forte nas respostas das espécies da Mata Atlântica às mudanças climáticas do passado, com o objetivo de gerar previsões mais realistas sobre respostas potenciais às mudanças climáticas que ainda estão por vir”, disse.

O artigo Molecular Identification and Geographic Origin of an Exotic Anole Lizard Introduced to Brazil, with Remarks on Its Natural History, de Ivan Prates, Leyla Hernandez, Ricardo R. Samelo e Ana C. Carnaval, pode ser lido no South American Journal of Herpetology em www.bioone.org/doi/abs/10.2994/SAJH-D-16-00042.1.

Agência FAPESP

 

Há um continente perdido no Oceano Índico?

Main Mauritius island view

Pesquisadores afirmam ter encontrado novas evidências da existência de Mauritia, continente que teria desaparecido há 200 milhões de anos

Pesquisadores da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, afirmam ter encontrado novos indícios da existência de Mauritia, um continente submerso no Oceano Índico que teria desaparecido há 200 milhões de anos. Segundo o estudo, publicado na última semana na revista Nature Communications, um mineral chamado zircão, encontrado nas Ilhas Maurício, traria a mais nova evidência de que a região desaparecida estaria sob as águas. Geólogos e especialistas na área, no entanto, estão céticos em relação à descoberta e afirmam que é arriscado afirmar que exista um “continente perdido” no Hemisfério Sul.

“Dizer que o material encontrado faz parte de um continente desconhecido é uma hipótese de trabalho muito ousada, para não dizer precipitada. Pode ser apenas parte de um fragmento continental que ficou no Oceano Índico com a separação dos continentes, que aconteceu há 200 milhões de anos. No interior dos oceanos atuais há muitos desses resquícios”, afirmou ao site de VEJA o geólogo Benjamin Bley de Brito, professor da Universidade de São Paulo (USP).

Mauritia

Os primeiros indícios de que um continente desaparecido estaria sob as Ilhas Maurício surgiram em 2013, quando um estudo foi publicado na revista científica Nature Geoscience. Pesquisadores da Universidade de Oslo, na Noruega, identificaram traços de zircão muito antigo na areia da praia e sugeriram a hipótese de que um microcontinente, que teria existido entre 2 bilhões e 70 milhões de anos atrás, e seria formado entre as regiões que hoje correspondem à Índia e Madagascar. Com o nome de Mauritia, esse continente teria sido coberto pelo mar e por camadas de magma ao longo da separação dos continentes atuais, que aconteceu há cerca de 200 milhões de anos.

O estudo trazia uma peça a mais que não fazia parte da narrativa tradicional do desenvolvimento dos continentes, segundo a qual duas grandes massas de terra, Gondwana e Laurásia, agrupavam toda a massa terrestre. Há 200 milhões de anos, Gondwana se dividiu em dois blocos que originaram posteriormente Antártica, Índia, Madagascar, Austrália, América do Sul e África. Laurásia dividiu-se para formar os continentes do Hemisfério Norte.

Para sugerir a hipótese de um novo continente, os cientistas analisaram o zircão (silicato de zircônio), um elemento encontrado na crosta continental e descobriram que ele tinha entre 1.000 e 600 milhões de anos. O zircão contém traços de tório, urânio e chumbo, substâncias que resistem muito bem a processos geológicos e, por essa razão, pode ser datado com precisão. A idade do zircão encontrado pelos pesquisadores era muito mais antiga que a formação das Ilhas Maurício, resultado de uma atividade vulcânica há nove milhões de anos. A hipótese dos cientistas para a data é que o zircão teria sido parte de um continente desconhecido (Mauritia), que foi levado para a superfície com a erupção.

Na época, o estudo foi bastante criticado por especialistas, que afirmaram que o mineral poderia ter sido carregado pelo vento, por pneus de veículos ou mesmo pelos sapatos dos cientistas. No novo estudo feito pela Universidade de Witwatersrand, contudo, os pesquisadores analisaram o zircão pertencente a rochas expelidas pela lava durante erupções vulcânicas, presentes nas Ilhas Maurício. A datação da substância, feita por meio de isótopos radioativos, revelou que entre as amostras havia zircão de 3 bilhões de anos.

Segundo o geólogo Lewis Ashwal, renomado especialista na geologia da separação dos continentes e líder do estudo mais recente, as análises confirmariam a pesquisa anterior e poderiam ser uma peça a mais para ajudar a montar o quebra-cabeça da formação dos continentes atuais. Segundo Ashwal, a separação dos continentes atuais não teria sido uma simples quebra de Gondwana, mas uma separação complexa que aconteceu com fragmentos de tamanhos variados dos continentes deixados à deriva durante o desenvolvimento do Oceano Índico.

Separação dos continentes

Para o geólogo Benjamin Bley de Brito, é intrigante a descoberta de substâncias tão antigas em uma região jovem (em termos geológicos) como as Ilhas Maurício. Contudo, a afirmação de que elas pertençam a um “continente perdido” é apressada. “Para se chegar a essa conclusão seriam necessários mais dados, como estudos geológicos, petrológicos, paleomagnéticos e sondagens específicas, entre outros”, afirma.

Os pesquisadores também afirmam que seria necessária a avaliação de rochas encravadas na plataforma continental sob as ilhas, além das análises já feitas das rochas soltas sobre a superfície das ilhas. “As novas evidências podem indicar que existia um continente embaixo da região, que acabou sendo coberto pela atividade vulcânica e pelo Oceano Índico. Contudo, é difícil chegar a esse suposto continente, pois ele estaria há mais de quatro quilômetros de profundidade, embaixo do oceano”, afirma o geólogo Umberto Cordani, especialista na evolução da geologia dos continentes e professor emérito do Instituto de Geociências da USP. “Por isso seria necessário ter amostras dessas rochas submersas.”

De acordo com os especialistas brasileiros, a hipótese de que outros continentes, além dos atuais, tenham existido, não é nova. Em 2013, cientistas brasileiros e japoneses encontraram rochas continentais na Elevação do Rio Grande, região há 1.500 quilômetros do litoral do Sudeste do Brasil, e sugeriram que a área pode ser um pedaço da América Latina que ficou para trás com a divisão dos continentes.